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4. KONUYA İLİŞKİN LİTERATÜR
Transtorno de Personalidade Antissocial e Crime
Luzes (2010) afirma que em sentido psicológico, o termo delinquência é caracterizado em termos patológicos, de modo que o indivíduo delinquente seria aquele que possui transtornos internos antissociais, gerando perturbações que o impossibilitam de se adaptar às normas do ambiente. O autor refere-se ainda à classificação feita pelo DSM II-R, considerando o termo delinquência como sinônimo de transtorno de personalidade antissocial. O mesmo faz uma diferenciação entre delinquência, de acordo com uma concepção jurídica e uma concepção psicológica, sendo que a primeira considera o termo como sendo referente aos indivíduos contrários às normas, enquanto a segunda, seria referente aos indivíduos que o fazem devido à perturbações mentais (Luzes, 2010).
Por sua vez, Bordin e Offord (2000) argumentam que alguns comportamentos, como mentir e matar aula, podem ser observados durante o desenvolvimento normal de crianças e adolescentes, sendo importante verificar se estes comportamentos ocorrem esporadicamente ou se representam um desvio do padrão esperado para pessoas com mesma faixa etária e em um cultura determinada, para que se diferencie normalidade de psicopatologia.
Existem três categorias diagnósticas que buscam classificar o transtorno relacionado à delinquência, dentre elas: transtorno de personalidade antissocial, segundo a classificação do DSM IV (American Psychiatric Association, 2002), Transtorno de Personalidade Dissocial, de acordo com a classificação da CID-10 (Organização Mundial de Saúde, 1997) e a Psicopatia, segundo a classificação difundida pela Psychopathy Checklist de Hare e sua revisão (Hare, 1990, como citado em Folino, 2003). Apesar desta distinção dos termos, os mesmos têm sido comumente encontrados como sinônimos na literatura.
Um conceito que tem sido bastante estudado e que demonstra a importância que as variáveis de personalidade têm para o fenômeno da delinquência é o de psicopatia, que é um grave transtorno de personalidade com importantes consequências na conduta do sujeito e que se torna observável especialmente na delinquência e conduta violenta intensa (Garrido, 2000; Hare, 1980; Lykken, 1995).
As primeiras reflexões acerca da personalidade psicopata se deram em 1835, com Prichard, utilizando-se do conceito de insanidade moral (Serafim, 2003). Entretanto, foi Koch (1891 como citado em Serafim, 2003) quem utilizou pela primeira vez o termo psicopata, caracterizando-o como anomalias de caráter, congênita em sua maioria e raramente adquirida.
Schneider (1923 como citado em Serafim, 2003) definiu personalidades psicopatas como sendo personalidades anormais, que sofrem com esta anormalidade e que fazem também a sociedade sofrer. Foi este estudioso quem incorporou a psicopatia ao campo de estudo da Psicologia e da Psiquiatria (Serafim, 2003). O conceito de psicopatia foi então, sendo desenvolvido por diferentes teóricos, conforme aponta Serafim (2003).
A literatura aponta que a personalidade psicopática é um fator de risco para atos infracionais contra a vida, tanto na adolescência quanto na idade adulta (Forth e Burke II, 1998; Gretton, Hare & Catchpole, R.E., 2004; McConville & Levy-Elkon, 2004; Morana, Arboleda-Florez & Câmara, 2005; Murrie, Cornell, Kaplan,). Esse transtorno tem como características principais uma diminuída capacidade de sentir remorso, frieza emocional, pobre controle de impulsos e reincidência criminal, o que leva a ausência de identificação e desconforto com o medo e o sofrimento de outras pessoas, além de ausência de sentimentos de culpa (Schimitt, Pinto, Gomes, Quevedo & Stein, 2006). Estas alterações, de acordo com Blair (2001, 2003) têm como consequência uma grave disfunção na socialização desses indivíduos.
O estudo realizado por Schimitt et al. (2006) revela que os adolescentes que cometem crimes contra a vida apresentam com maior frequência características psicopáticas. Outros estudos também demonstraram essa relação entre a emissão de comportamentos violentos graves e a personalidade psicopática. Dentre eles, um estudo realizado com uma amostra da população carcerária de São Paulo indicou uma taxa de crimes violentos quatro vezes maior entre psicopatas (Morana et al., 2005) .
Os resultados obtidos através dos estudos com esta população, até a atualidade, indicam que a maioria de reclusos, com idades mais avançadas, obtêm pontuações elevadas para as escalas de extroversão, neuroticismo e psicoticismo (Eysenck & Gudjonsson, 1989). Contudo, estes resultados têm sido bastante replicados, visto que a possibilidade de generalização destes está fortemente determinada pela variedade da amostra (Fornells et al., 2002).
Também tem sido demonstrada uma grande prevalência do Transtorno de Personalidade Antissocial em pessoas encarceradas, conforme apontam Kosson, Smith e Newman (1990). Além disso, Hart e Hare (1996) e Quinsey, Harris, Rice e Cormier (1999) consideram o transtorno como sendo um fator preditivo de violência futura.
Estudos prévios realizados têm indicado que as taxas de prevalência de Transtorno Antissocial entre pessoas que se encontram presas, segundo os critérios estabelecidos pelo DSM –IV (American Psychiatric Association, 2002) variam entre 70 e 100% e que as taxas de psicopatia, são mais baixas, variando entre 15 e 28%, de acordo com os critérios diagnósticos do Hare Psychopathy Checklist Revised -PCL:R (Hare, 1990, como citado em Folino, 2003).
Eysenck e Gudjohnsson (1989) elaboraram a Teoria da Excitação Geral da Criminalidade, de acordo com a qual há uma condição biológica comum subjacente às pre- disposições comportamentais dos indivíduos que apresentam um quadro de psicopatia. Estes sujeitos seriam extrovertidos, impulsivos e caçadores de emoções e possuiriam um sistema
nervoso relativamente insensível a baixos níveis de estimulação, sendo que, para aumentar sua excitação, se envolveriam em atividades de alto risco, como o crime (Eysenck & Gudjohnsson, 1989).
Contudo, estes critérios diagnósticos sofreram diversas críticas tendo em vista o fato de se restringirem muito às descrições do comportamento criminal, não considerando os aspectos tradicionais da clínica (Hare, 1991 como citado em Folino, 2003; Kernberg, 1989 como citado em Folino, 2003).
Assim, em seu estudo, Folino (2003) identificou 53% de pessoas detidas que satisfaziam os critérios diagnósticos para Transtorno de Personalidade Antissocial. Além disso, 1,3% apresentavam critérios para diagnóstico de Transtorno de Personalidade Narcisista e 10,3% para outros Transtornos de Personalidade não especificados (Folino, 2003).
Por fim, Hare (s.d., como citado em Morana, Stone & Abdalla- Filho, 2006) expõe que os psicopatas apresentam diferenças fundamentais em relação aos demais criminosos.
Diante destes dados, pode-se perceber uma relação entre os Transtornos de Personalidade, em especial o Transtorno de Personalidade Antissocial, e a delinquência. Supõe-se, assim, a ocorrência de uma desordem na personalidade do indivíduo, que não implica, necessariamente, em uma Psicopatologia. É desta disfunção no funcionamento da Personalidade que o seguinte capítulo irá tratar.