O ensino técnico atualmente apresenta como parâmetro a adequada compreensão do papel das potencialidades da educação profissional e tecnológica e, pressupõe a aquisição do conhecimento tecnológico como princípio e objetivo para o desenvolvimento socioeconômico do país, e a diminuição das desigualdades sociais com a implementação da inclusão de jovens e adultos no mundo do trabalho. Nesse sentido, a Lei 9.394, no capítulo III, Da Educação Profissional; tem como fundamentação em seu artigo 39 – A educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, a ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. Ações, regulamentadas pelo Decreto nº 5.154 de 23 de julho de 2004, por meio de cursos e programas de: I – formação inicial e continuada de trabalhadores; II – educação profissional técnica de nível médio; e III – educação profissional tecnológica de graduação e de pós- graduação.
O Parecer do Conselho Nacional de Educação e Conselho de Educação Básica / CNE/CEB – nº 16/99 que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico, no item II, diz que: a educação para o trabalho não tem sido tradicionalmente colocada na pauta da sociedade brasileira como universal. O não entendimento da abrangência da educação profissional na ótica do direito à educação e ao trabalho, associando- a unicamente a “formação de mão-de-obra”, tem reproduzido o dualismo existente na sociedade brasileira, entre as “elites condutoras” e a maioria da população, levando, inclusive, a considerar o ensino normal e a educação superior como não tendo nenhuma relação com a educação profissional. Ou seja, a educação profissional historicamente sempre se evidenciou a classe social menos favorecida traduzindo-se no aprender a fazer, no esforço manual e físico, distinguindo-se do ensino secundário e superior, destinados as elites.
Para assegurar a efetividade desse direito, a Constituição Federal de 1988 através do Art. 218 incumbe, ao Poder público no Capítulo IV, Da Ciência e Tecnologia, promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas, apoiado nos parágrafos de 1 a 5, tendo em vista o
bem público e o progresso das ciências, com a pesquisa voltada para o desenvolvimento do sistema produtivo nacional; a formação de recursos humanos nas áreas da ciência, pesquisa e tecnologia e, o apoio e estímulo a empresas no investimento a criação de tecnologias adequadas ao País, a formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos, facultando aos estados e ao Distrito Federal vincularem receitas orçamentárias de fomento ao ensino e a pesquisa científica e tecnologia.
É relevante tomar como referência, os princípios da Educação Profissional regidos por um conjunto que incluem o da sua articulação com o ensino médio e os comuns, referentes aos valores estéticos, políticos e éticos, além, dos princípios que definem sua identidade e especificidade e, se referem ao desenvolvimento de competências para a laboralidade, à flexibilidade, a interdisciplinaridade e a contextualização da organização curricular, a identidade do perfil profissional, e outros como a autonomia da instituição em seu projeto político pedagógico.
No que diz respeito aos valores estético, político e ético, é necessário, antes, ter ou rever, o sentido tradicional de expressão ou produto da linguagem. Por exemplo, a palavra “Arte”, diz respeito ao ser humano, à prática social. A estética, sinônimo de sensibilidade, qualifica o ser humano a medida em que afirma que a prática deve ser sensível a determinados valores e está em consonância com o surgimento de um novo paradigma no mundo do trabalho, que se contrapõe àquele caracterizado como industrial, operário, assalariado e outros adjetivos considerados desqualificantes.
Quanto aos valores políticos está direcionado a política de igualdade que é a contribuição da educação escolar em todos os níveis e modalidades para a universalização dos direitos básicos e da cidadania que se situam no conjunto do direito à educação e do direito ao trabalho. Tratando-se dos princípios éticos a educação profissional está pautada na ética da identidade que será o coroamento de um processo de permanente prática de valores inspirados na estética da sensibilidade, cujo principal objetivo é a constituição de competências que possibilite ao trabalhador ter maior autonomia e gerenciar sua vida profissional a fim de poder criar, recriar e resolver problemas
relacionados ao seu convívio em sociedade, seja no trabalho, no lazer, na educação ou, na economia do Estado.
Vale ressaltar que falar em educação num País como o Brasil é adentrar numa complexidade em que os mais renomados educadores têm encontrado inúmeras dificuldades para fazê-la, face aos imprevistos causados pelo próprio sistema educacional, aos quais, não nos consideramos idôneos para enumerá- los nem criticá-los. Porém, se percebe não bastar programas metodológicos com atitudes consideradas corretas se não houver a inserção de valores sociais e sistematização de um conjunto de ações que envolvam disposição e atitude como: pesquisar, selecionar informações, analisar, sintetizar, argumentar e cooperar de forma a possibilitar o usufruto dos quatro pilares que fundamentam a educação, mas para concretização de tudo isso é necessário à leitura e a escrita num processo de ação contínua ao exercício da cidadania.
O Ensino Técnico e/ou educação profissional no país seja ele público ou particular é regido pelos princípios do artigo 205 e 227 da Constituição Brasileira e norteada pelos artigos 39 a 42 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, regulamentada pelo Decreto 5.154, de 23 de julho de 2004 e parecer 16/99, item 4, da educação profissional. Vale ressaltar o que evidencia este último:
A educação profissional, na LDB, não substitui a educação básica e nem com ela concorre. A valorização de uma não representa a negação da importância da outra. A melhoria da qualidade da educação profissional pressupõe uma educação básica de qualidade e constitui condição indispensável para o êxito num mundo pautado pela competição, inovação tecnológica e crescentes exigências de qualidade, produtividade e conhecimento. BRASIL.(1999)
O estabelecido no texto acima, faz lembrar que as crescentes exigências de qualidade, produtividade e conhecimento estão sob a égide do aprender a aprender e do saber fazer, e isto está intrínseco, na ação de ler e escrever, à construção e compreensão de textos como atividade essencial para o crescimento intelectual, profissional e social do indivíduo, que ao ser instigado a pensar, se torna capaz de produzir e gerir suas atividades sociais,
profissionais e econômicas. Quanto a não substituição de uma pela outra, ou concorrência, a LDB 9.394/96 possibilita a efetivação dessa condição através de seu artigo 3º, inciso I, os princípios do ensino é garantir a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. Portanto, garantir formas de aprendizado e ensino que motivem e facilitem a aquisição de conhecimentos a um resultado satisfatório sem distinção de classe, e permitir continuidade aos estudos, o que está contemplado na LDB, tanto no Art. 22º, como no Art. 35º, inciso I.