3. MATERYAL VE METOD
3.6. İstatistiksel analiz
A importância da informação para o processo de inovação já foi reconhecida pelo menos desde o trabalho pioneiro de Thomas J. Allen, “Managing the flow of technology”, publicado em 1977. Logo nas primeiras páginas, afirma o autor:
Da mesma forma como os sistemas físicos consomem e transformam energia, o sistema científico consome, transforma, produz e troca informação... Tanto o insumo quanto o produto deste sistema que chamamos ciência apresentam-se sob a firma de informação. (ALLEN, 1977, p. 2)
Para Allen, a tecnologia, como a ciência, consome e transforma informação. Mas existe uma grande diferença nesses dois processos, a qual se manifesta nos produtos gerados por cada um. Enquanto a ciência produz informação verbalmente codificada, o produto da tecnologia é também informação, só que fisicamente codificada em novos produtos.
Figura 9: Processamento de informação em ciência e tecnologia Fonte: Allen, 1979, p. 1053.
Para Allen, os cientistas constroem os “colégios invisíveis”28 para a comunicação informal, mas também fazem uso intensivo da literatura técnica disponível através da qual divulgam suas pesquisas, estabelecem suas reputações e compartilham descobertas. Os engenheiros associados ao desenvolvimento tecnológico, por outro lado, estão voltados para projetos específicos que podem resultar em diferenciais competitivos para suas empresas. Para conseguirem a informação de que necessitam recorrem a contatos pessoais com outros especialistas ou se vêem às voltas com a difícil tarefa de decodificar a informação fisicamente codificada em produtos (ALLEN, p. 2-5).
Desta forma, os engenheiros fazem uso de duas fontes de informação pouco usuais aos cientistas: os consumidores e os vendedores. Esta é uma primeira diferenciação importante a respeito do comportamento de busca de informação entre cientistas e engenheiros/tecnologistas. Uma segunda diferenciação importante feita por Allen está associada ao tempo dedicado à leitura e à comunicação interpessoal. Enquanto os cientistas privilegiavam o recurso à literatura técnica, os engenheiros davam preferência aos contatos pessoais com colegas. Hertzum & Pejtersen (2000) argumentam, no entanto, que estas práticas de busca de informação não se sustentam como características peculiares desse ou daquele grupo. Segundo os autores, os engenheiros pesquisam documentos para identificar pessoas bem informadas, pesquisam pessoas para localizar documentos relevantes, e interagem socialmente para obter tanto informação oral quanto escrita sem se engajarem em pesquisas explícitas.
Ellis & Haugan (1997), na esteira do trabalho de Allen, pesquisaram os padrões de comportamento de busca de informação desenvolvidos por engenheiros e cientistas em um ambiente industrial. Analisando os dados e informações coletados à luz da literatura técnica, os autores concluíram pela existência de um sólido modelo geral sobre o comportamento de busca de informação por cientistas e engenheiros.
No que tange aos cientistas sociais esse comportamento é descrito como uma seqüência de seis etapas: (i) começar; (ii) encadear; (iii) navegar; (iv) diferenciar; (v) monitorar e (vi) extrair. Aplicando esse modelo a cientistas de outras categorias, os autores verificaram a existência de pouca variação, o que corroboraria a conclusão quanto à solidez do modelo (ELLIS, 1989; ELLIS et al., 1993).
Wilson (1981, 1994) tem questionado o fato de as pesquisas e estudos sobre o comportamento
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de busca de informação se voltarem basicamente para as demandas que os indivíduos encaminham aos sistemas formais de informação, em detrimento de outros aspectos importantes associados ao comportamento de busca, dentre os quais o autor destaca o conhecimento do próprio usuário, seus comportamentos de uso e de compartilhamento da informação. Nesse sentido, faz eco aos estudos de Ingwersen (1996), a respeito da influência das habilidades cognitivas, e de Kuhlthau (1993), sobre o papel dos sentimentos, no que se refere ao comportamento de busca de informação. Mais recentemente, Heinström (2003) chamou a atenção para as dimensões de personalidade29 que, segundo a autora, também contribuem para a modelagem desse comportamento.
Na esteira dessa linha de pesquisa, outra importante contribuição é oferecida por Brown (1991), ao apontar para a necessidade de se considerar duas novas dimensões ao comportamento de busca de informação: as condições e o contexto. Ao tratar as condições, a autora refere-se a duas variáveis importantes: a primeira, associada à intensidade dos estímulos a que o indivíduo está exposto; a segunda, pertinente aos mecanismos que influenciam o grau de atenção dedicada pelo indivíduo a este ou àquele estímulo. O contexto, por seu turno, decorre de uma visão do indivíduo como pessoa, com necessidades de ordem fisiológica, afetiva e cognitiva. Como tal, desempenha um papel que é parte integrante do ambiente, com todas as implicações sócio-culturais e político-econômicas daí decorrentes. Com base nesses conceitos, Brown sugere que a pessoa (o self), seu papel e o ambiente constituem os fundamentos do contexto.
Relevante também é a contribuição de Palmer (1991) que, estudando o comportamento de busca de informação de bioquímicos, entomologistas e estatísticos e empregando cluster analysis, concluiu pela existência de cinco categorias de usuários:
não-buscadores (non-seekers), constituído basicamente por estatísticos, para quem a informação poderia ser um problema, pela dificuldade de se obtê-la, ou poderia ser desprezada por não contribuir para a solução de determinado problema;
buscadores solitários de amplo escopo (lone, wide rangers), pessoas já bastante familiarizadas com a organização, que assinam mais periódicos e prospectam fontes externas com freqüência;
29 As dimensões da personalidade as quais a autora se refere foram apresentadas e discutidas por Howard &
buscadores inquietos e auto-confiantes (insettled,self-conscious seekers), recentes na organização ou pouco familiarizados com a situação problema com a qual se encontram envolvidos;
colecionadores confiantes (confident collectors), que abandonam a busca regular de informação mas que mantêm arquivos pessoais e apresentam diversificados comportamentos de busca de informação, inclusive networking;
caçadores (hunters), que mantêm rotinas regulares para se assegurar que nada relevante lhes escape.
Embora essas tentativas de classificação sejam marcos importantes no avanço do conhecimento sobre o comportamento de busca de informação no âmbito da ciência e da tecnologia, pelo menos três tendências complicadoras devem ser destacadas.
A primeira refere-se ao crescimento da interdisciplinaridade, tanto no desenvolvimento científico quanto no tecnológico. Hoje, não é mais possível o tratamento de cada disciplina científica como se fosse um campo de conhecimento hermético. Cada vez mais, as áreas de conhecimento se conectam e se entrelaçam, dificultando sobremaneira a delimitação de fronteiras. Um claro indicador dessa tendência encontra-se na proliferação de periódicos que contemplam a interseção de campos de conhecimento. Em decorrência, não há como se focar o estudo do comportamento de busca de informação tendo-se como referência a especialização acadêmica do indivíduo. Essa constatação de aplica tanto à ciência da informação (HERNER & HERNER, 1967; HEWINS, 1990; LIN, 1999; DIAS, 2001), quanto a outras áreas do conhecimento, como é o caso dos estudos organizacionais (NAMBISAN, 2003).
Um segundo fator complicador diz respeito às novas metodologias de pesquisa que, gradativamente, vão se instalando no âmbito da ciência da informação (WILSON, 2000a; DIAS, 2001). O incidente de busca de informação, por exemplo, trata do levantamento do comportamento de busca em situações específicas, numa extensão do método do incidente crítico de Flanagan (1954), num contexto de pesquisa bastante diferente daquele associado aos métodos quantitativos tradicionais.
O terceiro fator complicador está associado ao drástico aumento na velocidade do processo de inovação nas empresas decorrente do acirramento da competição globalizada. Mesmo com a
disponibilidade de novos meios de informação, como é o caso da Internet (MARCHIONINI, 1997; CHOO et al, 1999; LOEBER & CRISTEA, 2003) e da popularização das comunidades de prática no âmbito da ciência e da tecnologia (GIBBONS et al., 1994; TUIRE & ERNO, 2001), hoje se reconhece o pouco que se sabe sobre as necessidades efetivas dos pesquisadores envolvidos no desenvolvimento tecnológico, sobre as fontes mais adequadas para o atendimento dessas necessidades e abordagens que deveriam ser priorizadas para se prover um suporte mais adequado à pesquisa tecnológica em um ambiente cada vez mais digital (HIRSCH, 2000).
Por outro lado, essas rápidas mudanças no ambiente tecnológico e o aumento das exigências das tarefas associadas à inovação fazem crescer a incerteza do usuário no que se refere aos comportamentos mais adequados para a busca da informação necessitada (FJÄLLBRANT, 2000), assim como enseja o surgimento de novas práticas ainda pouco conhecidas, como é o caso da busca compartilhada de informação (LAZARIC & LORENZ, 2000; PREKOP, 2002; TALJA, 2002).