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5. BULGULAR

5.3. İmmunohistokimyasal Bulgular

A obra de Tito Lívio foi lida com admiração. Sua maestria literária recebeu de seus contemporâneos e das gerações sucessivas a homenagem da imitação e o reconhecimento da escola. Seus textos eram memorizados e recitados pelos estudantes de retórica. Idéias, imagens, expressões suas reaparecem com freqüência em Ovídio.42

A obra de Titio Lívio encontra ecos também em Virgílio, em Petrônio, Sêneca e Estácio. Quinto Cúrcio teve o texto liviano como modelo para o seu estilo, da mesma forma que o imperador Cláudio o teve para seus discursos. Lucano e Silio Itálico foram talvez aqueles que tiveram em Tito Lívio sua maior fonte de inspiração. “Nos atrevemos a pensar que, sem o relato de Lívio, nem Silio Itálico teria sonhado suas Punica, nem Lucano sua Bellum Civile (SIERRA, 1997, p. 110). A História de Tito Lívio se converteu praticamente na única História da República romana.

Porém, o texto de Tito Lívio estaria marcado pelo momento em que nasceu. Com o fim da República, sua relação com os leitores mudaria. Já no século I d.C., Frontino, ao aproveitar episódios de Ab Urbe condita para sua coleção Estratagemas, Valério Máximo para sua antologia de Fatos e ditos memoráveis, e Plutarco, para suas Vidas Paralelas, refletiriam a orientação do público por uma literatura mais ligeira e anedótica. O republicanismo presente no texto liviano poderia ser visto como suspeito; pois, por exemplo, elogiava os assassinos de César, cuja defesa custou a vida do historiador Cremúcio Cordo, nos tempos de Tibério.

Fora os aspectos políticos, o grande volume da obra tornava difícil a sua leitura. Marcial condensou o livro de Lívio em um “livrinho de breves páginas” (SIERRA, 1997, p. 110), pois o original não cabia nas estantes de sua biblioteca.

No século seguinte os autores mais importantes desconheceram a obra de Tito Lívio. A Epítome de Floro, o “resumo de todas as guerras em setecentos anos”, um Lívio condensado e inócuo, reduzido a um panegírico do povo romano, era bem escrito, porém sem substância e artificial. Granio Liciniano também compôs um resumo que manteria a disposição analítica.

No século III a presença de Tito Lívio se limitaria quase que só aos historiadores que extraiam partes ou resumiam a sua obra. Daquele período temos registro do uso de sua obra

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pelo grego Dión Cássio, em sua História Romana, e nos fragmentos de um rolo de papiro com índices dos livros XXXVII-XL e XLVIII-LV, o chamado Epítome de Oxyrrinco. Do século IV temos as Periochae, os anônimos Origo gentis Romanae e De Viris Illustribus e os “Breviários” de história de Roma de Eutrópio e Rugio Festo, parcialmente derivados de Lívio. No século V encontramos a História contra os gentios, de Osório, o Liber prodigiorum, de Julio Obsecuente. A Crônica de Casiodoro já pertence ao século VI. Havia um debate entre os autores e anônimos da tradição liviana entre si e com o texto original de Ab Urbe Condita a respeito da existência de um epítome do século I como fonte intermediária comum.

Fora estas obras que nos reportam a permanência da obra liviana, acredita-se que seus livros permaneceram, desde meados do século II, dormindo o “sono dos justos nas estantes das bibliotecas” (SIERRA, 1997, p. 112). Somente no final do século IV temos notícias de leituras diretas de Tito Lívio por alguns autores pagãos, como Amiano Marcelino e Claudiano.

Nos últimos anos do século IV nasce entre os círculos senatoriais o desejo de fazer renascer a cultura pagã e as antigas tradições romanas para fazer frente ao cristianismo. Tito Lívio e outros autores clássicos tiveram sua obra revalorizada. As Saturnálias de Macróbio, movimento que promove diálogos entre personalidades, captaram o ambiente intelectual do momento. Dentre os participantes desse ciclo encontrava-se Q. Aurélio Símaco, responsável pela tradição Simaquiana, uma compilação de toda a obra de Lívio, sobre a qual falaremos mais à frente.

Não se sabe ao certo quando se perdeu a maior parte da obra de Tito Lívio. Devido à abundância de textos da Antiguidade tardia, bem como a citações como a da carta do papa Gelásio, de 496, ou de Prisciano, no século VI, procedentes de livros que não chegaram até nós, acredita-se que o texto de Ab Urbe Condita se conservou completo até o início da Idade Média. A transmissão dos textos clássicos latinos teve seu período mais crítico durante os “séculos obscuros” (SIERRA, 1997, p. 114), entre 550 e 750, e, por várias razões, acredita-se que foi também neste período que se perderam os livros de Lívio. Corriam, entre os humanistas italianos, os rumores de que o papa Gregório Magno (590-604) incendiou a Biblioteca Palatina, e mandou queimar todos os manuscritos de Lívio que pudessem ser encontrados.

Porém, a reforma cultural promovida por Carlos Magno trouxe à luz novas cópias de muitos dos clássicos latinos, por volta do final do século VIII. No caso de Tito Lívio, muitas cópias e trechos de códices contribuíram para a transmissão do texto. Entre os séculos VII e X

vários manuscritos foram utilizados para a recomposição do texto.

Na baixa Idade Média Tito Lívio não foi um dos autores mais divulgados, somente nas primeiras décadas do século XIV, em Avignon, houve maior empenho em estudar sua obra. Petrarca passou parte de seu tempo ajudando Raimondo Subirani na exegese de Ab Urbe condita. A estes dois se ajuntavam outros aficionados por Tito Lívio, dentre os quais Nicolas Trevet, Landolfo Colonna e Pierre de Bersuire. Graças a ele Tito Lívio entrou na Era Moderna.

Lívio foi “autor da moda” (SIERRA, 1997, p. 118) nos ambientes humanistas italianos no século XV, e emendar seu texto era uma fixação entre os eruditos. Reis, príncipes, duques, papas, cardeais, bispos, banqueiros e comerciantes encarregam os melhores copistas de lhes garantirem o seu Tito Lívio. Seriam os motivos deste interesse a atração pelo autor, o prestígio de tê-lo na estante ou o simples prazer de colecionadores? O que se sabe é que Tito Lívio e a história romana ocuparam os melhores talentos daquele período. Porém, apenas em 1773 J. P. Bruns publicou um fragmento do livro XCI, descoberto em um palimpsesto vaticano no ano anterior, completando o texto que hoje conhecemos.

O estabelecimento do texto de Tito Lívio tem alguns momentos marcantes a partir do século XVII. Em 1645 Gronovio lança uma edição crítica, marco neste processo. No século seguinte, a monumental edição de Drakenborch recolhe em suas notas e apêndices os resultados mais interessantes de quatro séculos de trabalhos sobre Ab Urbe condita. Um grande avanço no estudo científico dos manuscritos e na crítica filológica foi verificado no século XIX , por obra de Alschefsky e Madvig. Os séculos XX e XXI têm assistido à permanência da obra e sua tradução para diversas línguas ao redor do mundo.

3.5 A tradição manuscrita

A tradição manuscrita de Tito Lívio varia segundo as diferentes partes de sua obra. Não há testemunhos precisos sobre a origem do texto da terceira, quarta e quinta décadas. Com relação à primeira década há mais informações. Durante o período Carolíngio foram feitas muitas cópias, as quais foram beneficiadas por terem sido feitas de forma cuidadosa. Este cuidado se deve ao fato de haver na região, a partir do século I de nossa era, uma ligação mística com as origens de Roma, cada vez de forma mais sensível. Depois do século IV esta

ligação se transformou em uma espécie de “terna nostalgia”.

Benzer Belgeler