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7 TÜRKİYE VE AVRUPA BİRLİĞİ İHALE SİSTEMLERİNİN

7.5 İngiltere’de Uygulanan İhale Usulleri

Eu luto aqui em Madalena primeiro porque eu amo o meu lugar e segundo porque eu tenho que ajudar a construir porque senão daqui a pouco eu não ganho mais a minha vida aqui. Até eu vou ter que ir embora daqui. Magdala –Santa Maria Madalena

A modernidade legou para a humanidade padrões de progresso e desenvolvimento racionalizadores, uniformizantes e redutores. Como conseqüência, desde então tem se adotado o pressuposto de que a idealização de certos modelos macro-estruturais deve orientar as ações dos diferentes povos e países em seus esforços para se desenvolverem.

Segundo Arocena (1995) esses modelos foram forjados nos países centrais e defendidos como marcos orientadores para os países periféricos. Esta idéia encontra-se na própria origem do termo desenvolvimento, empregado principalmente para os países periféricos, que reflete a crença de que esses países estariam atrasados em relação aos países já desenvolvidos e que deveriam ser, com o auxílio destes, desenvolvidos. O desenvolvimento é compreendido como um caminho linear que levaria a um progresso sempre contínuo e com fins previamente estabelecidos. Tal concepção sugere uma crescente homogeneização cultural entre os diversos países e regiões do planeta.

Seguindo a tradição moderna, buscou-se a idealização de modelos e fórmulas que foram prescritos como receitas prontas para os diversos países, com as mais diversas culturas. E ainda que os modelos de desenvolvimento tenham se modificado, desde uma orientação estatizante até a quase hegemonia de uma concepção neoliberal francamente privatizante, não se alteraram no que têm de mais essencial: serem modelos macro-estruturais uniformizantes.

Ignorando especificidades internas e enormes diversidades culturais; não tendo sido capaz de diminuir as desigualdades sociais, muitas vezes aprofundando-as; tendo falhado em combater a miséria e favorecido a exclusão social; tendo contribuído para a degradação do meio ambiente; não tendo sido capaz de evitar que populações inteiras sofressem e morressem com doenças que poderiam ser erradicadas com simples saneamentos básicos; tendo convivido com violências urbanas crescentes e tendo assistido ao surgimento e agravamento de guerras civis, movimentos separatistas, terrorismos, conflitos raciais, nacionalismos e fundamentalismos de todos os tipos, o padrão de desenvolvimento uniformizante freqüentemente adotado para orientar a ação de países e organizações internacionais tem sido questionado.

Autores e políticos de todo o mundo, de diferentes correntes teóricas, têm buscado alternativas de padrões de desenvolvimentos mais justos e humanos e que ofereçam espaço para a diversidade e para a diferença.

Hoje já são muitos os autores que defendem que a adoção de receitas prescritas, ao desrespeitar traços culturais, valores, hábitos e tradições locais, tem trazido uma série de conseqüências indesejáveis para as regiões que as adotam. Ao passar por cima de valores, de formas de organização e convívio, de modos de ser e perceber o mundo construídos ao longo de toda uma história, a adoção de práticas homogeneizadoras acarreta profundas alterações nos tecidos sociais de regiões inteiras, enfraquecendo os vínculos entre as pessoas, a coesão social, a identidade coletiva e os sensos de pertencimento e de comunidade.

sua capacidade de se comunicarem e de se organizarem para buscar soluções para seus problemas comuns, perdem o senso de coletividade, sentem-se impotentes para transformarem a realidade social, se retiram para suas vidas privadas e se restringem a defender seus próprios interesses.

Pesquisas diversas têm apontado para a importância do resgate e da valorização da dimensão cultural dos povos como forma de impulsionar o desenvolvimento.

Complementarmente à valorização da cultura, dissemina-se a ênfase no local como espaço privilegiado das ações que visam ao desenvolvimento.

A ênfase no local deriva da constatação de que as ações que partem do centro não têm conseguido apresentar respostas diversificadas para situações singulares. Ao prescindir da população beneficiária para formular e implantar políticas públicas, o Estado desfavorece a participação e organização popular e mina seu poder de iniciativa. “Sem dúvida, as formas centralistas de organização do território têm debilitado consideravelmente a capacidade de iniciativa das sociedades locais” (Arocena, 1995: 21).

A noção de local freqüentemente adotada nas teorias sobre desenvolvimento local não se caracteriza pela extensão físico-territorial ou por determinado número de habitantes, mas principalmente pelo compartilhamento de valores e do senso de pertencimento entre pessoas que ocupam uma mesma região e pela produção de bens e riquezas localmente gerados.

Um território com determinados limites é então uma ‘sociedade local’ quando é portador de uma identidade coletiva expressa em valores e normas interiorizados por seus membros, e quando conforma um sistema de relações de poder constituído em torno de processos locais de geração de riqueza (Arocena, 1995: 20).

Arocena argumenta que a noção de sociedade local está fortemente ligada ao território e à história de uma dada comunidade. Seus espaços físicos revelam tradições, hábitos, valores e uma história comum, a unir a população. São essas tradições e história que permitem que as pessoas tenham o sentimento de pertencimento; de que fazem parte de algo que as une; de estarem juntas; de estarem de alguma forma ligadas, independentemente dos laços familiares e de amizade; de que existe uma esfera que é pública, em que se localizam os interesses comuns e na qual vale a pena se engajarem. Sem este sentimento de pertencimento as pessoas se recolhem para sua vida privada e a sociedade se atomiza.

Por isso é tão importante resgatar a história de um povo se deseja-se que ele se assuma ator social, agente de mudanças sociais. Os povos que de alguma forma perderam o contato com sua história possuem menos coesão e poder de mobilização. Mas uma certa dose de rupturas e adversidades também fortalece as sociedades. Ao se unirem para vencer adversidades as pessoas mantêm vivo seu senso de comunidade.

A noção de local é relativa. Ao se fazer referência ao local está sempre implícita a idéia de um todo maior de que o local é parte. A fim de melhor compreender o local é necessário compreender também o contexto em que se insere, de que forma este contexto o influencia e é por ele influenciado.

Arocena (1995) e Telles (1994) advertem para o risco de se adotar visões românticas do local e de se o considerar remédio para todos os males da sociedade. A visão utópica do local pode levar a um nostálgico desejo de um retorno a um passado ideal e a desconsiderar todas as especificidades, problemas e potencialidades da atual sociedade.

Outro risco para o qual adverte Telles (1994) é a adoção da descentralização e da criação de instituições locais sem o acompanhamento e o apoio do nível central e sem a adoção de um marco que localize as várias iniciativas locais em uma macro-estratégia de enfrentamento das desigualdades e problemas sociais no âmbito nacional.

Aprofundando desigualdades e exclusões, a ênfase atual no local, no particular, nas tradições e na comunidade, ao mesmo tempo em que aponta para potencialidades criativas de uma refundação do social, também contém o risco de acentuar segmentações e disparidades, sem alterar os termos pelos quais as desigualdades se processam (Telles, 1994: 46).

Evidentemente, a iniciativa local por si só não é suficiente. É necessário que exista uma política levada adiante por nações e por níveis supranacionais, tendentes a considerar a diferença (Arocena, 1995: 36).

Ao mesmo tempo em que se deve evitar perspectivas universalizantes, deve-se também fugir do extremo oposto em que nenhuma generalização é possível, nenhum marco orientador é desejável. Ainda que cada situação e cada desdobramento de processos de desenvolvimento local sejam únicos, a adoção de marcos pode favorecer a reprodução de experiências bem sucedidas e contribuir para a compreensão de seus efeitos para os níveis mais abrangentes da realidade.

O local deve ser considerado um espaço privilegiado de contato entre situações de demandas diferenciadas e o Estado. Não um espaço de luta entre o bem e o mal. Mas espaços que permitem uma maior capilarização e permeabilização do Estado em relação às demandas da sociedade.

Na opção pelos modelos macro estruturais a existência de atores locais com iniciativa de ação não é necessária. Pelo contrário, a adoção desses modelos e a restrição da política ao âmbito das instituições formais desfavorecem a iniciativa dos agentes locais, sejam eles pessoas, grupos ou organizações. Diante de instituições, normas e rígidas burocracias que constrangem a participação, as pessoas sentem-se impotentes, perdem seu poder de iniciativa e retiram-se da esfera pública.

Mas quando se transfere para o âmbito local a tomada de decisões e a responsabilidade pela definição de objetivos e planos de ação, então a existência de atores locais com capacidade de tomar iniciativa é condição sine qua non para o desenvolvimento.

... sob a fórmula ator local entendemos todos aqueles agentes que no campo político, econômico, social e cultural são portadores de propostas que tendem a capitalizar melhor as potencialidades locais. É fundamental nesta definição a ênfase posta em ‘capitalizar melhor’. De fato, se trata de buscar um maior aproveitamento dos recursos, porém destacando a qualidade dos processos em termos de equilíbrios naturais e sociais (Arocena, 1995: 26).

Ao se mudar o desenho das políticas públicas e priorizar as ações locais faz necessário promover ações que induzam ao desenvolvimento do potencial de iniciativa de pessoas e grupos.

A geração deste tipo de ator agente de desenvolvimento local é uma das condições decisivas para o êxito dos programas de desenvolvimento local. As políticas de formação desses agentes deveriam ocupar um lugar prioritário em todo o exercício de planificação descentralizada (Arocena, 1995: 26).

Tanto a indução à criação de espaços públicos de participação quanto as experiências de capacitação podem favorecer a geração de atores locais.

Benzer Belgeler