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Guarulhos está localizada a nordeste da Região Metropolitana de São Paulo, sendo um dos 39 municípios que a integram. A cidade é estrategicamente posicionada no planalto paulista, na região conhecida como principal eixo de desenvolvimento do País, São Paulo / Rio de Janeiro, apenas a 17 km da capital, e conta com três importantes rodovias que passam pelo município: Presidente Dutra (liga São Paulo ao Rio de Janeiro), Fernão Dias (de São Paulo a Belo Horizonte) e Ayrton Senna (acesso ao Vale do Paraíba).

A extensão total do município é de 341km², sendo 33% do território em área de preservação ambiental por conter ainda áreas remanescentes de Mata Atlântica, conhecida como Floresta Cantareira, e pela Mata Planaltina ou de Transição.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do ano de 2007, em número de habitantes Guarulhos é a segunda maior cidade do Estado de São Paulo, sendo também a segunda maior economia entre os municípios e a sétima colocada no ranking do Produto Interno Bruto (PIB) nacional de cidades.

Fundada em 08 de dezembro de 1560, pelo Padre Jesuíta Manoel de Paiva, o aldeamento dos índios Guaru teve sua origem como cidade diretamente vinculada à defesa do povoado de São Paulo.

O crescimento econômico foi impulsionado por diferentes atividades, no decorrer dos séculos: mineração, agricultura, olaria, indústria e, após a inauguração do Aeroporto Internacional de Cumbica em 1985, a prestação de serviços tem se mostrado como uma das mais importantes atividades econômicas do município.

Vale destacar que o Aeroporto Internacional de Cumbica24 é o maior aeroporto da América do Sul, com movimento médio superior a 34 mil passageiros/dia, somando uma movimentação anual de 12,6 milhões de passageiros (praticamente 12 vezes o número de habitantes da cidade). O aeroporto oferece vôos diretos para 80 destinos nacionais e para 75 cidades de 63 países. Disso podemos inferir que Guarulhos é uma cidade “portal” do mundo para o Brasil e vice-versa. No entanto, há de se considerar que os milhares de (i)migrantes que hoje compõem a população da cidade não fizeram uso desta “porta de acesso”, inclusive os sujeitos que desta pesquisa participam. Todas as colaboradoras fizeram uso do transporte

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Título comumente atribuído à cidade, em alusão ao rápido crescimento do parque industrial no município. Trata-se de apropriação popular de uma das expressões que compõem o Hino de Guarulhos, criado por ocasião do quarto centenário da cidade, no ano de 1960.

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terrestre para efetivar a migração de diferentes cidades do Nordeste, de Minas Gerais e do interior de São Paulo. Trata-se de um simples detalhe que faz toda a diferença na caracterização da população estudada.

A partir da construção da Via Dutra, uma das principais rodovias do País, no início dos anos 50, a industrialização expandiu-se rapidamente em suas margens, em decorrência da facilidade de escoamento da produção e do oferecimento de incentivos fiscais. Tal fenômeno serviu de forte atrativo para milhares de (i)migrantes em busca de trabalho, o que provocou um crescimento desordenado da cidade e a criação de diversos núcleos de favelas que persistem até os dias de hoje (LEANDRO, 1998). O avanço da industrialização possibilitou também valorosa mistura de culturas a partir da chegada de: nordestinos, italianos e japoneses, entre outros povos (i)migrantes, que vieram somar seus valores e costumes às culturas locais, originadas da miscigenação entre os invasores portugueses e os povos dominados: índios, dessa terra nativos, e sudaneses trazidos nos tempos de escravidão. Na década de 50, entretanto, as culturas indígena e sudanesa já não eram a principal matriz cultural da população guarulhense. Incontáveis formas de miscigenação já haviam ocorrido de modo que a cultura caipira25 era o mais forte componente de formação da identidade dos munícipes. Em alguns bairros da cidade, a cultura caipira ainda pode ser observada, sobretudo por ocasião das centenárias festas religiosas. Duas integrantes do grupo estudado assumiram- se como “caipira”: uma delas por refletir sobre sua linguagem oral; a outra por associar sua acentuada timidez à cultura caipira, assumindo como autodenominação o uso pejorativo que seu falecido esposo fazia do termo para caracterizar o seu modo de ser. Tais situações levaram-nos a destacar esse aspecto da cultura guarulhense.

Os números apontados por diferentes censos demonstram o crescimento populacional acelerado do município. Conforme a tabela apresentada a seguir, podemos observar que, à medida que a cidade ampliava seu campo industrial, a população aumentava vertiginosamente. Na primeira década de uso da Via Dutra, período de 1950 a 1960, e decorrente explosão do parque industrial de Cumbica, o crescimento chegou a quase 200%.

Nas décadas de 70 e 80, ainda marcadas pelo avanço da industrialização no município, o crescimento demográfico supera o índice de 100%. A partir da década de 90,

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Para maior compreensão da cultura caipira, sugerimos a leitura da obra Os parceiros do rio Bonito, de Antonio Cândido. Nela, o estudioso das relações entre literatura e sociedade analisa a transformação dos meios de vida do homem caipira caracterizando-o, fundamentalmente, como um tipo de indivíduo cuja fixação ao solo determina seus ciclos de vida na base de agrupamentos rurais nos quais a subsistência é a principal preocupação. Em torno da terra, o caipira (descendente de caboclos bandeirantes) possui uma maneira peculiar de interação com o meio, manifestada nos seus modos de: comer, vestir-se, gerir seus negócios e, especialmente no nosso entendimento, de falar (Conf. CANDIDO, 1987).

acompanhando o declínio da fase industrial, o crescimento demográfico continua, porém de forma menos acentuada. Vale lembrar que mesmo tendo sofrido declínio, o pólo industrial de Guarulhos ainda é um dos maiores da América Latina, com cerca de 2.200 indústrias. Com isso, a produção industrial representa 50% do PIB da cidade, o que repercute de forma significativa no setor de serviços, mas não evita que o trabalho informal cresça paulatinamente. Observe a seguinte tabela.

Tabela 1 - Crescimento demográfico do município de Guarulhos

Ano População Crescimento (números

absolutos) Período 1940 13.439 1950 35.522 22.083 40-50 1960 101.273 65.751 50-60 1970 237.900 136.627 60-70 1980 532.726 294.826 70-80 1991 787.866 255.140 80-91 1996 972.197 184.331 91-96 2000 1.072.717 100.520 96-00 2005 1.251.179 178.462 00-05 2006 1.283.253 32.074 2005/2006

Fonte: IBGE/Elaboração PMG-SDU/SDU13

De acordo com os dados do último censo realizado pelo IBGE, no início deste século, podemos observar na próxima tabela que a distribuição etária da população guarulhense declina conforme o avanço dos anos de vida. Considerando as faixas etárias que compõem o foco de interesse desta pesquisa, tínhamos na cidade apenas 60.959 com idade igual ou superior a 60 anos, o que equivale a menos de 1% do total de habitantes. Tal contingente era composto por 26.539 homens e 34.420 mulheres, acompanhando a tendência do predomínio do gênero feminino nas demais faixas a partir de 15 anos.

Tabela 2 - Distribuição demográfica dos habitantes do município de Guarulhos de acordo com idade e sexo – ano 2000

Faixa etária Homens Mulheres

0 a 4 55.574 53.848 5 a 9 51.328 50.137 10 a 14 51.671 51.323 15 a 19 52.851 54.843 20 a 24 52.314 54.412 25 a 29 50.558 51.602 30 a 34 47.417 48.266 35 a 39 41.278 43.300 40 a 44 34.917 36.876 45 a 49 27.979 29.036 50 a 54 20.947 22.050 55 a 59 14.063 15.172 60 a 64 10.466 11.820 65 a 69 6.789 8.693 70 a 74 4.648 6.497 75 a 79 2.606 3.852 80 ou mais 2.030 3.558

Fonte: Censo IBGE 2000 , PMG/SDU – Sist. de Inf. Georreferenciadas – SIGeo

Ainda de acordo com o censo do ano 2000, Guarulhos apresentava um quadro com 39% de seus habitantes em situação de analfabetismo26. Os dados referentes à população de todo o País mostram que os índices aumentam para 48,78%27. Os dados se baseiam na constatação de que quase 48% da população brasileira, com idade igual ou superior a 15 anos, têm no máximo quatro anos de estudo e que, dessas pessoas, 13,04% nunca chegaram a freqüentar uma escola. Na cidade de Guarulhos, estimava-se a existência de 300.000 cidadãos com baixa escolaridade, das quais 105.000 seriam analfabetos.

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O índice sofre o seguinte desdobramento: 12% “analfabetos absolutos” e 27%, “analfabetos funcionais”. Conforme vimos no capítulo anterior, temos restrições quanto à utilização desses termos. Reticentes quanto ao uso do termo “analfabeto” para designar sujeitos que vivem em sociedades de cultura letrada e que ainda não perceberam uma relação de funcionalidade da letra em sua economia psíquica, preferimos a não distinção dos “tipos de analfabetos”. Designaríamos o índice total como “sujeitos em situação de letrismo a-funcional”.

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Diante desses dados e nesse contexto sócio-econômico, surgiu na cidade o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos – MOVA-Guarulhos.

2.3 MOVA, alfabetização popular: uma parceria

Benzer Belgeler