B. Tehlikeli Oyunlar'da Soytarılık
7. İzlek Olarak Soytarılık: Kendini Arayan Hikmet
Segundo Muriel e Guedes (2013), a concepção de pesquisa que orienta o debate no âmbito do Serviço Social é resultado dos avanços da crítica ao conservadorismo estabelecido pela categoria profissional a partir da década de 198075. Na profissão, a pesquisa se constitui como elemento fundamental para a análise das determinações sócio-históricas, tais como as conjunturas políticas, econômicas e sociais que irão determinar as ações profissionais mediante redefinição das políticas sociais.
Conforme Setubal (2007), a centralidade da pesquisa no processo de formação profissional reforça a defesa de uma perspectiva de formação profissional a qual reconhece o Serviço Social enquanto uma profissão complexa em sua historicidade, inserida no
75 Simionato (2005) ressalta que um dos fatos fundamentais para o reconhecimento da importância da pesquisa no processo de formação profissional foi a reforma curricular de 1982, na qual a pesquisa aparece como uma das exigências da formação profissional e; a criação do Centro de Documentação em Pesquisa e Políticas Sociais e Serviço Social – CEDEPSS.
movimento real da formação social capitalista. Ela se constitui enquanto elemento primordial para uma formação que tem por norte a apreensão da essência do real, considerando a relação dialética existente entre teoria e prática. Assim:
[...] acredita-se que a produção do conhecimento pela via da pesquisa é o caminho que possibilita o rompimento do Serviço Social com a pseudoconcreticidade, por provocar no profissional o desejo de se movimentar –enquanto profissional pesquisador e/ou profissional responsável por ações institucionais que, aparentemente, não têm responsabilidade direta de produzir conhecimento –no sentido de fazer com que o pensar e o agir possam interagir dialeticamente (SETUBAL, 2007, p. 65)
A autora reforça, ainda, que a preocupação em reafirmar o lugar relevante da pesquisa na formação e atuação profissionais não se consubstancia apenas a partir da aprovação das Diretrizes Curriculares da ABEPSS de 1996. Na primeira proposta de currículo mínimo, determinado pela Lei n. 1889, de 13 de junho de 1953, a pesquisa estava inscrita como matéria obrigatória para os cursos de graduação em Serviço Social, claro que dentro da particularidade do processo de formação profissional da época, o qual estava atrela a uma perspectiva tecnicista de formação profissional, diferentemente do atual currículo mínimo proposto e defendido hegemonicamente pela profissão - materializado nas Diretrizes Curriculares da ABEPSS de 1996.
Para um profissional que tem seu espaço sócio-ocupacional dado, direta ou indiretamente, pelas expressões da questão social, a atitude investigativa se constitui fundamental. Daí a importância da transversalidade da pesquisa no processo de formação profissional do assistente social. Esta se efetiva através da necessária articulação dos componentes curriculares que trazem o conteúdo da pesquisa, viabilizando as três dimensões constitutivas do exercício profissional: teórico-metodológica; ético-política e técnico- operativa.
Por isto que, nas Diretrizes Curriculares da ABEPSS, a pesquisa está definida tanto como um componente curricular específico76– o qual objetiva apreender a natureza, método e processo de construção do conhecimento e a investigação enquanto dimensão constitutiva do trabalho do assistente social – como elemento transversal durante todo o percurso vivenciado
76 Este tem por ementa: “Natureza, método e processo de construção de conhecimento: o debate teórico-metodológico. A elaboração e análise de indicadores socioeconômicos. A investigação como dimensão constitutiva do trabalho do assistente social e como subsídio para a produção do conhecimento sobre processos sociais e reconstrução do objeto da ação profissional” (ABEPSS, 1996, p. 18).
na formação profissional, presente tanto nos demais componente curriculares obrigatórios quanto em outras atividades complementares.
Observamos esta apreensão nas falas dos discentes das instituições pesquisadas:
[...] no caso do Serviço Social, ela é um tipo de ferramenta que vai somar, você vai poder formar os meios para conseguir e elaborar as estratégias e tal para conseguir o que quer, o que precisa, e a pesquisa é o que dar fundamento. (Grupo Focal – Est.177– Universidade Pública)
No relato supracitado, o discente reconhece a pesquisa enquanto instrumento viabilizador do fazer profissional do assistente social, sendo fundamental na busca de estratégias para efetivar ações teologicamente planejadas pelo profissional. Tal compreensão é reafirmada na fala a seguir, na qual o discente ressalta a importância da pesquisa para conhecer a realidade na qual o profissional irá atuar.
Para trabalhar em determinado município em que você for trabalhar, em que você for atuar você tem que primeiramente fazer uma pesquisa para saber os aspectos da região (...) Ver as especificidades daquele setor para tentar resolver com a participação da sociedade... (Grupo Focal –Est.178– EAD) Vinculada a esta definição de pesquisa está a necessária articulação entre ensino, pesquisa e extensão, de modo a assegurar um processo de formação no qual capacite os profissionais a ultrapassarem o pragmatismo teórico e a ausência de relação entre teoria e prática, ancorando-se, assim, na direção da consolidação do projeto ético-político profissional (MURIEL; GUEDES, 2013).
Assim:
Assegurar essa indissociabilidade é, também, ter como direção a necessária articulação entre as aulas ministradas nas disciplinas que compõem a grade curricular nos cursos de Serviço Social e atividades desenvolvidas nos projetos de pesquisa e extensão, ainda que as condições materiais e políticas, dentre outras mediações que constituem a materialidade do ensino superior, apontem para o produtivismo e redução de quadro docente, de forma a enfraquecer tal dissociabilidade. Criar condições, ainda que rudimentares, para estimular os discentes a relacionar conteúdos ministrados em sala de aula com exercícios de pesquisa e extensão, é uma conquista trilhada (MURIEL; GUEDES, 2013, p.19).
77 Estudante na faixa etária de mais de 30 anos, sem vinculo empregatício e não participa do movimento estudantil.
78Estudante na faixa etária entre 18 e 25 anos, possui vínculo empregatício com carteira assinada e não
Esta articulação é importante, pois a pesquisa deve ser compreendida como elemento constitutivo e estruturante para o processo e exercício profissional do assistente social, devendo-se, para isto, se oportunizado aos discentes espaços que garantam experiências de pesquisas além das vivenciadas nas disciplinas curriculares. Para isto, as autoras citam como exemplo de materialização desta articulação: o diálogo entre graduação e pós-graduação; a inserção dos discentes em grupos de pesquisas; o diálogo entre os diferentes núcleos de pesquisa existentes nas unidades de ensino; a construção de projetos de ensino, pesquisa e extensão vinculados às linhas de pesquisa dos programas de graduação e pós-graduação; o fomento de parcerias com os campos de estágios. Tais espaços são importantes para que a pesquisa seja compreendida como espaço e momento de troca de conhecimento e experiências, na perspectiva de aproximação do conhecimento e o exercício profissional (MURIEL; GUEDES, 2013).
Assim:
[...] criar formas para aproximar dois diferentes espaços: a academia, campo de produção do conhecimento, dos espaços sócio-ocupacionais, e que se materializam as ações profissionais dos assistentes sociais. Aprender a sistematizar o conhecimento sob a ótica do rigor científico não se separa da formação de um profissional, cuja competência inscreve-se no compromisso com os usuários, na perspectiva da construção do projeto ético-político do Serviço Social (MURIEL; GUEDES, 2013, p. 23).
Porém, diante do contexto no qual a universidade está situada, marcado pela mercantilização do ensino de nível superior, que traz como consequências forte processo de privatização interna das IES públicas, ampliação do número de IES privadas e de modalidade de ensino à distância, tais estratégias de consolidação da pesquisa no processo de formação profissional, numa perspectiva transversal, são tolhidas, limitando e desqualificando a formação profissional sob a justificativa de maior amplitude no acesso ao ensino de nível superior.
Observamos essas limitações tanto no âmbito da universidade pública quanto na EAD. Na universidade pública, apesar de ser um espaço, por excelência, de fomento ao desenvolvimento de projetos de pesquisas e extensões, tais ações são limitadas, não garantindo a oportunidade de participação de todos os discentes nessas atividades, como podemos observar na fala a seguir:
Na realidade é para participar desses espaços de, tipo assim, projetos de extensão, base de pesquisa, que a gente não tem a oportunidade, que é um espaço riquíssimo (Grupo Focal1 – Est.279– Universidade Pública)
Em relação à instituição EAD, pela própria lógica na qual a instituição está inserida, não há atividades de pesquisa e extensão nas quais os discentes possam participar. Tal fato reflete a própria lógica de diversificação institucional promovida pelo MEC, consolidada pela LDB de 1996, a qual estabelece que apenas as universidades e centros universitários são obrigados a realizarem atividades de pesquisa e extensão, estando as demais IES destinadas apenas a fornecerem o ensino de graduação em nível superior, diluindo, assim, um aspecto fundamental que deveria ser indissociável no processo de formação profissional de nível superior: o tripé ensino-pesquisa-extensão.
Portanto:
A concepção do MEC de pesquisa favorece a hierarquização da produção de conhecimentos, (...) com tendência de concentração das pesquisas na pós- graduação e distanciamento progressivo dessas atividades das necessidades da graduação. Ao ocorrerem na graduação, realizam-se por meio de disciplinas específicas, com exceção para a inserção de um baixo percentual de estudantes em iniciação científica, para posterior ingresso na pós- graduação. Com isso, perde-se a perspectiva da transversalidade proposta nas Diretrizes Curriculares de 1996 (MURIEL; GUEDES, 2013, p. 26-27).
Portanto, a experiência para com a pesquisa fica restrita ao âmbito da disciplina e sua construção muitas vezes fica limitada à elaboração dos trabalhos de conclusão de curso realizados pelos discentes no final da graduação. Porém, até esse momento – mais propício à realização da pesquisa na maioria das IES – também sofre reduções, ao ser flexibilizado e reduzido à construção de um artigo (e não mais uma monografia) e ao ser suprimida o momento de apresentação e defesa do TCC, impedindo o estudante de vivenciar o rico processo de avaliação por uma banca de avaliadores (MURIEL; GUEDES, 2013). Na instituição de ensino a distância onde realizamos a pesquisa, por exemplo, os TCC são realizados em duplas e em formatos de artigos.
Portanto, diante do exposto podemos concluir que a concepção de pesquisa – enquanto um processo que deve ser transversal durante todo o período de formação profissional do assistente social – não está sendo devidamente efetivado em ambas instituições pesquisadas. Apesar da universidade pública garantir minimamente a alguns de seus discentes a experiência na participação em projetos de pesquisa e/ou extensão, isso não
79 Estudante na faixa etária entre 25 e 30 anos, possui vínculo empregatício e não participa de
ocorre de modo equânime pois não atende à demanda da maioria dos estudantes. Na EAD, pela própria lógica em que está inserida, tais atividades são inexistentes, restringindo as experiências dos discentes com a pesquisa somente ao âmbito disciplinar, o que inviabiliza o próprio sentido de pesquisa e de formação profissional defendido hegemonicamente pela profissão, uma vez que não há, minimamente, o estabelecimento do tripé ensino-pesquisa- extensão, restringindo o processo de formação profissional ao mero ensino, seguindo, portanto, a lógica mais ampla de aligeiramento, flexibilização e fragmentação deste.
5 CONCLUSÃO
Fazer o processo de conclusão de um trabalho acadêmico não é fácil, principalmente quando reconhecemos que, apesar da dimensão de uma pesquisa de mestrado, todo objeto é inconcluso, pois a realidade é dinâmica e multideterminada, havendo vários aspectos a serem aprofundados, mas que, infelizmente, não o serão neste momento.
Porém, podemos afirmar que alcançamos os objetivos traçados para esta pesquisa, bem como que a hipótese estabelecida no início de sua realização nos foi confirmada. Diante do que analisamos ao longo desse trabalho concluímos, portanto, que as contrarreformas promovidas nas políticas voltadas ao Ensino Superior brasileiro trazem diversas implicações para o processo de formação profissional do assistente social, seja no âmbito das instituições universitárias públicas, seja no âmbito das IES privadas e na modalidade de Ensino à Distância.
Como pudemos observar no primeiro capítulo, estas contrarreformas são efetivadas em cada instituição de modo particular, dentro das especificidades das instituições pesquisadas. Seus principais objetivos são de atender as determinações globais de uma sociabilidade que necessita da criação de novos nichos mercadológicos para obtenção de lucro e reprodução da ordem burguesa hegemonicamente dominante. Lógica esta que é a essência do modo de produção capitalista, o qual historicamente vem impregnando a totalidade da vida social o sentido mercantil, sendo uma necessidade histórica a reconfiguração do processo formativo/educativo dos sujeitos sociais, seja via mercantilização do sistema de ensino, transmutando um direito social em mercadoria, ou pela criação de novas estratégias ideológicas as quais possam impulsionar novos meios de consenso entre as classes antagônicas e de produção do conhecimento.
No segundo e terceiro capítulos vimos como estas contrarreformas repercutem no processo de formação profissional do assistente social, partindo da análise dos Projetos Político – Pedagógicos (PPP) dos cursos pesquisados e suas respectivas estruturas curriculares; do estudo de como a relação teoria e prática está sendo compreendida no processo de formação, bem como a realização do estágio supervisionado obrigatório e da pesquisa.
Analisando, portanto, os PPP dos cursos pesquisados concluímos que há significativas diferenças entre os documentos da universidade pública e os da EAD. Observamos que a construção do PPP da universidade pública ocorreu através de um processo coletivo no qual houve a participação dos docentes e discentes da instituição que, em
conjunto, pensaram o processo de formação a partir dos parâmetros legais e das próprias Diretrizes Curriculares da ABEPSS de 1996, considerando as especificidades regionais de onde o curso está inserido. Identificamos também nesse projeto a preocupação em reafirmar o direcionamento político defendido pelo curso – condizente com o que é defendido hegemonicamente pela profissão – mediante o embasamento teórico-metodológico e ético- político dado a este, garantindo, assim, um processo de formação pautado numa perspectiva de totalidade e socialmente referenciado.
No PPP da EAD observamos certas fragilidades no que concerne ao seu processo de construção e suas diretrizes curriculares. Em relação ao processo de construção, no próprio documento se afirma que este foi construído a partir de um processo coletivo, com participação de discentes, docentes e representantes do CRESS da região onde está situada a instituição matriz, porém, diante da própria especificidade do EAD, tal projeto não abarca as especificidades regionais dos polos, já que é seguido por todos os polos em nível nacional. Notamos também uma perspectiva mais técnica no que diz respeito aos objetivos traçados para o curso e uma lógica mais sequencial no que se refere à estrutura curricular, além percebemos alguns traços ecléticos em relação a esta última.
Tais características demonstram que na instituição EAD há uma preocupação maior em se atender as demandas impostas pelo mercado, não numa perspectiva de apreender estas dentro da lógica contraditória em que está inserido no modo de produção capitalista, mas numa perspectiva de consenso em relação a esta.
No terceiro capítulo, ao analisamos como está sendo compreendida a relação teoria e prática no processo de formação profissional das instituições pesquisadas. Observamos que há impasses em ambas as instituições, tanto em relação à apreensão desta discussão num âmbito mais geral, quanto no que se refere mais especificamente à relação dos estágios e da pesquisa.
No que se refere à discussão sobre a relação teoria e prática, de modo mais amplo, observamos que os discentes de ambas as instituições afirmam que o ensino da prática profissional é insuficiente. Tanto na universidade pública – que demonstra em seu PPP uma perspectiva de ensino da prática mais amplo – quanto na EAD – que sinaliza em seu PPP um ensino da prática numa perspectiva mais técnica – as afirmações dos discentes assemelham, ao afirmarem que não se sentem seguros para atuar enquanto assistentes sociais; que a teoria que aprendem durante o curso, apesar de importante, não está sendo suficiente para respaldá- los no fazer profissional e; que o ensino dos instrumentais é insuficiente.
Porém, na fala dos docentes não observamos tais afirmativas, o que nos instigou à problematização sobre o verdadeiro sentido da relação teoria e prática. Concluímos que
discutir sobre esta questão se constitui num dos maiores desafios à categoria profissional, pois implica superar a falsa apreensão de que a relação entre teoria e prática se estabelece de modo imediato e pragmático, como a racionalidade formal – abstrata da burguesia hegemonicamente dominante impõe. Tal relação deve ser compreendida de forma dialética numa perspectiva em que contribua ao profissional a apreensão da realidade em sua essência, superando as análises imediatas dos fenômenos que aparecem na cotidianidade do trabalho profissional.
Trabalhar a relação entre teoria e prática nesta perspectiva é um desafio dentro de um contexto onde observamos que ao ensino de nível superior é exigido a formação de profissionais cada vez mais qualificados tecnicamente, que atendam aos interesses impostos pela lógica mercantil de modo mais eficiente e neutra, desprendidos de concepções políticas e éticas, descaracterizando, assim, o que venha a ser o ensino de nível superior (que supostamente deveria contribuir na formação de profissionais que, a partir de análise crítica da sociedade em que se encontram, propor estratégias criativas de enfrentamento de problemas sociais, contribuindo, assim, na superação destes e na luta por uma sociedade mais justa e equânime); além da forte precarização que observamos no trabalho docente, que limita cada vez mais a atuação deste profissional junto com os discentes numa perspectiva provocativa e questionadora, não se restringindo somente ao repasse de conhecimentos.
As repercussões desse contexto estão sinalizadas, também, na realização dos estágios obrigatórios nas respectivas instituições. Em ambas mostramos que há limites: na universidade pública, o maior desafio que observamos está relacionado à efetivação da relação entre supervisores acadêmicos, discentes e supervisores de campo. Foi consensual na fala dos sujeitos da pesquisa que esta relação ainda não ocorre de forma satisfatória, porém, reconhecem que esta dificuldade ocorre diante da realidade das condições de trabalho dos supervisores, limitando que estes desenvolvam um processo de supervisão mais sistemático e planejado.
Em relação à instituição EAD notamos alguns impasses mais estruturais, tais como: carga horária destina à realização do estágio e supervisão acadêmica; a não existência de coordenação específica de estágio, sendo esta realizada pelo coordenador pedagógico do polo presencial e; a não existência de um supervisor acadêmico, sendo esta função exercida pelo tutor presencial responsável pela turma.
Outra questão discutida no último capítulo refere-se à realização da pesquisa. Observamos que esta, em ambas as instituições, ocorre de modo insatisfatório para se consolidar a perspectiva de que a pesquisa seja um elemento transversal no processo de
formação do assistente social. Na universidade pública observamos que, apesar dela se constituir num componente curricular específico e da existência no espaço institucional de projetos de pesquisas e extensão dos quais os alunos podem participar, estes são insuficientes e restritos, não atendendo as demandas dos discentes.
Na instituição EAD, a pesquisa se restringe somente ao cumprimento de um componente curricular, pois diante da própria lógica do EAD – que se define enquanto instituição de ensino, diferentemente de uma instituição universitária que tem por missão a realização de pesquisas e projetos de extensão – não existe oportunidades para os alunos participarem de projetos de pesquisas, limitando o processo de formação profissional apenas ao âmbito do ensino.
Portanto, diante da realização desta pesquisa concluímos que o processo de formação profissional sofre os rebatimentos do processo de contrarreformas no âmbito do ensino superior nas mais diversas formas, dentro das especificidades de cada instituição. Observamos um forte processo de banalização e precarização do ensino superior, tolhendo-o enquanto direito a ser garantido a todos e transmutando-o num propenso nicho mercadológico. Portanto, pensar o processo de formação profissional do assistente social, comprometido com ideais emancipatórios com a defesa da classe trabalhadora, se constitui num verdadeiro desafio.
Observamos que alguns parâmetros instituídos coletivamente pela categoria profissional – estabelecidos, por exemplo, nas Diretrizes Curriculares da ABEPSS e na Políticas Nacional de Estágio – ao processo de formação dos assistentes sociais não estão sendo efetivados, por exemplo, no que se refere à realização dos estágios, a inserção na pesquisa no processo de formação e, inclusive, a discussão de alguns temas centrais a este processo de formação.
Consideramos que estas limitações não são causadas meramente pelo descomprometimento profissional dos sujeitos que delas fazem parte, mas devido a questões