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Segundo Leite Jr. (2002), X. axonopodis pv. passiflorae apresenta variações no aspecto da cultura, na virulência e na produção de ácido sulfídrico.

Variações bioquímicas e fisiológicas foram observadas por Dias e Takatsu (1988), que estudando 20 isolados de diversas regiões do Brasil, verificaram diferenças significativas entre os isolados na coloração das culturas, produção de H2S e na virulência.

Wendland et. al. (1996), estudando 27 isolados de várias regiões produtoras do Brasil, não observaram diferenças significativas nos caracteres bioquímicas e fisiológicas das culturas, mas encontraram evidências de variação utilizando o perfil de proteínas totais por gel de SDS-poliacrilamida, o que já indica um certo nível de polimorfismo genético.

Beriam (1998) avaliando 54 linhagens de X. a. pv. passiflorae, utilizando testes sorológicos e de perfis eletroforéticos de proteínas totais (PAGE/SDS) concluiu que o patógeno não exibe grande diversidade genética, mesmo entre isolados de regiões diferentes ou entre isolados de hospedeiros de espécies diferentes, como P. alata e P. edulis. Conclui que as diferenças de virulência devem ser devidas ao ambiente, variabilidade genética do hospedeiro ou mesmo idade das folhas analisadas. O autor sugere que materiais selecionados para resistência ao patógeno em uma região, deverão apresentar a mesmo caráter em regiões diferentes. O autor observa que testes sorológicos e de perfis eletroforéticos de proteínas totais (PAGE/SDS) são indicados para diagnosticar o patógeno. Nos testes sorológicos os antígenos mais indicados são a suspensão bacteriana ou de complexo protéico de membranas. Também para PAGE/SD, a suspensão bacteriana e o complexo de proteínas da membrana, foram os que apresentaram melhores resultados.

Gonçalves e Rosato (2000) estudaram a diversidade genética entre 55 isolados de

X. axonopodis pv. passiflorae, utilizando 4 primers em RAPD (Random Amplified Polymorphic

DNA). Verificaram que existe grande diversidade genética entre os isolados, sendo praticamente todos diferentes entre si. Entretanto, utilizando o índice de similaridade de Jaccard para regiões genômicas amostradas por RAPD, conseguiram alocar os 55 isolados em 15 grupos com similaridade igual ou maior a 70%. Sugeriram que parte dessa diversidade pode estar relacionada à origem geográfica, seja pelas diferentes condições edafoclimáticas presentes nestas regiões ou devido à diversidade de espécies de passiflora hospedeiras presentes.

Nakatani (2001), estudou 50 isolados (40 em P. edulis e 10 em P. alata) de áreas em quatro municípios do Estado de São Paulo, utilizando RAPD. Verificou grande diversidade entre os isolados, todos diferentes entre si. Não achou relação entre similaridade genética e origem geográfica dos isolados. A hipótese é que as populações de xanthomonas são compostas por mosaicos de genótipos, sendo encontrado isolados geneticamente diferentes infectando a mesma planta. Também observou, entre os cinco isolados mais divergentes, grande variação em níveis de agressividade.

Caramori (2002) verificou divergência genética entre os isolados, mas não observou diferenças fisiológicas e bioquímicas, sugerindo que são da mesma população. Levanta a hipótese de divergência em relação a origem geográfica.

Na bibliografia consultada, verifica-se que existem algumas divergências : Dias e Takatsu (1988) observaram diferenças entre isolados em testes bioquímicos e fisiológicos. Já Wendland (1996) não observou diferenças neste aspecto. Wendland (1996) encontrou divergência entre os perfis de proteínas totais, já Beriam (1998), não observou diferenças significativas entre isolados a partir desta metodologia. Inclusive, Beriam (1998) conclui que a variabilidade genética entre isolados não é significativa. Entretanto, utilizando técnicas mais sensíveis, como RAPD, Nakatani (2001), Gonçalves e Rosato (2000) e Caramori (2002) observaram grande divergência genética entre isolados. Nakatani (2001), inclusive, observou que houve variação de virulência entre os cinco isolados mais divergentes. Observa-se que à medida que técnicas mais sensíveis são utilizadas para acessar a variabilidade genética do patógeno, maior convergência entre os diferentes autores em concluir que pode haver divergência genética significativa entre os isolados do patógeno. Entretanto, Nakatani (2001) adverte que a diversidade genética indicada por marcadores neutros (neste caso RAPD), não implica que necessariamente

haja uma correlação entre o polimorfismo genético e a variação de virulência do patógeno, pois a interação com o hospedeiro não é a única forma de evolução do patógeno. Isto indica a necessidade de estudos de novas metodologias de marcadores moleculares que possam dar acesso a divergência genética que diferencie a relação patógeno/hospedeiro. Entretanto, Nakatani (2001) conclui que as populações de Xanthomonas axonopodis pv. passiflorae são composta por um mosaico de genótipos; e atribuiu a grande variabilidade genética ao fato da América do Sul ser um centro de grande diversidade do hospedeiro, o que geralmente implica em grande diversidade do patógeno. Por isso os programas de melhoramento de maracujá visando a resistência devem levar em conta a variabilidade do patógeno. Dentro de uma mesma localidade podem existir isolados geneticamente divergentes, inclusive em um mesmo hospedeiro. Por isso, ao se amostrar locais, mais de um isolado deve ser coletado.

Segundo Munhoz (2007), variações genéticas em genomas bacterianos podem ser atribuídas a mudanças pontuais na seqüência de nucleotídeos; a rearranjamento de regiões do genoma (duplicação, inversões, transposição e inserções) e a aquisição de seqüência de DNA (conjugação, transformação e transdução). Ratificando os resultados de Nakatani (2001) e Gonçalves e Rosato (2000); Munhoz (2009) encontrou considerável diversidade genética entre os isolados, agrupando-os em 12 grupos com similaridade superior a 0,7 (coeficiente de Jaccard), com correlação cofenética de 0,92. Embora não tenha havido correlação clara entre a formação dos grupos e a origem geográfica (cidades) dos isolados, alguns grupos foram constituídos exclusivamente por isolados de determinadas cidades e a análise dos componentes de variância indicaram que a variação entre estados de apenas 14,04%, enquanto entre cidades, dentro de estado e dentro de cidades, houve uma variação de, respectivamente, 49% e 37%. Isto indica que há mais variação dentro de regiões do que entre regiões. Isto vem ao encontro do que se espera para populações com grande diversidade genética, com disponibilidade de hospedeiros em áreas silvestres e cultivadas e que não estão sofrendo uma grande pressão de seleção. A variação significativa entre microrregiões pode ser devido ao padrão de disseminação da doença, onde se espera lenta dispersão a longas distâncias e grande efeito de isolado fundador.

Os estudos de diversidade são importantes, já que a variabilidade do patógeno está diretamente relacionada a sua habilidade de quebrar a resistência do hospedeiro, produzindo novas raças (SINGH,1986). Embora a grande diversidade apresentada de X. axonopodis pv.

diversidade quanto a patogenicidade e agressividade entre os isolados. Entretanto, é um bom indicativo de disponibilidade de diversidade genética para a adaptação. Isto também indica que as avaliações de seleções para resistência ao patógeno devem ser feitas um diversos locais dentro de uma mesma região ecológica e entre regiões ecologicamente diferentes. Da mesma forma, deve- se proceder para a amostragem de isolados.

Benzer Belgeler