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B) Minör kriterler:

2. GEREÇ ve YÖNTEM

2.2. İstatistiksel Analiz

Inicio demarcando a importância de se ter um método coerente e que dê conta de auxiliar efetivamente nos desdobramentos de uma pesquisa. Acredito ainda que o ato de pesquisar deva estar relacionado à produção de conhecimentos que contribuam para o processo de desenvolvimento do gênero humano, enfatizando a humanização dos indivíduos, na busca pelo pleno desenvolvimento de personalidades livres e universais. Considero que alguns questionamentos devem servir de guias em todo o processo de defesa de uma tese, ou no ato de investigar um determinado tema, tais como: Por que pesquiso isso? Qual a contribuição social de minha pesquisa? Ela estará a serviço do que e de quem? São perguntas que considero relevantes, a fim de não cair nas armadilhas postas pelo capitalismo, sobretudo porque muitas vezes pesquisar significa atender aos interesses da burguesia e, por conseguinte, apenas contribuir para que as coisas continuem tais como elas estão.

A busca pelo método se converte em uma das tarefas mais importantes no processo de investigação das diferentes nuances do conhecimento humano. O método é “ao mesmo tempo premissa e produto, ferramenta e resultado da investigação” (VIGOTSKI, 1995, p.47, tradução minha)25.

É necessário chamar a atenção para os equívocos daqueles que tentam caracterizar as pesquisas na vertente da Teoria Histórico-Cultural como qualitativas ou quali-quantitativas. As pesquisas embasadas no método Materialista Histórico Dialético não cabem dentro de tal definição. Há a busca pelos aspectos qualitativos dos processos que se estuda, o quantitativo é apenas um momento no processo da pesquisa, necessário à organização dos dados de um experimento, por exemplo. O mais próximo que se pode dizer quanto a isso é que há que se considerar a dialética entre quantidade e qualidade e, sobretudo saltos qualitativos, na transição de quantidade para qualidade. Até mesmo porque, conforme Martins (2005):

[...] o marxismo dispensa a adoção das chamadas abordagens qualitativas na legitimação da cientificidade de seus métodos de investigação, pois dispõe de uma epistemologia suficientemente elaborada para o fazer científico, qual seja, a epistemologia materialista histórico dialética. (MARTINS, 2005, p.118).

Vigotski (1995, 2001) fazia questão de salientar que utilizar-se do materialismo histórico dialético para analisar os fenômenos psicológicos não significa apenas citar trechos de Marx e Engels, como nas famosas “colchas de retalhos” presentes em obras da psicologia ocidental burguesa. Havia a necessidade de se criar uma Psicologia Geral, na qual o método

proposto por Marx servisse de base para se pensar nos elementos que constituem a realidade objetiva e que são incorporados a subjetividade humana em suas diferentes manifestações (ASBAHR, 2011; TULESKI, 2009).

Frente a tais pressupostos, Vigotski (1995) propunha alguns princípios no processo de investigação dos fenômenos psicológicos:

- Explicar os fenômenos em oposição a sua descrição imediata e aparente;

- A explicação é capaz de proporcionar a análise dos nexos dinâmico-causais e as relações presentes em comparação a outros fenômenos psicológicos, ou seja, tal processo favorece a descoberta de sua verdadeira origem, na busca pela síntese de suas múltiplas determinações. - Os processos devem ser analisados dialeticamente desde suas formas mais simples para as formas mais complexas e vice versa.

Ao complementar tais informações e diante do referencial epistemológico apontado, Martins (2005) resgata que: 1 – a personalidade humana, pela qual investiga-se a história de vida de um sujeito concreto ocorre por meio de sua singularidade, ou seja, através da superação do singular em direção ao universal pela mediação do particular, conforme os preceitos marxistas; 2- o processo relacional pesquisador-pesquisado, é essencialmente dinâmico e interativo na busca por aspectos “reveladores” sobre o tema pesquisado; 3- e há que se garantir o papel ativo do pesquisador, na interpretação (análise) do objeto estudado e na produção do conhecimento, ou seja, na “[...] elaboração da síntese pela qual se re(elabora) no plano teórico a biografia, compreendida então na totalidade de sua concreticidade histórico-social” (MARTINS, 2005, p. 119).

Faço questão de salientar que frente a tais pressupostos presentes na perspectiva do Método Materialista Histórico Dialético, o processo de pesquisar possibilita transformações tanto para o conhecimento a ser investigado, bem como para o pesquisador e para os participantes da pesquisa. Assim não há neutralidade por parte do pesquisador que pretende estudar algo histórica e dialeticamente. Há intencionalidades no percurso de intervenção pesquisador-pesquisado, por meio de um processo de mediação no qual os participantes possam oferecer “informações” da maneira mais detalhada possível. No caso desta tese, por exemplo, durante o processo de captação das imagens fotográficas, nas filmagens de dias das vidas dos participantes ou ainda nas entrevistas sobre o material produzido, tais aspectos se fizeram presentes, sendo que os descreverei posteriormente.

Vigotski (1995) criticava aqueles que diziam estudar algo historicamente e que apenas realizavam a assimilação da história com o passado. Estudar um fenômeno historicamente significa estudá-lo em movimento. Ou seja, deve-se colocar em evidência a sua natureza, para

conhecer a sua essência. O autor aponta ainda que as pesquisas feitas pela “velha psicologia” se reduziam somente a descrever as vivências nas investigações, sendo incapaz de revelar os nexos dinâmico-causais que constituem a base de um determinado fenômeno. As análises devem ir além das descrições fenomenológicas ao explicar cientificamente determinado objeto de investigação, ao estabelecer relações mais complexas, profundas e relacionadas com outros processos que determinam o seu desenvolvimento.

Nesses casos, é necessária a análise científica, na descoberta de conhecimentos para além do aspecto externo do processo, na busca pelo conteúdo interno, ou seja, a sua natureza e origem. Toda a dificuldade da análise científica é que a essência dos objetos, ou seja, a sua autêntica correlação não coincide diretamente com a forma de suas manifestações externas e, portanto, é necessário analisar os processos, é necessário descobrir dessa forma a verdade subjacente a estes processos para além da forma exterior de suas manifestações. (VIGOTSKI, 1995, p.104, tradução minha)26.

Ao fazer uma analogia de tal citação, posso exemplificá-la quando se olha um iceberg e analisa-se apenas o que está fora da água. Dessa forma, o que se vê é apenas a ponta do iceberg. E por mais que essa ponta possa ser descrita e analisada nos mínimos detalhes, jamais se compreenderá sua base que está imersa, ou seja, o iceberg em sua totalidade.

Conforme Barroco (2009), a totalidade como realidade concreta não significa a soma dos fatos. O todo é dialético, é estruturado em curso de desenvolvimento, e um fato só pode ser compreendido dentro do todo. Ainda sobre a totalidade a pesquisadora destaca:

[...] refere-se, pois, à realidade nas suas íntimas leis e revela, sob a superfície e a causalidade dos fenômenos, as conexões internas, necessárias e coloca-se em antítese à posição do empirismo, que considera as manifestações fenomênicas e casuais, não chegando a atingir a compreensão dos processos evolutivos da realidade (BARROCO, 2009, p.128).

Barroco (2009) complementa que a Psicologia que se volta à Educação, só conseguirá explicar o homem atual se o analisar intrinsecamente diante dos cânones que marcam a sociedade atual, tais como os avanços tecnológicos e o aumento da produção industrial. A mesma pontua que um aspecto contraditório da sociedade capitalista é que a mesma, ao exigir dado tipo de desenvolvimento físico, cognitivo e sócio emocional por parte da população, limita a possibilidade de sua concretização para a maioria das pessoas.

26 Original: En estos casos resulta necesario el análisis científico, el saber descubrir bajo el aspecto externo del

proceso su contenido interno, su naturaleza y origen. Toda la dificultad del análisis científico radica en que la esencia de los objetos, es decir, su auténtica y verdadera correlación no coincide directamente con la forma de sus manifestaciones externas y por ello es preciso analizar los procesos; es preciso descubrir por ese medio la verdadera relación que subyace en dichos procesos tras la forma exterior de sus manifestaciones.

Prosseguindo, diante do objeto desta tese, “a construção social da personalidade de adolescentes expostos ao bullying escolar e os processos de resiliência em-si”, apresento algumas considerações sobre alguns dos elementos que compõem a tese, como já apresentada em outros momentos, a fim de garantir uma melhor articulação entre ambos. Para tanto, há que se considerar alguns questionamentos:

1-Como se dá o processo de apropriação das objetivações materiais, culturais e intelectuais produzidas em nossa sociedade pelos participantes dessa pesquisa?

Assim, destaco que o processo de apropriação no sistema capitalista apresenta diferenças gritantes, ao passo que, as pessoas não têm as mesmas oportunidades de contato com as práticas sociais e culturais, até mesmo porque se vive em uma sociedade dividida em classes, na qual imperam os processos de alienação. No caso desta tese, será dada atenção especial as seguintes práticas sociais e culturais que os participantes tiveram/têm contato/acesso qualitativo, em menor ou maior intensidade em suas trajetórias de vida: atividades escolares; moradia e a infraestrutura no bairro onde residem; contato com as tecnologias da informação e comunicação; participação em atividades domésticas e de trabalho; contato e participação em momentos/atividades/espaços que contemplam o lazer e os exercícios físicos; participação em práticas religiosas; o contato com a música, literatura e outras manifestações artísticas; bem como a articulação entre as dimensões interpessoais e suportes da comunidade onde vivem.

Dessa forma, muitas das práticas sociais e culturais que os mesmos têm contato e se apropriaram, apresentam caráter paliativo, ao não favorecerem a real emancipação dos indivíduos, até mesmo porque dentro do sistema capitalista, continuarão sendo mais ou menos alienados, pois eles não conseguem estabelecer relações mais amplas sobre tais práticas, ou seja, entender como foram produzidas, em quais condições, e a serviço de quem e do que são difundidas. Os participantes têm contato com concepções idealistas e fragmentárias que não os auxiliam no pleno desenvolvimento da personalidade, bem como numa transformação das relações sociais; o máximo que conseguem desenvolver é a “resiliência em-si”. Todavia, esses aspectos culminam num outro questionamento.

2. Como ocorre a formação da personalidade, no contexto do referencial da Teoria Histórico- Cultural?

No contexto do referencial, a personalidade de cada indivíduo é tida como expressão das condições postas pela objetividade da vida, incorporadas ou não as possibilidades para uma atividade consciente. Todavia, quanto menores forem essas possibilidades, mais fragmentados serão os motivos e ações presentes na atividade humana. Decorrente desse

processo, dentro do sistema capitalista, há uma contradição expressa, que favorece ao próximo questionamento.

3. Como ocorre a formação da personalidade dos participantes desta tese?

Por mais que esses adolescentes tenham desenvolvido personalidades que os auxiliem a se posicionarem e/ou enfrentem às adversidades vividas em sociedade (resiliência em-si), a concepção de resiliência construída por eles está sendo vista pelo prisma da adaptabilidade ao contexto social, de forma que se encontram impedidos de se emanciparem frente às relações sociais. Por conseguinte, a emancipação se faz possível por meio de um processo de tomada de consciência, bem como pela superação das atuais relações sociais, o que reforça a importância que a educação escolar pode ter nesse processo.

Amparado em Leontiev (1983) e Vigotski (1995) reforço que o conjunto de proposições desta tese, ao utilizar-se do método, credita certa ênfase ao social, até mesmo, porque “todo o cultural é social”. E sendo a cultura um produto da vida e reflexo das atividades sociais do ser humano, a mesma terá papel decisivo no processo de constituição da personalidade humana.

Sobre o processo de formação da personalidade de uma criança desde a infância e de sua concepção de mundo Vigotski (1995) frisa:

Portanto, a personalidade que é um conceito social engloba e se sobrepõe ao natural, por meio do histórico no ser humano. Não é inata, surge como resultado do desenvolvimento cultural, e em decorrência a personalidade é um conceito histórico. Também não significa que entendemos por concepção de mundo um sistema lógico, pré meditado, como uma concepção consciente do mundo e sobre seus aspectos mais fundamentais. Nós também usamos o termo no sentido sintético que no plano subjetivo corresponde à personalidade. Para nós, a concepção de mundo é tudo aquilo que caracteriza a conduta global do homem, a relação cultural da criança com o mundo exterior (VIGOTSKI, 1995, p.328, tradução minha)27.

A personalidade se desenvolve como um todo, desde o primeiro contato social da criança com os adultos que atuam sobre si; depois na interação da criança com o sua comunidade (entorno) e posteriormente, quando a criança passa a atuar sobre os demais, até atuar com relação a si mesmo (LEONTIEV, 1983; VIGOTSKI, 1995).

27 Original: Por lo tanto, la personalidad que es un concepto social abarca lo sobrepuesto a lo natural, lo

histórico en el ser humano. No es innata, surge como resultado del desarrollo cultural, por ello la <<personalidad>> es un concepto histórico.

Tampoco entendemos por concepción del mundo un sistema lógico, meditado, en forma de una concepción consciente sobre el mundo y sobre suas aspectos mas fundamentales. Utilizamos también dicho término en el sentido sintético que en plano subjetivo corresponde a la personalidad. Para nosotros la concepción del mundo es todo aquello que caracteriza la conducta global del hombre, la relación cultural del niño con el mundo exterior.

Assim, apresento na sequência os procedimentos metodológicos utilizados para o “levantamento” das informações necessárias e que serão analisados no próximo capítulo da tese.

3.2 Procedimentos metodológicos: Onde desenvolver a pesquisa? X Processo de seleção

Benzer Belgeler