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ÖN İNCELEME DURUŞMASI a) Duruşmaya Davet

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YARGILAMA MODELİNDE ÖN İNCELEME SAFHASI A) GENEL OLARAK HMK’ DA ÖN İNCELEME

B) ÖN İNCELEME ve YAPILIŞ ŞEKLİ a) Genel Olarak

2- ÖN İNCELEME DURUŞMASI a) Duruşmaya Davet

Segundo Osório (2004, p. 280) a tendência do Rio de Janeiro em ser um espaço de articulação nacional, se calca, inicialmente, pelo fato de ser o principal porto brasileiro e centro militar e, posteriormente, de ser a Capital da República e centro cultural, político e econômico41. Tal condição permitiu à cidade atrair e gerar investimentos no correr de todo século XX, entre 1920/1960 em médias de crescimento econômico próximas da nacional. A partir de 1960, no entanto, há uma inversão dessa

41 Até o início do século XX o Rio de Janeiro possuía não só o maior Produto Interno Bruto (PIB) do país como também o maior parque industrial. É somente a partir dos dados do censo de 1919 a constatação que o estado de São Paulo passa a liderar o processo de crescimento econômico brasileiro (OSÓRIO, 2004, p. 16).

tendência e a dinâmica econômica42 não se sustenta mais nos mesmos níveis. Porém, a percepção do retrocesso somente ocorreu muito tempo depois mascarada pelo fato da transferência da Capital, iniciada em 1960, acelerar-se somente a partir da década de 1970 e pelo dinamismo apresentado pela economia brasileira, no período 1968/1980 com taxas de crescimento anual da economia acima da média histórica brasileira do século XX. Merece registro também a continuidade dos investimentos federais nos anos 1960 através da criação de organizações como a Embratel e o BNH em território carioca (LESSA, 2000, apud OSÓRIO, 2004, p. 107). Contudo, a variação do PIB na região do atual estado do Rio de Janeiro demonstra que nas décadas de 1970, 1980 e 1990 foi significativamente menor que as existentes em todas as demais unidades federativas (IBGE, 1990), a despeito da estagnação e crise econômico-fiscal a partir dos anos 1980 ter atingido todo território brasileiro.

Enfim, a história do desenvolvimento capitalista regional brasileiro sustenta que o estado do Rio de Janeiro, inclusive a sua Capital, vivenciava uma crise específica de longa duração. As razões não cabem aqui explicar, mas ressaltar que não está entre elas a diminuição do fluxo de recursos federais, conforme o estudo de Osório (2004, p. 289) procura demonstrar.

É a sensação de crise, no caso carioca bastante real, o elemento facilitador e condicional para construção de um projeto de grande transformação urbana (GPDU), segundo as circunstâncias já enunciadas na seção referente ao espaço urbano (CASTELLS e BORJA, 1996, p. 156).

Outro elemento a ser destacado é o processo evolutivo político carioca. Desde a instauração da República procura-se evitar a existência de jogo político local na Capital ao nomear-se o Prefeito pelo primeiro mandatário do pais e subordiná-lo ao Senado Federal43. A intenção desse arranjo institucional era a tentativa de se neutralizar o debate político local. Lessa (2000, pp. 187 e 188, apud OSÓRIO, 2004, p. 92) descreve assim o designo formulado: “O Rio seria o „fórum asséptico‟, guardião e

42 Sem querer aprofundar as razões do enfraquecimento econômico carioca deve-se ressaltar que historicamente as indústrias de ponta de bens de consumo durável se concentraram em São Paulo (QUEIROZ, 1996, p. 168).

depositário do pacto oligárquico, o lugar de construção do marco zero da República e a moldura para dignificar a Presidência”.

Tal tentativa, evidentemente frustrada, mas com consequências na formatação do processo político é carregada de ambiguidade que Motta (2000, p. 14, apud Osório, 2004, p. 113) explica melhor:

Como resultado desse desenho político e institucional, que transformou a Capital republicana em espaço de representação ao mesmo tempo do nacional e do local, seu campo político se constituiu

com uma dupla face. Na „frente‟, encontravam-se as atribuições de

uma cidade-Capital, a qual na condição de agente da centralização e de baluarte da unidade nacional, deveria se manter distante do localismo, do caciquismo e do provincianismo. No „verso‟, como decorrência da politização local, pontuada por disputas entre as várias esferas do poder, localizavam-se as práticas políticas baseadas em relações de interdependência pessoal e sustentadas por redes clientelistas de bases locais.

Essa dicotomia local/nacional dificultou a articulação entre as elites políticas e econômicas para consolidação de um projeto capaz de alavancar um processo capitalista de crescimento econômico de longo prazo para a cidade do Rio de Janeiro.

Fernandes (2008, p. 112) também evidencia a complexidade do Rio de Janeiro em encontrar um denominador comum e observa que:

… a cidade viveu sob a lâmina da autonomia e da intervenção. Além

disso, as instituições públicas, como o Conselho da Cidade, toda vez que havia uma intervenção ou que novamente se concedia autonomia à prefeitura (tutelada ou não), eram desmanteladas ou reestruturadas.

Este mesmo paradoxo aparece… na história da cidade do Rio de

Janeiro, quando a cidade perde o status de capital do Brasil, vira cidade Estado e, por fim, com a fusão, se torna capital do Estado do Rio de Janeiro. Mesmo passando por todo este processo, o Rio de Janeiro ainda guarda seus anseios cosmopolitas, e por muito tempo

“chorou” a perda da capital para Brasília… (A Viúva da Capital). Não se encontra aqui outro elemento necessário à elaboração do planejamento estratégico – o consenso. Com efeito, a superação do desarranjo político foi o desafio enfrentado na década de 1990.

Por outro lado, a prevalência da lógica política nacional nos debates e discussões reforçou o caráter cosmopolita e desprezo ao provincianismo do carioca.

Queiroz Ribeiro (1996, p. 168) lembra que esse sentimento faz parte de um desejo antigo e na virada para o século XX foi exemplar:

… onde para atrair a atenção internacional foi necessário mostrar ao

mundo que a era da cidade-doença já tinha sido superada. Para tanto, sob a batuta de Pereira Passos, o „Prefeito de punho‟, as elites da cidade, com apoio do governo federal, realizam um programa de reforma urbana cuja essência foi a construção da cenografia que serviu de quadro e emblema da internacionalização do Rio de Janeiro. Enquanto isto, as camadas populares deslocadas do centro da cidade subiam os morros ou buscavam os longínquos e desprovidos subúrbios, onde continuavam a prevalecer precárias condições de

vida. Mas naqueles „tempos eufóricos de reforma‟, as novas elites

urbanas, criadas com a passagem da economia escravista-exportadora para a economia especulativa-urbana, olhavam a cidade e seu povo com o olhar de estrangeiro. Sem a alteridade interna, buscavam construir os símbolos da sua identidade de classe pela identificação com as elites cosmopolitas das cidades européias. O povo e as condições de vida não importavam, a não ser como expressão da resistência da tradição ao necessário projeto de inclusão do Rio na nova ordem urbana, internacional e civilizada.

Se o leitor encontrou semelhanças entre o processo de 100 anos atrás com o protagonizado do final da década de 1990 até hoje não é mera coincidência. O mesmo autor (1996, p. 168) percebe, com curiosidade e ironia, o paralelo entre os condicionantes e objetivos dos dois movimentos separados pelo tempo, mas ocorridos na mesma cidade:

As elites cariocas buscam preparar a cidade do Rio de Janeiro para

„entrar na nova era da competitividade‟, reorientando os investimentos

para aqueles pontos da infraestrutura econômica que ofereçam vantagens comparativas às frações do capital mundial e construindo uma política de imagens que pretende mostrar ao mundo dos analistas riscos que já passou a era da cidade-problema, da cidade-violência, da cidade-degradação ambiental. Entramos agora no ciclo da cidade- negócio.

Neste mesmo diapasão cabe assinalar que o processo histórico da transformação urbana do Rio de Janeiro é marcado pela atuação do Estado em favor das classes dominantes. A partir da vinda da família real há 200 anos o Estado interveio na cidade com o objetivo de abastecer a mais alta classe de suas necessidades materiais e favorecer o desempenho das atividades econômicas. Até hoje, a ação estatal contribui para a estratificação espacial baseada na dicotomia núcleo/periferia, zona sul/norte, rico/pobre. Várias medidas foram e são tomadas norteadas por essa divisão no sentido de garantir a permanência dessa desigualdade social. O nível de provimento dos

serviços ofertados pelo poder público sinaliza o status do bairro ou comunidade. As legislações favoráveis ao mercado imobiliário associado a uma supervalorização da terra foram e são mecanismos de segregação territorial, formam barreiras intransponíveis para o aproveitamento das áreas mais dotadas de infraestrutura urbana pela população de baixa renda (ABREU, 2006).

É sobre esse histórico de carências e favorecimentos em desarmonia social que os condicionantes da cidade global se erguem na realidade carioca. Dois elementos pretéritos a favorecem: a existência de uma crise específica da cidade do Rio de Janeiro por razões além dos aspectos macroeconômicos, ou seja, percebida e entendida como própria da cidade e de uma vontade de ser inserida no circuito das cidades consideradas de primeira linha há muito entranhada nas elites cariocas.

Se for verdade que a caminhada do Rio para a realização dos Jogos Pan- americanos de 2007 passa pela busca dos parâmetros da cidade global, o primeiro passo então é elaborar um plano estratégico na linha dos Grandes Projetos de Desenvolvimento Urbano (GPDU).

Benzer Belgeler