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3.4. Avangard Aktivist Özgün Baskı Resim Sanatçıları

3.4.1. İnanç-Mitoloji

Como já foi dito, procuraremos definir, se é que isso é possível, de que mulheres estamos tratando nesta pesquisa. Sabe-se que são mulheres que vivem na era do pós-feminismo com todos os seus desdobramentos e consequências, profissionais (economista – Dilma Rousseff, médica – Rosalba Ciarlini), com carreira política, ou pelo menos no início dela. Mas, como situar essas mulheres em um lugar social sem fazer menção, ainda que breve, à dominação histórica de um sexo sobre o outro? Tentaremos situar a figura da mulher historicamente por esse viés, uma vez que entendemos que a hierarquia dos sexos, presente ainda hoje, influencia vultuosamente a constituição das identidades femininas e também a mídia, grande formadora de opinião em nossa sociedade.

Lipovetsky (2000) traz um direcionamento interessante a respeito da imagem da mulher, interseccionada pela hierarquia dos sexos, ao longo da história

em nossa sociedade ocidental cristã. O autor descreve três modelos históricos de representação do feminino: a primeira mulher, ou a mulher depreciada; a segunda mulher, ou a mulher enaltecida; e a terceira mulher, a indeterminada.

O primeiro modelo de representação feminina se estende até o século XIX em algumas camadas de nossa sociedade e ainda pode ser encontrado, mesmo no século XXI, em algumas culturas não muito distantes da nossa. Trata-se da imagem da mulher como ser inferior aos homens, sobre a qual recaem valores negativos, que está excluída das atividades prestigiosas, como a guerra e a política, apresentada desde os filósofos antigos aos pregadores cristãos como ser enganoso e silencioso, inconstante e ignorante, invejoso e perigoso. Nesse modelo, “[...] a mulher é associada às potências do mal e do caos, aos atos de magia e de feitiçaria, às forças que agridem a ordem social [...]” (LIPOVETSKY, 2000, p. 233). Somente a maternidade ameniza o ódio da sociedade patriarcal em relação à mulher. Por toda a parte, o masculino exerce sua primazia em detrimento ao feminino. A primeira mulher é diabolizada, depreciada e odiada.

O modelo que desenha a segunda mulher, aquela enaltecida, adulada, surge durante a Idade Média:

A partir do século XII [...] culto da Dama amada e de suas perfeições; nos séculos XV e XVI, a Bela é levada ao pináculo; do século XVI ao XVIII, multiplicam-se os discursos dos “partidários das mulheres”; no século XVIII e sobretudo no XIX, sacraliza-se a esposa-mãe- educadora. [...] À sanha depreciativa tradicional sucedeu a sacralização do feminino (LIPOVETSKY, 2000, p. 234-235).

Surge, então, a associação da mulher ao anjo. Há uma divinização do feminino, com louvores e honras; a maternidade é enaltecida e divinizada, a mulher é a representação da musa inspiradora, é cantada em líricas e poesia.

É evidente que o enaltecimento do feminino demonstrado nesse modelo não pôs fim à hierarquia do homem sobre a mulher. Esta continua confinada no interior do lar, sujeita às ordens do pai, irmão ou marido, sem qualquer participação nas atividades socialmente privilegiadas, como a política, a militar, a econômica e a científica, dependente econômica e intelectualmente. Resta a ela se contentar com a “influência oculta” que exerce sobre os homens, a formação dos rapazes, o domínio e a educação dos filhos. A mulher enaltecida, idolatrada, é, para as feministas, a última forma de dominação masculina (LIPOVETSKY, 2000).

A terceira mulher é constituída prioritariamente por meio do poder de escolha. Os modelos que desenham a primeira e a segunda mulher fazem dela um não sujeito, passivo, dotado de tamanha dependência que a mulher não seria nada daquilo que o homem não permitisse que ela fosse. O terceiro modelo, que predomina contemporaneamente nas sociedades ocidentais, desenha a mulher sujeito de si, dotada de autonomia e de poder de escolha, não estando nenhuma atividade previamente fechada às mulheres, bem como o caminho social a ser trilhado (casar, ter filhos, exercer as tarefas do lar) não mais é pré-fixado. O caminho social antes previamente definido hoje torna-se escolha. Nas palavras de Lipovetsky (2000, p. 236):

Desvitalização do ideal da mulher no lar, legitimidade dos estudos e do trabalho femininos, direito de voto, “descasamento”, liberdade sexual, controle da procriação, manifestações do acesso das mulheres à inteira disposição de si em todas as esferas da existência [...].

Todas essas possibilidades se abrem às mulheres fazendo com que elas tomem as rédeas do seu destino. Se a primeira e a segunda mulher são criações depreciadas e idealizadas dos homens, “a terceira mulher é uma autocriação feminina” (LIPOVETSKY, 2000, p. 237).

Ainda que constitua um modelo que desenha uma mulher sujeita de si, a terceira mulher não apaga em absoluto as desigualdades entre os gêneros, haja vista a diferença na remuneração, nas oportunidades de carreira, na própria relação familiar, em que o homem, na maior parte dos casos, ainda detém o poder de decisão.

Além disso, não se pode deixar de mencionar a grande mácula que é reflexo da histórica hierarquia entre os sexos: a violência doméstica contra as mulheres. Mesmo décadas após a maior revolução do século XX, quiçá da História Contemporânea mundial – o feminismo –, milhares de mulheres são violentadas e mortas por seus maridos, companheiros ou namorados. As últimas décadas do século XX serviram de palco para grandes personalidades políticas femininas; no período de 2010 a 2012, os cidadãos da capital norte-rio-grandense, Natal, puderam ver o Poder Executivo, nas três instâncias – municipal, estadual e federal –, ser chefiado por mulheres, cuja visibilidade nas esferas públicas é notória; no entanto,

na esfera privada, mulheres ainda sofrem violência física, psicológica, simbólica, o que demonstra ainda a vulnerabilidade do feminino em relação ao masculino, reflexo da hierarquia entre os sexos, do poder que, culturalmente, e não naturalmente, como muitos querem fazer crer, foi dado ao homem sobre a mulher.

Os fortes resquícios do modelo patriarcal ainda presente em nosso cotidiano, em que maridos/pais se consideram donos de suas esposas/filhas, demonstram a não ruptura definitiva da terceira mulher com essa cultura. Assim é a terceira mulher, a mulher indeterminada, misto de continuidade e descontinuidade, amálgama da igualdade e da assimetria. A senhora de seu destino, que estuda, trabalha, escolhe seu parceiro e detém o poder sobre a procriação, porém, continua preponderante na esfera doméstica, muitas vezes à mercê das decisões masculinas. Para reconhecê-la, basta nos olhar. É essa mulher indeterminada que constitui os sujeitos desta pesquisa.

2.3.3 Mulher, política e mídia: a (in)visibilidade da mulher política nos meios de

Benzer Belgeler