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İptal Davası Sonucu Verilen Kararın Temyiz

Morávamos em Nova York, mas eu ia quase toda semana a Washington. Viajava regularmente de trem, um trem muito confortável; a cada viagem, eu lia um livro. A Alcina ficava direto com as crianças em Nova York: a Ieda, já grandinha, e o Hélio, ainda bebê. Ela era ajudada por uma

nurse,

a

madame

B01l0n, uma francesa arranjada pela McKee, muito boa profissional . Ela mandava seu salário para a França, mas parece que o dinheiro não chegava. Quando nos contou isso, eu lhe disse para não mandar nem mais um tostão para lá. Aconselhei-a a abrir uma conta num banco em Nova York e fazer seu pé-de-meia lá mesmo, nos Estados Unidos.

E o seu pagamento, o senhor recebia em dólar?

Recebia. Ganhava 1 .800 dólares, gastava 1 . 200 e botava 600 de lado; dava para viver bem. Todos os domingos recebia a comissão para almoçar; nesse dia, conversávamos muito, bebíamos nosso

whisky

e falávamos do Brasil, de viagens, mas falávamos também de trabalho. Como da vez anterior, meu soldo de militar icava aqui; eu já tinha feito umas economias na última viagem à Europa.

Permanecemos em ova York até janeiro de 41 , quando nos mudamos para Cleveland, onde a McKee estava sediada; fomos morar num apartamento. E, embora Cleveland não fosse uma cidade pequena, ao contrário, não podia ser comparada a Nova York. O estilo de vida, portanto, mudou muito; era uma vida mais tranqüila, com mais contato com a família. Em Nova York, era o vai-e-vem de Washington, morávamos em hotel . . .

Eu gostava de Cleveland, mas a Alcina detestava, e olhe que tínhamos uma empregada muito boa, uma crioula que chegava de automóvel e nos

.

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d

1 7"

A'

cumpnmentava sempre com um

ow are you,

goo peop e.

s vezes,

recorríamos a ela no domingo, o que não costuma acontecer nos Estados Unidos, e

A A V E N T U R A D A G R A N D E S I D E R U R G I A

A Alcina viveu umas situações meio absurdas nos Estados Unidos. Certa vez, perguntaram-lhe se ela era descendente de índios; ela respondeu: "Não, sou descendente de portugueses e tenho, também, na família sangue holandês. Meu marido descende de irlandeses, de espanhóis e de portugueses." Mas eles não acreditavam; queriam, de todo jeito, que tivéssemos parentesco com índios e com pretos. Chegaram a perguntar à Alcina se, no Brasil , ela se vestia como as africanas! A ignorância a respeito do Brasil, e mesmo do mundo, era impressionante. Não é que o Jesse Jones me perguntou um dia se, para ir do Brasil à Alemanha,

pegávamos trem?! Eu respondi que não e lhe expliquei que era preciso atravessar o oceano Atlântico. Eles só conhecem a geograia dos Estados Unidos.

Assim , passamos lá um ano e meio, e voltamos para o Brasil em dezembro de 41 , logo depois do ataque japonês a Pearl Harbor. Embora acreditasse que o

empréstimo do Eximbank sairia tranqüilamente, ao mesmo tempo sentia uma certa ansiedade e mesmo insegurança em relação à conjuntura mundial, por causa da guerra. Não sabia como ficaria a economia americana, como ficaria o mundo;

não sabia se as máquinas chegariam a salvo -algumas foram a pique, j unto com os

navios que as transportavam e que foram torpedeados por submarinos alemães.

Enquanto, nos Estados Unidos, o senhor começava a trabalhar diretamente com a McKee,

no Brasil a Companhia Siderúraica Nacional, a CSN, começava a aanhar forma?

Correto. Em janeiro de 4 1 o Getúlio autorizou por decreto a Comissão Executiva a promover todos os atos necessários à constituição da companhia, e o Ministério da Fazenda a integralizar o capital pelo Tesouro Nacional ; em 9 de abril a

companhia foi inalmente criada.

Na hora de formar a diretoria, o Getúlio me chamou e afirmou, taxativamente, que eu seria o presidente da companhia. Recusei a oferta; disse que não era um nome conhecido e indiquei para o cargo o Guilherme Guinle, que além de presidente das Docas de Santos e do Banco Boavista, era conhecido no mundo, rico, simpático. O Getúlio acatou minha sugestão; mandou telefonar para o Guinle e marcou uma entrevista. Convidou-o pessoalmente, e o GWnle aceitou. Pouco depois, o Guinle publicou no

jornal do Commercio

um longo artigo em que elogiava o projeto da CSN e dizia como ele concebia a siderurgia. O Getúlio ficou muito contente e me cumprimentou pela indicação. E foi assim que o Guinle entrou; não é como a família dele conta. Os Guinles contam que foi o Getúlio que procurou o Guinle e o convidou; e não me citam. Mas não foi assim não, foi como estou dizendo.

Depois que o Guinle foi escolhido, tratou de formar a diretoria da companhia e, por conta disso, me consultou sobre um nome para ocupar o cargo de diretor técnico. Aconselhei-o a solicitar uma indicação da McKee que, para surpresa dele, recomendou o coronel Macedo Soares. Quando o Guinle me perguntou se eu teria coragem de assumir, respondi que sim e que a usina iria sair. Aí, ele convidou o Ari Torres para a vice-presidência e o Oscar Weinschenk para a diretoria comercial; o Alfredo de Sousa Reis Júnior ocupou o cargo de diretor-secretário.

Dlretoria da SN, vendo-se Edmundo de Macedo Soares e Silva, Raulino de Oliveira, guilherme Guinle (presidente),

Oscar Welnschenk e Benjamim do MOllte (da esquerda para a direita), em Janeiro de 1 945. (CPODC/ArqUlvo

Edmundo de Macedo Soares)

96 I

U M C O N S T R U T O R 0 0 N os s o T E M P �

Mas o Ari Torres só ficou até abril de 42; nessa ocasião, brigamos feio. Ele queria instalar a diretoria no Rio de Janeiro; fui contra e argumentei que, na condição de diretor-técnico, já havia resolvido que ficaríamos em Volta Redonda, porque lá, entre outros motivos, seria possível preparar a mão-de-obra para trabalhar na usina. Ele insistiu e ameaçou levar a questão à reunião de diretoria, mas eu lhe antecipei que ele seria voto vencido. Então, a pretexto de que ia fazer concurso para a cadeira de materiais de construção na Escola Politécnica de São Paulo, o Ari deixou a empresa. E me fez muita falta, porque era um homem muito capaz. Depois descobri que ele insistia tanto na cidade do Rio de Janeiro porque não queria morar em Volta Redonda; queria desenvolver o projeto a partir no Rio, onde sairia muito mais caro e eu não poderia escolher os homens que iriam ficar na usina. Eu topei ir para Volta Redonda e lá passei uma temporada grande; no início, fiquei alojado numa casa pequenina de madeira, pouco mais do que um acampamento.

Qual foi o capital inicial subscrito?

Na ocasião, 500 milhões de cruzeiros, divididos, em partes iguais, em ações ordinárias e preferenciais. O Guinle conclamou a iniciativa privada brasileira a comprar ações; de acordo com relatório que encaminhou ao Getúlio, em 1 94 1 a companhia tinha mais de 2 2 mil acionistas. O dr. Guinle e seus assessores desenvolveram um intenso esforço de convencimento. O principal assessor era o Portela que, como eu já disse, trabalhava com o Guinle no Banco Boavista; eles buscavam os recursos onde podiam, na área de gov rno, junto a bancos, a

A A V E N T U R A D A G R A N D E S I D E R U R G IA

convencer empresários e banqueiros da importância de se constituir uma grande indústria ligada ao governo; pobre não consegue nada, mas rico consegue tudo. O maior acionista particular foi o Jacques La Saigne, da Mesbla; adquiriu muito mais ações do que o Guinle, que comprou 2 . 500. A Heloísa Guinle Ribeiro adquiriu 1 . 500, o Ari Torres 500, eu mesmo iquei com 200, o Oscar Weinschenk com cem; o Adolfo Martins de oronha Torresão, o Daniel Serapião de Carvalho, o Fernando Machado Portela e o Trajano Furtado dos Reis compraram 50 ações cada um . Quanto às empresas, a Mesbla e a Sul América de Seguros compraram cinco mil ações, e a Companhia Docas de Santos, do Guinle, 2 . 500. Empresas privadas da área de siderurgia também demonstraram sua crença em Volta Redonda: a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira icou com cinco mil ações, a Companhia Brasileira de Usinas Metalúrgicas com três mil, e a Barbará com mil . Se fossem contra, não teriam comprado, é claro. Todas essas ações eram ordinárias.

Os institutos de aposentadorias e pensões também entraram com uma parte do capital?

Benzer Belgeler