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İlişkiler Ağının Nesnesi: Devlet

ULUSLARARASI İLİŞKİLER TEORİLERİNDE AYDINLANMANIN İZLERİ

3.1. Aydınlanmanın Pratik İzler

3.1.3. İlişkiler Ağının Nesnesi: Devlet

A força social, ou força coletiva, corresponde à segunda lei fundamental do trabalho para Proudhon. Tem por corolário a teoria proudhoniana da mais-valia, a qual posteriormente inspirou Marx e Engels (BANCAL, 1984). Cabendo a eles demonstrar as lacunas e equívocos de Proudhon, sobretudo no que tange a noção de mais-valor.

A força social é produzida pelo trabalhador coletivo, resultado então da divisão do trabalho que engendra as funções sociais que de maneira recíproca e coletiva promovem o excedente produtivo (Fig. 3). Este excedente é apropriado pelo capitalista, que remunera os operários de maneira individual quando o produzido – a força social – é fruto do trabalho conjunto e não é remunerado, é daí que advém o seu lucro (PROUDHON, 2005; BANCAL, 1984).

Figura 3 - Relação entre divisão do trabalho, trabalhador coletivo e força social. Fonte: Elaborada pela autora.

A respeito da Teoria da Força Coletiva, Proudhon explica que segundo a lógica do capital, o capitalista remunera seus trabalhadores individualmente de acordo com sua produção particular e com os dias em que trabalhou. Nesse sentido, remunerar um trabalhador durante cem dias custaria o mesmo valor que remunerar cem funcionários durante um dia. No entanto, segundo Proudhon, estas situações não deveriam ser avaliadas como equivalentes, pois o trabalho de cem operários em um dia não corresponde ao trabalho de um operário durante cem dias. Neste sentido, argumenta exemplificando em seu livro “O que é a propriedade” que duzentos operários foram capazes de erguer o obelisco de Luxor em algumas horas, no entanto um operário jamais conseguiria erguê-lo sozinho nem que utilizasse duzentos dias (PROUDHON, 2005).

Um homem sozinho por mais tempo que despenda não conseguirá realizar a atividade de vários homens em conjunto devido ao trabalho coletivo envolver a cooperação e não apenas a adição de trabalhos individuais. O resultado deste trabalho em grupo, o qual um operário isolado não é capaz de desempenhar, é a força coletiva (PROUDHON, 2005).

Sobre a força coletiva, Motta a apresenta como uma “força imensa, resultante da união dos trabalhadores, que é, portanto, a força social que excede a simples soma das forças individuais, é um motor da prática e da experiência social” (MOTTA, 1981, p. 142). A superioridade desse produto coletivo é proporcionada pela divisão social do trabalho, tornando-o diferente do conjunto dos trabalhos individuais (PIOZZI, 2006).

Conforme apresentado anteriormente, o capitalista não remunera a força social, e sim, apenas paga a soma dos trabalhos como se houvessem sido executados individualmente. Ou seja, existe algo no trabalho coletivo que é apropriado pelo capitalista e não é pago, que é o resultado do trabalho conjunto, da produção coletiva, conforme nos diz Proudhon (2005):

O capitalista, se diz, há pago o salário a seus trabalhadores. Para falar com exatidão, havia que dizer que o capitalista havia pago tantos salários quanto trabalhadores havia empregado diariamente, o que não é o mesmo. Porque essa força imensa que resulta da convergência e da simultaneidade dos esforços dos trabalhadores não a há pago (PROUDHON, 2005, p. 101).

Este trabalho não pago, o capitalista apropria para si, é a mais-valia. Também intitulada por Proudhon de “antecipação capitalista”, a mais-valia para o autor resulta da diferença entre o produzido pela força social e as remunerações individuais somadas (MOTTA, 1981). Aqui cabe a distinção do conceito para Marx, pois a produção de mais valia em Marx resulta não da apropriação da diferença entre o valor produzido e as remunerações individuais, mas da diferença entre o valor produzido e o valor necessário para a reprodução da força de trabalho, tendo como índice de mensuração o quantum de tempo de trabalho socialmente necessário para a produção de mercadorias, da qual a força de trabalho é uma mercadoria especial, porque além de produzir um valor equivalente ao que lhe é necessário para se (re)produzir enquanto força de trabalho ainda produz mais valor, esse apropriado pelo capitalista.

Ao capitalista, Proudhon concede um direito parcial sobre o produzido mediante os fornecimentos que realizou, tendo em vista que assim participou da produção (PROUDHON, 2005). Este direito decorre ao capitalista enquanto trabalhador e não devido a dispor do capital (BANCAL, 1984).

A partir da noção de que o trabalhador é o proprietário do resultado de seu trabalho, Proudhon deduz três princípios de ação: 1) O trabalhador individual a partir de seu trabalho obtém o

direito não só a remuneração, mas também o direito à participação e administração dos produtos e resultados que estes engendrem na proporção de seu trabalho; 2) O excedente produtivo, originado do trabalho coletivo – força social – deve ser de propriedade coletiva; 3) O resultado desses dois princípios gera um direito individual do trabalhador sobre o resultado de seu trabalho individual – posse – e a um direito coletivo do conjunto dos trabalhadores sobre o produzido – propriedade coletiva (PROUDHON, 2005; MOTTA, 1981; BANCAL, 1984). Sendo social a propriedade do trabalho, ninguém pode a partir dela impetrar uma propriedade exclusiva. O proprietário é dono do valor que produz a dispêndio do proprietário ocioso (PROUDHON, 2005).

Para Proudhon, a apropriação do trabalho alheio, do excedente produtivo por parte do capitalista ocioso é possibilitada, sobretudo, devido ao regime de propriedade privada característica do sistema de capital (PROUDHON, 2005).

Compreender a sociedade capitalista, para Proudhon, no que tange as suas relações sociais e sua economia, pressupõe entender sua base, a propriedade privada. A propriedade privada no sistema capitalista é a base da desigualdade social e das contradições sociais (MOTTA, 1981). Em sua obra “O que é a propriedade” o autor apresenta a propriedade privada enquanto uma usurpação do trabalho alheio sendo um roubo, desleal, injusta e até mesmo impossível (PROUDHON, 2005).

A propriedade, na visão proudhoniana, se refere tanto ao usufruto de um bem ao qual a pessoa é responsável, como ao usufruto de riquezas, as quais a propriedade produz, por parte de quem não trabalhou (MOTTA, 1981). O direito à propriedade permite ao proprietário “usar e abusar” (PROUDHON, 2005, p. 131) desta, por meio da venda, troca, doação, modificação, dentre outras possibilidades.

Trata Proudhon em diversas passagens em sua obra “O que é a propriedade” a respeito do direito de albarranía (em espanhol, termo o qual não encontramos palavra equivalente em português) ou como se refere Bancal (1984), direito de aubaine (do francês), o qual é inerente ao direito de propriedade. Utilizaremos os termos direito de aubaine por não termos encontrado palavra correspondente em português e por Bancal (1984) assim os utilizar na versão em português do seu livro “Pluralismo e autogestão”. A respeito do direito de aubaine Proudhon (2005, p. 131) afirma tratar-se de uma: “espécie de tributo, de tributo tangível e

fungível, corresponde ao proprietário em virtude de sua ocupação nominal e metafísica. Seu selo está fixado sobre a coisa; isto basta para que ninguém possa ocupá-la sem sua licença”.

A partir do direito de aubaine Proudhon argumenta que o proprietário: “colhe e não lavra, recolhe e não cultiva, consome e não produz, desfruta e não trabalha” (PROUDHON, 2005, p. 131).

É a apropriação capitalista do excedente coletivo, a qual o capitalista se apodera e que pertence as pessoas que realizaram o trabalho. Sobre o direito de aubaine, Bancal (1984) afirma ser a própria propriedade, a capacidade de produzir sem realizar o trabalho. O direito fictício que o proprietário se atribui sobre algo, o direito que permite a um homem a disposição sobre algo social da maneira mais absoluta. Compara Bancal (1984) a um saque sobre a produção coletiva e ainda segundo ele, sem o direito de aubaine, ou seja, o benefício do capitalista, a propriedade se anula.

Proudhon critica a propriedade do ponto de vista tanto de sua fundamentação enquanto um princípio, quanto com respeito ao seu aspecto econômico (MOTTA, 1981).

Na visão proudhoniana economicamente a propriedade no capitalismo configura-se enquanto um capital e enquanto um monopólio, juridicamente enquanto um direito de “produzir” sem o exercício do trabalho, ou seja, direito de aubaine e filosoficamente enquanto negação da igualdade e da liberdade. A nível social apresenta-se como um despotismo e promove o roubo do excedente produtivo (MOTTA, 1981; BANCAL, 1984).

Aponta ainda o autor, a propriedade como fonte de várias revoluções pelo proletariado a partir da contradição entre a multiplicação das populações e exclusão e açambarcamento promovido pela propriedade (BANCAL, 1984). A base da crítica de Proudhon a sociedade capitalista ao longo de suas obras, se fundamenta na igualdade entre os seres humanos, na defesa da liberdade e na negação da autoridade de uns sobre os outros (BANCAL, 1984), sendo contrário a qualquer forma de opressão e submissão na sociedade (MOTTA, 1981).

Dessa forma, a crítica em Proudhon à propriedade se estende também a crítica à autoridade entre os homens. A propriedade precisa da autoridade. É através da autoridade que ela se consolida enquanto direito de usar e abusar, enquanto monopólio, despotismo econômico

(MOTTA, 1981). “A propriedade só existe como autoridade ou com a autoridade do homem sobre o homem” (MOTTA, 1981, p. 88). Sem a força e a autoridade a propriedade é impotente, não se concretiza, é nula (BANCAL, 1984).

A propriedade capitalista é uma forma de autoridade permitida através da força. Para existir, necessita desse mecanismo impositivo e da fraude. É a propriedade o que proporciona a submissão de um homem por outro, a apropriação da força coletiva, a usurpação do que pertence à maioria pela minoria, promove ainda o despotismo, apresenta-se enquanto um direito de exclusão (MOTTA, 1981; BANCAL, 1984). Nesse sentido, Motta (1981, p. 88) afirma: “A propriedade é, para Proudhon, o monopólio, o despotismo econômico, o capital, o roubo legal, o que corresponde a apropriação, exclusão, subalternalização das funções e individualismo na produção, exploração do homem pelo homem”.

A superação do regime de propriedade e do sistema capitalista, o qual permite a apropriação econômica, é a democracia econômica, fundamento da autogestão (MOTTA, 1981; BANCAL, 1984). Para isto, a teoria de Proudhon propõe a organização da sociedade autogestionária tendo o Federalismo como base das relações entre as unidades. O federalismo funciona da base para o topo – ao contrário do centralismo que é de cima para baixo – e estabelece políticas por meio de consultas perpassando os diversos níveis (BERTHIER, 2002).

Benzer Belgeler