• Sonuç bulunamadı

Evre IV: Alt genital traktusun total eversiyonu sözkonusudur Prolapsusun en distal noktası en az (Tvl-2cm) seviyesine kadar dışarıya sarkmıştır Sonuç olarak

II. Pelvik ve fizik muayene I Laboratuvar incelemeler

3.7. İstatitiksel Analiz

2.4 GÊNERO E PALAVRA: UMA RELAÇÃO QUE DETERMINA A PLASTICIDADE

A partir do percurso teórico estabelecido nas seções anteriores, pode-se observar que o gênero é de suma importância no que diz respeito ao funcionamento discursivo da palavra. Dependendo do gênero, a palavra pode se mostrar mais, ou menos, plástica. É o gênero que permite à palavra a absorção de diferentes sentidos. Porém, por mais coercitivo que o gênero possa parecer, ele não pode impor um único direcionamento semântico à palavra, pois esta sofre a pressão de forças centrífugas, que aos poucos vão impondo novos sentidos e, inclusive, modificam a forma do gênero.

Falamos apenas através de determinados gêneros do discurso, isto é, todos os nossos enunciados possuem formas relativamente estáveis e típicas de construção do todo. [...] Até mesmo no bate-papo mais descontraído e livre nós moldamos o nosso discurso por determinadas formas de gênero, às vezes padronizadas e esteriotipadas, às vezes mais flexíveis, plásticas e criativas (a comunicação cotidiana também dispõe de gêneros criativos). (BAKHTIN, 1979/2011, p. 282).

De acordo com Bakhtin (1979/2011), os sujeitos adquirem a língua por meio dos gêneros do discurso. A assimilação das formas da língua ocorre apenas nas formas dos enunciados e juntamente com tais formas. Para tanto, “as formas da língua e as formas típicas dos enunciados, isto é, os gêneros do discurso, chegam à nossa experiência e à nossa consciência em conjunto e estreitamente vinculadas” (BAKHTIN, 1979/2011, p. 283). Todo discurso é construído em forma de gêneros. A língua se manisfesta por meio dos gêneros. Porém, o discurso construído por meio de gêneros tem como base a palavra, que não é considerada apenas um elemento da língua, mas, sim, uma unidade do enunciado, ou até mesmo o próprio enunciado, uma vez que nela se entrecruzam uma série de vozes discursivas. Tais vozes constituem o gênero e sua entonação expressiva. A palavra absorve diferentes aspectos discursivos, responsáveis pelo direcionamento semântico do discurso. “O que faz da palavra uma palavra é sua significação” (BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 1929/2010, p. 50).

Faz-se importante observar que a palavra “significação” usada por Bakhtin, conforme a citação anterior, aponta para a ideia de “sentido”, uma vez que para o

autor significação remete a um conceito específico, o qual se distancia bastante da ideia de sentido. Por ser extremamente flexível no que tange à aquisição de sentido, a palavra opera uma mudança no gênero, assim como o gênero também impõe limites ao funcionamento da palavra, tendo em vista que todo gênero possui um potencial coercivo. A plasticidade se configura por meio da tensão estabelecida entre o aspecto coercitivo do gênero e a mobilidade da palavra, tensão esta que é alimentada pelo horizonte social. A fim de satisfazer as necessidades de determinados campos da atividade humana, os gêneros absorvem algumas mudanças ao mesmo tempo que impõem certas restrições no que tange à mobilidade discursiva da palavra.

A palavra é composta por significado e sentido. A significação é base semântica da palavra, é o que permite que ela seja entendida em diversos contextos, mesmo que em cada um deles ela adquira um teor (semântico) diferente. O sentido é dado a partir significação. O sentido necessita da significação para se constituir. A palavra ao ser usada na vida parte da significação, posta na língua, porém ela é atingida por outros aspectos discursivos; ela é impregnada de certas entonações expressivas, determinadas pelo contexto e pela relação locutor- interlocutor. Partindo dessa ideia, pode-se estabelecer uma analogia entre significação e forças centrípetas, e uma outra entre sentido e forças centrífugas. A significação remete à unificação, ao entendimento monológico da palavra. Já o sentido aponta para a desunificação, para a descentralidade semântica da palavra. O diálogo entre significação e sentido é essencial para a constituição da palavra como enunciado, evento único e real da comunicação discursiva, que dá resposta a algo anteriormente posto ao mesmo tempo que exige um retorno, uma resposta.

A significação é não dialógica. O sentido se constitui por meio de relações dialógicas. Segundo Bakhtin (1979/2011), significação comporta uma potência de sentido, aponta uma possibilidade interpretativa da palavra, não o determina. O que dá vida à palavra é o sentido que ela absorve no fluxo contínuo da vida, no contexto discursivo em que figura. O sentido de uma palavra carece de atualização permanente, que se dá a partir do contato com outro sentido. É por isso que a língua é plástica, porque a palavra é plástica. É esta que imprime plasticidade àquela.

A plasticidade é um aspecto inerente à língua; ela perpassa todo e qualquer gênero discursivo, mesmo aqueles que apresentam uma forma mais coercitiva,

aparentemente menos flexível. Os gêneros são plásticos porque não se submetem às regras da língua normativa, que impõe estabilidade ao discurso. Eles operam com elementos da língua viva; é a palavra viva e repleta de expressividade que elabora diferentes formas de gêneros. As formas dos gêneros são determinadas pela organização das palavras, pela relação estabelecida entre elas (interação e alteridade), bem como pelas diversas vozes sociais que as permeiam.

As formas do gênero, nas quais moldamos o nosso discurso, diferem substancialmente, é claro, das formas da língua no sentido de sua estabilidade e da sua coerção (normatividade) para o falante. Em linhas gerais, elas são bem mais flexíveis, plásticas e livres que as formas da língua. Também nesse sentido a diversidade dos gêneros do discurso é muito grande. Toda uma série de gêneros sumamente difundidos no cotidiano é de tal forma padronizada que a vontade discursiva individual do falante só se manifesta na escolha de um determinado gênero e ainda por cima na sua entonação expressiva (BAKHTIN, 1979/2011, p. 283).

Para mostrar que a plasticidade reside em toda e qualquer manifestação discursiva, que se dá sempre por meio de gêneros do discurso, optou-se por analisar diferentes gêneros. Para tanto, foram selecionados para serem analisados neste trabalho gêneros que se prestam mais à plasticidade, como a piada e a tira, e um gênero que tende mais à estabilidade, menos flexível, como é o caso da ata.

Dessa forma, o próximo capítulo aborda os procedimentos metodológicos de seleção e de análise referentes aos gêneros piada, tira e ata e ao comportamento semântico das palavras. Após a abordagem da metodologia adotada, o capítulo apresenta a análise do funcionamento da palavra no interior de cada um dos gêneros supracitados e, por fim, discute a orientação dialógica dos gêneros e da palavra a partir das análises registradas.

3. ANÁLISE DOS GÊNEROS DISCURSIVOS: COMPREENDENDO A

Benzer Belgeler