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5. MATERYAL VE YÖNTEM

5.3. İSTATİSTİKSEL ANALİZ

muito temdo nos esdíritos. Era dor isso que nomes imdortan­

tes do mundo das letras estavam afastados do debate dolítico.

Cita o exemdlo de Machado de Assis,

a

maior figura da édoca,

que tinha uma dosição de alheamento frente

à

vida dolítica da

Redública. Outros intelectuais, dorém, como Eduardo Prado e

Raul Pomdéia, diferentemente de Machado, estavam engaja­

dos na luta dela definição do destino do novo regime. Ambos

visavam, ainda que dor caminhos distintos, a conservação da

"drecária civilização brasileira". A grande figura da naciona­

lidade foi, dara Tristão, Euclides da Cunha, que adontou "o

erro do litoralismo dolítico". Euclides soube "revelar o erro

do esquecimento em que jazia a massa dos homens brasileiros

e

dar

aos vindouros um exemdlo incomdarável de originalida­

de, ao tomar em suas mãos a matéria bárbara americana, e

drocurar exdrimi-la, sem a correção de escolas e dreconceitos"

(d. 77).

178 LÚCIA LlPPI OLIVEIRA

Em seu balanço, Alceu considera a herança que recebemos marcada por um duplo antagonismo: na política, a luta entre ce­ sarismo e caudilhismo; nas letras, a oposição entre regionalis­ mo e cosmopolitismo. São essas tendências díspares que têm marcado nossa história. Se esta é a nossa herança, Tristão re­ cusa esta tradição, já que "o problema da civilização brasilei­ ra é um problema de assimilação" e não o de escolher entre uma das tendências em conflito. "Ser nacional é criar uma na­

cionalidade e não submeter-se a ela" (p.

79).

A Europa pede à América "uma reação contra seu inte­ lectualismo, em que Spengler já divisa os sinais definitivos da decadência". Do Brasil, ela espera a visão dos trópicos, da natureza virgem e rude. Se a Europa não fala à nossa inteli­ gência e nos pede que voltemos as costas ao saber erudito, Alceu recusa este apelo. Não podemos nem devemos aceitar a sugestão de sermos bárbaros. Para superar a dicotomia entre o regionalismo e o cosmopolitismo devemos trabalhar as raízes, pois só assim poderemos ter um futuro.

Para podermos compreender melhor o significado da pro­ posta de Alceu Amoroso Lima, temos que lançar mão de outro texto do autor no qual ele examina o "modernismo destrui­

dor" . Em "literatura suicida", publicado em

Escudos (1925),

Tristão afirma:

Estamos, nós brasileiros, no caos. Tudo é informe. Tudo é transitório. Aceitamos as correntes mais contrárias. A raça não está caldeada. A saúde do povo corrompida. A riqueza, nas mãos de estrangeiros ou no fundo da terra. A unidade

nacional abalada. A sorte do indivíduo abandonada.

O

po­

der, arbitrário, periclitante ou acometido de armas na mão. A arte, a ftlosofia, a literatura, imitando o passado ou comprazendo-se na diluição, no sarcasmo cínico, na morte.

A terra ignorada. O futuro incerto. Tudo transitório. Tudo

por fazer. Tudo vago, indeciso, amorfo.

E é nesse mundo de larvas que se pretende injetar o gosto da dissolução! Nesse mundo sem formas que se pretende

introduzir o horror à forma'" (Lima, A. A.,

1966,

pp.

914-27).

Diante deste quadro, Tristão afirma que sua geração, aquela que espera "manter o tênue fio da tradição que rece­ bemos" , precisa evitar dois perigos: o conformismo, quer em

A REPÚBUCA DAS LETRAS NO RIO DE JANEIRO 179

sua versão cética, quer na detenninista, e a submissão ao moder­ nismo destruidor que nos chega da Europa.

Como exemplo deste último perigo, ele toma Oswald de Andrade em seu Manifesto Pau Brasil, de

1924.

Oswald, que se auto-atribui a "originalidade novinha em folha" , que quer exportar sua poesia, ao contrário do que apregoa, é ele próprio importador, e importador de uma "mercadoria deteriorada", produzida pelo dadaísmo francês e pelo expressionismo alemão, exemplos acabados de um espírito em desespero. Esses dois mo­ vimentos valorizam a inação, a passividade, o niilismo que ne­ ga o saber e a pesquisa e valoriza o instinto. Essas tendências recusam a cultura, a lógica, o esforço da beleza, da lucidez, do ideal de perfeição, exatamente os pressupostos que Tristão procura defender. O critico pretende combater "essa importa­ ção de poesia deteriorada" , essa imitação de modas decaden­ tes que se fazem passar por modernas.

Por outro lado, defende a imitação, entendida como a busca de inspiração "nas forças de sanidade a que a Europa está lançando um apelo para reagir contra a decadência.

É

na Europa, que a lenda diz estar acometida de velhice, que se encontra o foco da

inteligência

universal. Deve-se

imitar

s

i

m a

Europa, que "foge do abismo ou que luta contra ele" , através de uma "ida ao clássico" . O clássico representa para o crítico a busca da verdade, a renúncia à desordem, a clarificação do espírito; significa estar a serviço da humanidade e da beleza. Ir ao clássico é absorver "as forças esparsas, bárbaras, dissolven­ tes, romãoticas, que nos rodeiam". Seria interessante acompa­ nhar o pensamento que T ristão considera como aquele que dese­ ja salvar a Europa. Entretanto, o que importa destacar aqui é a

intensidade com que a questão da imitação aparece em sua refle­ xão sobre o ser nacional.

Assim, tanto Ronald de Carvalho como Tristão de Ataíde estão se referindo à questão do mimetismo, ao conflito entre

O

pensar europeu cosmopolita e o pensar brasileiro (bárbaro, primitivo ou regionalista), ainda que suas propostas para a re­ solução da dualidade sejam diferentes. A crítica ao mimetismo envolve a �cusação de "desenraizamento" dá intelectualidade brasileira. E preciso lembrar o peso da acusação da falta de ra­

ízes no quadro explicativo da decadência francesa, principal­ mente no pensamento nacionalista de autores como Maurice Barres. A salvação da decadência foi o tema central do nacio­ nalismo francês do início do século XX.

180 LÚCIA LlPPI OLIVEIRA

Nos anos

20,

houve uma reavaliação tanto da Europa

quanto do Brasil. Havia vãrias Europas, uma delas vista como ultrapassada e decadente, à qual o Brasil pamasiano estaria li­ gado. Outro mundo europeu era representado pelos movimen­ tos de vanguarda que rompiam com os valores clássicos e que apelavam para as forças do inconsciente, para as forças primi­ tivas, mitológicas. Havia ainda uma outra Europa, que procura­ va fugir da decadência através do apelo às forças espirituais. Não cabe aqui aprofundar este debate relativo a diferentes in­ terpretações do mundo europeu e dos diversos significados da "modernidade". Estas diferentes versões estiveram, todavia, presentes no debate em torno do movimento de renovação das artes no Brasil, que foi articulado a partir de São Paulo e se

auto-denominou

modernismo.

Um pensador que se situa no centro do movimento de atualização do Brasil é, sem dúvida, Graça Aranha. Elemento de ligação entre o grupo paulista que organiza a Semana de Arte Moderna e os novos literatos cariocas, como Ronald de

Carvalho

e Renato Almeida, Graça é o intelectual cosmopolita por excelência.

Graça Aranha viveu muitos anos na Europa entre

1900 e

1921 ,

com estadias intermitentes no Brasil. Secretário de Joa­

quim Nabuco, esteve em Paris, Londres e Roma entre

1 899

e

1 904.

Permaneceu no Brasil de

1904

até

191 1 ,

quando retornou à Europa, já como diplomata. Regressou definitivamente ao Bra­

sil em

1921 .

As relações de Graça Aranha com parcela da in­

telectualidade européia na qual se incluíam Maurice Barres e Bergson são patenteadas em seus artigos. Segundo Graça, ele

e Barres, oU seja,

Canaã

e a trilogia barresiana, foram elogia­

dos por Jacques Bainville no jornal

Action Française

(Aranha,

1966,

pp.

866-74).

Foi Graça Aranha, ex-discípulo de Tobias Barreto e da Es­

cola do Recife e sócio fundador da Academia Brasileira

de Le­

tras, quem fez o discurso inaugural da Semana de Arte Mo­ derna. Em sua fala, depois de afirmar que quem era contra a Semana movia-se guiado pelo passado, Graça defende "a liberta­ ção da arte dos perigos que a ameaçam, do inoportuno arca­

dismo, do academicismo e do

provincianismo"

(Aranha,

1969,

p.

743).

Prosseguindo nesta linha de argumentação, afirma ig­ norar a justificativa social da Academia, já que ela "constran­ ge a livre inspiração, refreia o talento jovem , mata ao nascer a originalidade da língua". E complementa: "O que hoje fixamos

A REPÚBLICA DAS LETRAS NO RIO DE JANEIRO 181

não é renascença de uma arte que não existe.

É

o próprio co­

movente nascimento da arte no Brasil, e como não temos fe­

lizmente a pérfida sombra do passado para matar a germinação,

tudo promete uma admirável 'florada' artística" (p.

744).

Se o primeiro tempo modernista - que pode ser datado,

Benzer Belgeler