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3.GEREÇLER VE YÖNTEMLER 3.1.Gereçler

3.3. İstatistiksel Analiz

Crozier (1983) afirma que o conceito de poder é indispensável às Ciências Sociais, pois os fenômenos de poder acompanham necessariamente todos os processos de integração social que constituem um dos objetos de estudo das Ciências Sociais. No seu entendimento, pode-se dizer que não há integração ou sociedade possível sem poder.

Sendo assim, na perspectiva política, as organizações são examinadas como um sistema de poder em que as pessoas ou grupos procuram influenciar o processo decisório. Da mesma forma que em um sistema político, o poder é visto como um instrumento para fazer com que determinadas idéias prevaleçam sobre outras. Nas organizações, as pessoas, além de desempenharem funções de interesse coletivo, têm também interesses individuais. Dessa forma, agem de maneira a maximizar seus interesses ou conservar seus recursos de poder. Todos os membros de uma organização participam de um jogo político em que se alternam ganhos e perdas (MOTTA, 2000).

Nesse sentido, em que pese a afirmação ser válida para as organizações, em geral, decidiu-se analisar a questão política enfocando particularmente as cooperativas, pois, nesse aspecto, elas apresentam singularidades que merecem destaque. Um estudo sobre as cooperativas

agropecuárias brasileiras, realizado por Antonialli (2000), foi utilizado como referência para orientar a análise do poder nesse tipo de organização. Cabe lembrar que as cooperativas médicas, objeto do presente estudo, mostram particularidades que merecem um estudo específico.

De forma geral, a cooperativa é uma associação de pessoas, com bases democráticas, que se unem com a finalidade de atender a certas necessidades econômicas. É uma forma de sociedade que dispõe de duas dimensões: uma política (interessada na promoção dos associados) e uma econômica (que visa produzir um bem ou serviço com um certo grau de eficiência econômica). A capacidade de articular estas duas dimensões, dentro da mesma organização, é uma característica específica das organizações cooperativas (ANTONIALLI, 2000).

Garcia (1981) enfatiza que, enquanto diretriz doutrinária, as cooperativas se propõem a ser uma solução simples e prática para conflitos existentes entre duas características: a do cidadão, que enfatiza o bem público e a responsabilidade social, e a do sujeito econômico, que está interessado na produção eficiente de bens ou serviços.

Dessa forma, as cooperativas assumem, em decorrência de seus princípios doutrinários, a dupla função de associação (reunião de pessoas), e de empresa (reunião de capital). Por outro lado, os cooperados também se revestem do duplo papel de dono e de usuário (ou prestador de serviços, no caso das cooperativas médicas) do empreendimento. Por terem estas características, na maioria das cooperativas, os próprios donos são os responsáveis pela gestão organizacional (ANTONIALLI, 2000).

De acordo com Antonialli (2000), o cooperado, como gestor de um negócio, deve harmonizar sua participação política na definição de objetivos e metas, com sua participação econômica, isto é, no capital, e ambas com a capacidade gerencial da empresa para ser efetiva no mercado. Por ser a cooperativa um espaço em que, em geral, um grande número de associados interage, torna-se este um evidente espaço de disputa de poder.

O poder é definindo por Galbraith (1984) como a capacidade de impor a vontade e atingir o correspondente objetivo. Foucault (1987) indica que o poder é algo que circula, ou melhor, é algo que só funciona em cadeia, só se exerce em rede, e Fischer (1996) afirma que o poder

está embutido nos padrões culturais vigentes e se faz presente em todas as esferas das organizações, atingindo diferentes agentes organizacionais. Assim, o poder é manipulado por esses agentes nas disputas de interesses.

No entanto, Pagés et al. (1987) destacam que o poder organizacional não pode ser ingenuamente atribuído a indivíduos ou grupos e, muito menos, localizado em algum espaço da organização. Sendo o poder uma entidade que não pode ser possuída, ele difunde-se em toda a organização e manifesta-se por meio de práticas e relações.

Estudando as cooperativas de produtores, Alencar (1976), apud Antonialli (2000), constatou um distanciamento dos associados. No seu entender, à medida que a cooperativa é considerada pelos produtores como um meio de satisfazer suas necessidades econômicas individuais e não como um meio político-econômico, os princípios cooperativistas evidenciam pouco significado como orientador do cooperado, no sentido de decidir pela permanência e lealdade à cooperativa.

Meirelles (1981), apud Antonialli (2000), destaca que a participação da cooperativa no mercado competitivo capitalista tem levado à adoção de métodos racionais de administração, com o conseqüente surgimento e desenvolvimento de um corpo técnico-burocrático específico.

Discutindo o modelo de administração proposto pela legislação cooperativista brasileira, Lauschner e Schweinberger (1989), apud Antonialli (2000), afirmam que o mesmo permite que as pessoas merecedoras de confiança dos associados assumam o poder, mas não necessariamente estas pessoas são aquelas mais capacitadas para dirigir, administrar, ou mesmo, controlar uma cooperativa de forma adequada.

Antonialli (2000) aponta que a atual estrutura de poder nas cooperativas brasileiras tem recebido muitas críticas, pois apresenta várias deficiências que vêm comprometendo a competitividade dessas organizações em relação às organizações não cooperativas, especialmente devido à ineficiência administrativa que apresentam. Dentre os problemas citados, destacam-se: a lentidão do processo decisório por envolver consenso entre os cooperados, a falta de competência administrativa dos dirigentes, a centralização do poder, o rodízio do poder entre um grupo de associados, a remuneração demasiada dos dirigentes,

motivando-os a serem assalariados ao invés de produtores, pouca participação dos associados nas assembléias e falta de planejamento de longo prazo.

Em um estudo sobre as cooperativas de laticínios do estado de São Paulo e suas relações com os produtores, Fleury (1983) conclui que há diferenças significativas entre uma cooperativa e uma empresa privada, em termos de objetivos e modelo organizacional. Na cooperativa, que é organizada segundo um modelo democrático, a pesquisadora observa que as condições são propícias para que certos grupos se apropriem do poder e o utilizem em beneficio próprio. Estes grupos, formados por grandes produtores, são os que participam da vida política da cooperativa. Entretanto, tal participação visa a obtenção de benefícios econômicos. Na empresa privada, atuando no mesmo setor, o objetivo do lucro leva a organização a estruturar- se de acordo com o modelo de racionalidade técnica. No caso, os técnicos especialistas têm voz ativa e não os acionistas, pois o modelo procura propiciar as condições necessárias para se atingir a finalidade proposta – o lucro.

Sendo assim, as ações de mudança em uma perspectiva política nas cooperativas devem enfatizar a promoção da participação efetiva dos associados, a intensidade e transparência na comunicação, a solução de conflitos grupais, a negociação e, especialmente, a revisão dos conceitos de liderança e de autoridade organizacionais. Segundo Motta (2000), esses são elementos fundamentais para mudanças das organizações na perspectiva política.

No que tange à questão ao conflito grupal, este é inerente à organização e não deve ser tratado como algo disfuncional. O conflito tem muitas funções positivas, tais como: prevenir a estagnação decorrente do equilíbrio constante da concordância, estimular o interesse e a curiosidade pelo desafio da oposição, descobrir os problemas e demandar sua solução. Sendo assim, pode ser considerado como a essência da mudança pessoal, grupal e social (MOSCOVICI, 1997).

As organizações estão sempre expostas a fatores tanto internos quanto externos que as impulsionam no sentido de se adaptarem, sobreviverem e crescerem. As Ciências Administrativas têm contribuído com um amplo e variado arcabouço teórico para desvendar os diversos elementos que estruturam a ação organizacional.

Distinguem-se a Administração Pública e a administração das empresas, em geral, utilizando- se perspectivas de análise que contemplam as particularidades de cada um desses macro setores – o público e o privado. No caso da regulamentação estatal, todas as empresas que atuam nas modalidades empresariais existentes foram consideradas como empresas privadas, ou seja, seguradoras e cooperativas são consideradas como organizações idênticas.

Constata-se, no entanto, que tais empresas não constituem um conjunto homogêneo de organizações, pois algumas particularidades as distinguem. Sendo assim, retoma-se a questão básica que orientou o presente estudo, ou seja, o que a regulamentação estatal provocou na

gestão das organizações do segmento de assistência médica suplementar para apresentar o

5 IMPACTOS DA REGULAMENTAÇÃO ESTATAL: O CASO ESTUDADO

Benzer Belgeler