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BM İnsan Hakları Komitesi’ne BM Medeni ve Siyasi Haklar Sözleşmesi Kapsamında Başvuru

Doç Dr Sibel SAFİ *

CLIMATE REFUGEES

B. BM İnsan Hakları Komitesi’ne BM Medeni ve Siyasi Haklar Sözleşmesi Kapsamında Başvuru

Um estudo realizado pela OMS (2011), em 11 países, evidenciou que grande parte da violência contra as mulheres é perpetrada por parceiros íntimos, variando entre 15% e 71% de mulheres, dependendo do país. E que entre 4% e 54% de mulheres já sofreram violência física ou sexual por parte do marido ou parceiro. O

mesmo estudo ainda mostrou que, em países como Austrália, Canadá, Israel, África do Sul e Estados Unidos, 40% a 70% dos homicídios femininos foram cometidos pelos parceiros íntimos. Esses dados demonstram que a violência contra a mulher é um problema de saúde pública no mundo, apesar de não estar associada somente à saúde, mas também com fatores socioeconômicos, ambientais e culturais. No entanto, a violência contra as mulheres é uma realidade generalizada em todo o mundo e com sérias implicações para a saúde pública. Nesse caso, os episódios frequentes de violência podem trazer sérios problemas à saúde das mulheres.

Uma das estratégias dos companheiros é desqualificá-la enquanto mãe, esposa, trabalhadora, na tentativa de diminuir a autoestima da mulher e sua autonomia no processo de decisão em relação ao seu cotidiano. Ao internalizar a opressão, as mulheres passam a ficar suscetíveis às crenças do companheiro e acabam somatizando e manifestando os efeitos desta violência através de agravos na sua saúde física e mental (ansiedade, depressão, “sensação de que está ficando louca”, agitação, etc.). As narrativas a seguir evidenciam os agravos da violência na saúde física e mental das mulheres:

Começou a vir a diabetes que eu não tinha, a pressão alta, a obesidade que eu não tinha, eu ficava ansiosa chorava e comia, ficava só dentro de casa, e aí que eu comecei a ver que aquele sofrimento estava adormecido dentro de mim (Joana, 58 anos).

Eu não estava mais sozinha, que eu não era louca que ele sempre me dizia, que eu já estava até acreditando, estava quase acreditando de tanto que dizia (Lélia, 62 anos).

Eu achava que não ia conseguia trabalhar, eu me sentia sem força de trabalhar, eu queria me encostar, queria me aposentar eu queria ficar quieta no meu canto, eu achava que estava doente, eu achava que não conseguia, eu queria me encostar, eu não conseguia me aposentar, eu cheguei a ir no INSS perguntando se eu tinha um meio de encostar, eu precisava, eu estava doente (Olympe, 49 anos).

Primeiramente, a rota crítica das mulheres entrevistadas constatou que a busca pelo atendimento psicológico foi a primeira instância percorrida, seja através de agendamento com psicólogos, psiquiatras, ou clínicos gerais, visando superar as sequelas psicológicas decorrentes da violência, principalmente a depressão. Nessa rota, a depressão era tratada com medicamentos, mas a violência permanecia como uma demanda encoberta. A busca por apoio depende de como as mulheres percebem a violência. Segundo Zocche et al (2012), o relatório da Organização

Mundial de Saúde sobre os Cuidados de Saúde Primários, de 2008, evidenciou que a violência doméstica apresenta inúmeras consequências para a saúde das mulheres. As mulheres em situação de violência recorrem constantemente aos serviços de saúde com queixas difusas e pouco claras, associadas mais a aspectos psicossomáticos. Isso expressa o quanto a violência impacta na sua saúde. (Idem, 2012).

Minha ginecologista ela é minha amiga, ela sabe de toda a minha vida, foi pra ela que foi o primeiro choro que tive e ela se tornou minha amiga, me acolheu, me abraçou, me beijou, me ouviu, e lá no posto eu precisava de ajuda psicológica, o posto disse que não existe (Olympe, 49 anos).

Dessa forma, os serviços de saúde, devem estar atentos a essas marcas invisibilizadas da violência. Urge a necessidade de políticas públicas para seu enfrentamento e prevenção. Apesar de, muitas vezes, as mulheres em situação de violência não revelarem espontaneamente esta situação, “isso ocorre porque é bastante difícil a mulher falar sobre a violência” (SCHRAIBER; D’OLIVEIRA, 2002, p.12). A metade das mulheres entrevistadas no presente estudo relatou que a primeira procura por apoio externo foi, de modo geral, a ajuda psicológica. Nas falas, as mulheres procuram os serviços de saúde, porém, não relatam as experiências de violências sofridas em casa.

Eu procurei a psiquiatra antes das ameaças de morte, me deu medicação pra depressão, aí ela faleceu, aí não tinha procurado mais, fiquei só com a psicóloga (Joana, 58 anos).

Eu fui tratada na psiquiatria do hospital Mãe de Deus, lá eu fiquei então 17 dias tratando com remédios pesadíssimos pra poder controlar a pressão (Lélia, 62 anos).

[...] ela me dava remédio [...] Eles me encaminharam pra um psiquiatra, agora também nessa época me encaminharam, passei por um psiquiatra pra poder avaliar a depressão (Simone, 68 anos).

Para Morais (2009), os fatores de risco têm sido associados à maior ocorrência de depressão entre mulheres, o que pode também ser associado a históricos familiares de violência, isolamento social e exposição a experiências estressantes. Além de a depressão ser um forte indício de violência doméstica, os abusos constantes a que a mulher está sujeita em seu cotidiano podem assumir formas diferenciadas, entre eles estão: reclamações, críticas e xingamentos

constantes por parte do companheiro. Os dados da OMS (2011) apontam que as mulheres são mais suscetíveis à depressão e à ansiedade, embora sejam menos propensas que os homens a sofrerem transtornos causados pelo uso de álcool e drogas. Estudo realizado pela Faculdade de Serviço Social e Faculdade de Odontologia da PUCRS, com 20 mulheres em situação de violência que acessaram a rede de atendimento à mulher em Porto Alegre (Casa de Apoio Viva Maria, Centro de Referência Estadual da Mulher Vânia Araújo, Centro de Referência às Vítimas de Violência) revelou que 87,5% delas sofriam insultos constantes, humilhações (75%), tapas, empurrões, chacoalhões (81,25%), relações sexuais forçadas (40%) e relações sexuais humilhantes e degradantes (60%), sendo que 65% delas possuíam depressão forte e 87,5% disfunções temporomandibulares, bruxismo (50%) e dor em 85% dos casos. A violência contra mulher traz sérios agravos à saúde física e mental, afetando a qualidade de vida das mesmas, sendo considerado fator de risco para a depressão e DTM (PROGIANTE et al, 2012).

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Benzer Belgeler