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33. İLİŞKİLİ TARAF AÇIKLAMALARI

Se a teoria do Agenda-Setting nos permite argumentar a existência de uma poderosa relação entre a agenda pública e a dos meios de comunicação de massa, é admissível pensar que o poder de agendamento ocorre também entre diferentes meios. Episódios da política nacional brasileira demonstram como pautas lançadas por revistas semanais influenciam a pauta de jornais diários – o contrário também ocorre. As revistas semanais se caracterizam pela produção de reportagens, com abordagem pretensamente mais aprofundada do que os jornais diários. Entretanto, ao oferecer uma interpretação a respeito de um fato noticioso ao seu público-alvo, o veículo dialoga com a bagagem cultural de cada interlocutor, como explica Renné França (2013):

As revistas de informação lidam com temas de interesse geral e que tenham relevância em um contexto atual. Contam, portanto, com o conhecimento prévio que estes sujeitos possuem do contexto em que se encontram para produzir a informação que irá publicizar para seu leitor (FRANÇA, 2013, p. 3).

Fundada em 1968 pelos jornalistas Victor Civita e Mino Carta, a revista Veja (Editora Abril) anunciou em sua primeira “Carta do Editor” o objetivo de "ser a grande revista semanal de informação de todos os brasileiros". Embora não atinja 100% da população, a revista ocupa a primeira posição no ranking das maiores circulações de revistas semanais do país, com

circulação média de 1.053.778 exemplares entre janeiro e março de 2013 (28,45% do mercado), de acordo com informações do site da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER)35.

A distância da circulação de Veja para a segunda colocada neste ranking – Revista Época (editora Globo), com média de 386.974 revistas circulando no mesmo período, ou seja, cerca de 10,45% do mercado – torna-a uma experiência sui generis. Scalzo (2003, p. 31) identifica que “em outros países, revistas semanais de informação vendem bem, mas nenhuma é a mais vendida – esse posto geralmente fica com as revistas de tevê”.

No mundo, em sua categoria, a revista Veja é superada em circulação apenas pelas semanais estadunidenses Time e Newsweek. Portanto, como esclarece Portela (2009, p. 13), “já pode ser considerada a terceira maior revista semanal do planeta, visto que a U.S. News &

World Report, que ocupava o terceiro lugar, atualmente é mensal”. A autora explica que a Time e a Newsweek inclusive inspiraram o surgimento da revista Veja, “inaugurando no Brasil o gênero das newsweeklies (revistas semanais de informação)” (PORTELA, 2009, p. 13).

Esses dados por si só já justificariam a escolha do periódico. Entretanto, a pretensão da revista em pautar o restante da mídia e a linha editorial com posições cada vez mais explícitas observadas pela pesquisadora contribuíram de forma inequívoca para a definição de que suas reportagens comporiam o corpus desta pesquisa.

A revista Carta Capital (Editora Confiança) ocupa atualmente o 21º lugar neste

ranking– circulação de 29.802 exemplares nos primeiro trimestre de 2013, ou seja, 0,8% do mercado, embora sua página eletrônica informe uma “tiragem de 65 mil exemplares semanais, auditados pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC) do mercado Brasileiro, atingindo uma audiência de mais de 230 mil leitores, de acordo com os dados dos Estudos Marplan/EGM – jan a dez de 2012 – AS, 10 anos – 13 mercados”36. Também fundada por

Mino Carta – que deixou a publicação Veja em fevereiro de 1976, e ainda fundou a revista

Istoé (editora Três) antes de fundar a Carta Capital em 1994 –, Portela (2009) ressalta que Em 2001 e 2003, Carta Capital ganhou o Prêmio Brasil de Mídia do Ano, pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE) e que em novembro de 2006, Mino Carta (editor-chefe da publicação), recebeu o prêmio de Jornalista Brasileiro de Maior Destaque no Ano, da Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE).

35Dados disponíveis em <http://aner.org.br/dados-de-mercado/circulacao/>. Acesso em 01 de agosto de 2013. As

porcentagens foram calculadas pela autora.

Embora a circulação da Carta Capital não a posicione como uma publicação das mais relevantes do país para que seja selecionada para esta pesquisa, a escolha desta revista se justifica pela linha editorial, bastante díspare da linha de Veja. Caso a escolha fosse pela

Época ou pela Istoé, tal aspecto não seria tão evidente, visto que as diferenças de linha editorial dessas duas revistas para Veja são menos extremas que no caso da Carta Capital.

Segundo a própria apresentação da publicação Carta Capital em sua página eletrônica, a revista se propõe a ser “alternativa ao pensamento único da imprensa brasileira, (…) calcada no tripé do bom jornalismo baseado na fidelidade à verdade factual, no exercício do espírito crítico e na fiscalização do poder onde quer que se manifeste”. A revista foi criada em 1994 com o objetivo de influenciar o público formador de opinião, conforme o editorial da sua primeira edição, em agosto de 1994, revela. O texto explicita que a revista é endereçada ao “coração do poder” e para aqueles que “decidem os destinos da comunidade”. O texto não poderia ser mais explícito em seu objetivo de disputar hegemonia na sociedade acerca dos assuntos tratados pela revista.

Outro fator a ser considerado a respeito da revista Carta Capital é que ela só se torna semanal a partir de agosto de 2001. A revista foi fundada em 1994 como uma publicação mensal e permaneceu assim até março de 1996. A partir de então passou a ser quinzenal e só em agosto de 2001 passa a ser uma revista semanal. Apesar disso, as características editoriais já citadas da revista a tornam uma publicação interessante para ser analisada e não tendem a influenciar de maneira significativa no resultado da pesquisa, considerando que se trata da análise de uma amostra, que se demonstrou equilibrada entre as duas publicações – serão analisadas 15 matérias da revista Veja e 14 da Carta Capital, tendo sido utilizados os mesmo critérios de seleção das matérias a serem analisadas nos dois casos.

Considerando que as revistas possuem públicos-alvo segmentados, a escolha por duas linhas editoriais que se confrontam como é o caso de Veja e Carta Capital, traduz-se em elemento importante para este trabalho. A respeito do público leitor de revistas no Brasil, Vevila Junqueira da Silva (2008) descreve:

O Brasil é caracterizado pelo reduzido número de leitores (segundo dados do IBGE havia no País, em 2003, 11,6% de analfabetos e os indivíduos com mais de 10 anos de estudo não ultrapassavam 25% da população), mas alguns fatores motivam o estudo de veículos de comunicação impressa neste país. Primeiramente, conforme aponta Cervi (2003), o fato de eles serem fontes de notícias para rádios e emissoras de televisão em todo o território nacional, influenciando indiretamente o público não-leitor. Em segundo lugar, pesquisas de McCombs e Shaw (1972) mostraram que o poder de agenda dos veículos de comunicação impressa é maior que o dos

eletrônicos. Ou seja, aquilo que é comentado, discutido e pensado na esfera social deve-se, em maior escala, aos conteúdos impressos (SILVA, 2008).

Uma característica importante do meio revista é a existência de um público-alvo bem definido. No caso das revistas semanais que tratam de temas nacionais e da política, como é o caso de Veja e Carta Capital, este público pertence principalmente às classes A e B. Como se trata de um público que cumpre o papel de “formador de opinião”, as abordagens das revistas tem penetração popular:

Com uma circulação dirigida para os leitores da classe AB (os chamados “formadores de opinião”), os grandes jornais [e publicações impressas de maneira geral], além da linguagem sóbria e culta, priorizam a cobertura política e econômica e praticam um jornalismo opinativo que coexiste com a tendência mais recente de se fazer um jornalismo de informação. Orientada para a elite e os formadores de opinião estes jornais compensam a baixa penetração nas camadas populares com a grande capacidade de produzir agendas, formatar questões e influenciar percepções e comportamentos tanto no âmbito político-governamental quanto no público em geral, este último através dos líderes de opinião ou através da repercussão da pauta dos jornais da televisão aberta (AZEVEDO, 2006, p. 5).

Frederico Mello Brandão Tavares discorre sobre a complexidade que compõe a produção da notícia nas revistas, considerando o estabelecimento do papel da revista no jornalismo brasileiro (em diálogo e concorrência com outros meios), além dos aspectos institucionais e sociais que envolvem o processo de confecção de uma revista – além dos aspectos jornalísticos em si. O autor recorre a Fontcuberta para criticar a produção jornalística de forma geral, análise que identifica com bastante precisão limitações inerentes ao fazer jornalístico – ao menos no padrão ocidental moderno:

Fontcuberta (2006) remete a ideia do complexo à união entre o único e o múltiplo e critica a maioria dos meios de comunicação. Seriam estes fontes de um jornalismo que não se adequou à complexidade do mundo e que prefere a simplificação como ferramenta para lidar com os temas e fatos que dela emergem. A autora admite que grande parte da mídia não reconhece a existência simultânea de uma multiplicidade e uma unicidade nos elementos da realidade. Os meios estariam regidos por um princípio de simplicidade que separa o que está junto (realizando uma disjunção) ou então unifica o que é diverso (realizando uma redução), operando, ao fim, uma distorção em sua leitura sobre o mundo (TAVARES, F., 2012)37

Assim, a escolha do meio revista e a opção pelas revistas Veja e Carta Capital representam uma escolha do estudo de um meio que carrega suas complexidades e peculiaridades identificadas com um público-alvo importante à medida que se constitui como “formador de opinião”, como define Frederico Tavares (2012) e também encarnam a opção

37Referência citada pelo autor: “FONTCUBERTA, Mar de; BORRAT, Hector. Periódicos: sistemas complejos, narradores en

proposital por linhas editoriais explicitamente diferentes e conflitantes, com o objetivo de tornar a análise mais interessante.

Benzer Belgeler