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İmparatorluğun Biopolitik Üretimi, Karşı İmparatorluk ve Spinoza

Perguntou-se aos entrevistados a opinião deles com relação à atuação do governo na área da música. Houve três diferentes linhas de respostas. Enquanto alguns não souberam fazer essa avaliação por falta de informações sobre o papel que o governo vem desempenhando dentro dessa área, outros criticaram a falta de formulação de políticas na área da música por parte do Ministério da Cultura. Já alguns estabeleceram, como

explicado mais acima, uma relação entre a política cultural desenvolvida pelo Ministério da Cultura e o movimento Creative Commons:

A gente tem agora o Ministério da Cultura com o Gilberto Gil, principalmente, defendendo a questão do Creative Commons, e até chamam ele de ministro hacker (...) Tudo hoje que se fala de propriedade intelectual, que foi levantado por aí, surgiu do trabalho de quem faz esse negócio. As associações, os compositores individualmente, as próprias gravadoras de uma forma ou de outra. A gente que tomou conta dessa loucura aqui. Então você de repente ter que institucionalizar o produto, uma idéia de que o grande empecilho pro desenvolvimento e a difusão das músicas é o direito autoral... Eu acho isso uma leviandade do Ministério da Cultura (ECAD).

Acho que não tem atuação nenhuma, não é? O nosso produto cultural mais forte é a música. Não há uma política de exportação dessa música (...) Uma política não houve nem dos grandes senhores iluminados do PSDB, dos professores universitários, intelectuais e não está havendo, para a minha grande decepção, no governo Lula, com o Gil no Ministério da Cultura (...) Aliás, o Gil tem se ocupado muito pouco de música. Que não o chamem de corporativista, de que está favorecendo a sua área, pois ele tem sido discretíssimo no que diz respeito à música (...) Há as leis de incentivo à cultura, tem gente que consegue emplacar o seu projeto, junta a Lei Rouanet com a Petrobrás. Mas não chegam a ser políticas de fortalecimento.Você vê, nem o Seis e Meia nem o Projeto Pixinguinha estão funcionando direito. Eles retomaram o Projeto Pixinguinha, depois deram uma recuada. Você não vê ele acontecendo como já vimos lá nos anos setenta, oitenta (jornalista na área de música).

Bom, infelizmente a gente esperava muito mais dele do nosso Gilberto Gil. Ele não fez praticamente nada pela música esse ano. Que eu saiba, e eu posso até estar mal informada, ele não fez mudança praticamente nenhuma com relação à legislação, à proteção de direito a incentivo. As coisas boas foram as leis de incentivo. Mas Existem algumas leis de incentivo que ajudaram também a indústria a diminuir impostos, e que ajudaram a fazer mais CD, a vender mais, a produzir mais (Indie Records)

O Creative Commons não é uma coisa ruim. O que talvez eu acho que é importante é que as pessoas dizem que o Creative Commons é uma coisa que não é. O que é o

Creative Commons? Ele te permite definir parâmetros de uso que você, dono,

especifica para usar o teu conteúdo. Então eu vou lá e cadastro a minha música, ou a minha composição, a minha gravação, e digo: “todo mundo pode usar desde que faça isso” (...) O que o Creative Commons faz, e que eu acho que é interessante, é abrir então a possibilidade para interações, para trocas (...) O problema, que eu não sei se é da imprensa, eu não sei se é do Ministério, é que existe uma visão de que o

Creative Commons é uma defesa ao não pagamento dos direitos pra ninguém, que

a música não tem mais que receber e que troca de arquivo é legal (...) Isso não é verdade, isso não é defendido pelo Creative Commons. Entendeu? E não deve ser confundido (...) O próprio Gilberto Gil tem uma dialética de falar de copyleft. Ele diz: “vamos abrir o direito autoral”. Mas tenta usar uma música dele sem ter que pagar o direito pra ver o que acontece. Então é assim, no dos outros tudo bem, mas no meu não, não é? Das cerca de 500 obras que ele tem, disponibilizou quantas? (MCD).

Péssima! Péssima! Se eles reprimissem essa pirataria que está aí, os artistas, os autores, os músicos, poderiam estar vivendo decentemente de música. Mas você anda na rua e em cada esquina que passa tem um monte de pirata, vendendo no chão todos os CD’s piratas. E ninguém faz nada. Quem é que regulamenta isso? Que eu saiba é o governo que tem que atuar. A polícia, os fiscais, isso pra mim quem faz é o governo. Então se eles não fazem nada quem que vai fazer? Quanto ao copyleft, eu acho que a nível de governo isso é uma burrice, porque os impostos gerados pela comercialização da venda de CD, da venda até da internet, isso aí entra pro cofre público. Agora a nível do artista independente, é ótimo, já que a gravadora não quer investir no seu trabalho. Se eu lançar um CD e tentar vender, vai ter um pirata que vai me engolir, eu quero mais é disponibilizar pra todo mundo ouvir o meu trabalho pra quando eu fizer um show todo mundo ir me ver. Porque só tem uma coisa em que não existe a pirataria, é no show (T-Rec).

As respostas ilustram os diferentes pontos de vista dos entrevistados no que concerne à atuação do governo na área da música. Percebe-se, primeiramente, que praticamente todos os entrevistado, ao opinarem sobre esse tópico, fizeram um link entre o governo e o Ministério da Cultura, esquecendo de mencionar outros órgãos que também atuam no mesmo campo, como a Funarte. A razão para que isso tenha ocorrido pode estar relacionado tanto ao diferente papel exercido pelos dois órgãos (O MinC é responsável pela formulação e implementação de políticas para a área cultural e a Funarte pelo incentivo, desenvolvimento e difusão de atividades artísticas e culturais), quanto pelo fato do MinC possuir um artista consagrado da MPB como ministro, defendendo ele idéias que afetam de alguma forma o interesse das organizações ligadas ao mercado fonográfico.

Assim, constata-se que nenhum dos entrevistados acima aprovou por completo a atuação do governo na área da música por meio do MinC. As críticas feitas pelos representantes das organizações ligadas mais diretamente ao mercado fonográfico referem- se principalmente à incapacidade do governo de combater o problema da pirataria física e virtual ou a proteção dos direitos autorais.

A defesa por parte do ministro Gilberto Gil dos movimentos Creative Commons e do copyleft, entretanto, foi alvo de intensas criticas por parte desses dirigentes, tendo um deles classificado a “institucionalização” desses movimentos como uma “leviandade”, já que colocaria em risco tudo o que foi alcançado ao longo do tempo em termos de proteção intelectual por parte das diferentes organizações que atuam no setor. O representante da ABMI, como visto mais acima, não criticou o Creative Commons, mas afirmou que o Ministério da Cultura divulga as idéias defendidas por esse movimento de forma equivocada, acabando por distorcer a bandeira da organização e estimulando a prática da pirataria virtual. Já o representante da pequena produtora fundamentou suas críticas citando elementos econômicos, argumentando que tanto a pirataria física quanto a virtual prejudicam o próprio governo, uma vez que este deixa de arrecadar os impostos gerados pela venda de CD’s tanto fisicamente quanto por meio da internet. Dessa forma, o MinC, para ele, não poderia estar defendendo uma prática que acaba por prejudicar não apenas os compositores mas também os “cofres públicos”, apesar de admitir que os artistas independentes poderiam ser beneficiados com a livre divulgação de suas obras.

Já os entrevistados que não atuam no negócio da música diretamente também criticaram o governo, por distintas razões. A maioria deles disse que o Ministério da Cultura não vem se empenhando para desenvolver políticas que desenvolvam a área da música, como por exemplo, uma “política de exportação”, com o objetivo de divulgar artistas brasileiros e a música nacional em outros países. Esse ponto, aliás, foi colocado não apenas pela jornalista na área da música, mas também pelo representante do ECAD. Outro ponto mencionado tanto pela jornalista quanto pelo representante da gravadora Indie foi a lei de incentivo a projetos culturais, que, na opinião da primeira, não chega a ser uma

“política de fortalecimento”, enquanto que para o outro elas foram “coisas boas” para o setor.

A jornalista na área da música e a professora da UFF mencionaram a questão da defesa da flexibilização dos direitos autorais por parte do MinC, tendo elas opinião distintas com relação a esse tema. A professora da UFF elogiou as discussões sobre direitos autorais na internet e troca de música que ocorrem no âmbito governamental, classificando esse tipo de iniciativa como “absolutamente louvável porque são iniciativas de cidadania, de democratização”. Ela criticou, entretanto, o fato do governo ser ainda “muito tímido em pensar sobre isso”. Já a jornalista questionou essa postura, afirmando que acha “esquisito imaginar como é que um compositor, cujo trabalho é criar e vender músicas, vai viver se você não paga o direito autoral, o direito de execução e a porcentagem sobre a venda do disco ou da música”. Essa questão, para ela, ainda não foi devidamente esclarecida por parte daqueles que defendem o copy left.

O dirigente do Creative Commons, por sua vez, elogiou determinadas políticas implementadas pelo MinC, como demonstrado no trecho abaixo:

Tem que se pensar quem é esse governo que está trabalhando para essa área. O que eu estou falando que é bom é um segmento específico do governo, que é o Ministério da Cultura. Eu acho que ele entendeu a implantação dessas novas redes e está tentando fortalecer essas redes. Por exemplo, através do programa Poços de Cultura, que você entrega para a comunidade carente equipamentos multimídia, inclusive constroem os fluxos musicais para que eles possam lá produzir a sua própria cultura. Esse é o programa piloto que é realmente fabuloso, o potencial disso é extraordinário. Então, eu entendo que o Ministério da Cultura pelo menos entendeu isso. Agora, a política governamental como um todo é totalmente segmentada (...) porque tem lugares que não estão nem ai para a música. Por exemplo, não há uma integração como deveria do turismo com a questão música. É uma coisa que, por exemplo, outros países exploram de uma forma muito forte (...) Agora há um programa novo do BNDES de economia da cultura. Finalmente começou-se a formar noção e ciência de que a cultura é geradora de valor econômico (...) Se essa linha pegar, ou seja, cultura enquanto mídia, cultura enquanto negócio, cultura enquanto fator de geração e desenvolvimento, aí a gente

Para o entrevistado, portanto, o Ministério da Cultura de fato vem desenvolvendo políticas que beneficiam a área da música, especialmente com a implementação de programas como os citados no trecho acima. Entretanto, ficou claro que, para ele, o fato do MinC estar desempenhando bem seu papel não significa que a política governamental para o setor como um todo seja boa, já que não há uma maior integração dessa organização com outros órgãos como o Ministério do Turismo, o que seria essencial.

A análise dos trechos destacados com relação à opinião dos entrevistados sobre a atuação do governo na área da música, mostra, portanto o seguinte: em primeiro lugar, ficou claro que os representantes das organizações que atuam diretamente na cadeia produtiva da música têm como principal preocupação o problema da pirataria, tanto no âmbito físico quanto no virtual. O governo, para eles não estaria cumprindo com um de seus principais papeis, que seria o combate a esse tipo de prática. Além disso, para tais dirigentes, é inaceitável que o MinC, órgão governamental responsável pela formulação de políticas públicas para o setor, defenda idéias tais como o livre acesso a cultura e a flexibilização dos direitos autorais. Como já foi explicado no item anterior, movimentos como o Creative Commons e o copyleft são associados por grande parte desses entrevistados à prática do compartilhamento de arquivos via internet e ao não-pagamento dos direitos autorais, o que, por sua vez, afetaria o capital econômico-financeiro dessas organizações. Uma vez que estas competem dentro do campo do mercado fonográfico exatamente por esse tipo de capital, é natural que novas organizações ou movimentos que questionem práticas estabelecidas tradicionalmente nesse campo (e que beneficiaram essas organizações ao longo dos anos) sejam alvos de críticas por parte desses dirigentes. Em

atuam diretamente no negócio da música estão relacionadas ainda a outros aspectos. De forma geral, para eles, o governo não possui uma política clara para o desenvolvimento da área da música, havendo tão apenas algumas ações pontuais, mas não integradas com as demais esferas do governo. Entretanto, demonstrou-se que a defesa da flexibilização dos direitos autorais por parte do MinC também foi mencionada por esses entrevistados, tendo alguns elogiado essa postura (chamando-a de democrática), e outros questionado, também com base na menção ao capital econômico-financeiro.