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As discussões realizadas ao longo deste Capítulo podem ser sintetizadas nas seguintes conclusões:

1. O poder político consiste na capacidade de o Estado, por meio de normas jurídicas e da força submetida ao direito, cumprir seu fim que é a realização do bem comum de um povo situado em um determinado território. Essa capacidade, dialeticamente, é determinada e participa da determinação da base econômica; enfrenta tendências inatas ao abuso e ao fato de estar a serviço do poder econômico, às quais deve se contrapor o controle democrático; e precisa, constantemente, se legitimar para se

manter, o que depende do atendimento simultâneo de requisitos formais e materiais, tarefa diante da qual se apresentam grandes dificuldades.

2. Controlar, democraticamente, o poder político, não significa a simples contenção do poder a fim de evitar abusos, característica do Estado Liberal que serviu aos interesses de manutenção do sistema capitalista, sem nenhuma preocupação com a democracia material, também não se refere à crença utópica de um governo direto em uma sociedade com o grau de complexidade da contemporânea. Trata-se do controle dos atos dos governantes dentro de um sistema representativo, porém no sentido forte de direcionamento do poder, de estabelecimento de metas e diretrizes mediante planos, orçamentos e políticas públicas, bem como da responsabilização daqueles a quem compete a sua execução, com o objetivo perseguido pelo Estado Democrático de Direito de implantar, plenamente, os direitos humanos e fazer justiça material.

3. As funções do Parlamento são essencialmente duas: a legislativa e a de controle. Entende-se, em primeiro lugar, que sua atuação administrativa não constitui uma função, mas somente um meio para exercê-las. Da mesma maneira, representação e legitimação não são funções do Parlamento, mas, respectivamente, o fundamento e a consequência de seu exercício. Ou seja, o Parlamento legisla e controla o poder político porque representa o povo, e pelo exercício dessas funções, legitima, democraticamente, tal poder. Quanto à função legislativa, compreende-se que ela abrange a elaboração de emendas à Constituição (pois também são normas produzidas pelo Parlamento, sendo apenas de espécie diferente). Por fim, entende-se que a função de controle abrange a orientação política do Estado (mediante a definição de objetivos e diretrizes, bem como a escolha de membros de outros órgãos), a formação de lideranças políticas e a responsabilização dos executores das políticas (o que inclui fiscalização, investigação e julgamento político de autoridades). Aliás, a própria função legislativa, de certa forma, pode ser compreendida como uma manifestação do controle do poder político exercido pelo Parlamento.

4. Não se pode compreender, dentro da perspectiva de um Estado Democrático de Direito, o controle político exercido pelo Parlamento simplesmente como contenção do poder pelo poder. Muito menos se pode reduzir tão importante papel institucional à apuração de irregularidades e punição de atos de corrupção. O papel do Parlamento, submetido ao controle popular, tal como definido no primeiro item deste capítulo, é direcionar as ações do Estado para a concretização dos direitos humanos sociais e econômicos. Para tanto, estabelecendo um permanente canal de comunicação com o povo,

o Parlamento deve estabelecer a orientação política do Governo, mesmo dentro do sistema Presidencialista, mediante a edição de normas que fixem diretrizes e metas essenciais a serem atingidas, inclusive em matéria de política econômica, a partir dos direitos e das linhas gerais previstos na Constituição. Depois disso, compete-lhe a fiscalização do cumprimento de suas orientações, tornando transparentes as ações do Executivo e submetendo-as ao debate público, de maneira que se constitua um verdadeiro espaço público para a definição democrática dos rumos do Estado. Na hipótese de não cumprimento de suas diretrizes e de não se atingirem, injustificadamente, as metas, o Parlamento deve dispor de mecanismos para aplicação de sanções e de outras medidas corretivas. Salienta-se que, em termos de políticas sociais, o Parlamento dispõe (e faz uso) de uma ampla competência legislativa. Todavia, a concretização desses direitos depende de dois fatores: a política econômica e a definição e aplicação do orçamento público. Quanto ao primeiro, o Parlamento se encontra quase que totalmente excluído. No que se refere ao orçamento público, trata-se do principal mecanismo de direcionamento das ações do governo de que o Parlamento dispõe, todavia, ele também sofre grandes limitações. Assim, os instrumentos de controle relacionados à fiscalização dos atos do Executivo pelo Parlamento constituem um mecanismo complementar à sua primeira forma de atuação que é a fixação das metas e diretrizes. Desta maneira, sem a definição da orientação política do Estado pelo Parlamento, sua atuação fiscalizadora perde grande parte de seu valor. Por outro lado, de nada adianta a clara definição das metas e diretrizes sem uma eficiente fiscalização e sem os mecanismos de correção e de sanção no caso de seu descumprimento. Em termos estruturais, a viabilização dessas funções depende, sobretudo, do fortalecimento das Comissões Permanentes.

5. Em sentido amplo, a globalização é um fenômeno que acompanha a humanidade ao longo de toda sua história. Porém, em sentido estrito, trata-se de um processo de integração sistêmica da economia no âmbito mundial, iniciado nos anos setenta e oitenta do século XX sob o impulso dos avanços tecnológicos, especialmente no campo da informática, da uniformização do padrão monetário e do avanço das políticas neoliberais, principalmente a liberalização do fluxo de mercadorias e capitais. A globalização não se viabilizou independentemente do Estado, mas como fruto de uma política para ela voltada. Como consequências fundamentais, a globalização capitalista apresenta: uma drástica redução da capacidade de intervenção do Estado em matéria econômica; concentração de poder econômico e renda; destruição ambiental; e coloca em questão o próprio sentido e o alcance da democracia representativa. Trata-se, ainda, de um

contexto histórico em que os conflitos se manifestam de maneira plural e diversificada, não se processando como conflitos de classe, e no qual se enfraquecem os vínculos de solidariedade e se fortalece o individualismo.

6. O contexto da globalização impõe drásticos limites para a atuação do

Benzer Belgeler