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2.3. Nano Yapılar ve Özellikleri

2.3.2. İnşaatta nano parçacık kullanımı ve nedenleri

renda incorporaram a necessidade da presença de assessoria ou de assistência técnica nas suas ações, como forma de viabilizar e organizar o empreendimento habitacional, da mesma forma como ocorreu no passado com alguns programas do BNH e como ocorreu com algumas cooperativas habitacionais. A diferença é que as assessorias e assistências técnicas estão mais organizadas e não há mais somente a participação de mão-de-obra dos beneficiários, mas a contratação de mão-de-obra especializada ou até mesmo a contratação de toda a mão-de-obra para a produção da moradia.

Enquanto se agravam as condições de moradias da população, observa-se que cerca de 50% das prefeituras do país não contam com profissionais de arquitetura e engenharia efetivamente atuando para construção de uma política habitacional. Tal fato compromete sobremaneira a implementação de uma assistência técnica pública capaz de minimizar os problemas decorrentes do abandono ao qual nossa população foi submetida nas últimas décadas. A questão que se coloca no momento pelos movimentos de moradia e pelos sindicatos e que foi referendada pela Política Nacional de Habitação é a necessidade da universalização da assistência técnica para a produção de moradias para as famílias de menor renda. À semelhança do que ocorre em outras áreas das políticas sociais, como na saúde, na educação e na justiça, a assistência técnica para a produção de moradias populares tem que se transformar em um serviço público de livre acesso às demandas da sociedade.

Se, por um lado, não há assistência técnica à população, por outro, os municípios igualmente necessitam de apoio e assistência técnica para consolidar no seu território a política urbana necessária para a diminuição das desigualdades de moradia e infra- estrutura, com a presença efetiva de profissionais comprometidos com a engenharia urbana. Entretanto, os municípios, em linhas gerais, preocupam-se em ter em seus quadros profissionais dedicados à saúde, educação e assistência social, visto tais atividades estarem vinculadas a aplicações mínimas legalmente regulamentadas na Carta Constitucional.

Paralelamente à discussão do acesso da população à produção organizada de moradias e à aplicação de tecnologias de construção, através das assistências técnicas, os

73 profissionais de arquitetura vislumbram a possibilidade de participar desse novo e abrangente mercado profissional.

Em recente encontro nacional, os arquitetos e urbanistas58 afirmam que os problemas da falta de assessoria ou assistência técnica não passam exclusivamente pela oferta de profissionais comprometidos com a engenharia e arquitetura pública, mas pela construção de mecanismos institucionais capazes de dar respostas às demandas sociais. O poder público federal manifesta decisão de materializar essa atividade através da Política Nacional de Habitação. Os principais entraves apontados pelo segmento profissional para a consolidação da assistência técnica no país podem ser representados pelos seguintes tópicos.

a) falta aos órgãos públicos responsáveis pelo planejamento e gestão urbanas ordenamento institucional e instalações para recepção da contribuição dos profissionais;

b) faltam recursos para custear os serviços profissionais prestados; c) são inadequadas as normas técnicas que orientam a produção do

habitat, que confundem padrões de habitabilidade com tipologias formais, quase sempre referidas aos padrões de consumo e de estética das classes dominantes;

d) são também inadequados os procedimentos administrativos para dar conta do atendimento ao crescente segmento de excluídos que passa a viver nas cidade brasileiras.

Desse modo, a participação de assessoria e assistência técnica nos empreendimentos habitacionais começa a ganhar contorno visível com a realização do 1º Seminário de Assistência Técnica, ocorrido em 200559. A necessidade de se esclarecer a real participação da assessoria, junto aos movimentos de luta por moradia e mesmo nos programas oficiais de habitação de interesse social, faz com que essa discussão venha à tona, com duplo sentido. Primeiro, redefinir o caminho a ser percorrido para garantir habitação aos milhões de brasileiros excluídos do acesso à moradia e à assistência técnica. Segundo, explicitar qual é o papel dessa instituição - assessoria ou assistência técnica - no processo de subsídio à moradia em execução pelo governo central.

58

30º Encontro Nacional de Sindicatos de Arquitetos e Urbanistas. A Consolidação da Assistência Técnica e as Políticas Públicas para a Habitação Nacional. Goiânia, de 11 a 14 de outubro de 2006.

59

1° Seminário Assistência Técnica. Moradia um Direito de Todos: Construindo uma Política Nacional. Campo Grande, MS, 2005.

74 O relatório final do seminário60 aponta para um amplo debate a respeito dos caminhos a seguir frente às demandas por moradia e ao compromisso do governo federal em subsidiar a construção ou o material de construção para a camada de menor renda da população. A presença da assistência técnica (arquiteto ou engenheiro) no processo será obrigatória exatamente para responder às deficiências encontradas nas moradias autoconstruídas. Duas dimensões da assistência técnica foram definidas:

Técnica: Apoiada na gestão técnica da construção, com foco no projeto,

orçamento, memorial descritivo e demais peças para orientação técnica da obra. Inclui ainda a orientação institucional dos participantes quanto à documentação legal a ser apresentada para acessar o subsídio ou financiamento. Não há envolvimento com os beneficiários além da relação institucional e as ações desenvolvidas não se caracterizam como participativas.

Social: As ações são desenvolvidas através de programas de ação institucional,

tais como regularização fundiária ou reurbanização de assentamentos precários. A ação social ocorre quando há o envolvimento dos técnicos com a população no sentido de demonstrar os benefícios do programa ou da urbanização e na apresentação dos projetos técnicos da intervenção.

Mas a questão das dimensões da assistência vai mais longe. Surge uma nova dimensão que traz as duas anteriores embutidas, mas com foco empresarial, descompromissada, na maioria das vezes, da discussão social, inclusão e participação plena dos envolvidos.

Empresarial: A mais nova dimensão de assistência técnica surge com o

advento do Programa de Arrendamento Residencial - PAR. As empresas ou organizações que desenvolvem essa atividade fazem a prospecção do mercado a fim de buscar enquadramento do repasse do Programa de Arrendamento Residencial. Utilizam-se da dimensão social e técnica simultaneamente e produzem proposta de financiamento junto à CAIXA. Essa modalidade tem originado um grande estoque de projetos no aguardo de liberação de recursos ou do seu enquadramento no programa. Em que pese haver a presença das peças técnicas e organização social, o pano de fundo das instituições que organizam essas demandas é a realização de negócios.

A assistência técnica com características empresariais recebeu críticas no Seminário de Assistência Técnica por estar vinculada, na maioria das vezes, a empreiteiras e

60

75 através delas ser remunerada, numa clara demonstração de gestão empresarial das demandas sociais.

As experiências acumuladas nesses últimos anos têm demonstrado uma forte tendência à migração do perfil das assistências. Originalmente, surgiram com o fortalecimento dos movimentos populares com cunho reivindicatório e contestatório. Passaram rapidamente para a proposta de partilha do poder central com a população através dos empreendimentos autogestionários. Atualmente, chegam a assessorar tecnicamente os movimentos sociais e empreendimentos populares. Inclusive essas organizações sociais, que no passado eram caracterizadas por organizações não governamentais, hoje assumem o perfil de empresas de projetos e gerenciamento. O avanço na adoção de programas governamentais pelos entes da federação, a fim de reduzir o déficit habitacional para a população de menor renda, inclui hoje, necessariamente, a assistência técnica.

Nesse cenário é importante sublinhar a produção de moradia para parcela da população através das cooperativas habitacionais, que se consolidaram através das associações e sindicatos dos trabalhadores para tentar minimizar a ausência de programas públicos de acesso à moradia. Nesse sentido surgiram, ainda sob os contornos do BNH/SFH, os Institutos de Orientação às Cooperativas Habitacionais – INOCOOP, com a finalidade de prestar assistência técnica para a criação de cooperativas habitacionais no território nacional. Como entidades privadas e sem fins lucrativos, tais institutos seriam remunerados pela prestação de serviços de assessoria através de um percentual do valor das obras contratadas.

Esse perfil de assessoria, que durante muitos anos desenvolveu seu trabalho sob as regras do mercado financeiro, ou seja, propondo a constituição de cooperativas para grupos e faixas de menor renda, bem como para as faixas acima de cinco salários mínimos, atendeu aos demais critérios do sistema financeiro da habitação e conseguiu durante anos produzir, mesmo que não tenha priorizado as faixas de menor renda, significativo número de moradias.

Recentemente, apenas após deixar de acessar os recursos que se seguiram à crise do financiamento habitacional dos anos 80, as cooperativas habitacionais passaram a disponibilizar o autofinaciamento como forma de viabilizar a construção de moradias para aqueles que, mesmo tendo emprego formal, continuam à margem dos programas oficiais.

Os INOCOOPs, como assessorias técnicas, desempenham um papel fundamental na consolidação das cooperativas habitacionais, que muitas vezes são

76 constituídas para certo empreendimento. Orientam desde a formatação da cooperativa pelos futuros cooperados até a análise jurídica, a contábil e a financeira do grupo. Definem a viabilidade da área, a elaboração dos projetos, o orçamento, a supervisão e a contratação da construtora até a entrega das chaves. Por outro lado, há grande assédio das construtoras e incorporadoras para viabilizar empreendimentos através das cooperativas, não por se tratar de uma forma associativa de produção de moradia, mas para obter as vantagens legais, como a redução de taxas e impostos atribuídos às cooperativas, barateando os custos e ampliando o acesso à moradia para a população das faixas de renda, até então, excluídas do mercado.

O perfil das assessorias e assistências técnicas encontra contorno visível quando analisamos o banco de experiências61 promovido pelo Ministério das Cidades, que catalogou 88 experiências aglutinadas em três eixos: metodologias interdisciplinares e participação popular na assistência técnica e modelos institucionais para ela. Obviamente, no país não há somente 88 experiências interessantes, mas foram essas, através das suas organizações, que, tomando conhecimento desse chamamento, dispuseram-se a se apresentar como modelo.

Na análise das experiências em construção, cadastradas pelo Ministério das Cidades, amplamente divulgadas e no perfil da legislação, com objetivo de disponibilizar ferramentas calibradas para atender a população excluída na cidade e no campo, surge uma nova hipótese não prevista inicialmente na pesquisa: os trabalhos desenvolvidos pelas entidades públicas e privadas se caracterizam pela assistência e não pela assessoria técnica. Será a seguir esse o objeto de nossa análise.

3.4 Perfil da assessoria e da assistência técnica

Benzer Belgeler