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Apesar de até hoje o veículo não ter conseguido desenvolver, plenamente, seu potencial no âmbito do conteúdo e nem da forma, ele foi se adaptando à realidade. No atual contexto globalizante, o mercado de radiodifusão sonora tem mantido seu espaço. Alguns dados sobre este mercado são reveladores para se compreender a importância do rádio, particularmente, e das indústrias de mídia de modo geral. Num estudo realizado pelo Ipea29, denominado Panorama da Comunicação e das

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O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas é um órgão governamental especializado em economia, planejamento econômico e social e políticas governamentais. Publica livros, teses, periódicos, jornais e

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Telecomunicações no Brasil, Marques de Melo (2010, p. 16) contribui para

essa compreensão. “A sociedade midiática caracteriza-se pela prevalência das indústrias criativas e de conteúdo no conjunto das atividades de produção e circulação dos bens simbólicos que configuram e dão sentido à sua identidade cultural”.

Neste sentido, as indústrias de mídia desempenham dois papéis fundamentais e paradoxais na construção da realidade cotidiana. O primeiro diz respeito às empresas, criadoras de produtos de comunicação, baseados no conceito de mercadoria, e, portanto, fabricados de acordo com o modo de produção capitalista de acumulação flexível. O segundo é que os produtos midiáticos são apresentados como experiências do real, logo, constroem uma noção de realidade que predomina sobre o mundo vivido. Como os atores sociais irão consumir os produtos da mídia, e, principalmente, quantos irão consumir, são os aspectos que legitimarão as indústrias culturais a vender produtos às suas audiências, e, de outro lado, a vender audiências aos anunciantes. Assim, se formam os oligopólios midiáticos que, conforme León (2004), são na contemporaneidade um dos setores econômicos de maior

rentabilidade, exatamente, por obterem seus lucros nestes dois sentidos. Os investimentos em publicidade são o grande indicativo do

desenvolvimento dessas indústrias na sociedade midiática, aponta Marques de Melo (2010). Quanto maior a capacidade dos anunciantes para comprar espaços nas mídias, mais recursos terão os empresários do setor para fortalecer seus negócios. O autor apresenta alguns dados que mostram o Brasil como mercado potencial no ramo.

Segundo o anuário Mídia Dados 2010, baseado no Advertising Expenditure Forecast (Zenith Optimedia, 2009), como decorrência “da expansão da economia na maioria dos países do continente e da valorização das moedas locais diante do dólar”, no período 2007/2009 houve um crescimento de 15% nos investimentos publicitários da região. O Brasil, o México e a Colômbia demonstram sinais de vitalidade. São os únicos países desta região sociocultural incluídos no seleto clube dos maiores anunciantes mundiais. A situação brasileira é conjunturalmente confortável. Aplicando US$

CD-Roms contendo documentos e bases estatísticas. Seu acervo pode ser consultado no endereço

77 11.5 milhões/ano, figura em 7º lugar no volume de investimentos publicitários (depois dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, China, Reino Unido e França) e o 3º lugar no investimento publicitário em televisão, precedido apenas pelos Estados Unidos e Japão. Os grandes anunciantes são as corporações empresariais que atuam no mercado financeiro, varejista, automobilístico ou telefônico, bem como as poderosas empresas estatais. A top list dos investidores publicitários é composta por 15 empresas que aplicam verba unitária superior a US$ 200 milhões/ano. A distribuição do bolo publicitário é feita de modo paradoxal segundo os diferentes meios existentes no território brasileiro. Enquanto a indústria audiovisual (televisão, rádio) concentra dois terços dos recursos, a mídia impressa (jornal, revista) absorve um quinto, restando quantia inexpressiva para os veículos emergentes (internet, outdoor) e migalhas para os bolsões marginais (folkmídia) (MARQUES DE MELO, 2010, p. 16 - 17).

Os números pesquisados pelo autor indicam o que especialistas em política e economia também vêm afirmando: o Brasil como uma economia emergente ocupa cada vez mais espaço em variadas áreas, incluindo aí, a dos investimentos publicitários, que coloca o país em sétimo lugar mundial. Outros dados trazidos por Marques de Melo (2010) são o domínio das megacorporações transnacionais. Ele cita, entre outros, a indústria automobilística e o ramo da telefonia, como anunciantes do setor da Comunicação e das Telecomunicações e, ainda, a nova estratégia do Estado sobre os meios de comunicação, que passa do controle político, como a censura no período da ditadura, para o econômico, através dos investimentos atuais das grandes empresas estatais.

Marques de Melo destaca a desigualdade na distribuição do bolo publicitário que tem como consequência uma polarização das grandes mídias em detrimento da folkmídia, importante forma de comunicação que contribui para a organização das classes populares. O desafio de agir e aproximar estes dois subsistemas, estes dois Brasis, que se confrontam e interagem continuamente, é o que “confere singularidade à geografia comunicacional brasileira”, aponta Marques de Melo (2010, p. 17).

Antes de trazer dados mais específicos sobre o rádio no Brasil, vale registrar alguns levantamentos sobre o veículo em outros países para, num contexto mais amplo, identificar tendências e mostrar seu espaço atual. O autor

78 argentino Haye (2011b) assinala que a América do Sul está atrasada em relação ao que se verifica em outros países.

A União Européia de Rádio aponta que na Europa se verifica uma desaceleração dos usuários de televisão, mas um auge no consumo de rádio. O organismo sustenta que 84% de pessoas acima de 13 anos escutam rádio diariamente. Em 2007 havia no mundo mais de 2,7 bilhões de aparelhos de rádio (dois terços são analógicos) e cerca de 300 mil estações de rádio na internet com 50 milhões de ciber- escutas (HAYE, 2011b, p. 17).

A diminuição no número de telespectadores pode ser explicada pelo fato das pessoas, no mundo contemporâneo, viverem e se movimentarem de forma acelerada, incompatível com muitos dos códigos de inteligibilidade da televisão onde é preciso parar, sentar, olhar e ouvir. Enquanto, para a ação de consumir rádio, o processo é muito mais simples e adaptado a esse mundo. Haye (2011b, p. 17) chama a atenção para a forte presença do veículo a partir de uma grande quantidade de dispositivos que permitem sintonizar seus sinais. “É possível escutar através dos telefones celulares, do iPod, dos rádios-relógio que nos acordam e até através das escovas de dente que já trazem um chip para que também no banheiro o rádio nos acompanhe”.

Conforme o autor, a programação das emissoras está se modificando, de sua concepção generalista, para as transmissões especializadas que ganham cada vez mais espaço. Haye (2011b) aponta que na Espanha, pela primeira vez em 2007, o rádio especializado ficou na frente do generalista na preferência do público. “Do mesmo modo, na Europa – mas também em vários países sul-americanos – as audiências giraram o botão e passaram do AM ao FM majoritariamente” (HAYE, 2011b, p. 18). É importante observar que o rádio AM nasceu generalista, enquanto, o FM surge depois e vai ocupar os espaços disponíveis em termos de público e de programação, então, existe esta vinculação entre o AM e o veículo generalista. Neste sentido o autor reforça a ideia da supremacia do veículo especializado sobre o generalista.

Contudo, no Brasil pelo menos, este girar o botão pode não indicar, exatamente, uma mudança na preferência, mas somente a busca por uma melhora na qualidade do sinal ou mesmo a possibilidade de ouvir a emissora,

79 pois os telefones celulares e outros dispositivos não têm frequência AM. É para resolver estes problemas que várias emissoras têm se utilizado da estratégia da duplicidade de canais AM e FM, para retransmissão de sua programação. Todavia, parece que a extinção do AM está próxima. O governo aprovou, recentemente, a migração das emissoras de rádio AM para a faixa de FM30. As AM ocuparão os canais 5 e 6 de televisão que não serão mais

utilizados com a implementação da televisão digital.

Segundo Ferraretto (2010), a estratégia da duplicidade e, a forte presença do veículo, como diz Haye (2011b), mostram um novo posicionamento do negócio de radiodifusão brasileiro:

[...] a necessidade de estar presente em todo o suporte tecnológico possível: do espectro hertziano em suas diversas manifestações – radinhos transistorizados, telefones celulares, MP3 players ... – às novas formas de transmissão e recepção de áudio proporcionadas pela internet (FERRARETTO, 2010, p. 540).

A nova posição no contexto da indústria de radiodifusão, a que se refere Ferraretto (2010), é a indispensável modificação no modo de conduzir o negócio rádio, que não é mais o mesmo, depois da consolidação da internet. O seu aspecto conceitual já se apresentava atualizado pelo professor e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina, Eduardo Meditsch, ao afirmar, em 2008, “que o termo rádio passava a indicar, de modo crescente, uma linguagem específica independente do suporte técnico ao qual este se associava”, conforme relata Ferraretto (2010, p. 540). A emissora produtora de conteúdo, o público atraído pela programação e os anunciantes, compradores da audiência identificada com os programas, é um modelo empresarial superado, na avaliação de Ferraretto, pois não explora as várias possibilidades do novo meio, embora seja, ainda, o mais utilizado pelos veículos no país.

Brittos (2002) também aponta a internet como a maior novidade para o rádio quando aborda os principais caminhos do veículo na fase da

30 A notícia foi divulgada no dia 06 de junho de 2013 diz que a presidente Dilma Rousseff encaminhou a

proposta em regime de urgência ao Congresso Nacional. http://tudoradio.com/noticias/ver/9266-plantao- dilma-rousseff-aprova-migracao-de-emissoras-am-para-fm.

80 multiplicidade da oferta. Apesar de onze anos terem se passado desde que o autor descreveu estes caminhos, eles continuam bastante atuais. Primeiro, assinala Brittos (2002), as emissoras buscam o fortalecimento da imagem corporativa e do perfil de programação, já que existem inúmeras opções disponíveis é preciso que cada meio seja percebido rapidamente no seu diferencial. Segundo, como forma de se aproximar do ouvinte as emissoras desenvolvem vários tipos de promoções para fidelizar o público e firmar a marca. Um terceiro ponto é diversificar a receita através de campanhas, lançamentos de CDs, DVDs, revistas ou mesmo programetes de TV. O autor destaca ainda outra maneira de buscar renda:

[...] é desenvolver formatos radiofônicos específicos para empresas, durante um dado período ou regularmente, esquema comprado principalmente pelo comércio varejista, que assim pode dispor de uma rádio exclusiva, implantada por uma emissora importante, nos mesmos moldes da que emite em sinal aberto, inclusive com comunicadores interagindo direto nos pontos de venda (BRITTOS, 2002, p. 46).

A segmentação é o quarto caminho, pois não há possibilidade de uma rádio se dirigir a todos os tipos de público. Brittos (2002, p. 46) assinala que “os formatos de programação divididos em jornalismo, adulto, jovem, popular e semelhantes, bem como sua implementação, remetem a procedimentos globais [...]”. Estes formatos somados a mais alguns recortes resulta em segmentos de consumidores com perfil econômico determinado, mas que possuem outras especificidades como faixa etária, gênero e formas de consumo, portanto, os públicos ficaram cada vez mais estratificados e para fideliza-los é preciso conhecer além de suas rendas.

Brittos (2002) se refere também as emissoras comunitárias como algo novo na fase da multiplicidade da oferta, quando analisa o modelo hertziano tradicional. Afinal a lei que institui o Serviço de Radiodifusão Comunitária no Brasil foi aprovada somente em fevereiro de 1998 pelo Congresso Nacional. A proliferação das concessões se dá, a partir de 2003, quando inicia o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje o país tem 4.421 rádios comunitárias, praticamente o mesmo número de emissoras comerciais que é de 4.589. Contudo, a restrição legal para transmissão em FM – 25 watts de

81 potência, antena inferior a 30 metros e proibição de propaganda – e a falta de profissionalização acabaram por não viabilizar as rádios comunitárias como modelos radiofônicos alternativos.

Por fim, conforme Brittos (2002), a internet é a principal novidade para o rádio, na fase da multiplicidade da oferta, pois não depende de autorização do governo, amplia enormemente a possibilidade de transmissão dos veículos tradicionais e de criar novos. O autor salienta que a internet é uma possibilidade real de mudar a lógica de dependência do Estado, contudo, reconhece a complexidade da situação diante dos pesados recursos financeiros que as grandes empresas de mídia investem também na rede. O prognóstico de Brittos (2002) vai ao encontro do que diz Ferraretto (2010) sobre as importantes alterações nos modos de fazer e conduzir as empresas de rádio, depois da consolidação da internet e do desenvolvimento de dispositivos digitais de transmissão. Já o rádio digital no Brasil como em outros países não consegue se viabilizar como negócio.

Nos Estados Unidos, o tradicional rádio AM/FM ainda domina a paisagem sonora. Na última década foi o meio tradicional mais estável em relação ao público, caindo apenas 3 pontos percentuais. O site do Pew

Research Center's Project For Excellence In Journalism31 apresentou sua

pesquisa anual State of the News Media, sobre o desempenho da mídia no país e a área de rádio, publicada em 2011, foi intitulada Audio: Medium on the

Brink of Major Change32. A investigação mostrou que 93% dos americanos

continuam a ouvir rádio AM/FM a cada semana. Contudo, como sugere o título da pesquisa as novas tecnologias têm crescido muito: o uso de telefone celular e da internet de alta velocidade estavam apenas um pouco atrás do aparelho tradicional de AM/FM.

31 O Pew Research Center's Project for Excellence in Journalism é dedicado a compreender a revolução

da informação na contemporaneidade, através do uso de métodos empíricos para avaliar e estudar o desempenho da imprensa. O objetivo do Centro de Pesquisa é ajudar os jornalistas que produzem a notícia e os cidadãos que consomem, a desenvolver uma melhor compreensão do que a imprensa está entregando, como os meios de comunicação estão mudando, e que forças estão moldando essas mudanças. http://www.journalism.org

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Áudio: meio no limiar de grandes mudanças.

82 Já a principal iniciativa da indústria tecnológica, o HD Radio33, sistema

padrão de rádio digital, não conseguiu prosperar nos Estados Unidos. Não gerou o apoio público do setor de transmissão que seria esperado, quando foi introduzido em 2002. Apenas pequenas porcentagens de pessoas ouvem HD

radio ou mesmo estão cientes que ele existe, os dados de 2011 da Audio: Medium on the Brink of Major Change apontam que esses números

mantiveram-se estáveis. A pesquisa mostra um dado revelador, o fato de que menos estações estão investindo no processo de transição do analógico para o digital. HD radio foi a primeira tentativa de oferecer aos ouvintes uma forma nova e melhorada de consumir rádio AM/FM tradicional com novas funcionalidades, mas tem falhado na função, pois os ouvintes não estão interessados.

A falta de interesse do público, como apresenta o estudo, fez as próprias emissoras perderem o interesse em HD radio também. Em outubro de 2010, apenas 2.086 das 14.608 estações de rádio comerciais dos EUA (14%) fizeram transmissão em HD radio. Em 2010 apenas 21 emissoras foram convertidas para a nova tecnologia. Isso é uma diminuição significativa de um pico de 521 que se converteu em 2006. A plataforma de um novo e promissor modelo de rádio, que ofereceu a chance de estações de públicos-alvo, oferecendo-lhes o som mais claro e sinais múltiplos de programa, parece estar parando, conforme o levantamento do Project for Excellence in Journalism.

Em 2012, a pesquisa State of the News Media, na área de rádio, questiona Audio: How Far Will Digital Go?34 Essa investigação mostrou que o

interesse das pessoas e das emissoras pelo HD Radio continua numa

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O HD Radio (Hybrid Digital Radio) também conhecido como Iboc (In Band on Channel) é um sistema de transmissão digital, desenvolvido pela empresa norte-americana iBiquity Digital Corporation. O Iboc é um dos modelos de rádio digital em teste no Brasil. A principal vantagem do HD Radio seria transmitir sinais analógico e digital em um mesmo canal. Contudo, engenheiros brasileiros contestam esta vantagem e defendem a escolha de outros sistemas para o país, segundo a reportagem HD Radio/Iboc vai reduzir

espectro de frequências em 30%, do site Observatório do Direito à Comunicação. O site é realizado

pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. http://www.direitoacomunicacao.org.br

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83 tendência de queda, com dados muito parecidos com o ano anterior. Enquanto o que mais cresceu, no último ano, foi o número de pessoas que escutam áudio de rádio AM/FM em dispositivos móveis digitais.

Se nos Estados Unidos o rádio digital não se desenvolveu, no Brasil, ainda se questiona qual seria o melhor sistema a ser implantado. Para Del Bianco (2011a, p. 126) a discussão sobre o rádio digital no país “[...] vai acontecer a partir de 2002, quando o governo começa a se preparar, a AESP35

e a Abert se posicionam em relação a modelos já existentes e aí de fato o debate se consolida.” Segundo a autora, depois de 10 anos do início das discussões, o que se tem são indecisões e impasses.

De 2001 a 2005 é uma fase de preparação para os testes, pois os radiodifusores começaram a frequentar os congressos da Abert e tomaram conhecimento de que existiam modelos de rádios digitais, explica Del Bianco (2011a). Este período é marcado por demonstrações de sistemas. “Havia um convite da Abert para uma empresa, o DRM36 e o IBOC, a empresa ia lá e fazia uma demonstração de como isso funcionava” (DEL BIANCO, 2011a, p. 129). Entre 2005 e 2010 acontecem dois movimentos, a realização de testes no Brasil e a intensificação do debate, paralelamente. Segundo a autora, em 2011, surge uma proposta do governo de viabilizar o Sistema Brasileiro de Rádio Digital, o SBRD. Del Bianco (2011a) aponta que apenas três sistemas já fizeram testes oficiais no país. Os modelos da DRM realizado pela Universidade de Brasília e da HD Radio, teste feito pelo Instituto Mackenzie e a Embratel em 2008. “[...] agora, a novidade é que os testes foram retomados. O DRM e o DRM+ estão sendo testados pela Anatel, Ministério das

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Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo.

36 O DRM (Digital Radio Mondiale) foi desenvolvido por um consórcio europeu. É um sistema in-band,

quer dizer que os sinais, analógicos e digital, irão coexistir, pois tem possibilidade de muitos ouvintes continuar usando receptores analógicos e outros já estarem com usando receptores digitais. Segundo Tome (2010) essa fase de transição pode durar décadas. O DRM + é uma versão do DRM para operar na faixa de FM. TOME, Takashi. Analógico versus digital: expectativas e limitações In: MAGNONI, Antônio Francisco, CARVALHO, Juliano Maurício (orgs.). O novo rádio: cenários da radiodifusão na

84 Comunicações, o Instituto Nacional de Tecnologia e, o INMETRO, também está fazendo parte do processo de medição” (DEL BIANCO, 2011a, p. 131).

Nem na Europa o rádio digital alcançou o sucesso esperado. Segundo Franquet (2003) o sistema de rádio digital começou a ser implantado na Europa em 1995, em ritmos bem diferentes de acordo com fatores tecnológicos, de mercado e de ordem política de cada país. Contudo, a concepção do modelo

out-of-band, ou seja, a necessidade de atribuir uma faixa de frequência

exclusiva para o padrão digital DAB37, já que o sistema não poderia funcionar

de forma simultânea nas atuais emissoras AM e FM analógicas e com isso abriria mais espaços para novos veículos, parecia resolver o problema do congestionamento do espectro europeu. Conforme Del Bianco (2010), esse modelo de digitalização enfrenta dificuldades para conquistar popularidade, embora esteja em funcionamento, na Europa e na Ásia, há quase 15 anos38. A autora relata, ainda, outro obstáculo para a consolidação do modelo de rádio digital:

Um dos problemas do DAB atual é a falta de unificação dos padrões disponíveis. Além do tradicional há o DAB + (permite maior eficiência com menos bits) e o multimídia DMB (Digital Multimedia Broadcasting), uma plataforma de áudio e televisão digital móvel. Em todo mundo existem mais de um mil diferentes receptores de DAB, 190 de DMB (DEL BIANCO, 2010, p. 09).

A evolução do digital tem sido realmente, desigual na Europa. Na Espanha, por exemplo, o rádio digital está em funcionamento há dez anos sem ter alcançado a meta de atingir 80% do território, sequer conquistou ouvintes nas localidades onde é transmitido, por falta de receptores à venda a preços acessíveis, enquanto, na Inglaterra, 32% dos adultos possuem uma rádio DAB, o que equivale a um em cada três britânicos. Um quinto da audiência ouve

37 O DAB (Digital Audio Broadcasting) foi o primeiro sistema de rádio digital desenvolvido no início da

década de 1990, na Europa. É out-of-band, ou seja, um sistema totalmente digital que opera na faixa de VHF ou UHF. Conforme Tome (2010) a transmissão dos sinais é realizada por um operador de rede e as emissoras passariam a ser geradoras de conteúdo ou de programação. TOME, Takashi. Analógico versus digital: expectativas e limitações In: MAGNONI, Antônio Francisco, CARVALHO, Juliano Maurício

Benzer Belgeler