4. TERÖR ÖRGÜTÜ GENEL YAPILARINA GÖRE TERÖRİST
4.2 İstanbul Adalet Sarayından Elde Edilen Veriler Eşliğinde Terör Örgütü
A categoria estilo é por demais importante para esta pesquisa e precisa, pois, ter um contorno definido no quadro teórico que sustenta a abordagem. Essa importância reside, sobretudo, no fato de o fulcro da análise ser o ethos discursivo focalizado a partir de índices estilísticos.
Privilegiamos, por isso, um enfoque teórico para estilo de modo a atender aos interesses da discussão. Antes, entretanto, de tornar explícito tal referencial, apresentaremos alguns contrapontos entre perspectivas distintas (e, às vezes, até por demais aproximadas) no intuito de tornar mais claros os posicionamentos conceituais assumidos por nós. Com essa intenção, optamos por um recorte de tendências mais representativas no campo da estilística: as orientações propostas pelas vertentes estruturalista, psicologista e enunciativa. Optamos também por, na
medida do possível, estabelecer relações que permitam a visibilidade do referencial acatado pela pesquisa.
Se, contemporaneamente, é costumeiro associar estilo a sujeito, a falante, a autor, a locutor, a enunciador38... (e segue uma série de nomeações que oscilam conforme os entendimentos de quem pense a respeito), nem sempre, todavia, foi assim. Apagada a força da retórica greco-latina, o sujeito perde centralidade – e até mesmo desaparece – nas teorizações sobre linguagem, ressurgindo somente quando a linguística começa a extrapolar os limites da abordagem saussuriana.
Em relação a esse desaparecimento, Dosse (2007, p. 73), reescrevendo a história do estruturalismo, afirma que o sujeito
[...] é explicitamente reduzido à insignificância, senão ao silêncio, pelo CLG, com a distinção essencial que Saussure estabelece entre língua e fala. Essa oposição encobre a distinção entre social e individual, concreto e abstrato, contingente e necessário; por essa razão, a ciência lingüística deve limitar-se a ter por objeto a língua, único objeto que pode dar lugar a uma racionalização científica. A conseqüência disso é a eliminação do sujeito falante, do homem de fala.
E ainda complementa:
A lingüística só tem acesso ao estágio de ciência, para Saussure, na condição de delimitar muito bem o seu objeto específico: a língua; e deve, portanto, desembaraçar-se dos resíduos da fala, do sujeito e da psicologia. O indivíduo é expulso da perspectiva científica saussuriana, vítima de uma redução formalista onde não tem mais seu lugar. (DOSSE, 2007, p. 73).
Diante desse enquadramento teórico, especular sobre estilo leva a duas possibilidades: ou a considerá-lo como algo desvinculado de uma possível voz a partir da qual ele se constrói, o que significa assumir a perspectiva saussuriana; ou a
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Nesta seção, há, em sintonia com as diversas linhas de pensamento, um uso indiscriminado dessas nomenclaturas. A partir da seção seguinte e em consonância com o pensamento de Bakhtin, elegemos falante ou enunciador, sobretudo este último, para nomear o(s) sujeito(s) envolvido(s) diretamente na enunciação.
situá-lo fora da circunscrição estruturalista. É o que ocorre, de um lado, com Bally e, do outro, com Vossler e Spitzer, os três articuladores da estilística como área específica de conhecimento (ou, como defende Bally, como área específica e autônoma, dissociada da linguística).
No caso de Bally, não há afastamento da circunscrição saussuriana, uma vez que ele elege a língua (emoldurada em cantoneiras estruturalistas) e não a fala como objeto de estudo. O diferencial, no entanto, reside em focalizar a língua como um sistema que permite também a expressão do que é denominado como afetividade, traço desconsiderado por Saussure. Nesse caso, aliás, o sistema linguístico, dada a filiação do pensamento de Bally, não só permite a presença de marcas de afetividade mas, sobretudo, as prevê no leque das ofertas do paradigma.
Sem contemplar categoricamente, portanto, a figura do sujeito, Bally (1951, 1962) considera que o homem é escravizado pelo seu eu, no qual se refrata toda a realidade. E essa escravização revela-se por marcas linguísticas já disponibilizadas no sistema da língua: as marcas que assinalam os fatos naturais (sinalizadoras das manifestações de prazer e de desprazer, de admiração e de desaprovação, de intensificação das impressões...) e as que assinalam os fatos evocativos (sinalizadoras do meio social ou de certa época). Cabe, portanto, à estilística, nesse seu nascedouro, rastrear as possibilidades que a língua, como sistema, oferece para a manifestação dos referidos fatos demarcadores da afetividade.
No caso de Vossler e Spitzer, há, segundo Silva (1976), um afastamento do modelo estruturalista saussuriano: a transformação da fala literária em objeto de estudo. Discutem, sob a influência do pensamento estético idealista de Croce, a figura do artista como usuário especial da língua e, por isso mesmo, investigam a projeção dessa personalidade tida como sui generis. Nesse entendimento, o texto literário apresenta necessariamente índices desveladores do artista autor, cabendo, à análise estilística, recuperar o etymon, o princípio gerador e configurador dos múltiplos aspectos da obra, “a alma do artista”. Em decorrência, a estilística passa a ter, por objeto de estudo, a linguagem como criação artística e, mais particularmente, a linguagem literária como criação individual, desvinculada de condicionamentos histórico-sociais. No bojo dessa discussão – e sob a influência de Freud – emerge o conceito spitzeriano de estilo como desvio do uso tido como
coletivo e normal da língua. Trata-se, diferentemente do enfoque ballyano, de uma perspectiva psicologista, distante, portanto, da negação de uma voz autoral.
Por redefinir o quadro teórico estruturalista segundo outros critérios (mas sempre dentro do modelo saussuriano), convém focalizarmos ainda dois posicionamentos cruciais para a estilística do século XX: a teoria das funções da linguagem, de Jakobson; e a teoria das metáboles, de Dubois e demais componentes do grupo que ficou conhecido como Escola de Liège.
No que se refere ao primeiro posicionamento, Jakobson (1985) concebe seis funções da linguagem, todas condicionadas ao pendor (einstellung) da mensagem. Se ele surge em direção ao emissor, temos função emotiva ou expressiva; se em direção ao receptor, conativa ou apelativa; se ao canal, fática; se ao código, metalinguística; se ao contexto, referencial; e se para a própria mensagem, poética.
É na manifestação dessa última função que Jakobson (1985) situa o estilo. Toma os dois eixos constitutivos da linguagem, o paradigma e o sintagma, e desenvolve a explicação estruturalista:
A seleção é feita em base de equivalência, semelhança e dessemelhança, sinonímia e antonímia, ao passo que a combinação, a construção da seqüência, se baseia na contigüidade. A função poética projeta o princípio de equivalência do eixo de relação sobre o eixo de combinação. (JAKOBSON, 1985, p. 130).
O estilo, entendido como escolha, torna-se restrito à esfera dos índices tidos como estéticos da mensagem e relativamente autônomo em relação ao sujeito emissor. Na verdade, desvincula-se estilo de um possível sujeito que se manifeste no texto ou, pelo menos, responda por esse mesmo texto. Interessa, nessa perspectiva, tão somente a decifração de uma tessitura linguística inusitada e aberta às mais variadas intervenções semânticas. O texto, dessa forma, ganha autonomia, transformando-se em uma espécie de “parricida”, fruto de uma escrita supostamente sem história e sem autoria.
O pensamento de Jakobson tem seguidores, também adeptos da análise imanentista, como Rifaterre e Levin. Rifaterre (1989) nega, inclusive, as
possibilidades estilísticas oferecidas pelo sistema linguístico e considera a função da poesia como experiência de alienação, fora do real e do atomismo estático do dicionário. Levin (1975), por sua vez, entende o texto poético não apenas como uma sucessão de sintagmas mas também como um sistema de paradigmas. Esses dois autores – a exemplo de muitos outros, como Cohen (1978) – pressupõem o entendimento do estilo como a manifestação de um procedimento desviante gerador de literariedade ou de poeticidade39.
No que se refere ao segundo posicionamento, a Escola de Liège resgata o quadro greco-latino das figuras de linguagem e as redistribui em quatro categorias amplas a partir da dicotomia saussuriana significado e significante e da tripartição estruturalista dos níveis de descrição linguística (fonologia, morfologia e sintaxe). Redenominadas, então, de metáboles, as figuras passam a ser consideradas como desvios que afastam a língua do grau zero (tendência à denotação absoluta) e a ser reagrupadas, no plano do significante, em metaplasmos (no âmbito do vocábulo) e em metataxes (na âmbito da frase); e, no plano do significado, em metassememas (no âmbito do vocábulo) e em metalogismos (no âmbito da frase).
Para Dubois (1974) e demais representantes da Escola de Liège, o estilo é resultante de metábole, a qual, por sua vez, decorre de um desvio, um afastamento do grau zero. Quanto maior a presença de metáboles não estandardizadas, não apropriadas pelo uso comum, maior o rendimento estilístico. Dessa forma, o enfoque dado ao estilo leva também à análise imanente.
Ainda que dominantes no panorama da discussão sobre estilo no século XX, nem a matriz estruturalista (também dita da língua) nem a matriz psicologista (também dita da fala), ambas em todos os seus desdobramentos (o pensamento de Marouzeau, de Guirraud, de Cressot, de Jakobson, de Dubois, de Dâmaso Alonso, de Bousoño, de Amado Alonso, de Mattoso Câmara Júnior...), fornecem base teórica que sustente nossa investigação nesta pesquisa.
Em relação à perspectiva estruturalista, entendemos que o estilo é, na maioria dos enfoques, tão somente uma marca de diferenciação na materialidade linguística, seja em relação ao próprio cotexto em que a marca se encontra seja em relação aos usos ditos convencionais da língua, já previstos no sistema. Para que
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Segundo as correntes formalistas da teoria da literatura, literariedade diz respeito ao conjunto de procedimentos linguageiros responsáveis pelo enquadramento de um texto como literário. Por analogia, entendemos poeticidade como sinônimo.
concebamos o parâmetro diferenciador desse desvio, haveremos de entender a língua como um código, um sistema estabelecido, rigorosamente hierarquizado em níveis e fechado em suas possibilidades de articulação morfossintática. Nesse enquadramento, o desvio, a conotação ou a elaboração remetem à sinalização de procedimentos de ruptura, de expectativas frustradas: os descaminhos qualitativos de uma rota preestabelecida. Os sujeitos, então, são eclipsados, e o estilo responde por si mesmo, como se, parricida, não houvesse uma autoria. Esse é – acreditamos – um enfoque que, por se centrar na imanência do próprio objeto, não contempla, obviamente, os condicionamentos sociointeracionais que circunscrevem o enunciado e, obviamente, o estilo.
Em relação à perspectiva psicologista, embasada no entendimento da língua como representação do mundo interior, o estilo é tão somente um elemento por meio do qual se pode mergulhar no psiquismo do sujeito autor40, limitando-se às marcas linguísticas que desvelam as áreas mais recônditas da mente humana. Há um deslocamento de focalização: do objeto em si, o caso da perspectiva estruturalista, para aquele que é tido como autor do objeto. Nesse sentido, o cerne da investigação é a personalidade do artista. Abre-se, assim, ao longo do século XX, um filão de análise textual alicerçado em teorias oriundas da psicologia e da psicanálise.
O estilo, portanto, ao ser concebido nos limites rigorosos de um indivíduo autor, encontra-se muito longe de ser entendido como algo definido pelas relações de interação entre os sujeitos implicados na produção de enunciados. É como se fosse algo apenas demarcador de um processo de individuação fechado, a-histórico e associal. E a isso acrescentemos a aceitação de um performático psicologismo mítico em torno da figura do autor. Nessa perspectiva, o estilo – acreditamos – não permite desvelar a projeção de uma imagem, mas os supostos traços psíquicos tidos como concretos de um suposto sujeito histórico, real e uno.
Apesar de os estudos estruturalistas41 e psicologistas terem, sobretudo os primeiros, ocupado grande parte das discussões sobre estilo na esfera da linguagem
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Entendemos, grosso modo, autor como o sujeito histórico produtor do enunciado e autoria como o processo de individuação desse mesmo enunciado. Ainda neste mesmo capítulo, esses conceitos são redimensionados.
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Os manuais de estilística da língua portuguesa, como, por exemplo, Melo (1976), Lapa (1982), Vilanova (1984) e Martins (2008), influenciados, sobretudo, pelo pensamento estruturalista, objetivam a descrição das possibilidades expressivas oferecidas pelo sistema linguístico do português e oferecem, quase sempre, como exemplário, fragmentos de textos literários.
verbal, as teorias enunciativas (ao porem em foco a enunciação e trazerem à tona as figuras dos sujeitos nela envolvidos) terminaram, como uma terceira vertente, por reconceitualizá-lo. Portanto, no cadinho das discussões sobre subjetividade, encontra-se a ponte para esse redimensionamento. Sendo assim, não devemos desconhecer a relevância, por exemplo, dos estudos de Benveniste (1991), de Ducrot (1987) e de Kerbrat-Orecchioni (1980), que, indiretamente, contribuíram para a criação da arena em que o estilo pôde ser rediscutido.
Inserido na reflexão oriunda dos estudos enunciativos que tematizam subjetividade, Possenti (1993), por exemplo, põe a relação entre estilo e sujeito no centro da investigação. Assegura que tudo que sai da boca do homem tem sua marca e que, por isso, mesmo se aceitando o assujeitamento do ponto de vista ideológico (conforme admitem certas visões da análise do discurso), não se o pode aceitar quanto à escolha dos signos que compõem a tessitura dos textos. Nessa compreensão, o sujeito nem é inútil nem todo poderoso. Também não é escravo nem senhor da língua, uma vez que, consciente ou inconscientemente, faz escolhas linguísticas a fim de compor o que tem a dizer, ou seja, define o feitio estilístico. É um trabalhador em relação à arquitetura material do que enuncia. Arrematando a abordagem, Possenti (1993, p. 59) acrescenta:
[...] dizer que o falante constitui o discurso significa dizer que ele, submetendo-se ao que é determinado (certos elementos sintáticos e semânticos, certos valores sociais) no momento em que quer produzir, envolve, entre os recursos alternativos que o trabalho lingüístico de outros falantes e o seu próprio, até o momento, lhe põem à disposição, aqueles que parecem os mais adequados.
Ainda que traga o estilo para uma perspectiva enunciativa, Possenti (1993) não traça um enquadramento teórico que contemple a relação do estilo com o jogo de imagens entre os sujeitos envolvidos na enunciação (o enunciador e seus ouvintes/leitores). Também não contempla certos condicionamentos estilísticos para que entendamos o embate entre o individual e o coletivo, a permanência e a transformação, uma vez que, por terem alcance social, esses condicionamentos extrapolam, em muito, as determinações internas morfossintáticas e semânticas da
língua. Desse modo, o entendimento possentiano – acreditamos – não permite discriminar, no estilo, rastros do ethos discursivo.
Esse restabelecimento das relações entre estilo e sujeito, no quadro das teorias enunciativas, oferece, em Bakhtin (1988, 2003, 2006), um enfoque sociointeracionista que possibilita o entendimento do estilo como categoria articulada à dinamicidade da vida social em toda a sua efervescência, uma vez que, direta e incisivamente, o põe como elemento inerente à enunciação Por esse motivo, elegemos a teoria bakhtiniana como o referencial teórico abrangente desta pesquisa.
2.2.3 O estilo na teoria bakhtiniana da enunciação: a configuração de uma categoria