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6. KAYNAKLAR

6.1 İnternet Kaynakları

Depois do fim da União Ibérica, alguns pontos marcaram a história de Portugal e suas possessões ultramarinas. Definitivamente, o circuito político-econômico Atlântico entrou em cena devido às perdas de interesse e de influência dos portugueses no Oriente; a produção

de açúcar cada vez mais era considerada uma fonte de riqueza para os europeus; a mão-de- obra para a produção do açúcar era escrava, não somente, mas, de preferência africana; a Coroa e a rede que a cercava entenderam que o circuito econômico Atlântico era um meio de se sustentar e de se manter independente da Espanha, fosse arrecadando tributos para as batalha, fosse fazendo uso do apoio dos homens do ultramar nas guerras, ou ainda negociando territórios. Ligada a todas estas questões, influenciada pelas inúmeras guerras e ao contexto mundial políticoeconômico, funda-se uma nova forma de se conceber a colonização, demarcada por uma perspectiva mercantilista, mercantilista e de Antigo Regime. Cria-se para a segunda metade do século XVII, a nosso ver, um projeto de colonização centralizado nos conselheiros da Coroa concebidos, sobretudo, como homens experimentados ligados ao Conselho Ultramarino. Tal projeto estava baseado em um acordo natural entre colonos e colonizadores, cabendo ao rei a proteção e a organização social; e aos colonos a produção que, embora fosse inegavelmente voltada para o proveito próprio, auxiliava a Coroa com o pagamento de diversas taxas. Por fim, surgiu a necessidade de estabilizar a crise política portuguesa, que seguiu de 1640 até c. 1670, advinda da busca pelo reconhecimento da independência e a estabilização de João e, posteriormente, D. Pedro no poder.

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As possessões ultramarinas do Ocidente se tornaram muito importantes política e economicamente para os portugueses do reino e do ultramar. Pensando nesta importância, a Coroa, procurando se reestruturar, conferiu um valor muito alto ao ―Estado do Brasil‖. Como exemplo da potencial força política das ditas colônias, está a expedição feita por Salvador Correia de Sá e Benavides, cujo resultado foi a restauração de Angola.

A parceria política da Coroa com colonos, ainda que correspondesse a interesses mútuos, garantiu a Portugal importantes meios de arrecadação. Aliás, como bem mostrou Alencastro, as relações de Angola com as regiões produtoras de açúcar da América eram muito próximas, podemos, pois, caracterizá-las como de dependência de mão-de-obra e de transferência econômica. Não por acaso, quando Vieira falava do ataque a Angola, em Carta ao Marquez de Nizza (1648) afirmava que “sem negros não há Pernambuco, e sem Angola não há negros”. Pode-se elevar essa afirmação para toda a produção do Brasil, sem negros

Quando assinalamos que depois de 1640, Portugal dependia economicamente de suas colônias, não estamos com isso alimentando a assertiva na qual se entende que havia uma relação dicotômica entre a metrópole e a colônia. Em outros termos, o fato de a Coroa depender de suas possessões, não implica diretamente um conflito de interesses. Em oposição a isso, depois de 1640 houve a resignificação do pacto político entre as partes do império, no qual coube ao Brasil assumir uma importância econômica dentro do quadro econômico da Coroa que passou a incentivar o seu desenvolvimento. A tarefa de, neste momento histórico, definir quem lucrava mais com a relação entre as partes verificando o resultado final das somas produzidas na colônia, concebendo-os como representação de uma exploração, nos parece uma saída superficial.

No livro História de Portugalorganizado por Hespanha, especificamente o texto, ―os poderes do centro”, em alguns momentos tem-se a impressão de que as rendas obtidas no reino eram superiores às das colônias, seja pelas arrecadações em moedas, seja pelas taxas aplicadas em produtos como, algodão, tabaco, etc (SUBTIL, 1998, p. 200 - 201). Indo além, Subtil afirma que no contexto da Restauração, Portugal dependia exclusivamente das rendas internas para recuperar suas finanças e despesas de guerra (SUBTIL, 1998, p. 200 - 201). O autor elenca todos os tributos cobrados tanto no reino como no ultramar, e conclui que apenas no século XVIII o Brasil superou as arrecadações advindas do centro. Numa análise desmembrada e deslocadamente observada pelos números, parece haver certa razão de ser nas conclusões do autor. Mas, deve-se fazer uma ressalva quanto a isso. Em primeiro lugar, não podemos conceber as partes separadas umas das outras ao tratar do império. O autor observa grande valor arrecadado na África, mas, não se aprofunda em discutir as origens das rendas. Concebemos a história atlântica de maneira interligada, na qual África e Brasil (principalmente o Estado do Brasil) passaram a ser complementares, como observa Alencastro. Pois, como se poderiam obter os lucros do tráfico de escravos sem o Brasil? Como seria possível produzir no Brasil sem escravos? Outro ponto interessante da questão, também despercebido pelo autor, é que muitos dos pagamentos da administração colonial eram feitos pelos próprios rendimentos da colônia, como é o caso dos direitos sobre a pesca da baleia e da venda da cachaça, que sustentavam a milícia. Ainda em oposição à afirmativa da falta de importância econômica do Brasil, tem-se a soma dos pagamentos do Dote do casamento de D. Catarina com Carlos da Inglaterra e da Paz paga para a Holanda em 1661, na

qual o Estado do Brasil, principalmente a Bahia, ficou responsável pela maior parte do pagamento34.

Se o argumento do autor é de que as colônias não tinham valor econômico, por que então o grande esforço para defendê-las dos ataques estrangeiros? Por que o pagamento de valores enormes em indenização para a Holanda, como mostrou Evaldo Cabral de Mello? E por que a Coroa não deixou Pernambuco para os holandeses, como aconselhou António Vieira? Não foi por acaso que o Brasil foi chamado de ―vaca de leite‖ de Portugal, a sua importância era tão grande, a ponto de ele ser o principal objeto das discussões diplomáticas da época. E mais do que importância política, tinha um grande valor econômico para diversas camadas sociais portuguesas que investiam suas vidas nos negócios do ultramar. Muitos cargos e mercês eram concebidos apenas devido à existência do Ultramar.

Ao estudarmos os textos de António Vieira observamos a ressaltada primazia do Brasil, pois, por diversas vezes o autor aponta para este lugar como o ponto de salvação nas estratégias da Coroa portuguesa. Mas, Brasil e África devem ser concebidos em conjunto, já que, suas relações se consagravam de maneira complementar. A produção de açúcar era fundamental para as arrecadações portuguesas entre 1640 até o momento em que se encontrou o ouro. A produção e venda do tabaco, do pau-brasil, das madeiras, dos animais, e diversas outras formas de pagamento. Portanto, para Vieira o Brasil é que recolocaria a importância histórica de Portugal dentro do âmbito europeu, mas, com mão-de-obra angolana:

O Brasil (que é só o que sustenta o comércio e alfândega, e o que chama aos nossos portos esses poucos navios estrangeiros que neles vemos) com desunião do reino da Prata, não tem dinheiro, e com a falta de Angola, cedo não terá açúcar; porque já este ano se não recolheu mais que meia safra, e no seguinte será forçosamente menos; porque a falta de negros de Angola não se pode suprir com escravos de outras partes (VIEIRA, 1951, p. 8)35

Todo o debate agora é sobre Angola, e é matéria em que não hão-de cerder, porque sem negros não há Pernambuco, e sem Angola não há negros, e como nós temos o comércio do sertão, ainda que eles tenham a cidade de Luanda temem que, se nós tivermos em outros portos, lhes divertamos por eles tudo (VIEIRA, 1951, p. 126).

A ideia de um Brasil produtor que dependia da mão-de-obra de Angola no contexto da Restauração passou a se o mote explicativo de Vieira e de parte da aristocracia portuguesa. Sabia-se que sem Angola não era possível produzir, por isso, o afinco em se

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retomar o lugar dos holandeses. Portanto, se a alfândega de Portugal necessitava do Brasil, este necessitava de Angola para existir como produtor.

Ainda para Vieira, o comércio estava em miserável estado, sendo necessária a sua reestruturação, que se daria por meio do desenvolvimento do comércio. Para isso se deveria antes estabelecer a paz com a Holanda, na qual os negócios sobre Pernambuco estavam diretamente ligados.

Muito estimo que haja sempre sido da opinião de V. EX.ª a paz com a Holanda, a qual está nos tempos que V. Ex.ª vê, porque a alguns valentões de Portugal lhes pareceu que eram poucos para inimigos os Castelhanos.(...) o que V. Exª diz de se haver de propor o tratado de paz absolutamente para que, descendo aos meios da conveniência, se ponha em prática o da compra, é matéria que não tem dúvida pela aceitação e conveniência do mesmo contrato, que, oferecido da nossa parte em primeiro lugar, fica de muito desigual condição; mas não me conformo facilmente com os que querem que a proposição da paz com a Holanda, e da mediação de França, haja de nascer dos mesmos Holandeses; porque, se havemos de esperar que eles dêem o primeiro movimento a este negócio, nunca se conhecerá; porque a eles está- lhes muito melhor a guerra que a paz, e nós não estamos em tempos de a dilatar, porque na dilação cresceram os empenhos, e com eles a dificuldade da conveniência (VIEIRA, 1951, p. 82 - 84).

Para Vieira, se deveria estabelecer a paz com a Holanda com a finalidade de desenvolver o comércio e, dessa forma, a Coroa passar a receber as taxas relativas ao negócio do açúcar. Neste ponto, podemos refletir sobre a questão da importância da colônia para a Coroa. Ao lermos os textos de homens que viveram no século XVII, como o Padre António Vieira, Salvador Correia de Sá, etc. estamos convencidos de que a principal relação entre a Coroa e a colônia acontecia por meio do comércio. Não negamos, por outro lado, a importância política dessa relação, como os estudos do grupo ART vem ressaltando. Não obstante, a produção de açúcar ainda nos parece o motor da colonização, na medida em que a relação entre o Centro e a colônia acontecia de forma a se pensar no desenvolvimento da produção, nesse sentido. Os comboios, as frotas, aconteciam para atender a demanda da produção. Dentro de uma economia atravessada pela política de Antigo Regime, cujo valor social era superior ao econômico, onde as mercês eram vistas de uma forma muito importante, observa-se nas tributações feitas pela Coroa um aspecto deveras necessário e aceito. Nesse sentido, há um adendo importante sobre as taxações da Coroa.

Benzer Belgeler