• Sonuç bulunamadı

İnternet ortamında yapılan yayın içeriği nedeniyle kişilik hakları ihlal edilenlerin talepleri doğrultusunda Hâkim bu maddede belirtilen kapsamda; erişimin

Belgede PLAN VE BÜTÇE KOMİSYONU (sayfa 29-34)

MADDE 10- Toplumsal hayata katılım ve eşitlik temelinde engellilere habilitasyon ve rehabilitasyon hizmetleri verilir. Habilitasyon ve rehabilitasyon kararının alınması,

3) İnternet ortamında yapılan yayın içeriği nedeniyle kişilik hakları ihlal edilenlerin talepleri doğrultusunda Hâkim bu maddede belirtilen kapsamda; erişimin

...as relações étnico-raciais não se resumem ao 13 de maio e 20 de novembro, tampouco são folclore

À luz das falas das entrevistadas foi possível constatar que nos trabalhos que realizam com seus alunos com vistas a reeducar as relações étnico-raciais elas aprendem e/ou reforçam o que já sabem sobre os prejuízos de se fragmentar a intervenção pedagógica positiva para as relações étnico-raciais em datas comemorativas. As datas a que se referem são o 13 de maio, dia em que popularmente se comemora a extinção do

138 regime escravocrata no Brasil e o 20 de novembro, data de morte de um dos maiores líderes da luta por libertação no Brasil, Zumbi dos Palmares.

O sentido de fragmentar utilizado pelas professoras significa que as relações étnico-raciais não se resumem a temas a serem tratados em um dia ou outro durante o currículo anual, mas constituem-se como relações permanentes entre os(as) alunos(as) e demais sujeitos escolares que informam posturas de mundo, podendo essas serem reforçadoras de imagens e ideologias distorcidas a respeito de grupos étnico-raciais historicamente colocados a margem, como o é o povo negro. Essas relações, sendo tensas e cotidianas, mostraram às professoras a necessidade de desenvolver intervenções diárias, não sendo possível educar para as relações étnico-raciais positivas apenas duas vezes ao ano.

Cabe aqui destacar, que o calendário com datas comemorativas utilizado oficialmente pelo Brasil foi constituído com base na história branca ocidental, fundidos por discursos científicos hegemônicos, que privilegia, como bem pontua Santos (1997), a história do mundo na perspectiva e versão dos vencedores. Contudo, a trajetória da população negra, ainda que não contada pelo calendário corrente, sendo produzida por sujeitos, é marcada ao longo de cada dia, desde que o Brasil assim se conhece, como história. História essa que tem como marca primeira a constante e cotidiana luta por condições de vida humana, respeito e dignidade.

Vale aqui lembrar os calendários produzidos nos últimos anos pela Secretaria de Educação Continuada Alfabetização e Diversidade (SECAD), do governo federal, que trazem mês a mês datas importantes referentes à comunidade negra no Brasil e no mundo. São datas de nascimento e morte de homens e mulheres que lutaram durante a vida em prol de sociedade igualitária e justa como Luis Gama, jornalista, poeta e em dos grandes líderes da causa abolicionista, João Cândido, líder da revolta da Chibata e Martin Luther King, ativista político na luta por direitos civis de negros(as) americanos(as). Contam também sobre pessoas importantes para a história do Brasil que foram subsumidos pela história oficial, com Juliano Moreira, homem negro, considerado pai da psiquiatria no Brasil, mas que poucos conhecem.

Histórias que se presentificam nas relações do cotidiano escolar, relações essas que não se constituem como algo do passado. Se assim fosse, poderia ser considerado como folclore, o que não é verdade, como afirmam as professoras entrevistadas, apontando que esta é mais uma aprendizagem construída na medida em que desenvolvem seus trabalhos em sala de aula e na escola buscando construir novas

139 relações étnico-raciais entre seus alunos(as). Ou seja, de que sendo intrínseco às relações do dia-a-dia, o conhecer, respeitar, reconhecer a história e cultura afro- brasileira e africana não se resumem a lendas ou festas a serem comemoradas ou meramente relatadas ora ou outra, negligenciando suas raízes e importância histórica, mas faz parte de um direito de se constituir como pessoa.

Cabe ainda destacar que o entendimento de folclore está diretamente relacionado à compreensão de cultura e, em particular de cultura negra. Esta relação pode ser verificada, sobretudo nos relatos escritos, que demonstraram que algumas intervenções pedagógicas não têm claro o entendimento do que seja cultura negra ou cultura afro- brasileira e africana, reduzindo as contribuições culturais da população africana e seus descendentes ao folclore. Vale aqui mencionar o estudo feito por Gonçalves (1985), ao alertar que a cultura negra sendo tratada como folclore, é utilizada como um mecanismo para “integrar” o negro socialmente, arrancando suas raízes culturais e fazendo-o entender como ser humano num todo homogêneo, perdendo sua identidade negra.

A compreensão de cultura e cultura negra num meio social designado por tensas relações étnico-raciais torna-se também abstrusa. Segundo Túbero (2008), na visão de alguns professores de ensino fundamental, as famílias negras são “carentes culturalmente” e, consequentemente, essa “precariedade cultural” torna o(a) aluno(a) negro(a) limitado.

Entretanto, há que se perguntar de que cultura tais professores se referem e quem são os portadores desta cultura da qual pessoas negras não usufruem. E mais, se pessoas negras não são isentas de cultura, mas carentes dela, que cultura é essa que é pobre e não suficiente para tornar, como se referem na pesquisa da autora, pessoas “educadas e conscientes”? Será a mesma cultura que se refere o Parecer CNE/CP 003/2004?

Para Gonçalves (1985, p.158), à medida que professores(as) não diferenciam os produtos culturais elaborados pelos diferentes grupos étnico-raciais, mutilando suas particularidades, estão produzindo a discriminação racial.

O Parecer CNE/CP 003/2004, nesse sentido, demonstra claramente o significado de trazer para o currículo o ensino da cultura tanto afro-brasileira quanto africana, ao explicitar que, o ensino da primeira “destacará o jeito próprio de ser, viver e pensar

manifestado tanto no dia-a-dia, quanto em celebrações como congadas, moçambiques, ensaios, maracatus, rodas de samba, entre outras” (BRASIL, 2004, p.22). Já o ensino

de cultura africana se fará, entre outras, “pelas contribuições do Egito para a ciência e

140

no século XVI; - as tecnologias de agricultura, de beneficiamentos de cultivos, de mineração e de edificações trazidas pelos escravizados, bem como a produção científica, artística (artes plásticas, literatura, música, dança, teatro) política, na atualidade” (BRASIL, 2004, p.22).

Talvez o que falte a nós é compreender o significado de cultura nas relações humanas, embebedadas pelas relações étnico-raciais. Talvez falte entender o significado de cultura para além do que se pode ver e tocar, mas como toda e qualquer “atividade humana, enquanto carregadas de uma significação valorativa (seja econômica, religiosa ou outra)” (FIORI, 1986, p.06). Como afirma o autor, cultura tem que ser entendida como a valorização do homem, num processo de humanização, que é sua libertação. Não há cultura autêntica sem que esta esteja imbricada à diversidade de culturas, que é onde se refaz e se reassume (FIORI, 1986, p.07).

A cultura faz dos homens e mulheres sujeitos históricos e sua diversificação é “determinada pela forma particular de vida de um grupo humano, no qual se reconstitui a forma do homem – sua forma histórica” (FIORI, 1986, p.07). A cultura, assim, é mais que um ou outro tópico a ser introduzida no currículo, mas é a reestruturação dos valores que permeiam nossa vida, é o que garante o indivíduo como sujeito histórico- cultural. Essa transformação, sobretudo, só pode ocorrer se a diversidade de culturas, regidas por seus valores específicos, sejam substancialmente valorizados, e é o que parece estar fazendo as professoras participantes do estudo, em seu fazer docente.

Belgede PLAN VE BÜTÇE KOMİSYONU (sayfa 29-34)