3. GEREÇ ve YÖNTEMLER
3.2.2. İyon Odası İle Yapılan Ölçümler
O movimento comunitário rearticula-se fortemente a partir de 1974, cinco fatores são apontados por Ferreti:
107 FERRETI (apud FEDOZZI, 2000, p. 25). 108
a) as eleições para os cargos legislativos possa ter funcionado como catalisador da vida política municipal perpassando todos os níveis da sociedade, inclusive as vilas e suas organizações. Sendo que, a derrota do regime ditatorial nas eleições legislativas já sinalizava um enfraquecimento de suas bases de apoio. A pauta de discussões das questões urbanas forçosamente se politizou, saindo dos gabinetes; b) o PDDU- Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano não incorporou as áreas de
habitação irregular, o que agudizou os conflitos;
c) a percepção crescente das classes populares que constataram os investimentos em projetos urbanísticos em áreas centrais, e ao mesmo tempo partilhava os custos das obras na periferia, a exemplo da pavimentação;
d) os meios de comunicação de massa abriram-se, gradualmente para divulgação de problemas e demandas comunitárias;
e) tanto a PMPA quanto os particulares lançaram-se numa grande ofensiva contra os loteamentos irregulares .
Segundo as impressões dos próprios governantes, a população, na medida em que o regime se abria, mais ela tinha a oportunidade de tomar conhecimento da sua real situação, apoiada por partidos políticos, sindicatos, igrejas, paulatinamente ao reavivamento da vida comunitária, se constituía uma tomada de consciência, muitas vezes “perigosa”:
Os chamados maloqueiros possuem consciência da situação em que se encontram, em grande parte devido a ação dos partidos políticos e dos comunistas introduzidos no meio [...] nos demais bairros, a situação geral é de acomodação e passividade [...] as atividades políticas são muito intensas e num estado de exaltação as vilas de malocas. Isto devido ao fato de situação ser explorada continuamente em benefício de partidos legais (PTB) ou ilegais (PCB).109
A densidade organizacional no final dos anos 70, apontava para um estado incapaz de frear alguns movimentos. Apesar das investidas de cunho clientelista e patrimonialista, enraizado no Estado brasileiro, e apesar de muitas lideranças terem de fato sido “cooptadas” na defesa do governo com prefeitos que não haviam sido eleitos, mesmo estas não abriam mão de defender, mesmo que localmente, os interesses de suas comunidades.
Para Gonh110 “O velho movimento de bairros está intimamente ligado às nossas associações de moradores da fase populista.” Lideradas por pessoas ligadas a políticos que em troca de apoio eleitoral, articulavam melhorias patrocinadas pelo poder público. Já o novo
109
FERRETI (apud FEDOZZI, 2000, p. 21).
110
movimento de bairros no Brasil surge na década de 70, nos anos agudos da repressão, 1972 a 1973. Ele surge articulado às novas práticas da Igreja Católica, principalmente nos clubes de mães das paróquias.
A situação de carência econômica gerada pelo arrocho salarial e a pauperização dos recém formados bairros periféricos - gerados pelo mecanismo de especulação imobiliária e expulsão para novas áreas- foram os germes iniciais da aglutinação das camadas populares. A falta de espaço para discutir os problemas e o medo da repressão fizeram com que o manto protetor da Igreja tornasse a saída possível na busca de soluções para as questões cotidianas.111
Em Porto Alegre, processou-se também desta forma, os espaços conquistados para as discussões comunitárias de âmbito mais geral tornaram-se arena de discussões políticas, culminando com a redemocratização da FRACAB, em 1977.
Fundada nos anos 50, a entidade encontrava-se nos anos de chumbo sob a influência política e financeira do estado. Com a vitória da oposição para a diretoria da FRACAB, a entidade veio a fortalecer setores dos movimentos sociais que encaminhavam as suas lutas cotidianas baseadas na noção de direitos e não mais por meio de pura sujeição aos favores do poder político institucionalizado e dos seus representantes.112
Coincidentemente, a prática de remoções compulsórias foi obstaculizada no final dos anos 70, em razão da intensa mobilização das pessoas que, apesar de residirem em subabitações já haviam emergido para a esfera pública local, com entidades, com toda uma contestação do regime, contestação esta que somou esforços para a garantia de direitos.
Ou seja, a conjuntura política não permitia mais que o problema da favelização crescente nas grandes cidades fosse tratado com o uso da força do estado ou mediado apenas por critérios técnicos da burocracia estatal. Por outro lado, alguns estudos apontam para outro aspecto contido no programa do Sistema Financeiro de Habitação. Trata-se do papel desenvolvido pelo Estado na criação das condições estruturais para a acumulação do capital em geral, nesse caso, especialmente do capital financeiro e imobiliário, ou seja, trata-se de perceber, entre as múltiplas facetas do SFH, a transformação gradual da política habitacional em política financeira [...] a contagem e o acionamento de um complexo e gigantesco sistema de financiamento, onde o Estado é o principal promotor da captação da poupança, interna e seu administrador.113
111
GONH, 1991, p. 54.
112
FEDOZZI, 2000, p. 29.
Vale destacar que, em 1971, foi criado em Porto Alegre o Grupo Palmares, formado por pessoas que denunciavam o racismo e propunham um novo tipo de sociedade, não discriminatória. Muitos de seus membros eram ligados ao Movimento Negro Unificado, e sua atuação política e cultural, também afrontava o racismo de Estado. Foi desta agremiação que surgiu a proposta de se constituir o (20) de novembro como data que celebra o “Dia Nacional da Consciência Negra”.114 A partir de 1978, o MNU Contra a Discriminação Racial também se rearticula, ocupando espaços, consolidando territórios transicionais115 no coração da cidade, afirmando os territórios negros como espaços legítimos de ocupação, vivência e afirmação cultural. Os carnavalescos não assistem a estas discussões tão somente, muitos tomam parte. Os temas relacionados a negritude, às raízes africanas de nossa cultura vão sendo cada vez mais recorrentes. O centro da cidade vai sendo “retomado”, em termos simbólicos, pela comunidade negra. Este período de reabertura política gradual, final da década de 70, possibilita um maior nível de politização deste segmento.