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Avelino Venha Ver Encanto Dr. Severiano ÁguaNova Riacho Santana Luis Gomes Paraná Pau dos Ferros

Ananias Pilões Alexandria JoãoDias Antônio Martins Antônio Martins Martins Serrinha dos Pintos Francisco Dantas Portalegre GodeiroRafael Tenente Gomes Frutuoso

Patu MessiasTargino Tabuleiro Grande SãoFrancisco Oeste do FernandesRodolfo Itaú Melo Severiano Apodi Guerra Felipe Upanema Dix-Sept Rosado Caraúbas Janduís Campo Grande Mossoró Baraúna Espírito Santo do Oeste Marcelino Vieira Vieira São José do Seridó Serra Negra do Norte de Piranhas Jardim São Ipueira do Sabugi

São João OuroBranco

do Seridó Santana Jardim do Seridó Equador Parelhas dos Dantas Carnaúba Cruzeta Acari Florânia Santana do Matos Bodó Lagoa Nova Jucurutu Triunfo Potiguar São Rafael Açu Ipanguaçu Cerro Corá Afonso Bezerra Angicos Fernando Pedrosa Pedro Avelino Rodrigues Alto do Grossos Tibau Areia Branca Porto do Mangue Serra do Mel Jandaíra Lajes Pedra Preta São Tomé Guamaré Galinhos Angicosde Jardim Caiçara do Rio do Vento Ruy Barbosa o São Bento Parazinho Campo Redondo Currais Novos Jaçanã Bento Trairí Japi Santa Cruz Serrinha Santo Antônio Fica Passa e Goianinha Tibau do Sul de PedrasLagoa Brejinho Jundiá Passagem Caiada Serra Jesus Boa Saúde Monte das Gameleiras Serra de S. Bento Tangará Nísia Floresta Parnamirim Macaiba Pintadas Sítio Novo Lagoa de Velhos Lajes Riachuelo Bento Fernandes Touros São Paulo do Potengi Sâo Pedro Bom Taipu BrancoPoço de São José Campestre Lagoa D'Anta Pedro Velho Montanhas VárzeaEspíritoSanto

Sen. Georgino Penha José Major Sales Cel.João Pessoa São Miguel de da Rafael Fernandes Viçosa São Miguel do Gostoso São José de Mipibu Rio do Fogo Santa Maria Pendências 38oW 37oW 7oS 5oS o 6 S 6oS 5oS Itajá Vera Cruz Baía Formosa Flor Vila Arês Carnaubais Extremoz Maxaranguape Ceará - Mirim Pureza São do Caicó Fernando Timbaúba Batistas dos Lucrécia Cel. Ezequiel Macau Olho D'Água Ielmo Marinho Nova Cruz João Câmara Caiçara do Norte O c e a n o A t l â n t i c o C e a r á P a r a í b a 25 0 25 50 km 35oW 36oW PedraGrande Barcelona do Norte

do AmaranteSão Gonçalo Governador dos Afonso Almino Ten. Borges da Cruz Riacho da Cruz Umarizal NATAL Laurentino Cruz São Vicente Canguaretama 6oS 4 Monte Alegre Sen. Eloi de Souza Lagoa Salgada Vera Cruz o INTENSIDADE DA ORIGEM DOS FEIRANTES

48% 19% 7% 4%

MAPA 03: Município de origem dos feirantes vendedores.

Fonte: Mapa Base IBGE, 2000. Dados obtidos Pesquisa de Campo 2006-200. Adaptado por Rosana França, 2007.

Tal situação é demonstrada na pesquisa, segundo a qual, na feira, predominam as pessoas que não desempenham qualquer atividade, o que representa 59% dos entrevistados, enquanto o percentual de pessoas que afirmaram estar ligadas a outra atividade chega a 41%, dentre as quais destacam- se: professor, vendedor, taxista, cobrador de ônibus, mecânico e pedreiro.

Uma das explicações para esse número de pessoas que têm a feira como única alternativa de renda é a baixa escolaridade da maior parte dos feirantes, pois, do total de entrevistados, 20% afirmaram ser analfabetos, 28% se declararam alfabetizados, 35% afirmaram ter concluído apenas o Ensino Fundamental, enquanto só 17% possuem o Ensino Médio ou Superior (GRÁFICO 3).

Devido à grande quantidade de pessoas que utilizam a feira como único meio de sobrevivência, 83% dos entrevistados possuem banca própria, comercializando todos os sábados, enquanto 17% afirmaram alugar o ponto para poder vender seus produtos, sendo que neste grupo está o maior número de pessoas que ficam sem vir à feira em algum período do ano.

20%

28% 35%

16% 1%

Analfabeto Alfabetizado Fundamental Médio Superior Gráfico 3 – Grau de escolaridade dos feirantes.

Fonte: Pesquisa de campo, 2006-2007.

Uma outra questão levantada na pesquisa refere-se às formas como os feirantes se deslocam desde o seu local de residência até à feira. A forma mais adotada é o carro particular ou fretado (48%), estando incluídos nesse tipo de condução os carros fechados de 2 ou 4 portas, as caminhonetes “tipo pick-up” e as vans de lotação. Esses veículos transportam os feirantes e suas mercadorias desde o seu local de origem, na zona urbana ou rural, e de outros municípios, até Macaíba,

ficando estacionados nos arredores esperando o final da feira para serem carregados novamente e retornarem aos seus municípios ou levá-los para outras feiras (FIGURA 22). Mesmo sendo pouco utilizados, os caminhões desempenham grande importância para o transporte não só dos feirantes como também dos consumidores.

Embora não exprimindo exatamente a origem de muitos dos feirantes – já que muitos destes tomam o transporte ao longo do caminho –, procuramos identificar, através de conversas com os donos dos veículos, a origem destes, como forma de vermos até onde vai o alcance espacial da feira.

A partir desse levantamento, pudemos evidenciar que os transportes que chegam à feira são oriundos dos distritos localizados na zona rural de Macaíba, como: Traíras, Cana Brava, Cajazeiras, Jundiaí, Betulha, Riacho do Sangue, Riacho do Feijão, Lagoa do Sítio, Periperi etc; e de outros municípios próximos, como São Gonçalo do Amarante e seus distritos, como Bela Vista, Utinga, Igreja Nova, Ladeira Grande, Barro Duro, Pajuçara, Guanduba; além de Vera Cruz, Bom Jesus e Ielmo Marinho.

FIGURA 22 – Caminhões em área de estacionamento da feira. Foto: Geovany Dantas, 2007.

Juntamente com o carro, o deslocamento a pé representa a segunda forma adotada por 33% dos feirantes. Isto ocorre, porque a maior parte destes reside na zona urbana e suburbana de Macaíba, o que diminui os gastos com transporte. Outras formas de deslocamento adotadas pelos feirantes são: a bicicleta (3%), que é um dos meios de transporte mais utilizados em Macaíba; as

motocicletas (5%); e os ônibus (6%), que são utilizados, principalmente, pelos feirantes que residem em Natal e que não possuem automóvel (GRÁFICO 4).

No caso das motos, vale ressaltar que, desde meados da década de 1990, estas se tornaram o meio de transporte que apresentou maior crescimento entre os usuários, devido a fatores como o preço reduzido, em relação aos automóveis, a facilidade de deslocamento e o menor custo de manutenção. Nesse contexto, surgem os “moto-táxis”, uma forma de transporte que veio concorrer com os “táxis- automóveis”, encontrando rápida aceitação entre a população.

Um dos aspectos que também chama a atenção desse crescimento no uso das motocicletas é que estas vêm provocando a diminuição da presença dos jegues e dos cavalos na feira. Antes considerados “personagens” de grande importância no deslocamento das pessoas nas cidades, estes passaram a ser substituídos pelos veículos automotores e ciclomotores, mais rápidos e considerados por muitos um investimento.

33%

3% 6% 47%

5% 6%

a pé Bicicleta Caminhão Carro Moto Ônibus Gráfico 4 – Principais meios de deslocamento dos feirantes Fonte: Pesquisa de campo, 2006-2007.

Os meios de transporte não possuem importância somente para o deslocamento dos feirantes. Também o são para a circulação dos produtos comercializados na feira. Como já vimos anteriormente, um dos fatores que explica as transformações sofridas no processo de distribuição da produção agrícola e industrial nos últimos anos diz respeito exatamente à expansão desses meios. Como também já vimos, esse processo acarretou modificações na origem dos produtos que são comercializados na feira.

Se até às décadas de 1960, 1970 e 1980 era o município de Macaíba a grande área fornecedora de produtos para a feira, hoje, a maioria destes são adquiridos em outros municípios do Estado (totalizando 49%). 26%, inclusive, vêm de outros estados, conforme demonstra o Gráfico 5. Os produtos adquiridos em Macaíba totalizam apenas 17%, enquanto os que vêm tanto de Macaíba como de outros municípios representam 8% do total.

Um dos exemplos da presença dos produtos de outros Estados na feira, ocorre no setor de roupas e calçados. A exemplo do que se dá na maior parte das feiras pelo interior nordestino, é muito comum encontrarmos na de Macaíba a presença de produtos vindos de Caruaru, principalmente as confecções.

Praticamente todas as pessoas que comercializam roupas têm na feira de Caruaru o principal local de abastecimento de mercadorias. Todas as segundas- feiras saem de Macaíba pessoas em ônibus fretado com destino à cidade do agreste pernambucano para comprar naquela feira, que é uma das principais do Nordeste. Em Caruaru, não são compradas apenas roupas, mas também aparelhos de som portáteis, brinquedos, artigos de decoração, dentre outros. Além de Caruaru, outro grande pólo fornecedor de confecções para a feira é a cidade de Fortaleza.

17%

8%

49% 26%

Só de Macaíba Macaíba e outros municípios do RN

Só de outros municípios Outros estados

Gráfico 5 – Origem dos produtos da feira Fonte: Pesquisa de campo, 2006-2007.

No setor de calçados, os fornecedores são: São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e cidades do interior do Ceará e da Paraíba; as cidades do brejo paraibano contribuem fortemente com a produção de ervas, alho, temperos naturais, condimentos, redes e produtos de artesanato.

É no setor de carnes onde está a maior contribuição de Macaíba para o abastecimento da feira, pois 60% dos produtos que têm como origem o município estão nesse setor. No entanto, um aspecto chama a atenção neste dado: Macaíba não dispõe nem de um matadouro público nem de um frigorífico, o que é de se presumir que o abastecimento de carne na feira seja realizado por abatedouros clandestinos.

Mesmo com o fechamento do Matadouro Público Municipal, na década de 1990, o que vinculou fortemente este setor aos frigoríficos da capital e de outros estados, muitos feirantes ainda continuam abatendo por conta própria suas carnes e comercializando-as na feira. Os animais são comprados junto a pequenos produtores de Macaíba ou municípios próximos, não passando por qualquer controle quanto aos aspectos de sanidade. O abate é realizado em instalações improvisadas, sem condições de higiene e longe da inspeção sanitária, além do fato de a carne não passar por qualquer tipo de acondicionamento e o transporte não seguir os critérios exigidos.

Quando indagados sobre a procedência e qualidade da carne, os feirantes atestam que esta é de “boa qualidade”, apresentando como principal argumento o fato de a mercadoria já possuir comprador certo. Alguns feirantes, no entanto, colocam em dúvida a procedência dessas carnes, afirmando que, na feira de Macaíba, há a comercialização da chamada “murrinha”, isto é, carne de animais que muitas vezes apresentam algum tipo de doença.

Esta é uma situação grave, na medida que a ausência de uma fiscalização, tanto no que se refere ao abate desses animais quanto à qualidade da carne que é comercializada na feira, poderá colocar em risco a saúde dos consumidores, que muitas vezes não procuram se certificar da origem do produto, depositando uma confiança apenas no feirante de que o produto comercializado é de qualidade garantida.

De todos os setores da feira, o de frutas, legumes e verduras é o que apresenta a maior concentração quanto à área de origem, pois 63 % dos feirantes que comercializam nesse setor afirmaram adquirir suas mercadorias na Ceasa, em Natal. Vimos anteriormente que a principal característica dessa central é ser a grande concentradora da produção hortifrutigranjeira que é consumida no Estado, sendo nela que os feirantes adquirem suas mercadorias.

Este setor é o grande contribuinte para a elevada participação de Natal no abastecimento da feira, na medida que 69% dos produtos que têm como origem outros municípios do Estado são comprados na capital. Os outros 31%, por sua vez, adquirem suas mercadoria diretamente de produtores em cidades do interior do estado.

Além de Natal, outros municípios do Estado contribuem para o abastecimento da feira, dentre os quais podemos destacar: São Gonçalo do Amarante, com frutas, legumes e verduras; Maxaranguape, Assu e Guamaré, com peixes e crustáceos; Tangará, Serrinha e Santo Antônio, com feijão, milho e farinha; e Jardim de Piranhas e Caicó, com redes, chapéus e bonés (MAPA 4).

Dependendo do tipo de produto comercializado, o feirante avalia se é proveitosa ou não a participação dele em outras feiras pelo interior do Estado ou ainda na capital. No levantamento realizado, ficou evidente que há um equilíbrio entre aqueles que se deslocam com suas mercadorias para outras feiras - que representa 51% do total de entrevistados - e aqueles que por algum motivo não adotam essa prática - que totaliza 49%.

Por se realizarem em dias distintos, os circuitos dos feirantes podem envolver tanto as feiras de municípios vizinhos a Macaíba como as dos bairros em Natal (MAPA 5). No interior, as feiras mais procuradas são a de Bom Jesus, nos domingos, citada por 27% dos feirantes; a de Lagoa de Pedra, nas segundas, freqüentada por 11% dos entrevistados; e a de São Gonçalo do Amarante e São Paulo do Potengi, ambas nos domingos, com 4% de participação.

Outras feiras citadas foram as de São Pedro (nas segundas-feiras), Touros (nas terças-feiras) e Vera Cruz (nos domingos), mencionadas por 2% dos vendedores; e as de Poço Branco (nos domingos) e Goianinha ( também nos domingos), com 1% cada uma.

No que se refere às feiras de bairro em Natal, as mais freqüentadas são a tradicional feira da Cidade da Esperança, nos domingos, citada por 27% dos entrevistados, e a do Carrasco (nas terças-feiras), que é freqüentada por 14% dos feirantes. Além destas, também entram no circuito as feiras de Felipe Camarão (7%), Igapó, Panorama e Rocas (2% cada uma) e Nova Natal, Quintas e Parque dos Coqueiros (1% todas).