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2. İKİNCİ BÖLÜM

2.1 Balkan Savaşları’nda Büyük Devletlerin Politikası

2.1.1 İtalya’nın Politikası

Somente no século XIX surgem teorias da Arquitetura que aproxima os aspectos estéticos de ornamento aos aspectos construtivos estruturais. O interesse nos aspetos técnicos construtivos acontece dentro de um contexto de revolução tecnológica com o surgimento de novas máquinas e materiais. O principal teórico da época é o arquiteto francês Eugène Viollet-le-Duc.

Viollet-le-Duc viveu em um período histórico de intensa mudança econômica, social e cultural, promovidos pela revolução industrial iniciada no século XVIII. As principais mudanças ocorreram nas atividades econômicas, alterando o modo que o homem realizava a agricultura, a manufatura e nos meios de transporte. A partir de então, o modo de vida de nossa sociedade é alterada definitivamente. A população apresenta um grande crescimento, acompanhado também de um aumento na capacidade produtiva e de

geração de riqueza17. Pela primeira vez na história a qualidade de vida da população

comum começa a melhorar de forma contínua e sustentada (LUCAS JR., 2004).

Muitos historiadores definem o período como consequência do surgimento gradual e contínuo de novos meios de produção(BERG; HUDSON, 1992; GERAGHTY, 2007)18

. Assim, os novos meios surgidos alteraram a forma como o sujeito realiza o objeto.

O meio de produção representativo da mudança é a máquina a vapor. Através do uso da máquina a vapor a manufatura substituiu o trabalho manual artesanal, surgindo indústrias e novos meios de transportes como ferrovias e navios. Também foram desenvolvidos novos materiais, com destaque para a metalurgia. O aço passa a substituir a madeira como principal material de construção de máquinas.

A arquitetura é afetada basicamente de dois modos. Primeiro através das novas demandas (ou problemas) a partir das novas características da sociedade: uma grande quantidade populacional; uma nova classe trabalhadora, como novos hábitos e desejos; surgimento de novas atividades a serem abrigadas. Estas demandas implicaram em necessidade de novos espaços.

A Arquitetura foi influenciada e afetada também pelos novos meios de produção e realização da construção. Surgem novas técnicas construtivas, como as estruturas metálicas, possíveis através do desenvolvimento da tecnologia metalúrgica.

Na teoria da Arquitetura, destacam-se as ideias de Viollet-le-Duc, que aproxima novamente a Arquitetura da construção. Porém, esta aproximação presente na teoria do autor parece ser consequência não do contexto tecnológico da época, e sim do contexto cultural. Buscando resgatar uma herança cultural, surge na França um interesse em relação as construções e arquitetura medieval, tidas como símbolo da nação. Com isso, são discutidas e buscadas a preservação e a restauração destes edifícios. Viollet-le-Duc

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Nos dois séculos seguintes ao ano de 1800, a população mundial aumentou seis vezes e a geração de riqueza per capita aumentou 10 vezes.

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envolve-se em trabalhos de restauro, onde adota uma abordagem teórica e prática própria.

O primeiro trabalho de restauro de Viollet-le-Duc foi a igreja de Saint Chapelle, em Paris, realizado no ano de 1836. O trabalho foi considerado um laboratório experimental pelo próprio autor (VIOLLET-LE-DUC, 2000). A partir de então o arquiteto passou a atuar em diversas obras de restauro como a Igreja de Santa Madalena em Vézelay (1840), a catedral de Notre-Dame em Paris (1844), a cidadela de Carcassone (1844), a basílica de

Saint-Sernin em Toulouse (1846), e a catedral de Amiens (1849). Durante estes trabalhos

o autor vai consolidando uma linha de ação e teoria sobre restauração. O sucesso de seus trabalhos e ideias levou Viollet-le-Duc a ser nomeado inspetor geral dos edifícios Diocesanos, sendo assim, responsável pela conservação e restauro de igrejas por toda a França.

A prática de restauro da época buscava reproduzir fielmente o estilo original, tanto nos aspectos da aparência, quanto estrutural. Para determinar a idade e época original de uma edificação, eram realizados estudos detalhados através de métodos rigorosos de análise e classificação dos elementos arquitetônicos e da construção. O resultado destes estudos eram relatórios com grande quantidade de desenhos e registros gráficos dos elementos e sistemas construtivos do objeto de restauro (OLIVEIRA, 2007).

Os principais edifícios restaurados na época eram os edifícios medievais19

. Grande parte dos edifícios medievais era de arquitetura gótica. Assim, a comissão chefiada por Viollet- le-Duc dedicou-se principalmente a estudar e avaliar metodicamente os edifícios góticos. Os edifícios góticos são obras que demandaram muito tempo para serem construídas, demorando décadas ou mesmo séculos. Esta característica tornava inevitável a utilização de mais de uma técnica construtiva, causando modificações e acréscimos ao projeto ou intenção arquitetônica inicial. Estas variações ao longo do período de construção ocorriam tanto nos aspectos técnicos quanto nos aspectos estéticos.

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Como citado, o interesse nos edifícios medievais é consequência do resgate de uma herança cultural histórica.

Os estudos minuciosos de Viollet-le-Duc junto com seu interesse e seu envolvimento no canteiro de obra20 proporcionaram um grande conhecimento das técnicas construtivas

medievais. Enquanto arquiteto, tornou-se conhecedor da pratica construtiva e acreditava na importância deste conhecimento para a atividade de restauro.

As ideias de Viollet-le-Duc sofreram influência direta do envolvimento do mesmo no canteiro de construção e da forma peculiar em que a arquitetura gótica foi construída. Na arquitetura gótica as mudanças estavam sempre presentes, condicionadas pelo contexto construtivo. A partir de sua experiência prática com a arquitetura gótica, Viollet-le-Duc teorizou um sistema de correspondência entre forma, estrutura, função e ornamento, interpretando assim as variações construtivas desta. Dentro deste sistema, o contexto histórico e tecnológico, era responsável pela lógica e coerência do mesmo.

A perseguição desta lógica idealizada de Viollet-le-Duc balizou todo sua teoria e prática de restauro. Para o autor o restauro devia buscar este modelo ideal, onde a forma, a estrutura, a função e o ornamento estariam articulados conforme o contexto tecnológico de sua época. Para além da reconstituição do estado de origem aparente de uma dada edificação, Viollet-le-Duc buscava entender quais foram os problemas envolvidos na concepção, e quais seriam as soluções ideais que deveriam ou foram feitas dentro do conhecimento construtivo da época da concepção, em uma espécie de “reformulação ideal de um dado projeto” (VIOLLET-LE-DUC, 2000).

Além disto, Viollet-le-Duc, defendia a reutilização funcional da edificação, retomando o caráter utilitário essencial da Arquitetura. Muitas vezes, diante da necessidade técnica estrutural de substituição de algum elemento da arquitetura, o arquiteto substituía a parte da edificação utilizando um novo material e sistema construtivo, dentro da tecnologia atual. Assim, mantinha-se coerente com a lógica forma/estrutura/função/ornamento, considerando o contexto tecnológico que a intervenção ocorria. Esta abordagem, juntamente com a intenção de resgatar uma solução/ projeto ideal, resultava em intervenções que alteravam significativamente as características encontradas na edificação.

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Aqui é curioso notar que a dificuldade de adotar no canteiro de obra os novos modos de produção advindos da revolução industrial permitiu a Viollet-le-Duc o controle operacional sobre a atividade técnica construtiva do restauro.

Estas ideias, apesar de polêmicas e de terem colecionado várias opositores, tiveram grande influência na prática e teoria da restauração desde então. Ainda hoje, são consideradas uma referência em ações de restauro do patrimônio histórico. Para nossa pesquisa, é importante destacar a ideia de articulação entre a forma, estrutura, função e ornamento através de contexto histórico tecnológico da solução arquitetônica. Este conceito influenciou o entendimento do objeto arquitetônico a partir de então. Como consequência, lançou bases que foram utilizadas pelas teorias arquitetônicas que surgiram no final do século XIX e se desenvolveram no século XX, e culminaram com o movimento moderno na Arquitetura.

Benzer Belgeler