• Sonuç bulunamadı

BÖLÜM 2 : FAİZSİZ BİR FİNANSAL SİSTEM OLARAK KATILIM

2.2. Faiz Kavramı Ve İslamda Faiz Yasağı

2.2.5. İslam’da Faizin Yasak Olduğunu Bildiren Ayet ve Hadisler

equivalente a US$ 32.500 todo o lote (os objetos do Museu de Boston entre os inventário 99.338 a 99.542 – ver site Boston 1), o que permite pensar na variação do valor que tais objetos já poderiam agregar no século XIX, atentando-se às variações que o valor dessa moeda experimentou ao longo do tempo.

23 Essa seção (9448 - 12 de junho de 2000) arrecadou US$ 7.053.906, a partir da venda de

cento e cinqüenta e uma peças, sendo duas delas os vasos acima citados: lotes 81 e 111, respectivamente - ver site Christie’s 2.

24 NÖRSKOV, 2002, p. 356-9.

25 No topo da lista está a venda de uma hídria de Caere, vendida por US$ 3.302.250 e a

posição mais baixa é a da venda de uma hídria ática de figuras negras por US$ 3.120.

26 NÖRSKOV, op. cit., p. 352-5. Vale notar que esses valores, comparados aos das obras de

arte contemporânea, são bastante modestos. Por exemplo, o leilão intitulado Impressionist and

Modern Art, em 03 de novembro de 2004, na Christie’s, registrou para grande parte das obras

valores acima de um milhão de dólares (US$ 1.000.000), sendo a venda mais expressiva desse dia fixada em vinte milhões cento e sessenta e sete mil dólares (US$ 20.167.000) – trata-se do lote 24, a tela Londres, le Parlement, effet de soleil dans le brouillard, de Claude Monet (ver site

The City Review 2). Essa seção (1429) arrecadou cento e vinte e oito milhões duzentos e vinte

e dois mil cento e cinqüenta dólares (US$ 28.222.150), a partir da venda de cinqüenta e oito obras (ver site Christie’s 3). Valores dessa grandeza, no que tange aos objetos no comércio de antiguidades, são episódicos; como a venda de uma escultura helenística de Ártemis e um cervo, estimada entre cinco e sete milhões de dólares (US$ 7.000.000), mas vendida por vinte e oito milhões e seiscentos mil dólares (US$ 28.600.000), superando todas as expectativas da

Tudo isso pode influenciar a visão do pesquisador na interpretação desse tipo de vaso. Os vasos panatenaicos são comumente inseridos numa esfera de interesse e destaque bastante privilegiada. Um exemplo disso é o nome dado a uma tumba na necrópole dell’Osteria, em Vulci, como Tomba della Panatenaica, apesar de os achados nela serem bem diversos.27 Para a ceramologia grega, o estudo das ânforas

panatenaicas já foi apresentado como modelo28 e especificamente nos estudos

iconográficos, as imagens figuradas sobre elas são corriqueiramente usadas como fonte para a compreensão de provas atléticas no mundo antigo.29 E esse caráter

documental se mistura à sua apropriação como elemento de memória.30

Esse cenário indica balizas importantes para se pensar a caracterização das ânforas panatenaicas. Os valores atribuídos a esse tipo de objeto atualmente estão

Sotheby’s (leilão em 07 de junho de 2007, Lote 41). Os valores atuais indicam um tipo bastante

distinto de inserção desses objetos, nada coerente com sua situação antiga. Uma estela do final do século V a.C. (IG I3 422, 41-60) indica o valor de meia dracma para uma ânfora

panatenaica; enquanto o valor de uma escrava era cento e cinqüenta dracmas. Para algumas informações sobre os valores monetários dos vasos áticos no contexto de seu uso antigo, ver DUGAS, 1924, p. 40 e SPARKES, 1996, p. 140-5.

27 Uma ânfora panatenaica foi encontrada em seu interior compondo um conjunto de “77

objetos, incluindo uma grande quantidade de vasos jônicos, ródios, coríntios, áticos de figuras negras e vermelhas, tanto como etrusco-coríntio e bucchero” (... 77 pieces, including a wide

range of Ionian, Rhodian,Corinthian, Attic b.f. and r.f. as well as Etrusco-Corinthian and bucchero – RIDGWAY, 1967-1968, p. 41. Para a Tomba della Panatenaica, ver FALCONI

AMORELLI, 1968).

28 BENTZ, 2003, p. 111.

29 Conforme indica Miller (2004a, p. 10), “… as ânforas panatenaicas são o tipo mais importante

de evidência visual para as provas atléticas na Grécia. (…) essas pinturas detalhadas permitem-nos estabelecer uma ligação estreita com as provas atléticas antigas numa época antes das fotografias” (... the Panathenaic amphora is the single most important type of visual

evidence for ancient Greek athletics. (…) these detailed paintings give us the closest possible link to ancient athletics in those prephotographic days). Sobre isso, Kyle (2007, p. 150) adverte:

“Ironicamente, livros sobre Olímpia são ilustrados com vasos áticos pintados que se referem aos jogos em Atenas, não Olímpia” (Ironically, books on Olympia are routinely illustrated with

Athenian vase paintings referring to games at Athens, not Olympia). Há, ainda, que se pensar

no interesse icônico e níveis de representação relacionados a essas figuras.

30 Por exemplo, Tyrrell (2004, p. 145) chegou a dizer: “toque uma ânfora panatenaica e você se

conectará com um vencedor que uma vez a pegou e se orgulhou disso como um símbolo de sua arete” (Touch a Panathenaic amphora, and you connect with a victor who once handled it

and took prode in it as a symbol of his aretē). A comunicação entre presente e passado

centrada no conteúdo atlético é também indicada na inserção de uma ânfora panatenaica em uma exposição do Museu de Belas Artes (Boston 99.520, cat. 41), na qual o vaso com figuras de corredores foi posicionado ao lado de dois pares de tênis esportivos atuais (ver CARIGAN & KEITH, 2007, p. 4). Esse tipo de vaso também estava presente no conjunto de referências ao passado, utilizadas no contexto das Olimpíadas modernas: nos jogos de Atenas (os primeiros da era moderna, em 1896 e os de 2004), foram produzidos selos com figuras de ânforas panatenaicas. Ainda, vale lembrar a citação constante desse tipo de vaso em troféus contemporâneos (ver BENTZ, 2003, p. 117; para um exemplo). Relacionado a isso, é notória a grande quantidade de publicações tendo as ânforas panatenaicas como elemento central, ou ao menos importante, ensejado por ocasiões como jogos olímpicos da era moderna (por exemplo, VALAVANIS, 2004).

ligados a determinadas expectativas quanto à compreensão de sua inserção antiga, e um exemplo claro disso é a sua caracterização quase imediata como “prêmio”. Assim, a tese aqui defendida repousa justamente na identificação da fragilidade da caracterização do vaso panatenaico em aspectos variados; seja na identificação básica de elementos relacionados à sua utilização em contexto primário e secundário, seja na validade de determinadas caracterizações para toda a experiência de sua utilização na Antigüidade. Ou seja, a tese defendida é a que, mesmo depois de duzentos anos de interesse concentrado sobre esse tipo de objeto, os argumentos que sustentam sua caracterização são geralmente frágeis. E isso se dá, não pela ausência de um conjunto satisfatório de informações, mas por alguns importantes limites informativos não serem considerados na caracterização do objeto e na interpretação de aspectos sócio-culturais relacionados a ele. A experiência ligada à produção, uso e imobilização/descarte desse tipo de objeto foi concernente a um amplo recorte temporal e a contextos específicos, e qualquer explicação relacionada a isso deve ser baseada numa delimitação de contextos ou certas generalizações que contenham satisfatoriamente essa amplitude cronológico/contextual.

PANATENAICAS I

A discussão arqueológica e a caracterização da ânfora panatenaica

O termo “ânfora panatenaica” tem dois níveis a serem considerados: a ocorrência nas fontes escritas antigas e sua apropriação arqueológica, ambos de tratamento complexo, dada a dificuldade de identificação do objeto específico. O termo “panatenaico” (panathenaïkos) e relacionados têm aplicação que remonta à Antigüidade. Seu uso é determinado pelo qualificativo de alguma relação com as Panatenéias, tendo sido usado por Tucidides (século V a.C.) para se referir à procissão das Panatenéias,1 e também no título de um discurso de Isócrates (século

V-IV a.C.), que foi replicado por Aelius Aristides (século II d.C.).2 Há, nesse sentido,

algumas referências em latim como o comentário de Plínio (século I d.C.) sobre o perfume panatenaico.3

Seu uso para designar um tipo de vaso é verificável numa inscrição de c. 414 a.C. (o provável inventário do espólio de Alcibíades), onde ele ocorre várias vezes.4

Há, ainda, registro numa inscrição deliana de c. 280 a.C. se referindo a estanos panatenaicos5 e Posidônio (século II-I a.C.) o teria utilizado para esse tipo de ânfora.6

Entretanto, boa parte das referências não utilizava o qualificativo “panatenaico”. Píndaro (século VI-V a.C.), que o menciona, utiliza apenas o termo “vaso”.7

A utilização do termo “panatenaico” nas línguas modernas remete claramente à noção antiga. Seu uso era feito desde o Renascimento e se nota, já no século XVIII, a seguinte formulação: “panatenaico, pertencente à Panatenéia, solenidade ateniense, que acontecia a cada ano e (a grande) a cada cinco”.8 Entretanto, apenas na primeira

metade do século XIX, ele foi relacionado ao vaso considerado prêmio: em 1817, A.

1 Panathēnaïkēn pompē (História da Guerra do Peloponeso 1, 20).

2 Oração Panatenaica (Panathenaikos). Para a citação de Isócrates por Aristides, ver SAÏD &

TRÉDÉ, 1999, p. 130-1.

3 Panathenaicum unguentum (História Natural 13, 2, 6).

4 Amphoreus panathenaïkos (IG I3 422).

5 Stamnoi panathenaikos – IG XI.2 165.17-18 (Contas dos Hieropoioi). Ver RICHTER & MILNE,

1935, p. 8; para os prováveis paralelismos antigos entre os temos stamnos e amphoreus.

6 25 J – conforme L&S, verbete panathenaïkos.

7 Angeion (Nemeanas 10, 65-7). Esses vasos chegaram mesmo a serem chamados de hidriai

(segundo escoliasta de Píndaro; RICHTER & MILNE, 1935, p. 3, n. 2), além de kalpides (Callimachi Fragmenta a R. Bentleio collecta, nº CXXII) e khéramon (Escólio de Aristófanes,

Nuvens 1001). Para uma discussão da aplicação desses termos, ver BRONDSTED, 1832, p.

130.

8 Panathenaic, belonging to Panathenea, Athenian Solemnities, kept every year, and (the

Böckh aproxima os termos “ânfora” e “prêmio panatenaico”,9 a partir de informações

em fontes literárias. Seu uso para caracterizar um segmento de vasos que vinha sendo encontrado aparece logo em seguida. Quando Thomas Burgon encontrou, em 1813, a ânfora que ficaria conhecida como Burgon amphora (Londres B 130, cat. 1 – ver fig. 2a e 3a), uma aquarela que ele próprio fez do vaso para sua divulgação apresenta a legenda “vaso grande”.10 Logo depois (em 1831), o chamaria de “ânfora

panatenaica”;11 mas, antes disso, para se referir ao mesmo vaso, Millingen já usava o

mesmo termo “ânfora panatenaica”, “vaso panatenaico”.12 Essa é uma terminologia

que domina os estudos arqueológicos, dividindo espaço com o qualificativo “prêmio”: “vaso-prêmio”, “vaso-prêmio panatenaico” e “ânfora-prêmio”. Seu uso “tardio” para caracterizar tal tipo de vaso, tendo em vista que ele já era de comum uso para a denominação de outros elementos do festival, deve-se à própria dinâmica dos achados e de sua organização. A inserção desse tipo de vaso no universo das Panatenéias era desconhecida pelos pesquisadores, os quais começam a situá-lo nesse contexto no decorrer do século XIX e a discussão da Burgon amphora foi essencial; vaso que chegou a ser chamado de “relíquia singular”,13 o que indica um

pouco do interesse acadêmico sobre ele.

Na bibliografia moderna, as referências às ânforas panatenaicas começam a aparecer no século XVIII de forma tímida e bastante esparsa, e alguma demonstração de conhecimento já minimamente organizado aparece na primeira metade do século XIX. A primeira notícia segura data do início do século XVIII, concernente a um vaso (cat. 493) preenchido com restos mortais encontrado em uma tumba em Bengazi em 1705-1706 por Claude Le Maire, cônsul francês em Trípoli (reportado, na íntegra, pelo mercador, naturalista e antiquário francês Paul Lucas), no qual ele caracteriza o vaso simplesmente como “urna”.14

9 Amphoreus Panathenaischen Preinsen (BÖCKH, 1817, p. 339, n. A).

10 Large vase - ver site The Burgon archive project 1 e 2.

11 Ver BRÖNDSTED, 1832, p. 110 e CORBETT, 1960, p. 53.

12 Panathenaic amphora, Panathenaic vase (MILLINGEN, 1822, p. 7, n. 31; 38, n. 18; pr. I-III).

O que também foi registrado por Panofka (1829, n.6).

13 Singular relic – Notice of Rose’s inscriptions, The Classical Journal, 1928, p. 149

14 Urne – ver LUCAS, 1714, p. 84, 98-9; OMONT, 1902, p. 1043; LARONDE, 1987, p. 142 e

COOK, 1997, p. 276; para o desenho do vaso, hoje perdido, ver BENTZ, 1998, pr. 131, nº 4.104. Vale, ainda, indicar outra possível referência: quando Winckelmann menciona um prêmio na Ilíada (23, 259), um vaso em bronze relacionado aos jogos em honra a Pátroclo, diz: “não menos conhecido é o uso de tais vasos nos jogos da Grécia, onde já nos tempos mais antigos um mero vaso de argila era um prêmio de vitória” (Not less known is the use of such

vessels in the games of Greece, where already in earliest times a mere earthen vessel was a prize of victory – WINCKELMAN, 1764; Apud VICKERS & GILL, 1996, p. 17-8, n. 77), o que

Quanto ao início da organização dos dados, pode-se citar as informações sobre a coleção Canino apresentadas por Gehard que, além de listar as recém encontradas ânforas panatenaicas, discute a nomenclatura do vaso, a inscrição de tipo

athlon, elementos iconográficos e cita o achado da Burgon amphora, estabelecendo

paralelos.15 Nessa mesma linha, houve uma comunicação de Brönsted feita no

encontro da Royal Society of Literature em 7 de dezembro de 1831, sobre alguns vasos integrados ao Museu Britânico, da qual foi publicado um resumo,16 e seu

conteúdo integral foi posteriormente publicado em inglês17 e em francês.18 Nessa

comunicação, o autor apresentou um quadro de comparações entre a Burgon

amphora e achados na Itália, estabelecendo um diálogo com publicações variadas,

tratando de elementos ornamentais, da inscrição de tipo athlon, da capacidade desse tipo de vaso, de sua função, entre outros.

Pode-se encontrar em meados do século XIX caracterizações razoavelmente maduras das ânforas panatenaicas;19 mas, quanto à compreensão de sua dispersão, o

poderia ser uma referência à experiência que envolvia as ânforas panatenaicas, mas não se pode dizer com clareza se tal colocação inclui esse tipo de vaso.

15 GEHARD, 1830.

16 The Gentleman's magazine, vol. 150, p. 637-8 (com o título Panathenaic vases) e no The

London literary gazette and journal of belles lettres, arts, sciences, etc, p. 827 (com o título Memoir on Panathenaic Vases, by Chevalier Brönsted), ambos em 1831.

17 BRÖNSTED, 1832.

18 BRÖNDSTED, 1833 – com pequenas inclusões como pranchas com figuras de elementos

tratados no texto.

19 Por exemplo, Hagemas (1863, p. 204-5) apresenta as ânforas panatenaicas da seguinte

forma: “Panatenaico - diz-se dos vasos contendo o óleo sagrado, oferecidos como prêmios aos vencedores do ginásio, nas festas celebradas em honra de Minerva. Durante estas celebrações, rapsodos recitavam poemas, os filósofos defendiam seus princípios, e a juventude grega disputava na palestra o prêmio da vitória. Este prêmio consistia numa certa quantidade de óleo das moriai, oliveiras sagradas, produto do transplante da oliveira primitiva plantada por Minerva na Acrópole, e depois transplantada perto da Academia. Sabe-se, a respeito dessas árvores, que foram mantidas pelo Estado, e que sofria a pena do exílio aquele que teria tido a infelicidade de destruir uma. Então, este óleo precioso não foi considerado indigno de fazer o principal prêmio da vitória. Mais tarde, mesmo o vaso que o continha era considerado prêmio, e pinturas figurando, de um lado Minerva, e de outro, as outras cenas de ginástica, lembram sua função. Freqüentemente eles portam as inscrição ton athenethen athlon, o prêmio de Atenas. Deve-se notar que esses vasos são normalmente em estilo arcaico, o que não quer dizer que todos eles pertencem a um período tão remoto, mas se pode supor que a fidelidade às antigas tradições fez perpetuar o uso nos mais belso tempos da arte” (Panathénaïque. — Se dit des

vases qui contenaient l'huile sacrée, offerte en prix aux vainqueurs du gymnase, aux fêtes célébrées en l'honneur de Minerve. Durant ces fêtes, les rapsodes récitaient des poëmes, les philosophes défendaient leurs principes, et la jeunesse grecque disputait au palestre le prix de la victoire. Ce prix consistait en une certaine quantité d'huile provenant des morioi, oliviers sacrés , produits de la transplantation de l'olivier primitif planté par Minerve sur l'Acropol, et transplanté plus tard près de l"Académie. L'on sait avec quel respect ces arbres étaient entretenus par l'Etat, et l'on n'ignore pas qu'il eut encouru même les peines de l'exil, celui qui aurait eu le malheur d'en détruire un seul. Aussi celte huile précieuse ne fut-elle pas regardée comme indigne de faire le principal prix de la victoire. Plus tard le vase qui la contenait

contexto bastante desigual de achados apresentava sérios limites à discussão: eles cresciam na região da Itália e no norte da África, enquanto na Grécia, durante quase todo o século XIX, a situação não mudava muito – além da Burgon amphora, os achados, até o fim do século XIX, se resumiam a poucos fragmentos apresentados em algumas publicações.20 Martha, interpretando a situação dos achados, chegou a dizer

que “parece então que em Atenas não se interessava pelas ânforas [panatenaicas], por que se acreditava que não valia à pena conservar tais vasos (...)”, e que depois da

Burgon amphora, “o solo da Ática não ofereceu nenhuma ânfora panatenaica”,21 o que

tornava bastante relevantes alguns fragmentos encontrados na Acrópole pouco antes de sua publicação em 1877.

Esse quadro tem certamente relação com a dinâmica das pesquisas arqueológicas em Atenas. As primeiras pesquisas sistemáticas empreendidas na região da Ágora ateniense (um dos locais de achados mais numerosos de ânforas panatenaicas) dar-se-iam por atuação da Sociedade Arqueológica Grega (Greek

Archaeological Society ou The Archaeological Society of Athens) entre 1859 e 1862,

retomando-se as atividades em 1898 até 1902. Entretanto, as pesquisas com publicações mais sistemáticas dos achados ocorreriam com a atuação da Escola Americana (The American School of Classical Studies at Athens – ASCSA) entre 1931 e 1940, sendo interrompida pela Segunda Guerra mundial e retomada em 1946 seguindo até hoje (vale lembrar, por exemplo, dos mais de trinta volumes da série The

Athenian Agora, dos vinte e cinco volumes da série Excavations of the Athenian Agora picture books, e as inúmeras notícias das escavações, seus achados e interpretações

na revista Hesperia, todos estes esforços da ASCSA). É importante também indicar aqui as atividades do Instituto Alemão de Arqueologia (Deutsches Archälogisches

Instituts – DAI), que concentrou suas pesquisas na região do Cerâmico, o local de

fut lui-même regardé comme le prix, et des peintures figurant d'un côté Minerve et de l'autre des scènes gymniques, en rappelèrent la destination. Souvent ils portaient l'inscription ton Athenethen athlon, le prix d'Athènes. Il est à remarquer que ces vases sont ordinairement du style archaïque; ce n'est pas à dire qu'ils appartiennent tous à une époque aussi reculée, mais on peut supposer que la fidélité aux antiques traditions en fit perpétuer l'usage aux plus beaux temps de l'art). Ver, ainda, a poesia de Edmund Head, sobre a trajetória de um vaso

panatenaico (ver p. ii).

20 Para os achados da Acrópole, ver GRAEF, 1925 e SMITH, 1896-7; para os fragmentos de

Delfos, Elêusis e Melos, ver MARTHA, 1877; há, ainda, alguns outros achados de proveniência incerta que, provavelmente, teriam sido encontrados em Atenas, indicados por De Witte no

Bullettino dell’Instituto di Corrispondenza Archeologica (vol. 4, 1832, p. 170) e em Samos ou

Egina (Idem, vol. 2, 1930, p. 129 e vol. 3, 1931, p. 95 e 217). Vale lembrar que Thomas Burgon, na sua carta a Bröndsted, confessa ter destruído, alguns dias antes de encontrar a Burgon

amphora, quatro vasos semelhantes por pura ignorância (BRÖNSTED, 1832, p. 111).

21 Il paraît qu’alors à Athènes on ne faisait aucune attention aux amphores, parce qu’on croyait

que ces vases ne valaient pas la peine d’être conservés... Le sol de l’Attique n’as pas donné une seule amphore panathénaique (MARTHA, 1877, p. 174).

achados mais numerosos de ânforas panatenaicas; onde, só a partir desse cenário de pesquisas mais sistemáticas é que se estabeleceu um quadro mais coerente da dispersão das ânforas panatenaicas no Mediterrâneo. Entretanto, apesar de as escavações sistemáticas já terem começado no último quartel do século XIX, a publicação dos dados ainda hoje não foi feita sistematicamente (conforme discussão na seqüência).

O primeiro estudo mais aprofundado, tendo como base uma documentação organizada (um repertório de 130 objetos), foi feito no início do século XX por Von Brauchitsch (1910) e, a partir disso, a necessidade que se colocava era a de apresentar interpretações relacionadas a um corpus organizado que crescia cada vez mais. É preciso notar que as tipologias que se tornariam modelares ainda estavam se desenvolvendo ao longo do século XIX; como, por exemplo, a de Thomsen sobre materiais pré-históricos diversos, já na primeira metade do século XIX e refinada por Montelius na segunda parte do mesmo século; e também as propostas de Pitt-rivers.22

O levantamento de Von Brauchitsch apresenta um cenário bastante diferente daquele observado no século XIX: dos vasos repertoriados, aproximadamente 18 foram encontrados na Ática, além de 22 na Etrúria, 16 em Vulci, 7 em Bengazi e 4 na Cirenaica, entre outros. Vale a pena indicar o crescimento de achados na Grécia apresentados por Von Brauchitsch: além daqueles na Ática, pelo menos 7 em Esparta e ainda em outros sítios na Grécia. Sobre o repertório de Baruchitsch, segundo Brandt, há certas incorreções (uma referência dupla e dois vasos duvidosos), o que diminuiria o número de vasos para 127.23 Gardiner, criticando a mesma lista, falava em 126

entradas válidas).24 Além disso, tratava-se de um repertório evidentemente parcial,

levando em conta que publicações contemporâneas já apresentavam projeções mais amplas, como a de Gardiner.25 Deve-se incluir também os achados da Acrópole

apresentados por Graef e levantamentos paralelos, como os das inscrições de arcontes (séc. IV a.C.), que também acabaram produzindo listas de ânfora panatenaicas, remontando ao final do século XIX, como Mommsen.26