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3.2.5. İstatistiksel Analiz
Produzir não é um dos maiores problemas, mas a comercialização da produção camponesa sim. Mesmo com a demanda por alimentação sendo alta na atualidade, sobretudo nos grandes centros urbanos, os assentados encontram dificuldades para escoar sua produção. Se o produto é parte da cadeia produtiva do agronegócio, como o milho, quando se vai comercializar o valor obtido com a venda quase que se equiparam aos custos de produção, ou ficam ainda abaixo dos custos. Trata-se de um produto que só tem viabilidade econômica para grandes escalas produtivas. Neste caso, o milho
cultivado pela agricultura familiar é para autoconsumo, alimentação animal ou para venda como milho verde. Se for comercializar hortifrutigranjeiros há uma dificuldade no circuito da produção, pois quem compra para revender, seja uma rede de supermercados ou para a realização de feiras, precisa de uma garantia de fornecimento permanente e não somente nos períodos da safra do produto. No entanto, se o camponês for vender diretamente ao consumidor encontram um conjunto de dificuldades que individualmente inviabiliza a produção e comercialização.
Somando a isso ainda existe a questão colocada aos assentados de ter que trabalhar em uma terra degradada pelo monocultivo ou pelo abandono, tendo um financiamento limitado e burocratizado e ainda falta de políticas de garantia de preço mínimo. Para o assentado R. S. as dificuldades encontradas na vida no assentamento pode ser caracterizada como:
São muitas, a gente... o principal é o recurso financeiro. Principalmente finanças. A gente pega uma terra limpa e a verba que vem para a gente fazer é muito pouca para garantir a sobrevivência. Então, uma das partes principais seria a questão financeira, né? Por que por mais que o governo ajude a gente, mas a ajuda deles são muito pouca, né? Não da para chegar num... num... e montar a sua estrutura e começar a produzir nela para você ter retorno. Então antes de nós não tinha este PAA, Banco de Alimento, então era mais difícil. Agora começou a melhorar mais (entrevista concedida em 14/07/2013).
No assentamento Canudos algumas pessoas tentaram reproduzir a forma de trabalhar na terra que seus pais utilizavam, ou em alguns casos que os mesmos realizavam antes de migrarem para as cidades. Mesmo os que vieram do campo não aceitaram uma proposta de trabalho coletivo ou cooperado, embora no período do pré- assentamento muitas das produções foram realizadas devido ao trabalho cooperado. A forma de trabalhar, de tirar o sustento e o desenvolvimento econômico foi de forma individual. Conforme destaca o assentado A. K.:
No período do pré-assentamento já tinha muita produção. [...] Aqui mesmo fizemos uma produção coletiva de abóbora e quiabo. Mais de um alqueire para vinte famílias. Produzimos bastante quase um ano dessa produção. No começo tinha uma ideia boa que era o coletivo. Ai depois foi dispersando as pessoas. Parece que o trabalho, o serviço foi aumentando e as pessoas dispersando, foi desmotivando. Às vezes foi a falta de formação do psicológico do assentamento. As pessoas foram se individualizando (entrevista concedida em 15/07/2013).
É importante ressaltar que o indivíduo, tendo posse da terra e disposição ao trabalho e/ou produção de alimentos, irá conseguir plantar e colher. Quando se chegam à terra e buscam desenvolver atividades produtivas, salvo alguma anomalia climática, as pessoas conseguem colher o resultado de seu trabalho.
No entanto, mesmo que se plante, que se cuide da plantação e obtenha uma boa colheita isto não significa que os assentados conseguirão vender seus produtos ou ter os preços de venda compatíveis com os custos de produção. Em especial quando é realizado de forma individual, a margem de lucro se torna pequena.
Desta forma, a grande maioria das famílias optou pela produção de leite como primeira fonte de renda, uma vez que esta simboliza uma renda mensal garantida. Outras se dedicaram ao cultivo de hortaliças, em sua maioria para o autoconsumo, outros em lavouras temporárias, em especial com a produção de milho.
O assentamento enquanto espaço de moradia para as famílias assentadas vinha cumprindo bem com esta função. No entanto, no aspecto da produção e reprodução da vida econômica e social enfrentava muitas dificuldades e vinha se perdendo devido às dificuldades em financiamento e, sobretudo, de garantia de comercialização dos produtos. Outro fator era a influência da cadeia produtiva do agronegócio que aparecia como algo lucrativo e vantajoso, a princípio, para os assentados.
Para romper com o cerco armado pela agricultura capitalista para retomar por completo o controle do território do assentamento, algumas famílias buscaram formas de pagar o financiamento e continuar fazendo parte do programa, mesmo com uma primeira experiência negativa em relação ao PAA. Para isto montaram associações, cooperativas, organizaram os grupos novamente e passaram a se especializar na produção voltada para o PAA, assim como para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
A comercialização com o PNAE se torna mais difícil de ser realizada devido à padronização dos alimentos a serem entregues, assim como a quantidade e periodicidade dos mesmos. Embora seja o programa que possibilita o maior valor de comercialização por família ao ano, atender as exigências tem se tornado o entrave principal para a realização desta atividade. Conforme destaca o assentado B.V.:
O PNAE é muito mal concebido no ponto de vista da logística, no ponto de vista de recolher os produtos na escola. A chamada publica é por escola, então às vezes a demanda de uma escola é muito pequena para uma comunidade. Se fosse só para um produtor não diria, mas esse produtor individualmente um pouco distante não conseguiria chegar lá individualmente também. Então o PNAE ele tem um problema grave de logística deveria... em cada cidade haver uma chamada pública por cada via ai, o Estado a prefeitura organizava a logística de distribuição nas escolas não o produtor ter que ir em cada escola, por que é muito pouco em cada lugar. E ai ele não consegue montar uma logística para isso. Fora a parte burocrática de documento que é de forma individual. Por que além de produzir tem que cuidar da parte burocrática. Todo ônus fica para o produtor. Tipo “nós compramos e o produtor se vira para entregar”. O se vira não é bem assim. Típico do Estado que não compreende a agricultura familiar. (entrevista concedida em 23/08/2013)
O ingresso das famílias nesses programas possibilitou uma melhoria na qualidade de vida e, por conseguinte, na renda fazendo com que muitas famílias voltassem à produção diversificada, mesmo mantendo a produção leiteira.