D. Devam Eden Zararlar 1 Genel Olarak
5. İtibar Kaybı
O Município de Gravataí faz parte da Região Metropolitana de Porto Alegre; tem uma população de 255.762 habitantes, segundo dados do Censo Demográfico do IBGE de 2010 (IBGE, 2011). Segundo dados de 2007, do IBGE, o Produto Interno Bruto do Município é de aproximadamente R$ 4,9 bilhões de reais, o que conferiu ao Município naquele ano o quarto maior PIB do Rio Grande do Sul. É uma cidade que tem sua economia centrada na produção industrial, contanto com dois parques industriais que absorveram, desde a década de 70 do sec. XX, um número muito grande de trabalhadores, advindo da área rural do Município, bem como de outras áreas do Estado e também do país (GRAVATAÍ, 2010). Com relação à urbanização, em Gravataí, 95% da população reside em área urbana (IBGE, 2011).
Maricato (1997, p. 37) expõe que o aumento das taxas de urbanização nas cidades brasileiras traz como consequência a formação do “loteamento irregular na periferia ou a pura e simples ocupação ilegal de terras (ou mangues), e a autoconstrução da moradia [que] tornaram-se as opções mais importantes para a
provisão de moradia dos migrantes nas grandes cidades”. Essa realidade está presente na cidade de Gravataí, conforme será visto adiante.
A administração pública de Gravataí, com objetivo de gestão da política habitacional, criou pela Lei 1607, de 28 de dezembro de 2001, o Departamento Municipal de Habitação, “constituindo-se em órgão de administração indireta do Município, com personalidade jurídica de natureza autárquica, dotado de autonomia administrativa, patrimonial e financeira” (GRAVATAÍ, 2001). A criação do DEMHAB visa ao monitoramento das variáveis que compõem o diagnóstico habitacional do Município (déficit e inadequação habitacional), para promover políticas públicas voltadas ao cumprimento das necessidades, tendo como prioridade as famílias de baixa renda e, ainda, o apoio a alternativas no mercado habitacional para a universalização do direito à moradia. Essa forma de atuação do Departamento, conforme se visualiza no site da Prefeitura Municipal, está integrada com um processo de gestão que se articula com a sociedade em geral, com o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social e o Estatuto da Cidade (GRAVATAÍ, 2010).
Por sua natureza autárquica, o DEMHAB, ainda que teoricamente, não depende de outros setores da Prefeitura para desenvolver as ações de sua competência. No entanto, devido ao sucateamento dos serviços públicos que ocorrem em todos os municípios, a estrutura do Departamento é precária para o atendimento de suas demandas. O quadro profissional e a dotação orçamentária23, principalmente, estão muito aquém das necessidades do DEMHAB, fazendo com que a sua autonomia, definida por lei, seja relativa.
Coloca-se, ainda, como desafio para o DEMHAB, em que pese os mais de dez anos de sua atuação, com experiências consolidadas em provisão habitacional e regularização fundiária, um melhor planejamento de suas atividades, pois grande parte de suas ações são motivadas por pressões externas, oriundas do Ministério Público ou de interesses políticos. Assim, para a execução de uma política habitacional com resultados efetivos, o Município de Gravataí terá que atentar principalmente para a formulação de cadastros integrados entre diversos órgãos que possam fornecer informações articuladas, desde o número de pessoas que residem em situações e áreas de riscos, englobando um cadastramento das áreas públicas
23 Mais adiante se retoma a discussão sobre o orçamento do DEMHAB e sua importância para a execução de suas atribuições.
ocupadas ou não, como possibilidades de construção de habitações e/ou urbanização dos assentamentos, dentre outros fatores (GRAVATAÍ, 2010).
Entre os anos de 2008 a 2011, período selecionado para a pesquisa, o DEMHAB desenvolveu sob sua responsabilidade dois projetos habitacionais de provisão de moradia, totalizando 296 unidades construídas. Em ordem cronológica de (re)assentamento, foram construídos os seguintes projetos: Projeto Habitacional Loteamento Princesas, no ano de 2008 e Projeto de Reassentamento Morada dos Carvalhos, no ano de 2011.
O Loteamento Princesas foi construído em uma área de aproximadamente 10 hectares e previa a construção de 472 unidades habitacionais. O projeto teve início em 2003 e previa também espaço para a implantação de áreas de lazer, área de preservação, uma escola, um posto de saúde e área comercial. Entretanto, em virtude de restrição orçamentária, a administração municipal optou pela execução do loteamento em duas etapas, sendo realizada na primeira, única executada até o presente momento, a construção de 248 unidades habitacionais.
Os recursos para a execução do projeto foram obtidos junto ao programa federal conhecido como Programa de Subsídio à Habitação, e com a contrapartida da Prefeitura. A construção do Loteamento tinha como objetivo atender as famílias residentes em áreas de risco do Município. A execução do projeto foi influenciada principalmente pela necessidade de adequações orçamentárias, em relação às fontes de financiamento, sendo necessário ajustar as possibilidades de investimento, disponibilizadas pelo Município, ao projeto e, em função das alterações de preços, devido ao longo tempo que se estendeu da etapa de projeto à conclusão da obra. Assim, alguns itens sofreram alterações de especificação ou foram suprimidos. A construção dos equipamentos públicos para o atendimento das demandas da comunidade, por exemplo, acabou não ocorrendo (GRAVATAÍ, 2010).
Durante o ano de 2011, depois de vários anos tentando captar recursos para a execução do projeto, o DEMHAB executou o Projeto Morada dos Carvalhos. Esse projeto fez o reassentamento de 46 famílias que residiam em área de risco na beira da Estrada Municipal. O empreendimento foi entregue às famílias em dezembro de 2011.
O projeto só pode ser executado, tendo em vista a dificuldade do Poder Público em captar recursos, em parceria com a iniciativa privada. A empresa envolvida aplicou um montante de recursos para a remoção das famílias, que
estavam pressionadas entre a estrada e o muro de um empreendimento habitacional para residências de famílias com renda bastante alta, de propriedade daquela empresa. A localização das casas das famílias a serem reassentadas estava entre a beira da estrada e a área onde precisava passar o restante do muro do empreendimento de luxo. Ou seja, a preocupação da empresa era em poder finalizar seu empreendimento, porém a estadia das famílias no local era um impeditivo.
Assim, depois de tratativas com a Prefeitura e o DEMHAB, foi desenvolvido o processo de reassentamento das 46 famílias, no qual ficou à incumbência do DEMHAB o desenvolvimento dos projetos arquitetônico, urbanísticos e técnico-social e para o empreendedor a construção das casas e da infraestrutura (rede de água, luz elétrica, esgoto). Assim, as famílias foram reassentadas em local com infraestrutura que inexistia no local anterior, sendo possível o acesso à água e luz de forma regularizada; e as casas também eram melhores do que as anteriores.
O pleno sucesso do projeto não foi possível porque o número de 46 casas a serem construídas fora definido, e todos os projetos pensados para este número, inclusive o tamanho da área para a construção das casas. Porém, a área, conforme recadastramento realizado no final do ano de 2012, contabilizou um total de 56 famílias. Esse aumento se deve a novas ocupações, desmembramentos de famílias ou situações de coabitação. Mesmo com esforços da equipe técnica para a construção de casas para esses “excedentes”, devido ao contrato assinado entre Prefeitura e empreendedor, o número de casas construídas não foi aumentado. As famílias que não foram beneficiadas pelo projeto, no entanto, se organizaram por conta própria e tiveram a garantia por parte da Prefeitura e do DEMHAB, de um recurso, a título de ajuda de custo, pelo período de seis meses.
Salienta-se que o processo de planejamento é central para que sejam observadas essas situações, que têm relação direta com a conclusão do projeto. É importante que os projetos habitacionais, especialmente os que demoram muito tempo a serem executados, se atentem para a dinâmica que envolve as comunidades. Novas ocupações podem ocorrer assim como o desmembramento das famílias e a construção de outras casas nos pátios já existentes, como ocorreu no local. Outro ponto a ser observado é o tempo desde que foi realizado o último cadastramento. Esses cadastramentos são responsáveis por fornecerem um “retrato” daquela comunidade, assim, sugere-se que, passado muito tempo deste
último cadastro, deva ser feita nova sondagem para identificar situações que precisaram de intervenções e que não foram previstas.
Avalia-se que mesmo não sendo a melhor alternativa, e tendo em vista que o recurso ainda não foi repassado às famílias, em função de atraso na obtenção do recurso, que mais uma vez ficou a cargo da iniciativa privada, essa alternativa serviu para que as famílias não ficassem totalmente desassistidas. Algumas dessas famílias já puderam ser reassentadas em outros projetos habitacionais e são prioridade para novos projetos a serem construídos.
Esses dois projetos não foram capazes de atender a totalidade das demandas habitacionais existentes no Município de Gravataí. Os projetos habitacionais podem ganhar em qualidade se fundamentados nas diretrizes da PNH e articulados aos instrumentos de planejamento urbano, em todas as suas fases. A seguir apresenta-se o PLHIS construído por Gravataí, que deve auxiliar na gestão da política de habitação no Município, pois, como se identifica a seguir, o estudo desenvolvido para a formatação do Plano apresenta o real dimensionamento do déficit habitacional e, através desse diagnóstico, as estratégias de ação sobre esse déficit.
5.2 O PLANO LOCAL DE HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL DE GRAVATAÍ: A