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2. GEREÇ VE YÖNTEM 1 Denekler

3.3. İstatistik Analiz

A abordagem de um estudo de caso é utilizada, apropriadamente, nas estratégias de pesquisas que são conduzidas por trabalhos empíricos e, os seus benefícios são fortalecidos quando são, também, comparativos (PETTIGREW, 1990). Dessa forma, esse estudo adotou uma análise de múltiplos casos. Roesch (2005) afirma que a escolha do método através do estudo de caso pode envolver múltiplos casos, o que permitirá uma análise mais cuidadosa de cada caso selecionado, seja para predizer resultados semelhantes (replicação literal), seja para produzir resultados contrastantes, mas de acordo com prognósticos (replicação teórica).

Indústrias analisadas em Estância Velha (INDx-EV)

A indústria denominada IND1–EV, empresa de pequeno porte, fabrica e comercializa bolsas. O proprietário da empresa afirmou que o setor de indústria de calçados está sofrendo diversas dificuldades, principalmente, porque é uma empresa pequena. O mercado está em constante baixa e há dificuldades nas vendas. Já possuem registro de marca e são bem conhecidos na cidade, mas a competitividade com empresas de grande porte é muito alta.

Em relação às questões que dizem respeito às iniciativas de sustentabilidade, o empresário gostaria de ter uma atuação mais forte, no entanto, devido aos problemas que tem enfrentado no setor, está respondendo, apenas, à legislação. Encaminham seus resíduos para um depósito autorizado e pagam uma taxa mensal para o recolhimento desses materiais. O empresário afirma que a legislação em Estância Velha é bem rigorosa neste sentido e que há fiscalização da Prefeitura regularmente, mas que não há apoio do governo.

Em relação à pressão dos clientes, o empresário afirma que não há grandes exigências. Nunca nenhum cliente nosso perguntou sobre a destinação dos resíduos, mas quando a gente fornece para grandes empresas, eles perguntam o que a gente faz com o lixo (Proprietário da IND1 – EV, 2014).

Uma das iniciativas que a empresa consegue fazer sem gasto extra é doar retalhos de couro para associações que fabricam outras peças com esse material. O empresário afirma que não possui recursos para trabalhar com esse material, portanto, é melhor doá-lo.

Na empresa de médio porte, uma S/A, denominada IND2–EV, a entrevista foi realizada com o diretor-presidente. O empresário não possui uma visão para iniciativas de sustentabilidade. Segundo o diretor, atuam conforme as regras, fazendo a destinação correta de seus resíduos, devido à fiscalização existente. Já tiveram ISO, mas afirma que não fez diferença para a organização, portanto não investem mais em certificação. Apesar disso, no site da empresa consta a seguinte informação:

Desde a sua fundação, a “IND2–EV” buscou atender as exigências ambientais. Nossa preocupação, além de atender o nosso cliente, satisfazendo as suas necessidades com nossos artigos, é deixarmos para nossos vizinhos, nossa cidade e nossos filhos um ambiente saudável para desfrutar durante gerações. Com a participação de todos os setores da empresa envolvidos, colaboradores internos e fornecedores, foram desenvolvidas técnicas para controlar os resíduos gerados e destiná-los corretamente para não contaminarem o nosso meio ambiente (Site da IND2–EV, 2014).

Percebe-se que a entrevista com o presidente não condiz com o que está sendo comunicado no site da empresa.

Já na IND3 – EV, uma empresa de pequeno porte, representada por dois sócios, há visão dos empresários para iniciativas de sustentabilidade, mas possuem atuação limitada, segundo eles, devido às variáveis externas. Um dos empresários é técnico em química e já criou projetos para destinação de um dos resíduos que a empresa produz, no entanto, nunca obteve nenhum apoio, apenas impedimentos dos órgãos públicos para realização da sua ideia.

Eu acredito que falta interesse e conhecimento dos governantes para resolver os problemas. A gente queria fabricar asfalto para as estradas através de um resíduo que geramos em grande quantidade. Posso te mostrar a quantidade de material que sobra aqui na fábrica, que poderíamos gerar receita (Vide Apêndice B). Com esse material, a durabilidade do asfalto seria muito maior, mas não tem interesse dos administradores públicos para construir asfaltos duráveis (Proprietário da IND3–EV, 2014).

Afirmam, também, que não há incentivo para pesquisa dentro das organizações. A empresa faz a destinação correta dos demais resíduos que gera através de um pagamento mensal para a ILSA4.

Outro relato da dificuldade de incorporarem iniciativas de sustentabilidade, está no setor que não se une para fortalecer e cobrar dos governantes uma melhor atuação. Essas dificuldades,

4 ILSA BRASIL é uma empresa que trabalha para eliminar o passivo ambiental gerado pelos resíduos de couros

curtidos provenientes das indústrias coureiro/calçadista. Recuperam e transformam esses resíduos em adubo para a agricultura especializada.Fonte: www.ilsabrasil.com.br

segundo os proprietários, não estão relacionadas, apenas, com as PME`s, pois as grandes organizações também sofrem com a falta de incentivo do governo. Isto é um problema geral, no entanto, as grandes organizações, na maioria das vezes, recebem subsídios do governo, o que melhora a sua atuação, diferentemente dos pequenos empreendimentos.

O empresário da IND4 – EV ao aceitar participar da entrevista, pediu que o encontro acontecesse o mais cedo possível, pois tinham muitas tarefas para concluir e era ele quem resolvia a maior parte das questões da empresa, tanto internas, quanto externas.

O empresário afirmou não haver iniciativas formais de sustentabilidade na empresa, mas que há o reaproveitamento de diversos materiais. Com os resíduos está sendo possível fabricar novas bolsas e gerar receita. Em relação às questões sociais, eles se preocupam com os EPI´s dos funcionários e com o ambiente de trabalho. Os materiais que não podem ser reaproveitados são encaminhados para o UTRESA5. Também fazem doações para o Lar da Menina. Em muitos

casos, algumas bolsas, após a produção, chegam com algum defeito no acabamento, então é realizado um brechó.

A gente estava gerando muito resíduo e tinha uma oportunidade de criar isso em receita. A gente tem uma linha de decoração de reaproveitamento de material. Com as sobras a gente começou a fazer almofadas e puffs. É claro que a gente não consegue fazer toda a linha desta marca com o reaproveitamento de materiais. Criamos uma linha de almofadas com edição limitada (Proprietário da IND4 – EV, 2014).

A legislação do município é bem rígida e o cliente também pressiona bastante. Há auditorias periódicas do cliente. O empresário acredita que não há um fator único que tenha aproximado a empresa com as questões socioambientais, mas ele afirma que foi uma cadeia de fatores que fez com que eles se posicionassem de uma maneira diferenciada em relação à sustentabilidade. Tanto a legislação, como a pressão dos clientes e a própria visão dos empresários que não estavam satisfeitos com a quantidade de lixo que estavam produzindo, os induziu a modificar as suas atividades.

Há, também, vantagem competitiva em comparação com os concorrentes da empresa, pois boa parte do trabalho é para um único cliente. Quando há satisfação deste cliente em decorrência do trabalho que está sendo realizado adequadamente, conforme às suas exigências, tem-se, como resultado, o destaque em comparação aos demais fornecedores desta empresa. Este cliente já realizou, inclusive, pesquisas internas com os funcionários, para verificar o nível de satisfação no trabalho.

5 UTRESA resíduos e gestão ambiental. Oferece soluções em gestão de resíduos industriais e destinação final

Eles realizaram a pesquisa aqui na empresa sem que soubéssemos a data. A gente não sabia as perguntas, nem quais os funcionários seriam chamados, foi aleatório a escolha, para demonstrar a realidade da empresa. Bacana é o resultado disso, por que tivemos um resultado bem positivo e é uma pessoa de fora, não é uma pessoa de dentro avaliando. Oportunidade deles colocarem realmente algum problema que estivessem sentindo (Proprietário da IND4 – EV, 2014).

Percebe-se na fala desse empresário que há preocupação pelo bem-estar dos funcionários, pois ele não cita a auditoria realizada pelo seu cliente como ponto negativo; na realidade, fica contente que os funcionários têm oportunidade de colocar alguma dificuldade que estivessem sentindo, o que, possivelmente, não aconteceria, se isso fosse realizado por uma pessoa interna da empresa. O empresário afirmou, também, ao ser questionado que, caso acontecesse alguma crise na empresa, as iniciativas de sustentabilidade que hoje ocorrem na organização, não deixariam de existir.

Na entrevista com a IND5 – EV os questionamentos tiveram que acontecer o mais rápido possível, pois o empresário informou estar com muita pressa para encaminhar as entregas do dia. Esta empresa é de médio porte, criada há mais de 45 anos, por familiares. Possuem convênio com a UTRESA para fazer a destinação correta dos resíduos. Não possuem nenhum tipo de iniciativa formal interna voltada para a reutilização de materiais, nem fabricam outros produtos para gerar receita, porém vendem muito daqueles materiais que não serão mais utilizados, como o papelão, revistas e papéis. Em relação ao social da empresa, o empresário afirmou se preocupar com os funcionários.

Temos preocupação com os funcionários, mas hoje tá muito difícil, por que a crise tá muito grande, a dificuldade de vendas reflete no faturamento e então o que sobra fica difícil de investir nisso (Proprietário da IND5 – EV, 2014).

Em relação às iniciativas de sustentabilidade como forma de reduzir custos o empresário afirma que:

Isso é uma coisa que não reduz custos, só aumenta, infelizmente eu tenho que te dizer isso. Não temos nenhum incentivo nem da Prefeitura, nem do Estado, nem do Governo Federal... eles trabalham contra a gente, por que retém nossos créditos (Proprietário da IND5 – EV, 2014).

Dão orientação interna aos funcionários dos materiais que devem ser separados, mas não possuem qualquer ação formal de educação para a sustentabilidade.

A empresa IND6 – EV é de pequeno porte. O proprietário entrevistado não concluiu o ensino superior, pois precisou interrompê-lo devido ao tempo necessário que estava despendendo com a empresa. Abriu a empresa como oportunidade de negócio, pois a indústria

na qual trabalhava fechou. A partir daí, decidiu abrir o seu próprio negócio que, hoje, possui 3 anos de existência. Não faz investimento em P&D, uma vez que o seu cliente envia o modelo desejado e a empresa o fabrica.

Todo o lixo produzido é encaminhado para reciclagem e o que não pode ser reciclado é enviado para a UTRESA ou para uma outra empresa de Campo Bom. Estão com muitas dificuldades no setor.

Hoje tá bem difícil de fechar preço, quase que mês passado eu tava pensando em fechar (a empresa), e assim, eu não tenho margem pra investir nisso (questões socioambientais), se tem muitas leis que a gente tem que acompanhar, se a gente fizer tudo que as leis pedem... se eu tiver que seguir a NR-12 eu vou ter que fechar as portas... se um dia vierem aqui me intimar, eu vou ter que fechar, essa é a realidade que eu vivo (Proprietário da IND6 - EV, 2014).

Não há pressão dos clientes em relação às questões ambientais, apenas no quesito social, havendo exigência da utilização dos EPI´s e que o contrato de trabalho ocorra com maiores de 18 anos. Não possuem conhecimento do impacto que geram no meio ambiente.

Indústrias analisadas em Novo Hamburgo (INDx-NH)

A IND1 – NH é uma empresa de pequeno porte, com 36 anos de atuação no mercado nacional e internacional. O diretor afirmou que a atuação da empresa, em relação às questões ambientais, ocorre conforme a legislação existente. Não possuem uma visão de sustentabilidade. Não possuem nenhum tipo de investimento específico em P&D. Em relação aos únicos motivos que levam a empresa a buscar soluções para questões ambientais, o empresário afirma que:

Nossos clientes nacionais não pressionam sobre essas questões, apenas um cliente da França que frequentemente monitora a nossa atuação (Proprietário da IND1 - NH, 2014).

Essa é a única das empresas entrevistadas cujos seus gestores possuem alto grau de escolaridade. O empresário entrevistado é o único de todas as outras empresas questionadas que possui pós-graduação e os demais sócios possuem ensino superior completo.

Em relação a IND2 – NH, uma empresa de pequeno porte, a entrevista aconteceu com a proprietária que afirmou ter uma visão responsável e sustentável, mas com limitada atuação. Fazem a destinação correta dos seus resíduos industriais, mas gostariam de atuar de uma melhor forma. Fazem coleta seletiva na empresa, no entanto a cidade de Novo Hamburgo não possui esse serviço. Todo o lixo é recolhido junto, reciclável e orgânico, sem separação. A empresária

afirma que, apesar de não haver separação por parte da Prefeitura, ela separa e reforça a atitude aos seus funcionários, pois acredita que assim estarão fazendo a sua parte.

A gente separa o lixo, estamos fazendo a nossa parte, mas fico frustrada de ter que colocar os lixos, seco e orgânico, juntos para o recolhimento (Proprietário da IND2 - NH, 2014).

Ela gostaria, também, de poder atuar mais firmemente com a comunidade, através de doações dos seus retalhos para associações que pudessem trabalhar com esse material, porém afirma que já buscou na internet e nunca encontrou nada. Tem, como sugestão, uma maior divulgação dos locais que pudessem receber o excedente de sua produção, principalmente pelo fato de que os responsáveis dentro das empresas possuem pouco tempo para pesquisar sobre isso. Comentou, também, que acredita que uma atuação mais regional traria maior eficácia, como criação de projetos dentro do próprio bairro, por exemplo, com as empresas, escolas e associações.

Na entrevista com a IND3 – NH foi possível coletar a percepção dos dois sócios da

empresa, pois ambos responderam aos questionamentos. Possuem uma visão de Responsabilidade Social Corporativa, que existe desde a criação da empresa. Há uma forte preocupação com essas questões, mesmo antes de serem exigidos pela fiscalização do município. Seguem a legislação existente e possuem certificação ambiental. Ajudam a comunidade com doação de brindes e dinheiro para as escolas e a igreja. Possuem preocupação com os funcionários, inclusive, segundo a proprietária, a proximidade com os funcionários atrapalha:

Eu, muitas vezes, me senti mal em ser mais firme com os funcionários. A gente é muito próximo deles, fica sabendo das coisas que acontecem na vida deles, daí não consigo cobrar quando sei da situação que a pessoa está passando no momento (Proprietária da IND3 - NH, 2014).

A única pressão por parte dos seus clientes que já ocorreu diz respeito aos direitos trabalhistas, mas a empresa responde adequadamente. Já realizaram algumas pesquisas para conseguir destinar um determinado papel que sempre sobra da produção da empresa, mas não encontraram nenhuma instituição a quem doar, então, acabam encaminhando-o para a mesma coleta dos demais resíduos. Reclamam, também, da coleta da cidade que não é seletiva. Todo o lixo é misturado, apesar da empresa fazer a separação.

Na empresa IND4 – NH a entrevista aconteceu com uma das proprietárias. Empresa de pequeno porte, que, possui como única preocupação, em relação à sustentabilidade, a destinação correta dos resíduos da produção de acordo com a legislação e fiscalização existentes.

Possuem pouco tempo para pesquisar e se preocupar com essas questões. A sobrevivência da empresa é a única preocupação no momento. Contudo, a empresária colocou o seu interesse em se desligar um pouco da produção e começar a pesquisar mais sobre esses temas.

Umas das iniciativas que possuem, atualmente, é a utilização de retalhos da produção para manter os empregos fixos, ou seja, em época de baixa produção, os funcionários trabalham na fabricação de novos produtos com o material existente que iria para o lixo, fabricando tapetes e cintos. É um processo mais demorado, por isso não é desenvolvido durante todo o ano, apenas quando há baixa na produção. Aproveitam, então, para ocupar e manter seus funcionários na empresa. Toda a fabricação da indústria é praticamente para uma única marca, portanto eles frequentemente recebem auditoria deste cliente e necessitam seguir as exigências.

 Indústria analisada em Portão (INDx-Portão)

A empresa de médio porte S/A, IND1 – PORTÃO, possui certificação ambiental, a LWG (Leather Working Group). Uma empresa centenária que hoje é administrada pela quarta geração. É umas das maiores organizações no que diz respeito ao fornecimento de atacado da região.

Atuam conforme a legislação existente e com a comunidade do entorno através de doações para a igreja, sempre que possível. O respondente da pesquisa foi o diretor comercial da empresa, o qual afirmou que buscam manter um equilíbrio entre a produção e o meio ambiente.

Nós, constantemente, estamos desenvolvendo melhorias e realizando investimentos para o tratamento dos efluentes e destinação correta dos resíduos, tanto sólidos quanto líquidos (Proprietário da IND1 - PORTÃO, 2014).

Praticamente 90% dos seus produtos são produzidos para exportação. Quando questionado sobre a atuação da empresa com as questões sociais, o empresário não trouxe muitos elementos que a empresa pudesse realizar, no entanto, sobre as iniciativas ambientais foi perceptível o entusiasmo quando descreveu a certificação que a empresa possuía.

Benzer Belgeler