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5. GEREÇ VE YÖNTEMLER

5.3. İstatistiksel analiz yöntem

Tavares (2004) aponta que, historicamente, o trabalhador é visto simplesmente como instrumento necessário à obtenção de lucro. Nesse caso, não se trata da produção para o simples usufruto das necessidades básicas humanas, mas para a super exploração da mais-valia, como condição prioritária dos meios de produção capitalistas. O conceito de mais-valia pode ser compreendido como um excedente quantitativo de trabalho. No capitalismo, o trabalhador não recebe o valor real do seu trabalho, mas apenas o necessário para sobreviver, pois os donos dos meios de produção visam ao lucro. A mais-valia é, dessa forma, a base da acumulação capitalista (MARX, 1944).

Para Menezes (2008, p. 1), “com o advento do capitalismo, que subordina o trabalho às premissas do capital, o modo de produção das mercadorias em série somente poderia existir com a exploração do trabalhador na esteira das fábricas e na alienação coletiva em detrimento do saber cognitivo”. Assim, torna-se claro o poder que o sistema capitalista exerce sobre o indivíduo, sobretudo por meio da tecnologia, como instrumento massificador. Mas cabe ressaltar também que este instrumento é culturalmente necessário ao desenvolvimento do indivíduo e do próprio sistema.

Castells (1997) destaca a importância da revolução da tecnologia da informação, fazendo um paralelo com a Revolução Industrial, destacando-a como um evento histórico da mesma importância. Assinala, ainda, que a apropriação da tecnologia da informação amplificaria o poder dos indivíduos à medida que esta fosse difundida. Fazendo um contraponto, Kumar (1997) destaca como exemplo o caso de uma das maiores empresas americanas do setor de tecnologia da informação (TI), a International Business Machines (IBM), em que o computador estabeleceria “controle humano” sobre os controles de produção e geraria maior envolvimento e satisfação no trabalho. Analisa, ainda, que neste contexto existe a ideia de que o trabalhador tem mais controle sobre seu próprio trabalho, atuando nestes contextos

não localizados. Porém, o que realmente ocorre é uma menor organização da classe.

Para Marques (2014), não existe consenso de que o desenvolvimento das tecnologias da informação e do conhecimento seja acompanhado de mudanças estruturais na acumulação e apropriação de riqueza e valor. Ao contrário, surgem novas formas de exploração e precarização do trabalho. Assim, ocorre a expansão do desemprego e do subemprego.

Marques (2014) assinala que os processos de produção são atualmente menos dependentes do maquinário industrial e da lógica da produção, pois depende-se muito mais de elementos imateriais, especialmente do saber e do conhecimento, que se tornam objetos de tensão entre aqueles que buscam sua apropriação.

Essas mudanças trazem consigo uma dimensão ideológica, que é a promessa do trabalho sem horário, que traz uma autossatisfação por poder ser feito em casa. Com essas mudanças existem modificações no processo de exploração da força de trabalho. Dessa forma, pode-se afirmar que os tipos de explorações não deixam de existir; apenas sofisticam-se.

De outro lado, existe outro processo em expansão que também contribui para a desorganização dos trabalhadores: a terceirização do trabalho, por meio do contrato provisório. Cita-se como exemplo as firmas terceirizadas dos setores de limpeza ou, mesmo, do setor de serviço, que é responsável por impossibilitar a organização dos trabalhadores.

Muitas vezes, esses trabalhadores terceirizados não possuem sindicato. Os processos de contratos, algumas vezes, são feitos para burlar as leis trabalhistas. No serviço público em especial, a terceirização já domina parte dos cargos, anteriormente ocupado por trabalhadores concursados.

No mundo do trabalho, esse processo de terceirização não ocorre apenas no Brasil, mas em escala mundial. Sobre o impacto desse processo nas iniciativas sindicais, Leite (1997, p. 10) observa:

As elevadas taxas de desemprego que acompanham o processo, a tendência das empresas a abandonar os tradicionais centros industriais (com forte tradição operária e sindical) em direção a novas regiões sem passado industrial e sindical (os greenfields), bem como o rápido processo de focalização da produção e desverticalização das empresas, que vem provocando a exteriorização das partes do processo produtivo para outras formas (terceirização), estão entre as causas principais do brutal enfraquecimento do poder sindical desde o início dos anos 803.

Kumar (1997) elucida que durante os anos de 1870 a 1960 os trabalhadores estavam amparados por um capitalismo mais previsível e organizado, porém na atualidade existe um capitalismo diferenciado, que desfavorece as formas de organização dos trabalhadores. Ou seja, tem se destacado uma fase mais dura do capitalismo.

Com os passar do tempo, a classe trabalhadora está se fragmentando. A dificuldade de se organizar tem-se tornado cada vez maior. A falta do sentimento de pertencimento dificulta a identificação de uma classe.

Kumar (1997) aponta que com isso, a percepção da exploração entre classes diminuiu. Tornando-se mais fácil o indivíduo identificar-se localmente, ou em termos de gênero ou de comportamento cultural, do que em termos de pertencimento à classe. No momento presente, essa percepção torna-se fragmentada em múltiplas identidades.

No início da Revolução Industrial, não obstante a exploração de classes, existia um sentimento de identificação e pertencimento. Nesse contexto, a luta das classes era muito forte, trabalhando cada vez mais em grandes espaços. Surgia, então, a possibilidade de uma organização politica maior. À medida que esse processo avançou, avançou também a conquista dos direitos trabalhistas.

3 Aqui, a autora fala do processo de reestruturação da economia mundial e das tendências da competitividade internacional. Dessa forma, aqui o movimento sindical é abordado no âmbito internacional. Nesse nível o movimento enfrentava crise, ao contrário do que ocorria no Brasil, na mesma época, quando o movimento estava em ascensão.

Em um mercado globalizado de alta concorrência, é perceptível que a pressão é voltada para a redução dos direitos trabalhistas. Ou, ainda, os direitos dos trabalhadores são tidos como fator de impedimento ou entrave para a ampliação da capacidade de concorrência no mercado.

Tanto as teorias do pós-fordismo como as do pós-industrialismo mostram transformações no mercado e nas condições de trabalho. Na perspectiva dos autores citados, é evidenciado que os princípios básicos do sistema capitalista cooperam para a piora da qualidade de vida e para a redução dos direitos dos trabalhadores.

Benzer Belgeler