2.3 İnsan ve Çevre Etkileşimi
2.3.3 İnsan – Yer Arasında Kurulan İlişkiler
O entendimento por si só de que a inteligência organizacional, a construção do conhecimento e o desenvolvimento da aprendizagem, baseada nas competências, são políticas e processos a serem implantados na busca por uma inteligência estratégica, não garante vantagem competitiva a uma empresa (ANTONELLO, 2005).
Para que isto ocorra, a idéia principal é disponibilizar um ambiente que propicie o diálogo e a discussão, com o objetivo de encontrar as soluções mais apropriadas aos problemas de uma organização. Esta contextualização já nos remete por si a entender que há a necessidade de novos modelos para ajudar na compreensão dos fenômenos sociais que integram as organizações.
Sob este prisma, defende-se que os processos de transferência e absorção do conhecimento são altamente promovidos e, principalmente, determinados pela qualidade das estratégias de aprendizagem e dos ambientes que as sustentam. Por isso, é de grande valor realizar pesquisas que procurem investigar os papéis, nesses processos, i) da aprendizagem – em nível individual, de grupo e organizacional
conforme recomenda Ruas (2005) – e ii) dos ambientes que a sustentam (Choo,
1998).
Sob este prisma, Allee (2003) resgata a realidade inquestionável de que as empresas são constituídas de Redes tecnológicas, Redes de negócios e Redes de pessoas, e que são as pessoas os recursos indispensáveis ao desenvolvimento sustentável de uma organização. Transformar isso em realidade, desenvolvendo visões estratégicas com o objetivo de auferir diferenciais de mercado, passa por grandes transformações que afetam o cotidiano de toda comunidade organizacional, particularmente sua cultura e paradigmas, o que sem dúvida por si só é um grande desafio.
Allee (2003) defende ainda que, para que haja o compartilhamento do conhecimento individual nos grupos e na organização, é necessária a criação de Redes Sociais, nas quais as pessoas possam compartilhar seu conhecimento, criando assim um mecanismo de comunicação e difusão de experiências, que propicie o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos profissionais que compõem as empresas.
Corroborando com Allee, Snowden (2003), defende que tanto a criação e troca de conhecimento, quanto os mecanismos de aprendizagem, requerem formas de interação e de agregação entre os indivíduos. Uma vez que as Redes Sociais são processos naturais de interação entre os indivíduos, elas propiciam o compartilhamento de informações e fornecem elementos fundamentais para os processos de aprendizagem e para a transferência de Conhecimento Organizacional.
O autor defende, ainda, que quanto maior o número de Redes de pessoas em uma empresa, maior o fluxo de conhecimento e mais alta a probabilidade de que novas idéias e pensamentos surjam diante da necessidade. O estímulo às Redes Sociais tem como objetivo intervir numa organização para reduzir a meses ou semanas o que demandaria anos de relacionamentos casuais.
Ibarra (apud SOUZA, 2006) mostra que a literatura nos estudos
organizacionais faz uma distinção entre a Rede de relacionamentos formal e informal. A Rede formal é composta de um conjunto de relações formais entre chefe e subordinado e diferentes grupos funcionais representativos que devem interagir para realizar tarefas na organização. Também contempla relações criadas pela “quase estrutura” como: comitê, força de trabalho ou equipe. Já a Rede de relacionamento informal, ou emergente, envolve interações mais arbitrárias na qual o motivador da relação pode estar relacionado ao trabalho, social, ou uma combinação de ambos.
Allee (2003) faz referência a uma questão importante ao afirmar que a maioria das pessoas faz parte de uma ou mais Redes Informais de conhecimento e que conhecem pessoas que podem fornecer informações úteis.
A autora, ainda acrescenta que as Redes formais e informais, cujo objetivo é aprimorar os processos e operações organizacionais, permitem armazenar, selecionar, disponibilizar, explorar e reutilizar a informação corporativa. Propiciam a criação de Redes Sociais, nas quais as pessoas podem compartilhar seu conhecimento, criando assim um mecanismo de comunicação e difusão de experiências, que trazem à tona e disseminam o conhecimento de seus componentes.
Neste sentido, merece destaque o estudo de Silva (2003) cujos resultados destacam a relevância do mapeamento das Redes Informais para a compreensão da dinâmica dos grupos e para as decisões gerenciais.
O autor realizou o mapeamento de três Redes Sociais Informais distintas entre si pelo seu conteúdo transacional: companheirismo, confiança e informação. A análise dessas Redes foi centrada na identificação dos atores que nelas desempenham papéis relevantes à manutenção e expansão dessas estruturas informais, bem como papéis relevantes à dinâmica do fluxo transacional.
Com base no mapeamento dessas Redes, foram realizadas intervenções na organização, objetivando induzir a expansão destas Redes Informais além das fronteiras da empresa, bem como induzir a criação de ligações entre elas e a estrutura formal da organização, elevando as chances de alinhamento de objetivos.
De acordo com Silva (2003), os estudos de Redes Sociais Informais em organizações podem assumir dois veios distintos. O primeiro foca a análise de
Redes Informais que se desenvolvem entre pessoas de diferentes organizações, ou interorganizacionais, e o segundo, a análise de Redes Informais que se desenvolvem dentro de uma mesma organização ou Redes Sociais intraorganizacionais informais.
O autor argumenta, ainda, que uma das mais importantes características de uma Rede é que ela é composta de pessoas ligadas entre si por uma grande variedade de razões. As relações que ligam as pessoas derivam dos mais diferentes campos de atividades dos quais cada indivíduo de um grupo participa.
A maior parte das pessoas associa intuitivamente as Redes Sociais a aspectos negativos. Contatos e grupos informais nas organizações tendem a ser vistos como desafiadores do sistema formal e como fontes de distração do trabalho a ser feito. As Redes Sociais geralmente são vistas como inibidoras do racionalismo e profissionalismo, incapazes de seguir o arranjo formal da organização (SILVA, 2003).
No entanto, para o autor, são relevantes os aspectos positivos das relações informais e como as Redes Sociais podem facilitar a operação da organização. Observa-se que Redes Sociais de relacionamentos aumentam a facilidade de comunicação, desenvolvem confiança mútua entre os pares e corrigem falhas da estrutura formal. Adicionalmente, estas Redes fornecem conexões para os indivíduos resolverem problemas e ganhar autoconfiança a fim de sincronizá-las com os objetivos da organização para potencializar resultados.
Kuipers (apud SILVA, 2003) destaca a distinção de três tipos de Redes, que
são apresentados a seguir:
Rede de informação: é uma Rede Informal onde o conteúdo
transacionado diz respeito ao que está acontecendo na organização como um todo, em relação a oportunidades de ascensão, processos decisórios e/ou sucesso organizacional. Estas informações normalmente afetam todos os membros da organização;
Rede de amizade: é uma Rede Informal baseada na troca de amizade e
socialização que fornece apoio e melhoram a auto-estima, além de encorajar certos comportamentos que aumentam a aceitação junto a grupos dentro da organização;
Rede de confiança: é uma Rede de laços informais onde um ator corre
riscos ao abrir mão do controle dos resultados por aceitar a dependência em relação a outro ator, sem força ou coação da relação, seja contratual, estrutural ou legal.
Nesta perspectiva, destaca-se o estudo empírico de Régis (2006), que descreve como se estruturam as Redes Informais dos empresários participantes das incubadoras de empresas de base tecnológica do Recife. Trata-se de um estudo de caso, com uma amostra que reúne mais de 60% dos empresários das sete incubadoras de base tecnológica do Recife.
Para Régis (2006), ao se estudar a formação de Redes Sociais Informais, foi possível compreender a dinâmica das trocas que nela ocorrem. Neste sentido, este estudo foi além dos vários estudos genéricos sobre Redes Sociais, examinando com maior profundidade as características da Rede de apoio dos empresários incubados.
O estudo mostrou a importância do investimento nos relacionamentos dos empresários incubados. Portanto, os investimentos em treinamento nas áreas técnica e gerencial devem ser acompanhados de investimentos que facilitem a construção social das Redes Informais entre os empresários.
Neste contexto, as Redes podem ser facilitadores para o fluxo de informações entre as atividades de uma empresa, alimentando as diferentes interfaces do negócio e disponibilizando informações da organização em momentos distintos. Contudo, isto não garante a geração de conhecimento. O processo de interação entre as pessoas que alimentam o sistema com informações consistentes, juntamente com capacitação formal faz-se necessária para que o conhecimento possa ser gerado a partir dos indivíduos.
Assim, de acordo com Allee (2003) o conhecimento individualizado pode ser transformado em Conhecimento Organizacional valioso para toda a empresa, gerando um diferencial competitivo. Mas este processo só obtém sucesso com o envolvimento ativo e o comprometimento de cada um dos funcionários, constituindo uma Rede de informação no âmbito da organização e um diferencial estratégico na sua atuação no mercado.
Portanto, se a economia baseada em conhecimento está determinando a posição de mercado das empresas e a sua própria sobrevivência, e não se trata de
modismo, deve-se, então, desenvolver modelos de Gestão de empresas que valorizem as pessoas (SENGE, 1990).