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De acordo com estudos de revisão realizados por Stausberg e Kierfer (2009) existem 31 classificações diferentes para a UP. A mais utilizada atualmente é o NPUAP/EPUAP (2009). Com quatro estágios/categorias básicos e dois estágios adicionais aceitos somente pela NPUAP, essa classificação leva em conta o grau de comprometimento tecidual (Quad. 1 e 2).

Quadro 1 – Classificação da Úlcera por pressão aceitas pela NPUAP e EPUAP

Pele sem lesão

Estágio/Categoria I: Eritema não branqueável

Pele intacta com rubor não branqueável numa área localizada, normalmente sobre uma proeminência óssea. Em pele de pigmentação escura pode não ser visível o branqueamento; a sua cor pode ser diferente da pele em redor. A área pode estar dolorosa, dura, mole, mais quente ou mais fria comparativamente ao tecido adjacente. O estágio I pode ser difícil de identificar em indivíduos com tons de pele escuros. Pode ser indicativo de pessoas “em risco”.

Estágio/Categoria II: perda parcial da espessura da pele

Perda parcial da espessura da derme, que se apresenta como uma ferida superficial (rasa) com leito vermelho – rosa sem esfacelo. Pode também apresentar-se como flictena fechada ou aberta, preenchida por líquido seroso ou sero-sanguinolento. Apresenta-se como uma úlcera brilhante ou seca, sem crosta ou equimose*. Esta categoria não deve ser usada para descrever fissuras da pele, queimaduras por abrasão, dermatite associada à incontinência, maceração ou escoriações.

*Equimose é indicador de lesão profunda.

Estágio/Categoria III: Perda total da espessura da pele

Perda total da espessura tecidual. Pode ser visível o tecido adiposo subcutâneo, mas não estão expostos os ossos, tendões ou músculos. Pode estar presente algum tecido desvitalizado (fibrina úmida), mas não oculta à profundidade dos tecidos lesados. Pode incluir lesão cavitária e encapsulamento. A profundidade de uma úlcera de categoria III varia com a localização anatômica. A asa do nariz, orelhas, região occipital e maléolos não têm tecido subcutâneo (adiposo) e uma úlcera de categoria III pode ser superficial. Em contrapartida, em zonas com tecido adiposo abundante podem desenvolver-se úlceras de pressão de categoria III extremamente profundas. O osso/tendão não são visíveis ou diretamente palpáveis.

Estágio/ Categoria IV: Perda total da espessura dos tecidos

Perda total da espessura dos tecidos com exposição óssea, dos tendões ou músculos. Pode estar presente tecido desvitalizado (fibrina úmida) e ou tecido necrótico. Frequentemente são cavitadas e fistulizadas. A profundidade de uma úlcera de pressão de categoria IV varia com a localização anatômica. A asa do nariz, orelhas, região occipital e maléolos não têm tecido subcutâneo (adiposo) e estas úlceras podem ser superficiais. Uma úlcera de categoria IV pode atingir músculo e/ou estruturas de suporte (i.e. fáscia, tendão ou cápsula articular) tornando a osteomielite e a osteíte provável de acontecer. Existe osso/músculo exposto visível ou diretamente palpável.

Fonte: European Pressure Ulcer Advisory Panel and National Pressure Ulcer Advisory Panel – EPUAP & NPUAP (2009).

Quadro 2 – Estágios/Categorias adicionais, aceitas pela NPUAP

Inclassificáveis/Não estageáveis: Perda total da espessura da pele ou de tecidos – profundidade indeterminada

Perda total da espessura dos tecidos, na qual a profundidade atual da úlcera está bloqueada pela presença de tecido necrótico (amarelo, acastanhado, cinzento, verde ou castanho) e/ou escara (tecido necrótico amarelo escuro, castanho ou preto) no leito da ferida. Até que seja removido tecido necrótico suficiente para expor a base da ferida, a verdadeira profundidade não pode ser determinada; é, no entanto uma úlcera de categoria III ou IV. Uma escara estável (seca, aderente, intacta e sem eritema ou flutuação) nos calcâneos, serve como penso biológico natural e não deve ser removida.

Suspeita de lesão nos tecidos profundos

Área vermelha escura ou púrpura localizada em pele intacta e descorada ou flictena preenchida com sangue, provocadas por danos no tecido mole subjacente pela pressão e ou forças de torção. A área pode estar rodeada por tecido mais doloroso, firme, mole, úmido, quente ou frio comparativamente ao tecido adjacente. A lesão dos tecidos profundos pode ser difícil de identificar em indivíduos com tons de pele escuros. A evolução pode incluir uma flictena de espessura fina sobre o leito de uma ferida escura. A ferida pode evoluir adicionalmente ficando coberta por uma fina camada de tecido necrótico (escara). A sua evolução pode ser rápida expondo outras camadas de tecido adicionais mesmo com o tratamento adequado.

Fonte: European Pressure Ulcer Advisory Panel and National Pressure Ulcer Advisory Panel – EPUAP & NPUAP (2009).

1.1.7 Tratamento

O tratamento de úlcera por pressão é feito através da avaliação diáriada pele, especialmente em locais susceptíveis ao desenvolvimento de uma nova lesão como a região isquiática, sacral, trocantérica, e áreasde calcanhar. Mediçãoe documentação da evolução decada feridacom periodicidade mínimo de umasemanal. Desbridamentode todo o tecidonão viável, podendo ser: cirúrgico, autolítico, enzimático, mecânico ou larvas de moscas não contaminadas (BREM; LYDER, 2004; EPUAP/NPUAP, 2009).

É de grande importância para a cicatrização a preparaçãodo leito de feridas de forma eficaz e segura, comestabelecimento de um ambientede úmido adequada e limpo livre de debris e infecção. Para esta finalidade existem no mercado vários produtos e curativos apropriados para cada caso e com várias

finalidades. Suplementação nutricionalpara todos os pacientes

desnutridos/subnutridos. Alívio de pressão e/ou dos outros fatores contribuintes para o desenvolvimento de UP, estes mesmo também não permitem um ambiente propício para que haja a cicatrização. Eliminar ou neutralizar toda forma dedrenagem ou celulite. Além deterapias biológicas,para todos os pacientescom feridasque não se consolidam rapidamenteapós o tratamento inicial, tendo como exemplo deste tipo de terapia a PDGF-BB (Platelet-derived growth factor–BB), o GM-CSF (fator estimulante de colônias de granulócitos e macrófagos) e a matriz de regeneração dérmica, entre outros meios disponíveis (BREM; LYDER, 2004; ICHIOKA, 2008).

Com relação à diversidade de curativos existentes, eles foram categorizados porfunção e devidomuitosexercerem mais deumafunção, elesforam agrupadoscom base no seuprincipal objetivo, onde temos os de absorção

deexsudatocomo asespumas, os de debridamento como colagenase, hidratante no caso dos hidrocolóides, antimicrobianos tendo como exemplo a prata e a iodopovidona, e outros que não se encaixam em nenhuma das classificações anteriores. Já as terapias adjuvantes foram definidas comoas modalidades quenãoabordam diretamenteos fatoresadjacentes nem os principais do tratamento local, são exemplos deste tipo de tratamento a terapia de vácuo, a corrente elétrica, o laser, ultrassom, terapia eletromagnética e fototerapia com luz monocromática (REDDY et al., 2008).

Entre outros tratamentos promissores em estudo podemos citar ácidohipocloroso a 0,01%, o raio UVC e a timosina 4 (T 4) isolada ou em associação a sulfadiazina de prata (CREW et al., 2012; NUSSBAUM et al., 2013; TREADWELL et al., 2012; SUMAN et al., 2012).