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İnsanın Evrimsel Yaratılışı ve Özgürlüğü

4. IRENAEUS’CU TEODİSE

4.1. İnsanın Evrimsel Yaratılışı ve Özgürlüğü

Shmuel Eisenstadt (1956) faz um estudo sobre as gerações e conclui que a idade e as diferenças etárias estão entre os mais básicos e cruciais aspectos da vida humana e determinante do destino humano. Durante sua vida, todo ser humano passa por diferentes fases etárias e, em cada uma adquire e usa diferentes capacidades biológicas e intelectuais. Cada fase, nesta progressão, constitui um passo irreversível no desenrolar de sua vida, desde o começo até o seu final. Em cada fase executa diversas tarefas e assume diversos papéis em relação a outros membros de sua sociedade: de criança, ele torna-se pai; de aluno, professor; de jovem vigoroso, transforma-se num adulto que envelhece gradualmente. E em todas as sociedades humanas, esse processo biológico de transição através das diferentes fases etárias, o processo de crescimento e envelhecimento, está sujeito a definições culturais. Ele torna-se uma base para a

definição dos seres humanos, para a formação de atividades e relacionamentos mútuos e para as diferentes distribuições dos papéis sociais.

O que Eisenstadt descobriu após análise de muitas sociedades é que, de forma geral, “os graus etários” (como ele chama a divisão etária) mais idosos geralmente exercem alguma autoridade sobre os mais jovens, ganhando “o respeito” dos graus etários mais jovens. Eisenstadt elucida que quando uma geração rompe com a anterior, através de um processo revolucionário, com a intenção de criar um “novo homem” pode trazer consequências interessantes. Mas não é bem essa ruptura que assistimos aqui? Aqui vemos continuidade na legitimação da exploração e, até mesmo, alguns retrocessos.

Além de ser um destino do indivíduo, a velhice é uma categoria social. Mas cada sociedade vive de uma forma o declínio biológico do homem. Em algumas tribos o lugar do velho é um lugar de honra como guardador da tradição, já a nossa sociedade industrial é maléfica para a velhice. Com o avanço neoliberal qualquer noção de continuidade é arrancada de nós, afinal em sociedades mais estáveis, pessoas velhas podem começar a construção de uma casa ou de uma horta que seus filhos continuariam o trabalho, porém com as mudanças históricas aceleradas e a sociedade tirando sua energia da divisão de classes, cria-se uma série de rupturas nas relações entre os homens, qualquer sentimento de continuidade é arrancado do nosso trabalho. A sociedade rejeita o velho, não oferece qualquer sobrevivência à sua obra. A moral oficial prega o respeito ao velho, mas quer convencê-lo a ceder seu lugar aos jovens. (BOSI, 1994).

Para a dignidade da psicologia industrial quero assinalar cuidadosamente pesquisas de psicólogos na indústria, provando a “funcionalidade” do trabalhador, em certos setores, aumenta com a idade. Aliás, as pesquisas que correlacionam idade com perda de eficiência são discordantes entre si e não merecem confiança. Seria preciso verificar se os laboratórios que as produziram não são financiados por empresas e fundações ligadas à indústria (BOSI, 1994, p. 79).

Ecléa Bosi (1994) traz uma outra perspectiva, acatada por nós, a real valorização do velho, da experiência. “A mão trêmula é incapaz de ensinar o apreendido”, essa é uma frase de um dos velhos entrevistados por Ecléa Bosi em seu belo trabalho Memória e sociedade:

lembranças de velhos, a frase mostra a impotência de transmitir a experiência, o impedimento

dos velhos em ensinar aquilo que sabe e que custou toda uma vida para aprender. Segundo Ecléa Bosi, a noção que temos de velhice decorre mais da luta de classes que do conflito de

gerações. É preciso mudar a vida, recriar tudo, refazer relações humanas doentes para que os velhos trabalhadores não sejam uma espécie estrangeira.

Mesmo “catalogado no rol dos inativos” como diz Oliveira (1999), os velhos não conhecem outra coisa senão a dura realidade de sempre trabalhar, nos oferece a experiência transformada em sabedoria, a capacidade de unir o começo ao fim, tranquilizando as águas revoltas do presente, alargando as margens. Porém, os velhos constituem uma parcela desvalorizada dos membros em sociedade como a nossa, a qual repousa numa base econômica de que a produtividade é o critério fundamental: inaptos a produzir, nada mais se espera deles (ao contrário das crianças pequenas que, também inaptas para a produção, constituem, no entanto, uma certeza de produção futura); tal desvalorização se expressa de mil maneiras, umas das quais é a falta de interesse que os rodeia. Que alguém se disponha a ouvir-lhes as histórias, e ei-los se sentindo realizados, por um lado, e, por outro, compelidos, a fazer durar aquela relação gratificante.

A linguagem empresarial/neoliberal, nesse caso o livro de Lynne Lancaster O Y da

questão: como a geração Y está transformando o mercado de trabalho, apresenta algumas

críticas aos jovens, porém a exaltação da geração é a marca central. Há uma crítica aos jovens não saberem lidar com críticas, mas o próprio livro funciona como uma afirmação das grandes vitórias dessa geração: “Uma nova geração está fazendo parte de nossa vida, entrando no mercado de trabalho e, com isso, transforma-se toda a dinâmica e maneiras de pensar” afirmativa do prefácio. Como se o mundo estivesse sendo alterado por esses jovens adultos, e não porque o mercado precisa desses jovens adultos da maneira que são: acreditando nas políticas da flexibilidade, com um culto ao individualismo, e acreditando nas formas de precarização do trabalho como as alternativas à rigidez: horários flexíveis, trabalhar por conta própria, pagamentos de acordo com o trabalho, home-office.

Já Nicole Dolphie (1972) alerta para a culpa dos mais velhos, já em 1968, de não oferecer aos jovens um conjunto coerente que permite um laço significativo entre o passado, o presente e o futuro. Segundo Dolphie, não conseguimos convencer os jovens da importância da experiência pessoal, porque facilitamos muito as coisas para eles, acabando por colocar em evidência o que é superficial e cômodo em detrimento do que é profundo. Acreditamos que não é culpa de uma geração de velhos, mas sim de uma mobilidade do capitalismo focada no individualismo, na desvalorização completa da experiência, da lucrativa forma inteligível, como lembra Richard Sennett (2009), de ser e estar no mundo.