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6.2. ÖNERİLEN MODEL

6.2.3. İnce-ayar (Fine-tuning)

Os parâmetros para se produzir uma análise semântica dos demonstrativos ainda não estão muito bem definidos e variam segundo os objetivos cada pesquisador, como se viu na seção anterior. Nomenclaturas diversas, por exemplo, são utilizadas para se referir a uma mesma categoria ou fenômeno. Busca-se, portanto, a partir das indicações de categorias de análise semântico-referencial presentes nos vários trabalhos consultados, estabelecer a sistematização das que seriam mais pertinentes para os objetivos deste estudo.

Uma primeira divisão importante é a empregada por Halliday e Hassan (1976), os quais cunham os termos endófora e exófora, estabelecendo a separação entre a análise dos fenômenos dêiticos que se remetem, respectivamente, às referências internas ao conteúdo linguístico textual e às referências ao contexto situacional do discurso. Esta terminologia é importante para se substituir e evitar a confusão entre o significado dos termos anáfora e dêixis, também usados para se remeter a esses dois tipos de referência. O termo anáfora é comumente empregado tanto para se nomear a classe de referências endofóricas em geral, em que se incluem, por exemplo, a própria anáfora e também a catáfora, quanto para se nomear a referência feita apenas a um elemento textual anterior; enquanto isso, dêixis pode ser empregado tanto para se aludir apenas às referências exofóricas, quanto para se remeter a um processo mais amplo de mostração, que inclui a endófora e a exófora. Assim, neste trabalho, os termos anáfora e dêixis serão utilizados sempre com os segundos valores apresentados de cada um, sendo os primeiros nomeados seguindo a proposta de Halliday e Hassan (1976), que se acabou de apresentar.

A seguir, estão expostas as categorias de classificação dos demonstrativos que serão usadas neste trabalho, exemplos13 de uso e suas definições, especialmente baseadas nos trabalhos de González Álvarez (2006) e de Cambraia (2012). Foram identificadas cinco categorias principais e suas respectivas subcategorias, para se classificar os tipos de referenciação com os demonstrativos no PB e no EM, como se vê a seguir:

A Referência Endofórica, através da anáfora clara14 e da catáfora, aponta para um referente que se encontra no próprio discurso, respectivamente, anterior ou posteriormente, como nos exemplos (1) e (2), abaixo. Há também a ana-catáfora, em que o referente pode ser encontrado simultaneamente antes e depois, no contexto linguístico, como no exemplo (3). Já a chamada anáfora escura15 remete não a um elemento específico, mas a um evento, a uma sequência de eventos ou uma proposição de um segmento discursivo adjacente, de forma resumida, como no exemplo (4).

(1) “En Lógica Mayor se estudiaba la capacidad que tenga el entendimiento para conocer; o sea, lo que se llama el problema crítico. Ése es el... eje –digamos– de la Lógica Mayor. Este problema crítico no tenía sentido... sino hasta que vinieron los modernos, a negar la capacidad del entendimiento humano para pensar”. (GONZÁLEZ ÁLVAREZ, 2006 p.49)

(2) “Relativamente, no. Ya cuarenta años, yo creo. En cambio, este otro, Badura Skoda, tiene cuarenta y tres, y éste yo creo que no llega a los cuarenta”. (GONZÁLEZ ÁLVAREZ, 2006 p.93) (3) “Pero hay muchas mujeres también vestidas todavía como de... a la antigua, como... este... a mí

me impresionaban mucho esas mujeres: unas mujeres tapadas hasta acá.” (GONZÁLEZ ÁLVAREZ, 2006 p.114)

(4) “Trabajaba en la colonia española, con este motivo... pues tenía varias amistades.” (GONZÁLEZ ÁLVAREZ, 2006 p.70)

13 cf. seção 5.4 para exemplos dos valores referenciais coletados no corpus deste trabalho. Por ora, serão

apresentados apenas exemplos extraídos de trabalhos anteriores.

14 A anáfora clara também é chamada simplesmente de anáfora (BÜHLER, 1934), de dêixis reflexiva ou

fórica (MACÍAS VILLALOBOS, 1997), de mostração de ausência (LAMIQUIZ, 1967; MACÍAS VILLALOBOS, 1997), de dêixis contextual ou fórica (CARBONERO CANO, 1979), de função dêitico- anafórica (CID, COSTA & OLIVEIRA, 1986) e de uso de rastreamento (HIMMELMANN, 1996).

15 A anáfora escura também é chamada de uso dêitico-discursivo (HIMMELMANN, 1996 e RAMALHO,

A Referência Exofórica16envolve um ponto de vista sobre um centro dêitico no contexto de produção do discurso, estabelecendo um referente no universo discursivo. É utilizada com um valor presencial, para se referir a um ente presente no local da narrativa, como no exemplo (5); com um valor metalinguístico, para realizar auto- referência ao próprio texto ou discurso produzido, como no exemplo (6); e com um valor temporal ou espacial, para indicar o momento ou o lugar da produção discursiva, como nos exemplos (7) e (8).

(5) “Le entregó el vaso y volvió a hacer girar el globo de los cielos, a leer los nombres lupus, crater, sagittarius, piscis, horologium, argo navis, libra, serpens. Lo hizo girar, dejando que su dedo rozara la esfera, tocara las frías, lejanas estrellas.

- ¿ Qué haces? - Miro el mundo este.” (RAMALHO, 2012 p.83)

(6) “Neste parágrafo, abordaremos questões essenciais ao estudo do genoma.” (MARINE, 2009 p.34)

(7) “Sí, bueno, este año yo creo que ya las inversiones desde, de los industriales priváos ya no... no se van a cristalizar. Pero el próximo año, pienso de que... las cosas tienen que cambiar.” (SILVA, 2013 p.81)

(8) “Yo desde antes ya estaba pensando en derecho, después vinimos a este local a derecho, y después con el terremoto tuvimos que irnos a Pando, porque este se quedó quedó muy mal, pes este local, ¿no?” (SILVA, 2013 p.81)

A Referência Endo-Exofórica ocorre quando a identificação do referente é feita tanto através do contexto linguístico quanto por uma mostração dêitica no contexto de enunciação, como no exemplo (9).

(9) No. Nada más a los que tenían cédula. Nada más. Entonces, este puesto, que es este que me dieron... porque lo compré... porque lo compré. Por eso es que fue mío” (BENÍTEZ ROSETE, 2011 p.50)

16 A referência exofórica também é chamada de demonstratio ad oculos (BÜHLER, 1934), mostração de

presença (LAMIQUIZ, 1967; MACÍAS VILLALOBOS, 1997), dêixis mostrativa (CARBONERO CANO, 1979), função dêitica (CID, COSTA & OLIVEIRA, 1986) e uso situacional (HIMMELMANN, 1996).

A Referência Anamnésica17 estabelece referência a entidades ou eventos de conhecimento partilhado e que não estão presentes nem no contexto linguístico, nem no universo da produção discursiva, como no exemplo (10).

(10) I:¿qué tengo que hacer? ¿por dónde tengo que empezar? ¿como tengo que empezar?¿hay E: por

I: una pregunta base?

E: pues por qué no comenzamos con tu paso por la universidad I: mh

E: y/ después tu desarrollo profesional hasta llegar a lo que haces aquí

I: bien bueno este yo ingres- ingresé a la a la facultad en el setenta y nueve más o menos entonces este bueno yo ya tenía cierta tendencia o sea este rollo de la biología desde que estaba en el, en la me tocó el CCH. (BENÍTEZ ROSETE, 2011 p.140)

A Referência Indefinida acontece quando o referente não pode ser encontrado no próprio texto, nem no ambiente da produção discursiva, nem em um conhecimento compartilhado, e tem o objetivo de apontar para quaisquer entidades não específicas, ou seja, produzir uma generalização que não inclui elementos particulares, como no exemplo (11):

(11) “me traz isso e aquilo” (CAMBRAIA, 2012 p.50)

Em suma, a análise semântica, que será realizada posteriormente no presente trabalho18, seguirá o esquema apresentado a seguir, no quadro 3, o qual mostra a organização das categorias referenciais e suas subcategorias, a serem efetivamente utilizadas na classificação dos demonstrativos encontrados no corpus:

17 A referência anamnésica também é chamada de referência pressuposicional (PAVANI, 1987), dêixis de

memória (MARINE, 2009) e de uso de reconhecimento (HIMMELMAN, 1996 e BENÍTEZ ROSETE, 2011).

Anáfora Clara

o referente é um elemento anterior ENDOFÓRICA Catáfora

referente presente o referente é um elemento posterior no contexto Ana-Catáfora

linguístico o referente é identificado anterior e posteriormente Anáfora Escura

o referente é parte de um discurso Espacial

o referente é o local em que o discurso é proferido EXOFÓRICA Metalinguística

referente presente o referente é o próprio discurso/texto

na situação Temporal

de enunciação o referente é o momento em que o discurso é proferido Pessoal

o referente está no campo de visão do falante

ENDO-EXOFÓRICA o referente está ao mesmo tempo no contexto linguístico e na situação de enunciação

ANAMNÉSICA o referente é inferido por conhecimento compartilhado INDEFINIDA o referente é um ente genérico

QUADRO 3 – Categorias de classificação semântica dos demonstrativos

C A P Í T U L O 3

O B J E T I V O S , H I P Ó T E S E S , C O R P U S E M E T O D O L O G I A

3.1 OBJETIVOS

Segundo Kabatek (2006), as estruturas linguísticas derivam de escolhas históricas que podem ser verificadas através das TDs dos textos e as particularidades dos tipos textuais podem ser identificadas através de fatores como os elementos linguísticos presentes, o seu conteúdo, a sua inserção situacional e a sua função ou finalidade comunicativa. Sendo assim, o objetivo geral da presente pesquisa é realizar a aplicação desse conceito, a partir da observação do comportamento dos sistemas de demonstrativos no português brasileiro e no espanhol mexicano em diferentes gêneros textuais, para a realização de um panorama histórico e comparativo do desenvolvimento das mudanças linguísticas nos sistemas de demonstrativos dessas línguas ao longo dos tempos.

Company Company (2008, p. 37) afirma que a mudança linguística não ocorreria homogeneamente nos diferentes GTs, mas sim, o seu aparecimento seria dependente das temáticas desenvolvidas em cada um desses tipos textuais. Dessa forma, um

gênero discursivo pode ser um fator condicionante tanto para o surgimento de certas inovações e quanto para a sua difusão na língua.

Levando em conta essas questões, um dos objetivos específicos pretendidos é o de se traçar um panorama diacrônico do uso do sistema de demonstrativos no

PB e no EM nos GTs notícia e romance, dos séculos XIX ao XXI, através da

classificação das ocorrências encontradas no corpus de acordo com fatores morfológicos, sintáticos e semânticos, a fim de se explicitar as semelhanças e diferenças existentes no emprego desse fenômeno linguístico em ambas as línguas.

Outro objetivo específico a ser alcançado é o de, a partir dos textos selecionados para a composição do corpus, apresentar uma visão geral sobre a evolução das

tradições discursivas dos GTs notícia e romance, ou seja, do desenvolvimento das

estruturas que os compõem e a influência exercida por essas mudanças na utilização do sistema de demonstrativos no PB e no EM.

Com a realização de ambos esses objetivos, será possível se responder às seguintes questões fundamentais propostas:

Tomando-se como base a hipótese de Kabatek (2006), de que os diversos gêneros textuais influenciam de modo diferente na aparição dos fenômenos linguísticos, e também se levando em conta que os GTs estão em constante mutação,

quais são as mudanças observáveis nas estruturas internas e no conteúdo da notícia e do romance ao longo dos tempos e o que essas alterações implicam no comportamento das ocorrências de demonstrativos nesses textos?

O PB e o EM têm em comum o fato de estarem passando por uma reorganização em seus sistemas de demonstrativos, com a implementação do binarismo na língua oral em detrimento ao sistema ternário. De que forma essas

duas línguas se aproximam ou se distanciam, com relação a essa mudança linguística, diacronicamente? Esse fenômeno também pode ser observado na modalidade escrita?

Benzer Belgeler