O sistema de correntezas frente à costa peruana tem uma direção Sul-Norte, muito diferente do sistema de correntezas rasas, que apresentam uma alta variabilidade, devido, principalmente, à topografia da costa, marés, topografia do fundo e ventos locais.
No geral, a circulação frente às costas tem uma direção Norte, principalmente em costas abertas e retilíneas, onde não se apresentam obstáculos morfológicos. Assim, devido à presença de penínsulas ou promontórios rochosos que sobressaem do litoral, nesses ambientes é comum a formação de sistemas de correntezas circulares “Eddies”, produto do atrito forçado da massa de água no seu deslocamento. Além desta correnteza está a correnteza superficial gerada pela dinâmica das ondas ao chegar ao litorais, que são muito importantes para o transporte de sedimentos.
Vale lembrar que há uma lacuna no que tange aos sistemas de correntes, com exceção dos relacionados ao porto de San Martin (Punta Pejerrey). Estudos recentes desenvolvidos pela Marina de Guerra del Peru mostraram que a correnteza na baía tem direção Oeste-Leste, sendo decorrente da massa de água que se divide à altura da ilha de San Gavan; parte desta massa de água se dirige ao interior da bacia, mudando de direção para o sentido Sudeste. A mudança de direção ocorre aproximadamente nas coordenadas 13º 47’ 07” S e 76º 16’ 42”. No intuito de conferir esses dados, foi feita a determinação de velocidade e direção das correntes em cada ponto de coleta, através do método lagrangiano, conforme foi descrito no capítulo anterior.
A massa de água que penetra, na baía, renova e prove à baía de água oceânica, cujas medições, nessa área mostraram que essa renovação se realiza em dois ciclos: durante o verão, esses ciclos estão de acordo com o comportamento das marés e se determinou que a velocidade desta correnteza varia entre 0,21 e 0.25m/s, com intervalos de tempo de 2 horas cada um. Foi identificado também que, durante o inverno, a renovação se faz em dois ciclos, porém com intervalos de tempo maiores até 4 horas, sendo que a velocidade das correntezas também foi maior, variando de 25 a 28 cm/s. Esse aumento é atribuído à maior pressão dos ventos Sudoeste.
Como as correntezas estão influenciadas, principalmente pela direção e a intensidade dos ventos, a partir das 10:00, quando é baixa a intensidade dos ventos, a velocidade das correntezas superficiais alcançam seus menores valores (18 cm/s no verão e 25 cm/s no inverno), modificando-se os fluxos e apresentando um processo de ressurgência local. A aparente difusão de velocidades é visível até às 16 horas; durante as noites, o vento proveniente do Norte produz correntes que se orientam para o Sul; isto determina um incremento do fluxo de águas. Durante o verão (período de chuvas na região andina), a vazão do rio Pisco aumenta consideravelmente, alcançando até 26m3/s. As praias da baía de Paracas têm forte influência dos sedimentos arrastados pelo rio (fig. 51). Dados similares foram obtidos em medições feitas pela Direção de Hidrografia e Navegação da Marina de Guerra del Perú (1990) e Desarrollo Ambiental, S.A (1996).
Figura 51 - Sistema de correntes que influenciam a circulação da baía.
6.2.1 Determinação de correntes no interior da baía de Paracas
Os métodos para mensurar correntes marinhas podem ser enquadrados em duas categorias: a) Método Euleriano ou medidas com instrumentos estacionários.
Os correntômetros fundeados são enquadrados nesta categoria; b) Método Lagrangiano ou medidas com instrumentos ou materiais flutuantes. Os derivadores são enquadrados nesta categoria (STEVENSON, 1966). Nesta pesquisa, focar-nos- emos no estudo do método langraneano através do uso de flutuadores. No entanto, maiores informações em relação ao método adotado e diferenças entre os métodos podem ser obtidas no Apêndice E.
Neste estudo, utilizamos um flutuador que é identificado com a ajuda de uma pequena bandeira. A área superficial do flutuador teve que ser tão pequena quanto possível para minimizar o efeito do arraste do vento. A observação foi realizada de forma amostral, em termos de tempo, lançando o flutuador a partir de cada ponto determinado para coleta de amostras e medida de batimetria. O flutuador foi lançado e registrado o tempo de percurso, e as coordenadas no ponto onde foi coletado e recolhido; uma melhor descrição pode ser vista no Apêndice E. A resultante da análise dos vetores gerados pelo transcurso e direção do flutuador permitiu determinar a velocidade e direção das correntes nos diversos trechos da baía.
Os resultados apontaram que existe corrente sentido Norte-Sul ao longo da baía desde Pisco até o interior da baía. NA Área de Pisco (fig. 6.10), a velocidade média 0, 23m/s e direção foi similar nos quadrantes (H:3; H;4, G:2; G;4), sendo o que o quadrante H:1, G:1 apresentou velocidade de 26ms-1; porém sentido Leste Oeste, a correnteza tem influência direta do rio Pisco. Na área de San Andrés (fig 52), os quadrantes (H:1; H:2; G:3; F:1; F:2, F:3, F:4 F:5; F6) apresentaram direção Sudeste e uma velocidade média de 0,23ms-1.
No interior da baía a direção da corrente mostrou diferentes direções, resultando o sentido Sul-Leste nos quadrantes (D:7; E:6), e velocidade média de 0, 19 m/s. No quadrante (C:6) a corrente muda sentido na direção Sul-Oeste a uma velocidade média de 0,21 m/s, sendo que no quadrante (B:6) a direção muda sentido Norte-Oeste a uma velocidade média de 0, 23m/s, mesma velocidade verificada no quadrante (A:2; A:3; A:4), porém direção Norte- Este. Pela influência da Corrente peruana de Humboldt, a direção da corrente obtida no quadrante (A:7; A:6) muda sentido Oeste-Leste a uma velocidade de 0, 25m/s. A avaliação da direção da corrente nos quadrantes (B;4; A:3; A:2: A:1) foi de Sul-Norte a uma velocidade de 0,25m/s.
Figura 53 - Sistema de correntes que circulação no interior da baía
No estudo de Impacto ambiental das embarcações pesqueiras no Pacífico Sudeste, realizado no local junto aos alunos do Curso de Engenharia de Pesca da Universidade Nacional de San Agustin no local, foi determinado que a velocidade média das ondas de rompente é de 3, 73 m/s nas praias de San Andrés, 3, 25 m/s nas praias de Pisco e 2, 52 m/s no interior da baía. A determinação da velocidade foi feita fazendo uso de dois flutuadores fixados a uma distância de 50m um de outro, e outro a deriva, lançado o ponto mais distante do litoral. As ondas são, em geral, do tipo deslizante (derramante), podendo ocorrer também as mergulhantes (caixotes). Foi verificado no local, que as ondas têm uma altura relativamente baixas em média de 53cm, variando de 45cm a 66cm, ocorrendo picos esporádicos de 100cm (1m).
As ondas de maior altura foram verificadas no interior da baía de Paracas (66 cm), na praia Lobera frente a Plus Petrol ( San Andrés) ( 50cm), e frente ao cais de Pisco e praia o Chaco.
Figura 54 - Sistema de correntes e direções na baía de Paracas
Os resultados acima mostram que a baía tem um regime de circulação estacionário, que evidencia a hipótese formulada na pesquisa sobre as fontes de contaminação do interior da baía. Tendo como base estas informações, pode-se afirmar que, nesta área, o fluxo dinâmico das correntezas marinhas é limitado, influindo no poder de auto-recuperação. Além disso, é necessário considerar que esta região é uma área considerada Reserva Ecológica. Considerando que 98% dos efluentes são gerados nos períodos de primavera e verão (produção de farinha e óleo de peixe, concentração demográfica na bacia por temporada), existe uma gradiente desfavorável ao possesso de depuração da baía. Portanto, as medidas tecnológicas e/ou mitigadoras às atividades antrópicas deveriam contemplar tal restrição.