4. WEB ORTAMINDA HARİTA SUNUMU
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AMICUS CURIAE NAS ADIS N
O4645 E 4655 DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE DIREITO E ECONOMIA
e as Olimpíadas de 2016.4 Essa, aliás, era a extensão do seu espectro inicial de
incidência.5
O novo regime de contratações públicas, inserto no ordenamento brasi- leiro com a edição da lei no 12.462, de 04 de agosto de 2011, não foi um ime-
diato sucesso, embora o relator do Projeto de Conversão da Medida Provisória, Deputado José Guimarães, apoiado na opinião dos técnicos e do Presidente do Tribunal de Contas da União6, tenha afi rmado em seu parecer que o RDC
“é o melhor sistema, o melhor regime que vai garantir aquilo que preconiza nossa Constituição Federal.7
Esse tom, um tanto ufanista, não foi compartilhado pela opinião públi- ca, via de regra. Em meados de 2011, as notas mais comuns — e extrema- mente críticas8 — veiculadas na imprensa sobre o RDC tratavam do caráter
sigiloso do orçamento, apontado como “caixa preta”.9 Indo além, chegou-se
4 Esta preocupação foi explicitada nos próprios debates legislativos que antecederam a edição do di- ploma normativo, como ilustra trecho do Parecer do Relator do Projeto de Conversão da Medida Provisória: “Entre esta data e a realização de eventos esportivos de repercussão mundial, que trarão ao
país uma quantidade inédita de visitantes, torna-se necessária a realização de obras de grande vulto,cuja efetivação poderá se tornar inviável sob a égide das regras hoje voltadas a disciplinar licitações e contra- tações administrativos realizadas e celebrados pelo Poder Público.” (parecer do Relator, pela Comissão
Mista, à Medida Provisória no 527, de 2011, e às Emendas a ela apresentadas — Projeto de Lei de
Conversão. Disponível em http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteo r=892096&fi lename=Tramitacao-PPP+1+MPV52711+%3D%3E+MPV+527/2011, consultado em 24 de março de .2013.
5 O art. 1o da Lei 12.462/2011 previa a possibilidade de aplicação do RDC apenas em três hipóteses:
licitações e contratos necessários à realização (i) dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, cons- tantes da Carteira de Projetos Olímpicos a ser defi nida pela Autoridade Pública Olímpica (APO); (ii) da Copa das Confederações da Federação Internacional de Futebol Associação - Fifa 2013 e da Copa do Mundo Fifa 2014; e (iii) de obras de infraestrutura e de contratação de serviços para os aeroportos das capitais dos Estados da Federação distantes até 350 km (trezentos e cinquenta quilômetros) das cidades sedes dos eventos supracitados. Modifi cações legislativas supervenientes ampliaram o escopo do RDC para obras do Programa de Aceleração do Crescimento — PAC, obras e serviços de engenha- ria no âmbito do Sistema Único de Saúde — SUS e serviços de engenharia no âmbito dos sistemas públicos de ensino.
6 À época da tramitação legislativa em comento, a presidência do TCU era ocupada pelo Ministro Benja- min Zymler.
7 Parecer do Relator, pela Comissão Mista, à Medida Provisória no 527, de 2011, e às Emendas a ela apresentadas. (Projeto de Lei de Conversão), disponível em http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/ prop_mostrarintegra?codteor=892096&filename=Tramitacao-PPP+1+MPV52711+%3D%3E+M PV+527/2011, consultado em 24 de março de.2013.
8 Por todos, o colunista Augusto Nunes, o RDC chega mesmo a “instituir a roubalheira secreta e sem
risco de cadeia”. Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/tag/regime-diferenciado-
-de-contratacoes/. Acessado em 23 de março de 2013.
9 A expressão foi utilizada por Merval Pereira, em palestra no TCE, realizada no dia 05.09.2011, indi- cando sua primeira posição sobre o tema. Na mesma ocasião, o jornalista, aparentemente, fez um mea
culpa, reconhecendo no instrumento (orçamento sigiloso) “um fator importante para impedir conluio nas licitações”, imputando ao governo federal a responsabilidade pelas críticas sofridas pelo RDC, fruto
a aventar que o novo regime tratar-se-ia de um “equívoco de proporções olímpicas”.10
A mesma opinião foi compartilhada por alguns partidos políticos de opo- sição à base do governo federal que editara a MP — PSDB, DEM e PPS — e, ainda, pelo Ministério Público Federal, que ajuizaram as Ações Diretas de In- constitucionalidade — ADIs no 4645 e no 4655, respectivamente, no Supremo
Tribunal Federal, em face dos dispositivos mais inovadores trazidos pela Lei no
12.462/2011. Além da publicidade diferida do orçamento, foi questionada a constitucionalidade de temas como contratação integrada, remuneração variá- vel em razão de performance, possível exigência de pré-qualifi cação permanente. Por outro lado, alguns dos primeiros autores de Direito Administrativo a analisar o tema11 apontaram no sentido de que o RDC representaria a intro-
dução, no ordenamento jurídico, de “normas jurídicas capazes de multiplicar a efi ciência da atuação estatal”,12 pois, como as petições de amicus curiae ora
apresentadas buscarão demonstrar, o RDC introduz um sistema que privilegia o controle dos resultados das licitações e contratações públicas, em lugar do até então predominante controle dos procedimentos.
Neste cenário marcado por certa “contaminação” política e ideológica do tema, afi gurou-se a pertinência da atuação da Associação Brasileira de Direito e Economia — ABDE como amicus curiae nas referidas ADIs, almejando lançar um olhar acadêmico sobre a controvérsia, focado especialmente nas motivações econômicas subjacentes às normas jurídicas cuja constitucionalidade é objeto de questionamento no STF.
de “má comunicação”. Sobre o tema, veja-se: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/rdc-o-alibi-da- -politizacao-desenfreada, acesso em 24 de março de .2012.
10 http://www.portal2014.org.br/noticias/7133/REGIME+DIFERENCIADO+DE+CONTRATACOES +UM+ERRO+DE+PROPORCOES+OLIMPICAS.html, acesso em 24 de março de 2013.
11 Entre outros, citem-se Marçal Justen Filho, Cesar Pereira, Maurício Portugal Ribeiro, Mario Engler Jr., Lucas Navarro Prado. Ver JUSTEN FILHO, Marçal e PEREIRA, Cesar A. Guimarães. O Regime
Diferenciado de Contratações Públicas: comentários à lei no 12.463 e decreto no 7.581. Belo Horizonte:
Editora Fórum. 2012. RIBEIRO, Mauricio Portugal, PRADO, Lucas Navarro e PINTO JR., Mario En- gler. Regime Diferenciado de Contratação In: Principais Inovações em Relação ao Marco Geral de Licitações
e Contratações da Administração Pública. São Paulo: Atlas, 2012.
12 Parecer do Relator, pela Comissão Mista, à Medida Provisória no527, de 2011, e às Emendas a ela
apresentadas. (Projeto de Lei de Conversão), disponível em http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/ prop_mostrarintegra?codteor=892096&filename=Tramitacao-PPP+1+MPV52711+%3D%3E+M PV+527/2011, consultado em 24 de março de 2013.
O cliente
A ABDE, fundada em 2007, é uma associação civil sem fi ns lucrativos, de caráter científi co, educativo, técnico, cultural e pluridisciplinar, criada para de- senvolver a pesquisa e aprimorar a interdisciplinaridade entre as ciências do Di- reito e Economia, por meio da divulgação de proposta metodológica intitulada Análise Econômica do Direito — AED.
Sem qualquer pretensão de reduzir o fenômeno jurídico a um reducionis- mo econométrico, a Análise Econômica do Direito serve, antes de tudo, para iluminar problemas jurídicos e para apontar implicações das diversas possíveis escolhas normativas.13
No âmbito do Direito Administrativo14, em especial no que tange o tema
das contratações públicas, a utilização do ferramental legado pela AED é extre- mamente pertinente. Seu emprego mostra-se apto a compensar a defi ciência originada da prática doutrinária em “desconsiderar a lógica econômica subja- cente aos contratos [administrativos]15”, permitindo uma compreensão mais
abrangente do tema.
Deste modo, o objetivo dos memoriais a seguir apresentados consistiu em mobilizar as ferramentas proporcionadas pela AED como uma nova forma de enxergar o debate, sem posição tomada de antemão, a fi m de validar ou não a tese de que o RDC otimiza o regime licitatório, que privilegia o princípio da efi - ciência e é condizente com as demais exigências constitucionais de moralidade, publicidade e impessoalidade da Administração Pública (art. 37, caput, CF/88).