4. Türkiye Türkçesi Ağızlarının Kalıplaşmış Dil Birimlerinde Kullanımı ve Önemi
2.4. İlişki Sözleri
A Teoria das Representações Sociais (TRS), formulada no final dos anos 50 do século passado por Serge Moscovici apud Jodelet 47, se apresenta como proposição de uma démarche epistemológica de interpretação da realidade cotidiana da vida moderna. Ela marca uma nova etapa na história da psicologia, a medida que opera uma ruptura com os modelos funcionalistas e positivistas ainda em vigor nessa época. É por sua proposição em pensar o homem e os acontecimentos sociais, invertendo os princípios e a ordem do conhecimento psicológico até então estabelecidos, que a TRS vai encontrar resistência, notadamente, entre os paradigmas dos saberes dominantes na época – o behaviorismo e o marxismo do tipo mecanicista 47.
Antes do advento da TRS, o pensamento das massas, correntemente denominado senso comum, era considerado como um corpus de conhecimento confuso, inconsistente, desarticulado e fragmentado. Em relação ao conhecimento científico, o senso comum era situado num pólo extremo e oposto: como uma
espécie de saber selvagem, profano, ingênuo e, até mesmo, de mentalidade pré- lógica conforme classificavam a sociologia, a psicologia, a antropologia, entre outras 48.
Em “A Psicanálise, sua imagem e seu público” Moscovici49 introduz a TRS, tomando como objeto de pesquisa, a apropriação da psicanálise pelo grande público francês dos anos 50, o qual difunde esse saber científico, inédito, transformando-o numa forma de conhecimento socialmente elaborado e partilhado enquanto saber prático do senso comum. O que de fato procura Moscovici não é a tradição de um social pré-estabelecido das sociedades ditas arcaicas, como fizera Durkheim, mas ele se interessa pela inovação de um social móvel do mundo moderno no qual predominam mudanças constantes e o pluralismo de idéias e de doutrinas, quer políticas, religiosas, filosóficas e morais, transformado com a divisão social do trabalho e a emergência de um novo saber: a ciência 48,50.
Assim, Moscovici substitui a noção de representações coletivas pelo conceito de representações sociais. A razão dessa mudança terminológica se justifica, de um lado, pela diversidade tanto da origem dos indivíduos quanto dos grupos. Por outro lado, pelo reconhecimento da importância da comunicação enquanto fenômeno que possibilita convergir os indivíduos (apesar de e por causa da divisão social do trabalho) numa rede de interações em que, qualquer coisa de individual pode tornar- se social e vice-versa. Nesse processo de comunicação, as representações sociais se elaboram na antinomia interativa onde são simultaneamente geradas e adquiridas. Para ele, as representações sociais não são homogêneas nem partilhadas enquanto tais, por toda a sociedade. E uma vez forjadas em condições socialmente desiguais, como resultado da divisão social do trabalho, as
representações são, portanto, sociais, já que partilhadas, mas não homogêneas, porque são partilhadas na heterogeneidade da desigualdade social.48,49.
Segundo ele, as representações sociais possuem um caráter socializador e as idéias, os valores, as crenças comuns são percebidas como um caso particular da atividade coletiva de um grupo social. O universo de opiniões particulares que pertence a cada grupo é o produto de uma comunicação na qual a mensagem passa por uma decodificação, isto é, que a mensagem é construída, diferenciada e mesmo deformada. A comunicação não se reduz ao fato de transmitir uma mensagem. Ela deforma, diferencia, traduz, da mesma forma que os grupos criam, deformam ou traduzem os objetos sociais ou as imagens dos outros grupos. Assim, o pensamento é socialmente condicionado e o estudo das representações sociais implica na análise das formas culturais de expressão dos grupos, da organização e da transformação desta expressão e, finalmente, de sua função mediadora entre os grupos, ou mais geralmente, entre o homem e seu meio. Desta forma, o conhecimento social não é a acumulação de conhecimentos individualmente determinados, ele resulta de condições e de práticas comuns, que realmente ao mesmo tempo o modelam e o nutrem. O social não é apenas uma tela de fundo, ele gera as representações sociais.
Por fim, Moscovici considera que as representações sociais encarnam fenômeno típico das sociedades modernas, poli-religiosas, pluripartidárias, mediáticas, em que não há mais mitos unificadores como os gregos ou os indígenas, e sim uma proliferação de conceitos, imagens, que nascem e evoluem sob nossos olhos, sem terem tempo de se transformarem em tradições. “Elas determinam nossa visão de mundo e nossa reação às pessoas e coisas. Seu impacto não provém da
sua consistência, mas da penetração que tem, da visão que transmitem e da ação que encorajam” 51,52.
Por refletirem um esforço incessante de tornar alguma coisa não familiar em alguma coisa familiar, as representações sociais ocorrem sob dois processos: a ancoragem e objetivação. A ancoragem esquematiza alguma coisa estranha que nos intriga, no nosso sistema particular de categorias, classificando ou categorizando os pensamentos, denominando-os e colocando-lhe um nome. Esta colocação de nome é destinada ao que tem sido classificado. A objetivação funciona como um processo de saturação de um conceito não familiar com a realidade, mudando-o em bloco de construção da realidade de si própria, transformando o abstrato em concreto, o mental em físico, e o desconhecido em conhecido 53.
Sob esta ótica, as representações sociais aparecem como um conhecimento, que não se caracteriza por uma contraposição ao saber científico. Trata-se, fundamentalmente, de uma forma de saber que, como os outros (mitologia, teologia, filosofia, ciência, etc.), diferencia-se pelos modos de elaborações a que se destina cada um, respectivamente 48.