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De acordo com a definição para a língua portuguesa, comunicação é o processo que envolve a transmissão e a recepção de mensagens entre uma fonte emissora e um destinatário receptor, no qual as informações, transmitidas por intermédio de recursos físicos (fala, audição e visão) ou de aparelhos e dispositivos técnicos, são codificadas na fonte e decodificadas no destino com o uso de sistema convencionados de signos ou símbolos sonoros, escritos, iconográficos, gestuais, etc. No que se refere à persuasão, segundo o mesmo autor, persuadir é levar ou convencer alguém ou a si mesmo a convencer-se a respeito de algo; a mudar de atitude, convencer. (HOUAISS, 2007)

Comunicação é, portanto, definida como o processo pelo qual um indivíduo (o comunicador) transmite estímulos (geralmente verbal) para modificar o comportamento de outros indivíduos (público alvo – audiência). Desse modo, a mudança de atitude (efeito) é influenciada por variações nas características da fonte da comunicação (quem), da mensagem (o que), e do público (a quem) (AJZEN, FISHBEIN, 1980).

Um pressuposto básico subjacente no estudo das comunicações é que o efeito de uma dada comunicação depende do que é atendido, compreendido e aceitado. Os efeitos da fonte, mensagem e fatores de audiência sobre a mudança de atitude são mediados pela atenção, compreensão e aceitação. Uma implicação desta conceitualização é que uma dada manipulação tanto pode facilitar e inibir mudança de atitude. Por exemplo, um recurso que desperte medo, pode reduzir a atenção mas aumentar a aceitação. Os efeitos da comunicação,

então, dependem de dois fatores: aprendizagem do conteúdo da mensagem e aceitação do que é aprendido (AJZEN, FISHBEIN, 1980)

Variadas são as estratégias utilizadas na comunicação persuasiva que tentam influenciar o comportamento. Em sua grande maioria, elas procuram fornecer alguma informação ao público alvo, na expectativa de que essa informação produza mudanças em favor do desempenho do comportamento de interesse.

No caso do nosso estudo, utilizaram-se informações a respeito do câncer de mama na tentativa de proporcionar incremento na intenção comportamental de mulheres para a realização da mamografia. As informações diziam respeito a conteúdos acerca do câncer de mama, incluindo a importância da realização de exames preventivos e de detecção precoce.

Informação é a essência do processo de persuasão. Receptores são expostos a uma comunicação persuasiva na esperança que eles sejam influenciados pelo conteúdo da informação. A efetividade da mensagem depende, em grande medida, da natureza da informação (AJZEN, FISHBEIN, 1980).

O propósito da comunicação persuasiva é mudar as crenças primárias que estão subjacentes a um ou mais comportamentos. Como regra geral, a estrutura de uma mensagem é composta por um conjunto de argumentos e evidências concebidas para apoiar esses argumentos. Quando o objetivo da mensagem é mudar a intenção ou comportamento, a mensagem, muitas vezes, também inclui uma ou mais ações recomendadas (AJZEN, FISHBEIN, 1980).

Na elaboração de uma mensagem persuasiva, dois pressupostos básicos são feitos: primeiro, que a aceitação da evidência de suporte irá resultar na aceitação dos argumentos e, segundo, que a aceitação dos argumentos provoca mudanças (AJZEN, FISHBEIN, 1980).

Os autores postulam que é possível especificar um conjunto de crenças primárias que servem como potenciais determinantes de um dado comportamento. Estas crenças dizem respeito às consequências da realização do comportamento e as prescrições normativas de referentes relevantes. Para ser eficaz, uma mensagem deve influenciar essas crenças primárias, e os seus efeitos podem ser direto no que ele pode produzir aceitação e ceder aos argumentos utilizados (AJZEN, FISHBEIN, 1980).

Igualmente importante a mensagem pode ter efeitos indiretos pelo impacto nas crenças primárias não explicitamente mencionadas na comunicação. Alguns desses efeitos de impacto podem não ser previstos, podendo assim produzir resultados inesperados (AJZEN, FISHBEIN, 1980).

A mudança nas crenças primárias pode não ser suficiente para provocar uma mudança no comportamento. Para ser eficaz, a comunicação persuasiva deve mudar um número suficiente de crenças primárias para influenciar a atitude para o comportamento ou a norma subjetiva. Além disso, uma alteração de qualquer componente irá influenciar a intenção somente se ela tem um peso significativo para a predição da intenção. Finalmente, à medida que uma mudança na intenção resultará na mudança de comportamento depende da força da relação intenção-comportamento (AJZEN, FISHBEIN, 1980).

Para a elaboração da mensagem persuasiva realizada nessa investigação, procedeu-se, inicialmente, uma compilação de conhecimentos científicos acerca do câncer de mama, seus fatores de risco, comportamentos preventivos, incluindo o auto-exame, o exame clínico e a realização de mamografia, de modo que essas informações aliadas a uma comunicação persuasiva entre o profissional de enfermagem e a mulher, pudessem ratificar a necessidade de adoção de comportamentos saudáveis que proporcionem melhores condições de vida e de saúde, e consequente melhor qualidade de vida. Acredita-se que essas informações são úteis, pois agregam conhecimento às mulheres, capacita-as para o autocuidado, assegurando-lhes, desse modo, a autonomia necessária ao exercício de cidadania.

O conhecimento acerca da temática possivelmente possibilita uma diminuição dos riscos para se desenvolver câncer de mama, tendo em vista que os fatores de risco quando presentes e identificados pelos sujeitos favorecem a adoção de comportamentos saudáveis, além de conferir propriedade sobre os possíveis sinais e sintomas apresentados, que podem facilitar o atendimento e a detecção precoces. Nesse contexto, a apropriação da realização da mamografia como padrão-ouro nos programas de screening para o câncer de mama pode favorecer um atendimento rápido à mulher acometida por alterações mamárias, especialmente nas alterações malignas da mama, dando-lhe oportunidade de tratamentos menos invasivos e mutiladores, além de um melhor prognóstico.

Desse modo, com vistas à educação em saúde das mulheres, e se empoderando da teoria da persuasão, elaborou-se um roteiro de trabalho baseado na distribuição e explicação de materiais de grande circulação e divulgação acerca do câncer de mama, cujo conteúdo aliado a uma comunicação persuasiva adaptada ao nível de entendimento da clientela geral, deixava evidente os comportamentos de risco e, concomitantemente, os preventivos, apontando práticas e hábitos saudáveis de vida, mostrando indicadores relacionados às estatísticas do número de mulheres acometidas pela patologia, número de casos novos anualmente, bem como dados relativos à mortalidade por câncer de mama.

Ênfase foi dada à mamografia, por ser o procedimento indispensável para a detecção precoce do câncer de mama e se configurar como variável de desfecho deste estudo.

Para que se pudessem manter as mulheres concentradas durante a oficina, optou-se por priorizar o uso de objetos visuais, em sua maior parte coloridos, como folders, álbum seriado, colar da vitória, manequim das mamas, bem como fotografias diversas. Todos os folders foram distribuídos entre as mulheres participantes do grupo experimental na medida em que eram apresentados, explicada a sua importância, e como seria possível se beneficiar daquela informação. Tanto o manequim das mamas quanto a Mamamiga foram utilizados para demonstrar o autoexame das mamas, os posicionamentos da mama durante a realização da mamografia, e as diferenças entre os achados comuns e/ou alterações mamárias suspeitas e passíveis de melhor investigação por profissional. Para a exibição das fotografias, foi utilizado um microcomputador portátil, do tipo notebook PC Acer Aspire 5920, com o programa da Microsoft Office PowerPoint 2003.

As fotografias foram captadas de webpages de diversas associações de apoio à saúde mamária e da rede mundial de computadores, e mostravam mamas saudáveis, mamas pós-mastectomia, incisões cirúrgicas, reconstrução mamária em suas diversas etapas, além de outros objetos utilizados por mulheres mastectomizadas como próteses removíveis. Durante a projeção das fotografias, comentavam-se cada uma delas sempre enfatizando os benefícios da detecção precoce, especialmente aqueles obtidos com a realização da mamografia. O mamógrafo, as posições durante o exame, e a desmitificação do medo e da dor eram repetidos entre uma e outra fotografia apresentada. A idéia era persuadir a mulher a querer fazer o exame, e simultaneamente, dissuadir o medo do exame, principalmente pelos relatos da dor durante o procedimento.

Dessa forma, utilizaram-se argumentos de comparação para melhor entendimento (como o uso de protetor solar para a prevenção do câncer de pele), e argumentos que fazem apelo ao medo (deixando claro o aumento do risco de morte, quando do diagnóstico tardio), como forma de despertar a mulher para o autocuidado em saúde.

As mulheres participaram ativamente do momento educativo, fazendo perguntas e, principalmente, trazendo os exemplos das pessoas conhecidas (parentes, vizinhas e famosas) que foram acometidas pela doença, bem como com relatos sobre os medos e a dor durante o exame.

Apresentam-se, a seguir, a lista dos materiais utilizados na oficina com seus respectivos autores/distribuidores:

1. Álbum seriado intitulado O câncer e seus fatores de risco - doenças que a educação pode evitar, abordando os seguintes aspectos: O que é câncer? o que é fator de risco? os vilões – principais fatores de risco de câncer e de câncer de mama, a pirâmide dos alimentos. O álbum foi editado pelo Instituto Nacional do Câncer INCA/ Secretaria de Saúde do Estado do Ceará/ Grupo de Educação e Estudos Oncológicos (GEON) – Extensão do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal do Ceará – UFC.

2. Folder Auto exame de mamas – aprenda a se defender do câncer de mama – uma publicação do Instituto de Prevenção do Câncer do Ceará – Governo do Estado do Ceará. 3. Colar da vitória e folder Câncer de mama tem cura – faça os exames de diagnóstico – publicação da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama – (FEMAMA).

4. Mamografia. Agora é lei. É seu direito. (folder) – FEMAMA.

5. Modelo didático para auto-exame das mamas (Mamamiga) – distribuído pela Associação de Prevenção do Câncer na Mulher – ASPRECAM, associação com sede no município de Belo Horizonte – MG.

6. Manual de Orientação a Mulheres Mastectomizadas – Autores: Mariza Silva Oliveira e Ana Fátima Carvalho Fernandes; publicado pela Editora da UFC.

Benzer Belgeler