2.6. Araştırmanın Analizleri ve Bulguları
2.6.3 Ölçeklere İlişkin Açıklayıcı Faktör Analizleri
2.6.3.1. İtme-Çekme Faktörlerine İlişkin Açıklayıcı Faktör Analizi
outros. Estas atividades induzem um conjunto de efeitos ambientais e socioeconômicos nos parques nacionais e em suas respectivas áreas de influência. Nos itens 3.2 e 3.3, o uso público nos parques nacionais será tratado à luz dos objetivos da Convenção da Diversidade Biológica, que evidencia a valoração (e apropriação) estética e recreativa da biodiversidade como um dos principais elementos para consolidar os parques nacionais como ‘mantedenores’ de bens e serviços para a sociedade. Por fim, será abordado o papel dos visitantes na dinâmica de utilização dos parques nacionais, tanto sob o ponto de vista das políticas públicas, quanto da perspectiva da prestação de serviços de apoio à visitação nestas áreas.
3.1 DA VISITA E DO TURISMO: CONCEITOS QUE PERMEIAM O USO PÚBLICO NOS PARQUES NACIONAIS
Esta seção apresenta uma análise dos conceitos relacionados ao uso público nos parques nacionais. O termo ‘uso público’ será utilizado de maneira abrangente para indicar a utilização das unidades de conservação pelo público, por meio da visitação e do turismo, independentemente da motivação/atividade (contemplação, recreação, esporte, observação de aves) ou do segmento do turismo em questão (ecoturismo e turismo de aventura). Para orientar a análise, o Quadro 3.1 apresenta os termos utilizados nos documentos legais e institucionais que tratam do planejamento e da gestão da visitação em unidades de conservação.
documento/instrumento legal data termos e expressões utilizados Decreto 84.017 – aprova o
regulamento dos parques nacionais brasileiros
21 de setembro de
1979 “Art. 1, § 2° os parques nacionais destinam-se a fins científicos, culturais, educativos e recreativos”. “Marco conceitual das Unidades de
Conservação Federais do Brasil” – IBAMA/GTZ.
dezembro de 2000 “Pode-se entender visitação como as atividades educativas, recreativas e de interpretação ambiental, realizadas em contato com a natureza, de acordo com o especificado nos planos de manejo das unidades de conservação”.
Lei 9.985 – institui o SNUC 18 de julho de 2000 “Visitação pública; educação e interpretação ambiental; recreação em contato com a natureza; turismo ecológico”.
Roteiro Metodológico de Planejamento para Parque Nacional, Reserva Biológica e Estação Ecológica – MMA/IBAMA
2002 Potencial de visitação – uso possível das UC seja para recreação e lazer em parques nacionais, ou educação ambiental em todas as categorias de manejo. Outros termos encontrados: “formas primitivas de recreação” e “recreação intensiva” “Diretrizes para a visitação em UC”
– MMA/IBAMA 2006 Visitação e turismo Lei 11.516 – dispõe sobre a criação
do ICMBio e dá outras providências
28 de agosto de 2007
Art. 1o , § 5° “(...) programas recreacionais, de uso
público e de ecoturismo”.
Quadro 3.1 – Termos e expressões utilizados nos documentos legais e institucionais que tratam do planejamento e da gestão da visitação em unidades de conservação.
As palavras recreação e visitação estão presentes em quase todos os documentos citados no quadro acima. De maneira geral, elas caracterizam o uso público nos parques nacionais e são utilizadas com freqüência na gestão das UC.
A visitação é abordada nesta tese como uma forma de utilização dos parques nacionais. É uma atividade que requer um trabalho intenso de gestão e de relacionamento com o público e com outras políticas setorias, principalmente de turismo. Quando tratamos da cadeia produtiva do turismo, isto é, da rede de serviços, infra-estrutura e atrativos, o parque nacional ocupa uma posição de destaque na composição do produto turístico. Contudo, nem todos os visitantes dos parques nacionais são turistas, conforme a conceituação de turismo que veremos a seguir. Existem parques nacionais que recebem mais visitantes do que turistas, como é o caso do Parque Nacional de Brasília (DF), que é visitado principalmente por moradores de Brasília. Já no caso do Parque Nacional do Iguaçu (PR), a maioria dos visitantes são turistas, muitos provenientes de outros países. Esta diferenciação importa para destacar o viés mercadológico induzido pelo turismo na apropriação dos parques nacionais.
Dentre os inúmeros conceitos de turismo, a Organização Mundial do Turismo (OMT) o define da seguinte forma: “compreende as atividades que realizam as pessoas durante suas viagens e estadas em lugares diferentes ao seu entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócios ou outras” (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO, 2001, p. 38). Com base nesse conceito, o turista é aquele que se desloca entre cidades, regiões, países e continentes, em função de diversas finalidades e que permanece no local por um período consecutivo inferior a um ano. Mas o turismo não é apenas deslocamento. O turismo envolve o consumo de serviços
básicos como hospedagem, alimentação e, em alguns casos, o aluguel de equipamentos específicos e a contratação de um guia/condutor. Em termos econômicos e mercadológicos os turistas são potenciais consumidores que dinamizam a cadeia produtiva do turismo.
A população que vive nos municípios abrangidos por um parque nacional não precisa viajar para conhecê-lo, mas pode necessitar da contratação de outros serviços como a alimentação, o aluguel de equipamentos, a contratação de condutores de visitantes etc. Da mesma forma que os turistas, a população local visita o parque. Assim, do ponto de vista da gestão do parque nacional, todos são visitantes, independentemente da origem, da motivação e do segmento do turismo (ecoturismo, turismo de aventura, turismo cultural).
Em seguida, serão apresentadas algumas referências conceituais sobre os termos relacionados no Quadro 3.1. A intenção é reunir elementos para subsidiar a compreensão sobre a prestação de serviços de apoio à visitação nos parques nacionais.
Desde 1979, a recreação é o termo mais utilizado para caracterizar as atividades realizadas pelo público nos parques nacionais29. Recrear é distrair-se, divertir-se. Recreio é um momento livre que ocorre entre os compromissos. Diversos autores entendem a recreação como as atividades/experiências vividas no período de lazer. Recreação e lazer são termos utilizados sempre de maneira integrada, porém a recreação tem uma conotação menos abrangente do que o lazer (BRUHNS, 1997; BRAMANTE, 1997; DUMAZEDIER, 1999).
O lazer é comumente acompanhado de sentimentos de liberdade, prazer, criatividade, podendo se constituir num espaço de emergência de valores e concepções sobre a atuação do homem na sociedade (BRUHNS, 1997)30. Esse é o contraponto do lazer encarado apenas em oposição radical ao trabalho, como um espaço de alienação e de “recuperação da força de trabalho”. Para Bruhns, essa é uma visão funcionalista do lazer baseada na manutenção do próprio sistema, pois o tempo de trabalho e o tempo de não-trabalho funcionam respectivamente na produção de bens e na recuperação das forças produtivas para alimentar o próprio trabalho. “As necessidades humanas vão muito além dessas que consideram o homem como uma máquina precisando de manutenção e reparos. Elas envolvem o conhecimento, a descoberta, o convívio, a aventura, as projeções” (1997, p. 34). Essas são características evidenciadas no processo de educação e interpretação ambiental em unidades de conservação.
29 Podemos relacionar o uso do termo recreação a uma certa influência da literatura internacional sobre a
visitação em áreas protegidas. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem correntes que priorizam os termos recreação, uso público, visitação, como é o caso do programa de pesquisa em recreação do Aldo Leopold Institute, vinculado ao United States Forest Service. Em suas publicações raramente encontramos o termo turismo. Outras instituições, como a National Outdoor Recreation Leadership School – NOLS e a Outwardbound possuem cursos e atividades que relacionam a recreação, a educação ambiental e o aprendizado de técnicas de mínimo impacto para atividades recreativas em ambientes naturais.
30 É extensa a literatura sobre o lazer na sociedade contemporânea. Esta tese não pretendeu aprofundar esse
Dentre os conceitos de educação ambiental disseminados desde suas primeiras referências em 1965, durante um evento de educação promovido pela Universidade de Keele, no Reino Unido, e posteriormente na Conferência de Tibilisi em 1977, destaca-se o seguinte: “processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” (Lei 9.975, de 27 de abril de 1999) (LOUREIRO et. al, 2005). Esse conceito tem uma estreita relação com o uso público dos parques nacionais em suas diversas tipologias, desde uma visita por grupos de alunos até uma escalada ao topo de uma montanha. Nesse contexto, o processo de educação ambiental não termina após a experiência vivida em contato com a natureza, seja dentro ou fora de um parque. A ‘intenção’ ou o princípio da atividade é possibilitar uma abordagem crítica das relações existentes entre educação, sociedade, trabalho e natureza, e a capacidade de utilizar os aprendizados para agir em situações do cotidiano de vida (QUINTAS, 2000, apud LOUREIRO et al.).
A interpretação ambiental é uma atividade educacional que procura revelar significados por meio de experiências vividas na natureza e do contato com diferentes instrumentos de comunicação e linguagem que vão muito além da comunicação factual de informação (TILDEN, 1977). Essa é uma ‘aproximação’ do conceito de interpretação ambiental, pois como destaca Tilden (1977), as definições sobre o conceito de interpretação dependem das circunstâncias em que as utilizamos, seja do ponto de vista do nosso simples ‘olhar’, seja do ponto de vista do relacionamento dos gestores dos parques com os visitantes. Contudo, o autor destaca alguns princípios que permeiam as variações da interpretação ambiental como “a interpretação é a revelação baseada na informação”, “o objetivo principal da interpretação não é a instrução (o simples repasse de informações), mas a provocação”, “a interpretação é uma arte que combina muitas artes a partir de elementos científicos, históricos, arquitetônicos presentes” (TILDEN, 1977, p. 9).
A educação e a interpretação ambiental apontam para a composição de outro conceito utilizado no âmbito da gestão da visitação em parques nacionais, o ecoturismo (SERRANO, 2001). Antes de entrar no conceito de ecoturismo, é oportuno abordar o termo “turismo ecológico”, utilizado na lei do SNUC. Em meados da década de 1980 e início da década de 1990 o termo “turismo ecológico” era comumente encontrado na literatura sobre as atividades de turismos realizadas em ambientes naturais, com foco principal nos aspectos ecológicos da fauna e da flora. Em 1985 a Embratur ‘oficializou’ o novo segmento por meio do Projeto “Turismo Ecológico” (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2007). Embora o termo ecoturismo tenha sido utilizado pela primeira vez em 1983, por Cebállos-Lascuráin, sua utilização se consolidou a partir de 1990 e, aos poucos, foi incorporando o conceito de
“turismo ecológico”. Esse último caiu em desuso a partir da incorporação de componentes culturais, étnicos e sociais disseminados pelo conceito de ecoturismo. Além desses elementos, o conceito de ecoturismo acompanhou a ‘onda’ dos movimentos ambientalistas fortalecidos após a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (também conhecida como ECO-92), realizada no Rio de Janeiro, em 1992. Nesta época, as vertentes ‘eco’ do turismo passaram a incorporar as dimensões da sustentabilidade (ambiental, econômica, cultural, social) e a fortalecer o contraponto ao ‘turismo de massa’ (McMINN, 1997; IRVING, 1998; PIRES, 2002).
O turismo expandiu-se significativamente a partir da segunda metade do século XIX em virtude de alguns fatores: progresso econômico alcançado por alguns países, incrementando a renda de diversas classes sociais; promulgação de leis trabalhistas a favor da redução da jornada de trabalho e do incremento dos benefícios de férias; progresso técnico-informacional (Internet, TV a cabo) despertando interesses em conhecer outras culturas e paisagens; avanço no setor de transportes, possibilitando uma maior mobilidade dos indivíduos; facilidades de crédito, em função da organização de pacotes de viagem oferecidos pelas operadoras turísticas; difusão e promoção do lazer como um bem necessário para o ser humano, fundado no modelo existencial da sociedade industrial “trabalho-casa-lazer-viagem” (PADILLA, 1980; KRIPPENDORF, 1989, URRY, 1996). Esses fatores contribuíram para a consolidação do que veio a ser chamado de “turismo de massa”.
A designação do turismo, enquanto um fenômeno de massa e característico da sociedade industrial, difunde-se a partir dos anos de 1950. Ocorre nesta época a “democratização da viagem”, em que as distinções de status social já não se faziam entre os que podiam ou não viajar, e sim com base no lugar para onde se viajava. Desenvolveu-se uma espécie de “hierarquia” que classificava os lugares-símbolos do turismo de massa, que eram ridicularizados e desprezados (URRY, 1996; DEPREST, 1997).
A palavra “massa” evoca um acúmulo de pessoas num determinado destino turístico (la foule),31causando o seu saturamento e, consequentemente, induzindo a procura por novos lugares para serem explorados (DEPREST, 1997, p. 6). Essa é a dinâmica que caracteriza a conquista por turistas ‘mais diferenciados’, que não gostam de se misturar com a multidão, na busca pelas últimas praias ‘virgens’ do litoral brasileiro. Para esse tipo de turista, quanto mais longe, mais exótico e de difícil acesso, melhor, pois, desta forma, é possível se distanciar do turismo de massa (popular), refugiando-se nos últimos redutos ecológicos. Deprest (1997) chama a atenção para o fato de que, sendo o turismo um fenômeno proveniente do consumo de massa, todas as suas formas “alternativas”, como o
31 La foule quer dizer multidão, massa humana. Esta expressão da língua francesa pode ter um sentido
pejorativo ao remeter-se ao “povão”, à grande massa que se desloca como se fosse um grupo de robôs ou marionetes.
ecoturismo, estariam sendo apropriadas pelo mercado do turismo a fim de captar clientes cada vez mais diversificados.
Existem outras correntes que interpretam o ecoturismo mais como uma ‘filosofia’ do que como um novo segmento do mercado do turismo. Para Honey (apud CHRIST el al., 2003), o ecoturismo é uma idéia, um conceito que propõe uma reforma nos preceitos básicos do turismo, os quais estão pautados basicamente na viagem realizada por prazer. Para a autora, o “turismo de natureza” ou o “turismo de aventura” estão focados na demanda e motivação dos turistas. O ecoturismo, em contraste, é qualitativamente diferente, pois está focado no que o viajante faz e nos impactos decorrentes de sua visita. Desta forma, “o ecoturismo não é simplesmente um outro nicho de mercado dentro da indústria turística. Pelo contrário, é uma filosofia, um conjunto de práticas e princípios que, se adequadamente entendidos e implementados, irão transformar a maneira como viajamos” (HONEY, apud CHRIST el al., 2003, p.4).
O enquadramento do ecoturismo como um segmento do mercado turístico é adotado pelo Ministério do Turismo como uma forma de organizar o setor para fins de planejamento, gestão e mercado. Os segmentos são consolidados a partir de elementos da oferta (atrativos naturais, por exemplo) e das características e variáveis da demanda (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2007). Assim, a segmentação é um elemento essencial para a consolidação de um determinado mercado e irá permitir o desenho de produtos específicos para certos grupos de consumidores. Esta dinâmica é analisada por Irving (2008) da seguinte forma:
Na verdade, o ecoturismo resulta, no panorama turístico, em uma proposta de mercado em que a natureza se transfigura em commodity para atender aos sonhos dos imaginários urbanos, que ressignificam e transformam os recursos renováveis (e, portanto, imprimem novos significados ao valor de natureza) em sonhos de consumo contemporâneos. Assim, a representação social de natureza passa a estar vinculada à noção de patrimônio valorizado, que se expressa em hierarquias e status diferenciados (2008, p. 1).
A abordagem centrada no ecoturismo é fruto de sua dinamização e consolidação em termos comerciais e políticos. Em 1994, o Ministério da Indústria, Comércio e Turismo e o Ministério do Meio Ambiente produziram um documento chamado Diretrizes para uma Política Nacional de Ecoturismo, que define o ecoturismo como:
um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2007, p. 9).
Independentemente da abordagem e dos interesses envolvidos, Pires (2002) identificou alguns elementos coincidentes nas diversas conceituações do ecoturismo. O autor analisou cerca de 20 conceitos relacionados aos termos “turismo ecológico”, “turismo verde”, “turismo de natureza”, “ecoturismo” utilizados em diversos setores: governo,
iniciativa privada, academia, sociedade civil organizada32. O aspecto comum encontrado em todos eles foi a ênfase na utilização do meio natural como cenário da prática “ecoturística” e como condição essencial para o desfrute, a contemplação, a educação ambiental e o interesse científico por parte dos visitantes. Destaca também algumas premissas básicas que permeiam os conceitos analisados, como a utilização sustentável dos recursos naturais, a sensibilização a respeito das questões ambientais e a melhoria da qualidade de vida das comunidades receptoras (PIRES, 2002, p. 149 e 155).
Alguns conceitos de ecoturismo estão vinculados à utilização das áreas naturais como um dos principais focos de atração da atividade. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN – The International Union for Conservation of Nature)33, define ecoturismo como:
Viagem ambientalmente responsável e visitação a áreas naturais a fim de desfrutar e apreciar a natureza (e qualquer característica cultural nelas existente, tanto passada quanto presente), que promova a conservação, tenha uma visitação de baixo impacto e promova de maneira benéfica o envolvimento socioeconômico ativo das populações locais (IUCN, 1996 apud DRUMM & MOORE, 2002, p. 15).
O ‘eco’ do turismo nos parques nacionais e demais áreas protegidas parece ser utilizado para reforçar o ‘tipo’ diferenciado de turismo (e de turista) que se deseja nestas áreas. Um turismo de baixo impacto e responsável. Essas características são essenciais, desde que não sejam adotadas para legitimar estratégias de visitação que privilegiem determinados grupos considerados mais ‘conscientes’, menos ‘farofeiros’ e que possam pagar o preço compatível com o ‘privilégio’ de acessar um lugar único, ‘quase intocado’. Essa não é uma abordagem específica do ecoturismo nos parques nacionais.
Ao estudar as tipologias do comportamento do turista e a segmentação do mercado do turismo, Swarbrooke e Horner (2002) fazem uma interessante distinção entre viajante e turista. O viajante sugere uma conotação mais exploradora, independente, autêntico. O turista é aquele que compra um pacote de viagem, não tem iniciativa, anda sempre em grupos e se deixa levar. Essa dicotomia entre viajante e turista não é nova, mas, como ressaltam os autores, “voltou à tona nos últimos anos à medida que, para obter o status de turistas conscientes, as pessoas buscavam diferencia-se de outros turistas” (p. 126). Acrescentam ainda que:
A indústria do turismo reconheceu as implicações desse debate como um todo e passou a enfatizar cada vez mais a natureza “não turística”, “intacta” de suas destinações. Procura também massagear os egos dos clientes convencendo-os de que o produto que estão comprando fará com que
32 Pires (2002) salienta que é consenso entre os principais estudiosos do tema ecoturismo que ainda não surgiu
uma definição “universalmente” aceita por todos os setores com interesse no ecoturismo. (p. 157).
33 A IUCN reúne cerca de 1.000 organizações e 10.000 cientistas e especialistas do mundo inteiro. A
organização é estruturada em seis comissões, sendo uma delas a Comissão Mundial de Áreas Protegidas. Seu principal objetivo é o desenvolvimento de pesquisas e projetos para orientar o estabelecimento de diretrizes, políticas e melhores práticas sobre o planejamento e a gestão de áreas protegidas.
sejam viajantes, e não turistas (SWARBROOKE e HORNER, 2002, p. 126). Existem inúmeras críticas às tipologias, principalmente relacionadas aos simplismos e estereótipos que não permitem compreender a complexidade dos comportamentos e padrões dos turistas. Swarbrooke e Horner (2002) salientam que, embora as tipologias tenham limitações, elas podem ser úteis para decisões sobre o desenvolvimento de produtos, preços e distribuição.
Após a abordagem dos conceitos de recreação, turismo, educação e interpretação ambiental e ecoturismo, resta ainda o conceito de visitação. Conforme salientado no início dessa seção, a visitação indica todos os tipos de visita realizados nos parques nacionais, independentemente da motivação do visitante ou do segmento do turismo. O documento Diretrizes para visitação em Unidades de Conservação define a visitação como “o aproveitamento e a utilização da UC com fins recreativos, educativos, entre outras formas de utilização indireta dos recursos naturais e culturais”. Visitante é definido como “pessoa que visita a área de uma UC de acordo com os propósitos e objetivos de cada área. O visitante pode ter várias motivações: recreação, conhecimento, contemplação, entre outras” (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2006, p.60).
A necessidade de segmentar os diferentes tipos de turismo está relacionada às características do mercado e aos seus respectivos nichos de consumidores. O conceito de turismo está estreitamente vinculado aos serviços e às atividades realizadas pelos turistas. A análise dos impactos desta atividade pode privilegiar os dados quantitativos (número de turistas, arrecadação, número de leitos ocupados), mas também os aspectos qualitativos (aprendizado, apoio público para conservação da área, respeito pela natureza). Neste sentido, os efeitos do turismo em parques nacionais ultrapassam os seus limites, ampliando a sua repercussão em termos ambientais, econômicos, sociais e culturais nos destinos receptores.
Pode-se dizer que o ‘produto’ parque nacional é composto por elementos objetivos (serviços, infra-estrutura), subjetivos/imateriais (liberdade, paz, tranqüilidade) e essenciais (fauna, flora, água). Estes últimos são ‘essenciais’, pois constituem o elemento diferencial do ‘produto’. Nesta linha, Serrano (2001) argumenta que “o mercado turístico “empacota” lugares e seus atrativos e serviços, além da subjetividade, utilizando-a, juntamente com o ambiente, como matéria-prima para a produção de mais uma mercadoria” (p. 206).
Nos últimos anos, a apropriação dos parques nacionais pelo turismo foi influenciada pela questão da valoração dos serviços ambientais e da busca de mecanismos econômicos