2.5. Türkiye’deki Bazı Vakıf Üniversitelerinin Uzaktan Eğitim Uygulamaları
2.5.5. İstanbul Kültür Üniversitesi Uzaktan Eğitim Uygulamaları
O uso das entrevistas na presente dissertação permitiu recolocar em pauta diversas questões já traçadas a partir do questionário, mas agora passíveis de uma nova forma intencional de apropriação. Desta feita, o universo de sujeitos sob observação foi demarcado a partir de suas carreiras e posições na estrutura político- organizacional da Polícia Civil75. São profissionais que ocupam “lugares-chave” na
produção do universo simbólico da instituição e que, em função disso, têm exercido papéis com certo poder de persuasão e influência sobre o grupo em geral. Assim sendo, o interesse central foi o de conhecer as formas pelas quais eles vêm interagindo com as transformações em curso na Policia Civil nesses últimos anos. Desejava-se compreender como seriam suas interpretações, como seriam seus movimentos de aderência, resistência, enfim, suas participações no fluxo e refluxo do processo de construção das novas rotas institucionais, sobretudo a partir do já estudado cenário do pós-2003.
Tecnicamente, seguiram-se os procedimentos recomendados por Awe Flick (2004) no tratamento da entrevista episódica, conforme já abordado no capítulo próprio (ver nota de rodapé desta página). Selecionaram-se, nas entrevistas, apenas os trechos narrativos, ou seja, aqueles pelos quais os entrevistados relatam situações, episódios, histórias. Como de hábito, alguns mergulham neste “jogo” com mais facilidade do que outros, ou seja, conseguem organizar o chamado conhecimento episódico, se aproximando mais das experiências concretas de suas trajetórias. Já outros fazem uso do denominado conhecimento semântico, isto é, se baseiam exclusivamente em relações derivadas de generalizações. Estas quase sempre incorporam o universo cultural da instituição e funcionam como uma espécie de senso comum profissional.
Selecionados os trechos narrativos, o passo seguinte foi codificar o texto. Como ressalta Flick, “codificar é fragmentar e compreender um texto [...] agregar e
desenvolver categorias, colocando-as em uma ordem no decorrer do tempo” (Flick,
op. cit, p. 178).
Para codificação do texto, a entrevista foi “cortada” em seqüências curtas de palavras, coincidindo em geral com os parágrafos. Foram, portanto, essas seqüências que se constituíram em unidades de significados produzidas pelo pesquisador a partir das narrativas ofertadas.
Consideraram-se, seguindo também as orientações analíticas de Flick (op. cit), apenas as falas que se relacionavam a um mesmo contexto. Na presente pesquisa, os contextos explorados nas entrevistas foram os seguintes:
a) as condições sob as quais vêm se dando as transformações da Policia Civil nos últimos anos;
b) a primazia do conhecimento jurídico na condução da investigação policial; c) a incorporação de novos saberes na investigação criminal;
d) o papel das organizações de defesa dos direitos humanos na renovação da instituição policial;
e) recomendações para o futuro da Polícia Civil de Minas Gerais.
O primeiro contexto foi concebido dentro das referências “neo-institucionalistas” vigentes em Minas Gerais após o ano de 2003, com a criação da Secretaria do Estado da Defesa Social de Minas Gerais e a consequente instalação da lógica sistêmica, conforme visto no correr desta dissertação. Um conjunto de novos dispositivos vêm norteando, desde então, uma política que se afasta da centralidade “policialesca”, introduzindo novas lógicas atitudinais e atores externos, inclusive no campo profissional, com a agregação de quadros técnicos formados por especialistas em diferentes áreas da gestão pública, com forte influência das ciências sociais e administração (SAPORI, 2007). Retomando a idéia de campo simbólico, na perspectiva de Pierre Bourdieu, aventada nas referências teóricas desta dissertação, pode-se dizer que esta intervenção se efetivou em nível estrutural, precipitando intensas movimentações no campo, ações e reações, reconfigurando o próprio habitus em termos de seu paradigma tradicional, abrindo
espaços para novos discursos, novas visões de mundo e orientações da prática policial.
Portanto, o objetivo metodológico da entrevista foi o de captar nuanças deste processo de forte dinamismo, o que sugeriu fosse avaliado pelas vozes de profissionais atuantes, seja em nível de liderança, seja em razão de suas capacidades de ativar mecanismos de avanço ou retração de estratégias ou opiniões no seio da organização policial civil. Assim, o princípio que norteou a análise dessas entrevistas acolheu a definição de que os sujeitos não são meros coadjuvantes de mudanças estruturais. Ao contrário, eles reagem e se relacionam com essas mudanças, promovendo e dando qualidade às novas práticas, seja no sentido de positivo, de franco apoiamento, seja em atitudes de indiferença, seja em posturas de retrocesso em face dos horizontes emergentes.
Neste clima de transformações encontra-se um dos aspectos que justificou a presente dissertação: perceber a postura dos policiais civis diante de um “novo mundo” do qual foram, de algum modo, “expropriados”, vale dizer, perceber como reagem aos novos modelos da política de segurança pública que retiram a centralidade, ou melhor, o monopólio (no sentido da política pública e não propriamente do uso da força) policial no processo de provimento da segurança coletiva. Após longo período de observação nos fóruns internos (Igesp’s, seminários), nas reuniões com os profissionais das diferentes carreiras e mesmo nas conversas informais com os policiais civis, podê-se detectar uma figura emblemática que sintetizava as diferentes particularidades das questões relativas ao embate que se tratava no interior do campo da investigação criminal. Tal figura era (e continua sendo) representada pela imagem do “sociólogo” (que tipifica ideologicamente o “estranho” ao mundo policial) enquanto formulador de políticas públicas de segurança. O debate sobre sua presença no campo está em saber se ele “entende de policia”. Essa foi a questão que abriu as entrevistas que seguir serão analisadas.
Como já informado, foram 10 pessoas entrevistadas. Aqui elas serão apresentados por um número, pelo sexo e pela carreira à qual pertencem. São eles: 1 é do sexo masculino e delegado, 2 é do sexo masculino e delegado, 3 é do sexo masculino e delegado, 4 é do sexo feminino e delegada, 5 é do sexo masculino e perito criminal,