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4. GEREÇ VE YÖNTEM

4.3. İstatistiksel Analiz

A verdade é que o turismo em Parintins está ligado à força do Festival em atrair turistas de outras partes do estado , do país e do mundo. Os primeiros a se envolverem com o Festival e se interessarem pela grande festa foram os moradores dos municípios vizinhos e da capital, Manaus.

O crescimento econômico da cidade de Manaus, nos anos 1970, ligado à implantação da Zona Franca de Manaus, em 1968 e do seu parque industrial nos anos subsequentes, proporcionou um crescimento populacional não conhecido na capital amazonense. Nem mesmo o boom da borracha, no final do século XIX e início do século XX imprimiu tão acelerado crescimento, tendo em vista que a imigração de trabalhadores, principalmente nordestinos, se faziam em direção aos seringais, instalados em distantes rincões do interior da Amazônia. Manaus e Belém eram importantes entrepostos tanto para o recebimento e distribuição dessa leva de migrantes, como também, com a instalação de lojas aviadoras, bancos e casas comerciais, eram o destino da borracha colhida na região e depois enviada para os centros consumidores, principalmente a Europa.

Manaus, em 1970, possuía uma população urbana de 283.685 habitantes, chega a 630.000 em 1980 e em 1991 já supera a casa do milhão de habitantes, vivendo um período de “explosão demográfica” (AZEVEDO FILHO, 2004). Essa população vinha, principalmente, do interior do estado, mas também de estados vizinhos, como o Pará e Rondônia. Segundo estudos sobre as migrações para Manaus realizada nos anos 1980 e publicado em 1990, pela Fundação Joaquim Nabuco, os imigrantes eram em sua maioria (49,0%) do próprio estado do Amazonas, sendo que as maiores contribuições estavam em seis municípios: Careiro, Coari, Itacoatiara, Manacapuru, Parintins e Tefé. Outro grande fornecedor de imigrantes é o estado do Pará (15,9%), seguido do Ceará (8,5%). As causas para a migração são primeiramente por questões econômicas: busca de trabalho e melhores condições de vida; logicamente, num processo de atração-expulsão, no lugar de origem carecia-se de todo um conjunto de fatores, como infraestrutura, emprego, estudo etc (MELO; MORVAN, 1990).

A população parintinense migrada para Manaus deve ter sido a primeira clientela para o festival de Parintins, nos anos 1980, principalmente, depois da construção do Bumbódromo, em 1988. A partir de 1994, com o incremento da divulgação do Festival pela televisão, uma parcela maior da população manauara vem para Parintins, bem como outros municípios mais próximos. Esse período também é a fase da grande crise na ZFM propiciada pela abertura econômica de 1990, no Governo Collor, que vai abalar a base da estrutura da ZFM que é a política protecionista do mercado interno e os incentivos fiscais para importação. Nessa fase da história econômica do estado do Amazonas percebem-se correntes migratórias inversas, em direção ao interior. Cidades como Parintins tiveram forte crescimento populacional na década em referência.

Outro fator que vai atrair a população de Manaus para o Festival são as festas de boi, ou ensaios, promovidas pelas duas agremiações na capital, que servem para divulgar o evento, ensaiar as toadas e as novas coreografias e arrecadar recursos para cada agremiação. Em Manaus os ensaios eram realizados em locais diferentes para cada Boi, no entanto, a partir de 2003, depois de observar-se uma queda na frequência de participantes nos anos anteriores, as duas entidades que promovem os Bois em Manaus, o Movimento Amigos do Garantido (MAG) e o Movimento Marujada, do Caprichoso, decidiram por centralizar os ensaios no Centro de Convenções do Estado do Amazonas, o sambódromo amazonense. Logo após o carnaval, nos meses que antecedem o Festival, realizado no último fim de semana do mês de junho, os ensaios acontecem praticamente no mesmo ritmo que em Parintins.

Ferreira e Braga (2004) acompanharam essa movimentação dos ensaios dos Bois de Parintins em Manaus, preocupados em fazer uma descrição etnográfica e uma análise da experiência cultural assumida pela população nos ensaios dos bois-bumbás em Manaus. Para eles, as pessoas da cidade de Manaus têm conhecimento do Festival e dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso através de discos, das músicas transmitidas pelas rádios locais à época da chamada temporada do boi (período de março a meados do mês de junho), por meio de jornais e revistas. Nos ensaios são aprendidas as novas toadas, coreografias, passos de dança e promovidas múltiplas formas de sociabilidade entre os grupos de jovens, que têm presença majoritária nos ensaios. Nos currais dança-se à vontade, e é lá que os brincantes aprendem as letras e as músicas das toadas que serão apresentadas nos três dias do Festival de Parintins. Essas festas chegam a reunir cerca de quinze mil pessoas por evento, animadas por músicos, ao som contagiante da toada, um ritmo composto de compasso binário, fundamentado na percussão, com acompanhamento de instrumentos melódicos, como: violão, charango, teclado (sintetizador), bateria; além de coro e bailarinos, neste caso, aqueles que ensinam as coreografias e os passos de dança. Há a preocupação de se cantar nos ensaios as toadas novas do ano, gravadas em um CD/DVD e agora também em Blue Ray, com dezoito músicas, tocadas por bandas credenciadas pelos próprios bumbás. Nas últimas semanas que antecedem o grande Festival, o público presencia a aparição de alguns dos “itens do boi”, como a cunhã-poranga, o pajé, a rainha do folclore, a porta-estandarte, que tornam a festa ainda mais emocionante. O cantor de toadas é chamado de levantador de toadas. O levantador é o líder da cantoria, uma espécie de termômetro entre o show que cada banda apresenta e o público presente no ensaio, sendo, portanto, “umas das figuras essenciais, cuja arte consiste

em se manter em permanente sintonia com seu público” (FERREIRA; BRAGA, 2004, p. 139- 144)

É dessa forma que se cria a imagem do festival e o imaginário se cria naqueles que ainda não conhecem o mesmo e se renovam nos parintinenses residentes em Manaus e naqueles que não perdem um festival. Claro que tudo isso apoiado pela força da mídia, que com o apoio promocional de diversas empresas locais e nacionais, propiciam a divulgação do evento. Pelo menos no Amazonas o Festival Folclórico de Parintins continuará a atrair contingente cada vez maior da população, cabe saber se os demais estados se interessam pelo evento, visto acontecer no mês de junho, momento de muitos eventos juninos em várias partes do país, e de ser a abertura do período de alta temporada do meio do ano e os destinos turísticos são outros.

Benzer Belgeler