3. TÜRK TÜKETİCİLERİN KONAKLAMA İŞLETMESİ TERCİHLERİ VE
3.7. İnançlar
O método escolhido para realizar a pesquisa em profundidade foi o estudo de caso úni- co, instrumental (STAKE, 1998) e exploratório, que tem se mostrado eficaz, principalmente nas ciências sociais, para a compreensão de fenômenos complexos e originais da vida real
102 contemporânea provendo bases adequadas de análise assim como propicia a emergência de novas proposições (BALOGUN; JOHNSON, 2005; BITEKTINE, 2008; SELZNICK, 1966; SIGGELKOW, 2007; SOY, 1997; STAKE, 1998; YIN, 2001).
Existem críticas e limitações ao método do estudo de caso único em que ele é interpreta- do como não adequado para fazer generalizações, sendo útil apenas nos estágios preliminares de investigação (EISENHARDT, 1989; EISENHARDT; GRAEBNER, 2007), por outro lado existe ampla e crescente literatura disponível que defende seu valor e aplicação (BIRKINS- HAW; BRANNEN; TUNG, 2011; BITEKTINE, 2008; DYER; WILKINS, 1991; FLYVB- JERG, 2006; LANGLEY, 1999; POZZEBON, 2004; SIGGELKOW, 2007; STAKE, 1998).
Esta foi a opção escolhida para o desenvolvimento desta pesquisa uma vez que está po- sicionada a partir de uma visão crítica onde não existe o pressuposto da neutralidade do pes- quisador e que o conhecimento aprofundado sobre o fenômeno torna-se essencial para a teori- zação (ALVESSON; SANDBERG, 2011; ALVESSON; WILLMOT, 1992, 1996; STAKE, 1998).
De acordo com Stake (1998), a terminologia “estudo de caso” é utilizada por chamar atenção para questões particulares que podem ser aprendidas sobre um caso único. Stake (1998) propõe uma analogia entre o estudo de caso e o funcionamento de um organismo. Ele diz que o caso é um sistema limitado. Nas ciências sociais e humanas a maior parte deles tra- balha com partes e propósitos dentro de um contexto. Funcional ou não, racional ou não, o caso deve ser visto sempre como um sistema. Logo identificar os limites entre o caso e o con- texto torna-se tarefa de extrema importância, que dada à complexidade e mutabilidade cons- tantes não torna a vida do pesquisador mais simples, se impondo como um desafio constante. Desta forma, de acordo com Stake (1998) um dos maiores desafios que se enfrenta ao executar uma pesquisa utilizando o estudo de caso é permanecer atento as complexidades ine- rentes ao objeto de estudo sem desviar a atenção de suas implicações com o ambiente ao qual pertence e das transformações constantes que se operam nesta interação.
Stake (1998) identifica dois tipos de estudo de caso únicos. O estudo de caso intrínseco e o estudo de caso instrumental. Ele aponta que o estudo de caso será intrínseco se o estudo é realizado porque o interesse maior é um caso particular sobre o qual se quer uma melhor compreensão. Logo o interesse será intrínseco e não poderá ser obtido com a análise de outro caso qualquer. Neste sentido, este tipo de caso não teria o proposito de servir a uma compre- ensão abstrata ou genérica de um fenômeno.
103 O estudo de caso instrumental, de acordo com Stake (1998), identifica-se se um caso particular é examinado para prover informações e dados em uma questão que necessite de algum grau de generalização ou teorização. Aqui, o caso é importante, mas ocupa um papel secundário, ou de veículo, através do qual se pode compreender um fenômeno. De qualquer maneira, cabe ressaltar que o estudo de caso instrumental pode ser realizado em profundidade, seu contexto deve ser pormenorizado e suas atividades rotineiras detalhadas.
De toda forma, em ambos os casos, intrínseco ou instrumental, Stake (1998) defende que deve existir a procura pelo particular e pelo comum, mas que o produto final da pesquisa normalmente reporta os traços incomuns. De acordo com Stake (1998) no estudo de caso, dentro da perspectiva qualitativa, os pesquisadores devem estar atentos aos seguintes pontos (a) a natureza do caso, principalmente sua atividade e maneira de funcionar; (b) seu contexto histórico; (c) suas representações físicas; (d) seus outros contextos, como o econômico, políti- co, social, cultural e etc.; (e) outros casos através dos quais o caso em questão possa ser reco- nhecido, e: (f) os informantes, ou sujeitos, através dos quais o caso possa ser conhecido.
Os argumentos utilizados na defesa do estudo de caso único ressaltam que a proximida- de desse tipo de estudo com seu objeto é maior e potencializada, o que aumenta a possibilida- de de um levantamento mais rico e aprofundado, propiciando a compreensão das nuances da prática (FLYVBJERG, 2006). Sob este ponto de vista, o estudo de caso único torna-se ideal para o desenvolvimento de conhecimento que dependa da análise contextual, estabelecendo forte conexão entre teoria e prática (FLYVBJERG, 2006; STAKE, 1998).
Cabe ressaltar que, de acordo com Welch et al. (2011), o estudo de caso e, o estudo de caso único, especificamente, possuem grande relevância em pesquisas qualitativas para o campo de GI, sendo a estratégia de pesquisa mais utilizada de acordo com estudo realizado nos principais periódicos da área nos últimos dez anos (PIEKKARI; WELCH; PAAVILAI- NEN, 2009). A prevalência por esta metodologia na área internacional não surpreende, dado seu potencial em desenvolver com rigor teorias sensíveis ao contexto estudado.
3.2.1 Seleção e acesso ao caso
Como dito anteriormente na delimitação do estudo, a escolha do IMPM como objeto desta pesquisa traz à tona a questões específicas sob a posição ambígua que este programa detém no cenário mundial. Por um lado o IMPM é criado sob uma perspectiva crítica que re-
104 jeita o rótulo de MBA e tenta se manter deslocado do centro, na medida que assume em seu discurso oficial a necessidade de uma experiência ‘realmente multicultura’, “mundial” e não “global” (MINTZBERG, 2004, p.254)e propõem através deste Programa um novo paradigma para a educação internacional de gestão (PFEFFER, 2004). Porém, por outro lado, é um pro- grama operado por profissionais do centro, Canadenses e Ingleses, que faz uso da língua in- glesa e talvez não possa se deslocar do centro tanto quanto gostaria.
No livro “Managers Not MBAs”, de 2004, Mintzberg explica sua filosofia e apresenta o IMPM, criado em 1995 e em atividade desde então. Neste livro ele observa que a educação contemporânea pode distorcer a gestão e que já é tempo das escolas de negócios passarem por uma reforma, afinal o mundo não para de mudar e precisa de novas soluções.
O IMPM é um Programa internacional de educação em gestão que adota há mais de quinze anos um modelo de mestrado executivo internacional, de certa forma pioneiro, que se adapta às mudanças contemporâneas mundiais ao alterar suas parceiras internacionais ao lon- go do tempo. Assim o IMPM, com suas ambiguidades, pareceu ser adequado como campo de estudo para a investigação da dominação do conhecimento que se estende dentro da produção e do consumo do conhecimento em gestão.
O IMPM hoje mantém parceira com cinco universidades, no Canadá, Reino Unido, Ín- dia, China e mais recentemente no Brasil. As instituições de ensino parcerias são: Lancaster
University Management School, Lancaster, UK.15; McGill University Desautels Faculty of
Management, Montreal, Canadá.16,Indian Institute of Management, Bangalore, Índia.17, Ren-
min University School of Business, Beijing, China18, FGV/EBAPE (Fundação Getulio Vargas – Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas), Rio de Janeiro, Brasil.19
O acesso ao caso foi facilitado por um professor da EBAPE/FGV (Escola Brasileira de Administração Pública e Empresarial/ Fundação Getulio Vargas), que atua como diretor do módulo Brasil do IMPM. O fato da FGV ser desde 2011 o mais novo parceiro do programa reforça o vínculo institucional entre esta instituição e o Programa e abre uma profícua oportu- nidade para o estudo em questão. Desde o acontecimento do primeiro módulo do Programa no Brasil, em outubro de 2011, tive a oportunidade de participar como assistente pedagógica do diretor do Módulo Brasil, acompanhando as atividades e dando apoio as questões acadêmicas
15Site: http://www.lums.lancs.ac.uk/, acesso em 7/6/14. 16
Site: http://www.mcgill.ca/, acesso em 7/6/14. 17Site: http://www.iimb.ernet.in/, acesso em 7/6/14. 18Site: http://english.ruc.edu.cn/en/, acesso em 7/6/14. 19
105 e operacionais do Programa, o que naturalmente reforçou minha aproximação ao objeto de estudo.
Esta garantia de acesso proporcionou uma maior facilidade para a coleta de dados com o corpo docente do Programa, participantes dos módulos 16 e 17 e 18, instituições parceiras e possibilidade de realizar observações de campo em diversas situações como, visitas, ativida- des em sala de aula, atividades extraclasse, realização de entrevistas entre outras.
3.2.2 Níveis de análise
O desenho de pesquisa contemplou dois níveis de análise - organizacional e inter- organizacional -, que de acordo com Guedes (2005) propiciam à pesquisa internacional uma ampliação do escopo da investigação, porém a adoção de múltiplos níveis exige uma aborda- gem interdisciplinar (USUNIER, 1998).
De acordo com Usunier (1998), os designs utilizados para a pesquisa nas áreas de ges- tão internacional e intercultural podem ser bastante complexos. As diversidades envolvidas em elementos da gestão, da cultura e das variáveis do contexto devem ser levadas em conside- ração em toda a sua complexidade para que o pesquisador possa dar conta em sua programa- ção em termos de coleta de dados e proposta de níveis de análise.
O estudo se deu de forma diferenciada, como indica o Quadro 3, em dois países onde o IMPM está presente na atualidade, a Inglaterra e o Brasil, através dos dois níveis de análise empregados onde foram utilizados os métodos de coleta de dados aplicados nesta pesquisa. A partir do quadro abaixo forma oportunamente desdobrados e detalhados destes locais e res- pondentes envolvidos:
Quadro 3 – Níveis de Análise
UK (sede/administração
do programa) Países parceiros (Brasil)
Nível organizacional
Entrevista com membros e dados do programa (Lancaster)
Entrevista com membros e dados da instituição parceira (FGV)
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Realização dos módulos 16 e 17 e entrevistas com o corpo docente e participantes
Nível inter-organizacional
Relação entre o IMPM (corpo docente) e o país e as instituições envolvidas (Universidade de Lancaster)
Relação entre o IMPM (corpo docente) e participantes do módulo e instituição parceira.
Fonte: Elaborado pela autora.
Ressaltando o interesse em investigar o histórico dos dezessete anos do programa e suas transformações, com base em documentos, observações e entrevistas. A realização empírica se deu durante três períodos distintos: o primeiro em outubro de 2012 durante a realização do último módulo do ciclo 16 no Brasil, o segundo em maio de 2013 em visita à Universidade de Lancaster onde se realizaria usualmente o primeiro módulo do Programa, porém por conta de uma alteração no calendário do programa o início deste módulo foi adiado e a viagem foi rea- lizada com intuito de levantamento de dados locais e realização de entrevistas com professo- res locais atuantes e professores já afastados do programa, mas que estiveram presentes em seu projeto inicial. O último período de observação foi realizado em outubro de 2013 durante o último módulo do ciclo 17 no Brasil. Os sujeitos da pesquisa foram: o fundador do progra- ma; os coordenadores dos ciclos 16 e 17; professores que acompanham todos os módulos via- jando com os participantes pelos cinco países do programa durante o período de um ano e meio de duração do curso, uma dessas pessoas era de origem americana e se reportava ao Ca- nadá (McGill University) e a outra era inglesa e se reportava a Inglaterra (Lancaster Univer- sity); os diretores dos módulos realizados na Inglaterra (Lancaster) e no Brasil (EBA- PE/FGV); membros da diretoria da EBAPE/FGV, instituição parceira do programa no Rio de janeiro (Brasil); membros do corpo administrativo do IMPM de Lancaster e do Canadá; ex- professores e diretores do programa sediado na Inglaterra (Lancaster); participantes dos mó- dulos 16 e 17 do programa.