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Tip 3 SÜİ (İntrinsik sfinkter yetmezliği): Proksimal üretra sfinkter görevini kaybetmiştir Detrusor kontraksiyonu olmadan proksimal üretra ve mesane boynu

3. HASTALAR ve YÖNTEM

3.4. İstatistiksel İncelemeler

Ao abordarmos o cuidado no serviço de saúde, consideramos necessário discutir também o ‘vínculo’, o qual deve ser estabelecido no encontro dos atores de saúde com o usuário, no sentido de tornar o indivíduo partícipe na prestação do serviço de que necessita, além de, conforme a política de humanização do Ministério da Saúde, fomentar a responsabilização. Notamos, porém, uma escassez de literatura sobre como o vínculo é percebido no espaço hospitalar, principalmente, em uma instituição de pronto-socorro. Verificamos que em muitos estudos ele é abordado em conjunto com o acolhimento sem distingui-los e/ou estando em segundo plano nas discussões. Além disso, observamos que ele é debatido predominantemente na atenção primária da saúde, no que tange à Estratégia de Saúde da Família.

Percebemos, entretanto, que na prática cotidiana o vínculo e o acolhimento possuem acepções distintas, apesar de não serem obstantes e, muitas vezes, intrinsecamente ligados. Segundo Franco, Bueno e Merhy (1999), o acolhimento propõe inverter a lógica de organização e funcionamento do serviço de saúde, sob a ótica de um modelo de assistência usuário-centrado. Dessa maneira, ele constitui uma diretriz operacional que tem como princípios: garantir a acessibilidade universal, acolher, escutar e dar resolubilidade aos problemas de saúde da população; modificar radicalmente o processo de trabalho, com vistas a deslocar o eixo central do médico para uma equipe multiprofissional e, por último, qualificar a relação trabalhador-usuário que deve estar permeada por parâmetros humanitários, de solidariedade e cidadania. (p.347). Em contrapartida, a noção de vínculo está no plano da responsabilidade e do compromisso, pois trata de um relacionamento estrito e leal com o outro, em que “nos sensibilizamos com todo o sofrimento daquele outro, sentindo-se

nem impessoal.” (MERHY, 1994, p.138). Notamos que ambos apontam para a integralidade

da atenção, como observado por Gomes, Márcia e Pinheiro (2005), ao traçarem os seus significados, a partir de dois dicionários da língua portuguesa, em que foi possível verificar que “os sentidos atribuídos às palavras não se correlacionam diretamente às questões de

saúde”, embora sejam “atributos da atenção à saúde integral, enfim, da integralidade.”

(p.291).

Diante do exposto, podemos dizer que o vínculo se dá nos encontros dos profissionais/usuários, considerado como “o rosto do ‘sistema’ de saúde para o usuário” (CECÍLIO, 2001, p.115), em que a subjetividade está em evidência nessa relação e que configura um espaço de reconhecimento do outro baseado na confiança, respeito e, sobretudo, pela ética. Mas, como ele é percebido no hospital em estudo? Compreendemos que o vínculo é contemplado de forma superficial na fala de um dos sujeitos da pesquisa, pois “a gente não

tem um contato grande com o paciente. Não cria um vínculo maior com o paciente.” (TE1-5).

O curioso é que, para os demais atores de saúde entrevistados, o vínculo passa muitas vezes despercebido nas práticas do cotidiano, já que não foi citado durante a permanência do usuário no hospital e, sim, enfatizado após a alta hospitalar do mesmo. Isso talvez possa ser explicado pelas características, já levantadas anteriormente neste estudo, que recaem em um atendimento voltado mais para a patologia do que para o indivíduo. Acrescemos a isso, a superlotação, o imediatismo, o modelo biomédico que fragmenta não só o indivíduo, mas também, o processo de trabalho, como nos mostram estas falas:

É uma paciente que a gente teve aqui, que até hoje eu gosto muito e perdi o contato porque ela vive na casa dela, mas é uma menina que teve uma encefalite herpética e eu fiquei muito apegada a ela. Não no sentido de transferência não. Eu gosto dela até hoje. Eu nunca mais fui na casa dela. É pelo sentido de como essa menina teve força pra encarar a vida dela com treze anos. Ela perdeu visão, perdeu a parte motora toda, ficou tetraplégica, e ela luta até hoje pra viver de uma forma que eu não entendo como, porque se fosse eu, eu já queria ter acabado com isso há muito tempo. Ela foi embora daqui, fez quinze anos aqui. E assim, é uma menina que dá tudo pra viver. Então na hora que eu tô em dificuldade na minha vida de pensar

assim, “tá tudo difícil!”, eu penso nessa menina. (...) A mãe dela mantém ela ninguém sabe como porque sozinha, pobre, não tem como ter ajuda assim de ninguém, assim de profissionais tarem sempre com ela. Ela mantém essa menina até hoje. A filha dela é louca com ela. E essa menina com essa garra toda de viver, cega, tetraplégica, no respirador. (FI1-10)

Uma coisa que me marcou, foi um caso específico, foi um atendimento específico, que marcou muito e que fica até hoje ainda: é uma situação de acidente com criança e que essa criança tá numa situação de trabalho. Já tem muitos anos que essa pessoa sofreu o acidente e foi uma situação dessa e foi muito traumatizante mesmo, porque ele teve amputação traumática de perna, teve amputação traumática de braço, ficou com uma lesão grave de bexiga e foi uma criança que conviveu muito tempo aqui no hospital e que a gente acompanhou mesmo o caso dele e, depois, por ter passado tanto tempo na unidade de internação, ele ainda volta até hoje aqui. Já tem mais de dez anos. E é uma situação que você ainda vê até hoje. (...) Essa pessoa em questão, ela se apegou muito a um funcionário que ainda trabalha aqui no diurno, uma técnica de enfermagem que ainda trabalha aqui no diurno, e foi até por essa pessoa que ele continuou a retornando aqui, mantendo esse contato e tudo né, e a gente na carona dela na verdade. Mas foi por essa pessoa que ele se apegou mais e criou esse maior vínculo e tudo. (E1-2)

Percebemos, então, que o vínculo entre profissionais/usuários no hospital de pronto- socorro deveria ser considerado como um “trabalho vivo em ato”, pois remete-se ao encontro de subjetividades. Em contrapartida, o que observamos é que ele se perde em meio ao tecnicismo da assistência nesse serviço; à presença de saberes que são sistematizados e apreendidos pelos atores de saúde como tecnológicos e organizativos, constituindo o chamado

“trabalho morto.” (MERHY, 2005, p.44). Dessa maneira, as tecnologias definidas por esse

autor, como “duras” (equipamentos tecnológicos do tipo máquinas, normas, estruturas organizacionais) e “leve-duras” (saberes bem estruturados que operam no processo de trabalho em saúde), predominam sobre as “leves” que tratam das relações do tipo produção de vínculo, entre outras (p.49). Talvez seja por isso que o vínculo na concepção dos entrevistados é apreendido no momento da alta hospitalar, pois é neste espaço que ele é possível ser pensado devido à ruptura na assistência estruturada e tão mecânica que se estabelece no cotidiano das práticas no âmbito da urgência/emergência. Então, é nesse lócus que se dá o encontro de subjetividades e a escuta atenta das necessidades do usuário, já que as dificuldades e o sofrimento, advindos na pós-alta, são internalizados pelos atores de saúde, fugindo-lhes o ‘controle’. Assim, a fim de imprimir uma mudança na abordagem dos

equipamentos de saúde e as relações que ali se desenvolvem, sentimos que é necessário

“assumir que as pessoas, os trabalhadores de saúde, também agem movidas por reações inconscientes, que elas próprias desconhecem, e sobre as quais não detêm o controle.”

(CAMPOS, Rosana 2005, p.576). Tais necessidades, porém, não mais serão resolvidas pelo serviço, nem ele dá mais conta de resolvê-las sozinho, o que causa certa frustração nos profissionais que passam a compartilhar o sofrimento do usuário. Neste momento é que se dá o vínculo, o qual está permeado pela compaixão.

Observamos, portanto, que é no encontro da equipe com o usuário no ato da admissão que deveria dar-se o vínculo, enquanto ferramenta assistencial, pautado na melhor escuta possível e realizado com compromisso ético voltado para a resolução das necessidades de saúde do indivíduo. Sentimos, entretanto, necessidade de salientar, conforme Cecílio (2001, p.117), que “a integralidade nunca será plena em qualquer serviço de saúde singular,

por melhor que seja a equipe, por melhor que sejam os trabalhadores, por melhor que seja a comunicação entre eles e a coordenação de suas práticas.” Nem por isso, ela deve ser

desmerecida, pelo contrário, vale a pena defendê-la nas práticas dos atores de saúde rumo às respostas de que os usuários carecem.

Benzer Belgeler