BÖLÜM III. BULGULAR
3.5 İncelenen Örneklerin Petrografik Özellikleri
Ao longo de nossa pesquisa, foi possível observar que, apesar do número reduzido de Aguafuertes Porteñas que tratam da relação entre o cidadão e a pampa, esta questão adquire uma significativa importância em nosso corpus, no que tange às consequências do processo de urbanização do território, sob o ponto de vista de cidadãos tão portenhos quanto Roberto Arlt acerca do seu distanciamento da pampa e do cotidiano colonial. Trataremos
desta questão nas Aguafuertes Porteñas ―Taller de compostura de muñecas‖,
―Molinos de viento en Flores‖, ―Grúas abandonadas en la Isla Maciel‖, ―Casas sin terminar‖,‖ Silla en la vereda‖, ―No era ése el sitio no‖, e ―El espíritu de la calle corrientes no cambiará con el ensanche‖.
Observamos que, nas crônicas mencionadas, o distanciamento entre o habitante portenho e suas raízes coloniais – a pampa e o cotidiano pré- urbanístico – é atribuído a dois fatores, ou seja, de o cidadão local ter presenciado a reestruturação social e física da cidade e a perda gradual de uma atmosfera colonialista que a envolvia. Em Cultura brasileira e identidade
nacional (2006), Renato Ortiz discorre sobre o impacto sofrido pela população
diante de transformações sociais que prenunciam progressos e atribui tal impacto a todo um histórico de relacionamento entre colonizador e colonizado/ parasita e parasitado, como vemos no trecho:
Dentro desta inusitada teoria biológico-social60 tem-se que as
relações entre colonizador e colonizado são apreendidas enquanto relações entre parasita e parasitado. Dois momentos
60 Referente à teoria de Manoel Bomfim em América Latina: males de origem. Rio de Janeiro:
cruciais determinam esta relação; o primeiro é relativo a um período de expansão agressiva, o segundo a uma fase de fixação sedentária. (...) A metrópole ―suga‖ as colônias e vive parasitariamente do trabalho alheio; a introdução do trabalho escravo vai consolidar ainda mais este estado de parasitismo social (...). No entanto, na medida em que o colonizado é educado pelo colonizador, tem-se que aquele procura imitá-lo. (p. 25-26)
Na obra de Manoel Bomfim observamos que o autor dá ênfase à questão da importância do conservantismo para ambas as partes. Bomfim afirma que a manutenção da tradição garante ao colonizador uma relação de poder sobre o colonizado. Apesar de Bomfim aplicar esta teoria ao contexto social brasileiro, podemos facilmente relacionar sua teoria ao contexto portenho, que fora colonizado pela Coroa Espanhola e apresentou resistência diante do processo de modernização dos espaços urbanos em um período que compreendeu o final do século XIX e princípio do XX, como podemos ler no trecho a seguir:
O conservantismo é a falta de espírito de observação. O conservantismo decorre da posição do colonizador, que procura, custe o que custar, manter a tradição que lhe assegura o poder. Explica-se dessa forma o horror com que os brasileiros encaram todo projeto de mudança social; o apego às tradições conservadoras traduz na verdade uma dificuldade em se colocar diante do progresso social. (2006, p. 308)
Com isso, à medida que a cidade portenha ganha ares modernos e transforma-se visivelmente em uma cópia urbana parisiense, o passado colonial, o cotidiano bucólico e a presença da pampa distanciam-se do dia a dia do cidadão portenho. A partir desse distanciamento, emerge em algumas
crônicas arltianas um sentimento nostálgico – um apego às tradições
Observamos a presença deste caráter nostálgico nas crônicas portenhas ―Taller de compostura de muñecas‖, ―Molinos de viento en Flores‖, ―Grúas
abandonadas en la Isla Maciel‖, ―Casas sin terminar‖, ―Silla en la vereda‖, ―No
era ése el sitio no‖, e ―El espíritu de la calle corrientes no cambiará con el
ensanche‖. Em ―Taller de compostura de muñecas‖, ao caminhar pela rua
Talcahuano, o flanêur Roberto Arlt descreve um estabelecimento comercial de
conserto de bonecas, considerado obsoleto – ou melhor, um tipo de comércio
relevante em anos anteriores ao da composição da crônica – e que
acreditamos que para Arlt representa um símbolo, ainda que decadente, de uma era colonial da qual muitos portenhos resistiam em aceitar gradualmente a presença de elementos modernos no cotidiano do cidadão portenho.
Esta mañana pasando por la calle Talcahuano, tras del polvoriento vidrio de una ventana, lúgubre y color de sebo, vi colgada de un alambre y por el pulso, una muñeca. Tenía pelo de barba de choclo, y ojos bizcos. Tan siniestra era la catadura de la tal muñeca que me detuve un instante a contemplarla. (p. 9)
Em ―Molinos de viento en Flores‖, Roberto Arlt expressa seu lado nostálgico em relação ao período de pré-modernização do território e aos hábitos da população do século XIX. Vale ressaltar que o cronista, ao exaltar os costumes populacionais do mencionado período, o faz remetendo a uma fase de inocência, pureza e exageros dos cidadãos portenhos. Exemplificando, temos:
La gente vivía otra vida más interesante que la actual. Quiero decir con ello que eran menos egoístas, menos cínicos, menos implacables. Justo o equivocado, se tenía de la vida y de sus desdoblamientos un criterio mas ilusorio, mas romántico. Se creía en el amor. Las muchachas lloraban cantando "La loca del Boqueló". La tuberculosis era una enfermedad espantosa y
casi desconocida. Recuerdo que cuando yo tenia siete años, en mi casa solía hablarse de una tuberculosa que vivía a siete cuadras de allí, con el mismo misterio y la misma compasión con que hoy se comentaría un extraordinario caso de enfermedad interplanetaria. Se creía en la existencia del amor. (p. 14)
Simultaneamente ao sentimento de nostalgia, pureza e inocência
exemplificado na aguafuerte ―Molinos de viento en Flores‖, observamos a
presença de uma dicotomia entre valor monetário e valor afetivo da terra. Tal dicotomia apresenta-se como um veículo de discussão de caráter comparativista sobre a qualidade de vida do cidadão portenho da época de Arlt e a época colonial. Também observamos que o flanêur Arlt avalia de modo positivo o desgaste natural dos imóveis de Flores, traçando um paralelo entre as marcas do tempo de um imóvel e uma paisagem natural – um patrimônio belo e valorizado, apesar do aspecto antigo, como vemos no trecho:
La tierra entonces no valía nada. Y si valía, el dinero carecía de importancia. La gente disponía para sus caballos del espacio que hoy compra una compañía para fabricar un barrio de casas baratas. La prueba esta en Rivadavia entre Caballito y Donato Álvarez. Aún se ven enormes restos de quintas. Casas que están como implorando en su bella vejez que no las tiren abajo. (p. 13)
Nesse trecho, podemos averiguar a posição crítica de Roberto Arlt quanto à valorização dos imóveis e uma problematização do termo valor, que pode ser compreendido como valor comercial e valor referente à qualidade de vida local. Na crônica ―Molinos de viento en Flores‖, o bairro tem suas terras valorizadas comercialmente, devido à demanda imobiliária e à conseqüente erradicação das áreas naturais, gerando uma certa desvalorização. Esta desvalorização deve-se ao fato de os habitantes, além de perderem seu
contato direto com a natureza e terem sua qualidade de vida comprometida, ainda sofrem pela perda de seu ―patrimônio‖ local, com a cessão do espaço físico das antigas quintas e pampas próximas à cidade para a composição de um novo cenário urbano, composto de edifícios e numerosos estabelecimentos comerciais.
Ao mencionarmos o termo paisagem natural, acreditamos que Arlt reconhece nessas ―ruínas‖ uma espécie de beleza ou paisagística natural e
acredita que seja possível reviver, através dessas ―ruínas‖ um passado
agradável e adequar-se aos novos tempos. Na crônica ―Grúas abandonadas en la Isla Maciel‖, Arlt retrata uma tentativa anterior de inserir o progresso à chamada Isla Maciel. Entendemos que nesse local realmente houve sinais iminentes de progresso devido à presença das gruas abandonadas; no entanto Arlt expressa nessa aguafuerte seu lamento pelo não prosseguimento de ações de caráter modernizatório, devido ao abandono e à situação do local na época da composição da crônica. Vejamos:
La Isla Maciel es rica en espectáculos brutales. En ella no se puede deslindar, por momentos, dónde termina el cañaveral y empieza la ciudad. Tiene calles terribles, dignas de la cinematografía o la novela. Calles de fango negro, con puentecitos que cruzan de casa en casa. Los perros, en fila india, cruzan estos puentes para divertirse, y es regocijante verlos avanzar un metro y retroceder cincuenta centímetros. Hay calles a lo largo de sauzales, más misteriosas que refugio de pistoleros, y un tranvía amarillo ocre pone sobre el fondo ondulado de chapa de zinc de las casas de dos pisos, su movediza sombra de progreso. (...) Pero el espectáculo que más llama la atención al entrar en la isla, a pocos metros del puente del Riachuelo, es una guardia de veinte gigantes de acero, muertos, amenazando el cielo con los brazos enredados de cadenas, abandonados quizá hasta la oxidación. (p. 33)
Notamos que sob o olhar de Roberto Arlt, a paisagística ―natural‖ que compõe o lado portenho de Buenos Aires também inclui as gruas oxidadas da Isla Maciel devido à sua longa permanência nesse local, já fazendo parte do cenário natural portenho. No trecho abaixo, observamos a insatisfação de Arlt quanto ao abandono do local, sua associação a um reduto de cidadãos marginalizados, a quantidade de materiais metálicos oxidados, que, de certa forma, acrescentam à paisagem natural um aspecto mórbido e sombrio:
Son veinte grúas que hace algunos años trabajaban frente a la costa de la Capital. Un día, resultó que el frigorífco hizo nuevas instalaciones, que las convirtieron en superfuas, y que desde entonces no han vuelto a moverse sus poderosos brazos de acero, cosidos por largas flas de remaches.
Y es extraordinario ver estos mecanismos abandonados, enflados en los rieles de la orilla, y enrejando el cielo de azul cobalto con sus brazos en V, oblicuos y detenidos en la misma dirección. (...). Y nada más sombrío que este pajarito revoloteando entre hierros inútiles, tirantes de hierro mordidos por la oxidación. Él da la sensación definitiva de que esas toneladas de acero y de fuerza están muertas para siempre. (p. 34)
Ainda em ―Grúas abandonadas en la isla Maciel‖, destacamos outra passagem da crônica em que Arlt descreve o cenário local repleto de máquinas abandonadas:
Numerosas tablas del piso han desaparecido, y las que quedan blanquean como osamentas de dromedarios en el desierto, y por estos huecos, que dejan escapar un viento áspero, se escucha como chasquea el agua morena. Retorcidos y rojizos quedan, de lo que fue, los clavos de cabeza cuadrada y matas de pasto verde. Y por donde se mira en torno de esas veinte grúas, enfladas como condenados a muerte, o patíbulos, no se contempla otra realidad que la paralización de la vida. En los carriles, las ruedas parecen petrificadas sobre sus ejes; bajo las bóvedas de sus cuerpos piramidales han construido refugio los desocupados y los vagos, y secándose al sol, colgadas de sogas, se mueven las ropas recientemente lavadas. (p. 35)
Nessa crônica são notórias as expressões de ceticismo, nostalgia e de descrença de Roberto Arlt em relação ao progresso que invade a pólis e a qualidade de vida dos habitantes portenhos da época. O término dessa crônica ilustra de modo bastante claro a posição do autor, além de fazer uma alusão ao conto de Julio Cortázar, A casa tomada:
¡También la gente está como para romanticismo! Allí, la vara de tierra cuesta cien pesos. Antes costaba cinco y se vivía más feliz. Pero nos queda el orgullo de haber progresado, eso sí, pero la felicidad no existe. Se la llevó el diablo. (p. 14)
Em ―Casas sin terminar‖ a paisagística natural segue a mesma linha da crônica ―Molinos de viento en Flores‖, ao retratar a sensação de mistério, a atmosfera sombria de lugares abandonados, as obras inacabadas e as consequências de um processo modernizatório. No entanto, nessa crônica vemos que Arlt enfatiza a questão da falta de recursos financeiros que implica diretamente na qualidade de vida da população portenha, pois, na verdade, tais casas não estão abandonadas; lamentavelmente são exemplos das condições precárias nas quais vive uma grande parte da população local.
Que sensación de misterio y catástrofe inesperada dan esas construcciones no terminadas, donde, sobre los muros a desnivel, se levantan los marcos ennegrecidos por la intemperie y las aberturas exteriores tapadas por chapas de zinc, donde el viento chasquea siniestramente en las noches de invierno (...)Todo es singular en la casa interminada. Los muros se levantan desolados, la tierra hace montecillos en los interiores de las habitaciones destechadas; un montón de mezcla se ha solidificado lentamente, el pozo de la cal ha dejado aparecer entre las escoriaciones de la superficie una mata de pasto, las arañas improvisan su albergue en los rincones, y un trapo podrido, seco, negro, cuelga de algún clavo; y todo esta como si la tarea de edificación hubiera sido interrumpida inesperadamente por un fenómeno cósmico, por algo superior a las fuerzas del hombre. Si, esa es exactamente la impresión que suscita. Y la gente que pasa no puede menos
que volver la cabeza y mirar, intrigada, los muros interminados, rojos; el fondo oscuro de una medianera cerrando un triangulo y los recovecos desnudos, ásperos, como si los hubiera lamido el calor de un terremoto, mientras los ciempiés corren por las chapas de zinc agujereadas. (…) Y es que esa casa, sin techos, sin puertas, sin reboque, es el exponente de un fracaso de ilusiones, la demostración más evidente de que su dueño fue sorprendido por algo terrible cuando menos lo esperaba. (p.62-63)
Notamos que, para o cronista, a atmosfera de mistério que envolve essas construções contribui para a formação de uma paisagística natural no imaginário coletivo portenho. No que tange ao aspecto sombrio desses lares, observamos que é ignorado o fato de ali viverem cidadãos comuns, honestos. Ao serem julgadas pelo caráter visual, no imaginário coletivo associa-se nesse ambiente a permanência de corpos marginalizados socialmente, como ladrões, assassinos, e outros:
Em ―El próximo adoquinado‖ vemos a opinião arltiana a respeito do processo modernizatório e do crescimento citadino desordenado – questão não prevista no projeto que visava à remodelação urbana:
Así se levantaron barrios y más barrios. Si no, vaya por Villa Ortúzar, por Villa del Parque (todo barrial y nada de parque, por Villa Luro. Calles y más calles sin adoquinar). Usted camina ratos largos sin divisar el salvador adoquín. Hay casas que han envejecido. Chicos que se hicieron grandes allí. No importa. La Municipalidad o el gobierno o el diablo se olvidaron de que en las casas vivían cristianos y cuando llueve se la regalo. Hay que entrar con zancos o con un hidroavión, pues de otra manera no hay caso de comunicarse con los vivientes. (...) El adoquinado es una especie de salvación para esta gente. Es la civilización, el progreso acercando la ciudad a la pampa disfrazada de ciudad, que es nuestra urbe. (p. 81-82)
Na crônica ―Silla en la vereda‖, o olhar arltiano sobre a paisagística natural revela-se de modo bastante diferenciado se comparado às crônicas até
aqui mencionadas. Nesta, observamos o retorno do olhar nostálgico de um passado com raízes coloniais e composto por cidadãos alheios ao franco processo de modernização e urbanização das cidades pelos quais os cidadãos portenhos testemunham na época da composição das crônicas arltianas, porém sem o comprometimento de inserção nesse processo:
Llegaron las noches de las sillas en la vereda; de las familias estancadas en las puertas de sus casas; llegaron las noches del amor sentimental del "buenas noches, vecina", el político e insinuante "¿cómo le va, don Pascual?" Y don Pascual sonríe y se atusa los "baffi", que bien sabe por qué el mocito le pregunta cómo le va. Llegaron las noches. (p.65-66)
Podemos afirmar que literalmente estes cidadãos assistem ao espetáculo da transformação citadina como espectadores, e não como participantes involuntários de todo este processo:
Este es el barrio porteño, barrio profundamente nuestro; barrio que todos, reos o inteligentes llevamos metido en el tuétano como una brujería de encanto que no muere, que no morirá jamás. (...) Silla cordial de la puerta de calle, de la vereda; silla de amistad, silla donde se consolida un prestigio de urbanidad ciudadana; (...) Bajo un techo de estrellas, diez de la noche, la silla del barrio porteño afirma una modalidad ciudadana. (p. 65-66)
Em ―No era ése el sitio no‖, Roberto Arlt discorre sobre outro ponto da paisagem natural portenha – a estátua de Florencio Sánchez entre as ruas Garay e Chiclana. Ao longo desta crônica, Arlt se refere à homenagem ao escritor e emite sua opinião acerca de outros pontos urbanos que também
compõem a paisagística natural da capital argentina e que melhor acolheriam a estátua:
Hoy, pasando por Garay y Chiclana, he visto la estatua de Florencio Sánchez... Unos perros se husmeaban mutuamente al pie del zócalo, y la desolación del cielo agriamente azul sobre la melenuda cabeza del escritor, se sumaba a la tragedia descolorida de un cartelón amarillo del Ejército de Salvación. Y mirando en torno, las humildes casitas de una planta, con cocinita delantera, me impregnaba de tristeza proletaria. Me dije:
—No; no era ése el sitio, no.
Si el alma vive y conserva sus facultades de discernimiento después de la muerte, se me ocurre que al alma de Florencio Sánchez le hubiera gustado que su estatua la pusieran en la calle Corrientes. En cualquier esquina, frente a algún café. Sí, a él le hubiera gustado allí. (p. 82-83)
A partir deste eixo temático, Roberto Arlt segue descrevendo as paisagens urbanas que fazem parte da dinâmica natural da cidade e dá ênfase aos hábitos cotidianos dos habitantes locais, como o costume de frequentar cafés, bares, estabelecimentos comerciais e outros que seguem o estilo parisiense. Em suma, o cronista exalta as belezas urbanas, as incorpora à paisagem natural da cidade e afirma que, no real ambiente urbano portenho, Florencio Sánchez no hubiera estado solo, se tivesse como ―companhia‖ tais elementos, como vemos no trecho:
Para que lo contemplen todas las aprendizas de bataclanas, para que su metal y su espíritu se impregnen del perfume de las hetairas que pasan, y para que lo observaran con amabilidad de viejos amigos las actrices que a la una de la madrugada van a tomar un chocolate en cualquiera de los mil cafés que decoran la calle.
Y se me ocurre que el trágico Florencio Sánchez de Riganelli hubiera terminado de sonreír.
Sí... hubiera sonreído al amanecer, cuando el sol alumbra las cornisas de los rascanubes y la calle, repleta de sombras azules y cajones de basura, ostenta mozos que con delantal
de carpintero barren los zaguanes y friegan los mármoles de las ―botiglierías‖.
Hubiera sonreído cuando, a las once de la mañana, salen las muchachas de las ―maisones‖, y las trasnochadoras, con ojos todavía hinchados de sueño, asoman a los balcones de sus departamentos para ―ver cómo se presenta el día‖.
Y Florencio Sánchez no hubiera estado solo. (p. 83)
Na mesma crônica, além dos elementos mencionados no parágrafo anterior, Roberto Arlt ressalta como companhias ideais para a estátua de Florencio Sánchez - um escritor tão amante da pólis portenha quanto Roberto
Arlt – o tráfego da Calle Corrientes, as mulheres e os jovens que circulam pela
cidade. Ao acrescentar em sua crônica elementos que geralmente consideramos urbanos como monumentos, ruas agitadas, carros, espaços barulhentos e outros, consideramos que Arlt o faz acreditando que tais marcos