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A Tabela 1 refere-se aos dados colhidos nos prontuários das pacientes selecionadas para a avaliação, descrevendo as características clínicas e obstétricas maternas no período de entrada do seguimento que variou entre 10 e 20 anos com média de 15,2±3,5 anos. Não se encontrou diferença estatisticamente significante entre os grupos quanto ao período de seguimento (p=0,94).

Tabela 1- Características clínicas e obstétricas maternas no período do parto de mulheres com e sem história de Síndrome Hipertensiva Gestacional.

Exposição p† Não-exposta Exposta Idade 24,8±7,2 27,5±8,1 0,17* Classificação da SHG (n,%) HAC - - 3 10 - HG - - 2 6,7 PE leve - - 9 30 PE grave - - 13 43,3 PE sobreposta a HAC - - 2 6,7 Eclâmpsia - - 1 3,3 Via de parto (n,%) Vaginal 14 46,7 4 13,3 0,01**

Cesárea 16 53,3 26 86,7

Número de gestações 2,2±2,3 3,0±4,1 0,78*

Número de partos 1,0±1,9 1,2±2,7 0,26*

Número de abortamentos 0,2±0,4 0,8±1,9 0,25*

Complicações em outras gestações (n, %) 5 38,5 10 66,7 0,25**

Tabagismo (n,%) - - 2 6,7 0,49**

†Diferentes testes estatísticos foram utilizados na análise

*Foi utilizado o T-Student para as variáveis que apresentaram distribuição normal e Mann-Whitney nas que apresentaram distribuição não-normal.

**Foi utilizado este do X2 ou teste de Fisher para os dados categóricos.

HAC- Hipertensão Arterial Crônica; HG – Hipertensão Gestacional; PE- pré-eclâmpsia.

As pacientes deram entrada no seguimento com média de idade de 26,2± 7,7, não havendo diferença entre os grupos de expostas ou não-expostas quanto a esta variável. A idade mínima foi de 15 anos e a máxima de 44 anos.

As pacientes classificadas como expostas foram caracterizadas ainda quanto à classificação da SHG, tendo-se encontrado um maior número de pacientes com pré-eclâmpsia grave (43,3%).

Para fins de análise, considerou-se todas as pacientes com diagnóstico de SHG em um único grupo englobando todas as classificações.

A via de parto mais frequente foi a cesárea, sendo a via eleita em 70% dos casos. Esta freqüência mostrou-se significativamente maior nas pacientes com diagnóstico de SHG (p=0,01). O cálculo da Odds Ratio (OR) apresentou 5,7 (1,6-20,3) para este parâmetro.

As pacientes não diferiram de forma estatisticamente significante quanto à história obstétrica prévia à gestação-índice, tendo em média, 2,6±3,3 gestações, 1,1±2,3 partos e 0,5±1,4 abortamentos (p=0,78; 0,26 e 0,25, respectivamente).

Quanto à ocorrência de complicações em outras gestações prévias à gestação- índice, embora o grupo de expostas tenha apresentado um maior número de pacientes que relataram estas complicações, esta diferença não se mostrou estatisticamente significante (p=0,25). As complicações relatadas pelas pacientes foram abortamentos (46,4%) e SHG (7,1%), tendo cinco (38,5%) casos de abortamentos sido relatados pelas pacientes não- expostas e oito (53,3%) relatados por pacientes classificadas no grupo de expostas. Entre as

expostas, 2 (13,3%) já haviam tido uma gestação diagnosticada com SHG, caracterizando estas como casos de recorrência de SHG.

Buscou-se também nos prontuários o status de tabagismo da paciente, encontrando-se apenas dois casos, sendo estes no grupo de expostas. A diferença entre os grupos não se mostrou estatisticamente significante quanto a este parâmetro (p=0,49).

A Tabela 2 apresenta as características ao nascimento de recém-nascidos das gestações-índices segundo a exposição, sendo delimitada na Tabela 3 a adequação destas características.

Tabela 2-- Características dos recém-nascidos de mulheres com e sem história de Síndrome Hipertensiva Gestacional

Exposição p† Não-exposta Exposta Sexo (n,%) Masculino 12 41,4 9 31 0,58** Feminino 17 58,6 20 69

Idade gestacional pelo Capurro (semanas)

38,7±1,52 38,8±2,08 0,82*

Classificação pela idade gestacional (n,%) Pré-termo (< 37 sem.) 1 3,7 4 14,8 - Termo (37 – 41 sem) 24 88,9 22 81,5 Pós-termo 2 7,4 1 3,7 Peso (g) 3163,4±511,6 3190±753,2 0,87* Classificação do peso ao nascer (n,%) Baixo peso (<2.500g) - - 7 24,1 - Peso insuficiente (2.500- 2999 g) 11 37,9 1 3,4 Peso adequado (3.000-3.999) 16 55,2 17 58,6 Peso excessivo (≥4.000g) 2 6,9 4 13,8

Comprimento (cm) 49,06±1,94 49,28±3,25 0,76* Adequação do peso a idade

gestacional (n,%) PIG - - 5 18,5 - AIG 26 92,9 16 59,3 GIG 2 7,1 6 22,2 Apgar no 1º minuto 7,9±0,7 7,7±1,1 0,33* Apgar no 5º minuto 9 8,9±0,7 - Perímetro cefálico (cm) 34,3±1,8 34,3±2,0 0,98* Perímetro torácico (cm) 33,6±1,7 33,1±3,2 0,49* Índice ponderal (g/cm3) 2,7±0,3 2,7±0,4 0,81* Complicações ao nascimento (n, %) 3 10 4 13,3 1,00**

†Diferentes testes estatísticos foram utilizados na análise

*Foi utilizado o T-Student para as variáveis que apresentaram distribuição normal e Mann-Whitney nas que apresentaram distribuição não-normal.

**Foi utilizado este do X2 ou teste de Fisher para os dados categóricos.

PIG- pequeno para a idade gestacional; AIG- adequado para idade gestacional; GIG- grande para a idade gestacional.

A amostra de recém-nascidos analisada foi composta de 58 sujeitos, visto a ocorrência de dois óbitos neonatais que resultaram na ausência de preenchimento da ficha perinatal anexa ao prontuário, tendo um óbito ocorrido em cada grupo (exposto e não- exposto).

Não se mostrou diferença estatisticamente significante quanto ao sexo dos recém- nascidos, sendo a maioria do sexo feminino (63,8%) (p=0,58).

A idade gestacional variou entre 34 e 43 semanas gestacionais, tendo média de 38,8±1,8. A diferença entre os grupos não se mostrou estatisticamente significante quanto à esta variável (p=0,82). Delimitando-se a amostra segundo a classificação de prematuridade (nascimentos ocorridos com menos de 37 semanas gestacionais) a diferença entre os grupos permaneceu não estatisticamente significante como apresentado na Tabela 3 (p=0,35).

Avaliando-se o peso dos recém-nascidos, este variou entre 1.670 g e 4.910 g, tendo-se uma média de peso na amostra analisada de 3.177,1±638,4. As médias de peso entre os grupos não se mostraram estatisticamente diferentes , porém quando analisada a freqüência

de baixo peso ao nascer, caracterizado como peso menor que 2.500 g, encontrou-se maior freqüência de casos nas pacientes expostas, apresentando diferença estatisticamente significante, como mostrado na Tabela 3 (p=0,01).

O comprimento ao nascer variou entre 42 e 54 cm, com média na amostra de 49,2±2,6 cm. A diferença no comprimento ao nascer quanto à exposição não variou entre os grupos de forma estatisticamente significante (p=0,76).

Conforme demonstrado na Tabela 3, a adequação do peso quanto à idade gestacional mostrou diferença estatisticamente significante entre os grupos ao se analisar a ocorrência de recém-nascidos pequenos para a idade gestacional (PIG) em comparação ao agrupamento dos nascimentos adequados para a idade gestacional (AIG) e grandes para a idade gestacional (GIG), tendo os cinco casos de recém-nascidos PIG ocorridos no grupo de expostas (p=0,02).

Quanto à avaliação das condições ao nascimento segundo o índice do Apgar, os valores encontrados no primeiro minuto variaram entre 5 e 10, com média de 7,8±0,9, e no quinto minuto variaram entre 7 e 10, com média de 8,9±0,5. Não houve diferença estatisticamente significante entre os grupos nas médias de ambos os parâmetros e na adequação destes conforme valores maiores que sete, como apresentado na Tabela 3 (p=0,33 e 0,11, respectivamente).

As variáveis antropométricas perímetro cefálico (PC) e torácico (PT) avaliadas ao nascimento também não apresentaram diferença estatisticamente significante entre os grupos, tendo o PC variado entre 30,5 e 38 cm, com média de 34,3±1,8 cm e o PT variado entre 26,5 e 38 cm, com média de 33,4±2,5 (p=0,98 e 0,49, respectivamente).

Com as medidas de peso e comprimento ao nascer realizou-se o cálculo de Índice Ponderal de Rohrer (IP), encontrando-se uma variação de valores na amostra analisada entre 1,8 e 3,4 g/cm3, com média de 2,7 g/cm3. Analisando a diferença das médias entre os grupos não se encontrou diferença estatisticamente significante, o mesmo encontrando-se ao classificar o IP segundo sua adequação (valores maiores ou iguais a 2,25), conforme apresentado na Tabela 3 (p=0,81 e 0,33, respectivamente).

Ao se analisar a ocorrência de complicações ao nascimento, foram registrados sete casos (11,7%) na amostra analisada, sendo estes: síndrome do desconforto respiratório (3,4%), restrição de crescimento intrauterino (1,7%), óbito neonatal (3,4%) e icterícia

neonatal (1,7%). A diferença entre os grupos não se mostrou estatisticamente significante quanto a esta variável (p=1,00).

Tabela 3- Classificação da adequação das variáveis neonatais segundo exposição à Síndrome Hipertensiva Gestacional

Exposição

Não-exposta Exposta

Variáveis neonatais n % n % p*

Prematuridade 1 3,7 4 14,8 0,35

Baixo peso ao nascer - - 7 24,1 0,01

Apgar 1º minuto <7 - - 4 13,8 0,11

PIG - - 4 13,8 0,02

Índice Ponderal <2,25 4 13,8 7 25 0,33

*Foi utilizado o teste de Fisher; PIG- pequeno para a idade gestacional.

4.2 Caracterização sociodemográfica, clínica e metabólica atual de mulheres com e sem

Benzer Belgeler