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İnternet Kullanımı: Eğitsel İnternet Kullanımı ve Problemli İnternet Kullanımı 21 

Não resta dúvida de que a internet tem potencialidade para incrementar, de fato, a participação política. É necessário, no entanto, apresentar o que a literatura diz a respeito das restrições e das limitações da internet, no que tange à sua contribuição para a democracia. Vale lembrar que as críticas quase nunca se referem à estrutura da internet - ou a ela própria - enquanto um advento social. O maior alvo dos críticos é a retórica tecnófila e ciberentusiasmada, disseminada no mercado e na academia (GOMES, 2005).

A seguir, apontam-se algumas considerações acerca dessa corrente crítica: a) Informação política qualificada?

Não há dúvida sobre a grande quantidade e variedade das informações disponíveis na internet, mas, em termos qualitativos, que tipo de informação política se tem na rede, hoje? No que concerne à origem das notícias, há os meios de comunicação tradicionais, que transferiram para a internet seu mercado de informações; há as informações produzidas por instituições e por organismos da sociedade civil, naturalmente restritas aos interesses e aos vieses dessas instituições; e há as informações produzidas por agentes do campo político - um tipo de informação totalmente relacionada a interesses partidários e de marketing político que, por si só, não fornecem condições suficientes para a formação adequada da opinião pública.

Em um universo de infinitas fontes de informação política, fica difícil para o cidadão comum distinguir entre as confiáveis e relevantes e as errôneas, distorcidas e falsas. Nesse contexto, o Estado também aparece como provedor de informação política e, sobre ele, repousavam muitas expectativas sobre o potencial de transparência da rede. Sobre a comunicação on-line do Estado, Gomes (2005, p. 71) acredita que:

a sua comunicação online com o público é ainda majoritariamente a produção de materiais destinados a produzir, unidirecionalmente, opinião pública favorável ou, no melhor dos casos, a prestação de informações básicas sobre o funcionamento do Estado. Assim, apesar de dispor de uma arquitetura que favorece a existência de informação política qualificada e extensa, as sociedades contemporâneas não parecem ser capazes ainda de empregá-la de forma a assegurar uma coisa e outra. A informação política qualificada predominante continua sendo a dos meios de massa, agora também em formato Web e a informação política mais extensamente disponível é, em geral, de pouca serventia para o público, pois representa normalmente uma massa disforme de dados, desprovida, ademais, de marcadores de credibilidade. E o Estado se fecha ainda em reserva, silêncio e segredo, protegendo-se do olhar público, como sempre o fez.

Se a qualidade de uma democracia informada depende da qualidade da informação disponível, como aponta Barnett (1997), as fontes devem colocar tanta informação política relevante quanto possível, no domínio público, o que pode ser promovido por intervenção do governo.

b) Desigualdade de acesso

No geral, a desigual distribuição de competências técnicas, de recursos financeiros e de habilidades educacionais se transforma em uma nova desigualdade de oportunidades políticas. Ao invés de resolver as disparidades anteriores, o crescente aumento das oportunidades digitais de participação política fica fora do alcance de uma parcela considerável da população, o que torna as disparidades ainda mais graves.

c) Cultura política

Mesmo que a oferta de informação política fosse qualitativamente satisfatória, para haver participação política, teria de haver um real interesse político entre os cidadãos. “Temos poucos indícios empíricos de haver suficiente vontade e interesse no jogo político, no processo político e no estado dos negócios públicos para superar o senso de apatia predominante na cultura política contemporânea”. (GOMES, 2005, p. 72).

d) Os meios de massa continuam predominando

Os meios de comunicação tradicionais seguem como fornecedores prioritários de informação política. A internet não representa uma ameaça, mas uma oportunidade de expansão de negócios. Tendo o Estado não se tornado o fornecedor de informação política qualificada que se esperava, a internet pública tem obedecido a critérios comerciais, aumentando muito pouco a sua influência como fonte alternativa, capaz de revitalizar o processo democrático. Assim, manteve-se pouco significativa e ainda muito pouco construtiva de uma alteração no panorama político (Wilhelm, 2000).

e) O sistema político continua fechado

Um meio de comunicação e suas potencialidades, por si só, não são suficientes para modificar um sistema político. A política se adapta às novas tecnologias, porém, continua seguindo os mesmos protocolos e utilizando-se da internet com os mesmos propósitos com que usa dos meios tradicionais massivos.

f) O panóptico e a ciberameaça

Contrapondo-se à retórica entusiasmada, um discurso paranoico acerca do universo digital converte a internet em um instrumento perigoso.

A mudança do dia-a-dia (sic) político na rede irá aumentar a capacidade de controle de agências do governo e de companhias capitalistas. Dado o fato de que praticamente cada movimento singular na rede deixa rastros digitais que se podem seguir, as novas tecnologias da informação e da comunicação permitem a um pequeno número de pessoas, do governo e de agências corporativas, por exemplo, monitorar e praticamente controlar um enorme número de pessoas. (BUCHSTEIN, 1997, p. 250).

A descoberta do uso da internet pelo terrorismo, para ações de pedofilia, crime organizado, tráfico de drogas e pessoas - muito favorecidos pelas novas técnicas de criptografização que, antes, eram utilizadas para proteger as informações pessoais dos controladores on-line - reafirmam, constantemente, esse discurso.

Agora se teme que as novas técnicas de criptografização permitam ao crime organizado, terroristas, traficantes de drogas e espiões em escala internacional o uso da rede para comunicações não-controláveis. Esta possibilidade levou à formação de uma coalizão de críticos da internet que inclui desde feministas querendo banir materiais sexistas, até a polícia e agências do governo temendo a comunicação criptografada por bandos internacionais de terroristas ou espiões, até companhias privadas desejosas

de assegurar os copyrights, até tipos de conservadores dos valores familiares tentando proteger a moral social. (BUCHSTEIN, 1997, p. 252). Vale ressaltar, também, que as tecnologias digitais dependem de outras questões - que não as técnicas - para promover ou revitalizar os mecanismos democráticos. Nem mesmo a aproximação dos indivíduos conectados é proporcionada apenas por existirem softwares que, ilusória e pretensamente, assumem tal função (MAIA, 2002).

As estruturas comunicacionais não são suficientes para fortalecer a democracia ou o movimento deliberativo, isto é, a tecnologia, por si só, não transforma a ação política dos cidadãos e não determina o procedimento da interação comunicativa. O interesse político e o engajamento cívico não são elementos dados, pois não há mecanismos automáticos que levem à democratização da vida pública. As oportunidades oferecidas pela rede devem ser vistas de modo associado às motivações dos próprios atores sociais e aos procedimentos da comunicação estabelecida entre eles (MAIA, 2002).

É verdade que a internet, como já foi dito, possibilita a circulação de um maior volume de informações e de diversificação de fontes, além de descentralizar o processo de produção e de disseminação de notícias, o que permite a construção de subjetividades opostas, até então, excluídas da esfera pública. Tal característica é anunciada como um dos traços mais significativos da rede, o qual, para muitos, permite que a internet subverta a autoridade política, ao mesmo tempo em que se enfraquecem as formas estatais de controle. Ademais, a rede também é considerada um lugar de continuidade da cidadania, que se articula, essencialmente, em torno de contratos entre indivíduos interessados.

Por outro lado, alguns estudos sobre ciberdemocracia sugerem que a inovação tecnológica é responsável por transformações políticas, aprimorando e tornando transparente a gestão pública e a relação Estado/cidadão. Tais correntes de pensamento, segundo Maia (2006), negligenciam o contexto sócio-histórico e a complexidade normativa e empírica da comunicação midiática.

Para Nunes (1997), a internet não pode suprir as condições de discurso democrático, ainda que os participantes acreditem estar em uma arena de troca e de discurso aberto. As assembleias eletrônicas são programadas e condicionadas por

um sistema de controle, não podendo haver, portanto, protestos, decisões coletivas, consenso ou concordâncias que representem a vontade das massas: haveria apenas um consenso, congelado tecnologicamente. Nesse sentido, as ágoras

eletrônicas não são mais do que simulações de arenas de liberdade, dentro de um

espaço limitado de parâmetros operacionais.

Benzer Belgeler