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Apesar de ocorrerem de maneira cronologicamente diferente, os fenômenos da puberdade e da maturidade sexual, apresentam componentes que seguem a mesma ordem para animais de origem taurina e indiana (Guimarães, 1993).

Após a fase puberal, marcadas mudanças quantitativas e qualitativas no sêmen ocorrem com o objetivo de conferir aos reprodutores um potencial reprodutivo que esteja na média de sua raça ou espécie. Essas modificações incluem: aumentos do volume seminal, da motilidade, do vigor e da concentração e diminuição das patologias espermáticas. Tais características são aprimoradas até que alcançam um platô (maturidade sexual), tendendo a estabilização na vida adulta reprodutiva normal dos animais, com o decréscimo na senilidade (Fonseca et al., 1997; Guimarães, 1993).

A maturidade sexual em machos bovinos é definida quando os animais apresentam-se com os espermatozóides contendo no mínimo 50 % de motilidade e morfologia com no máximo 10 % de defeitos espermáticos maiores e 20 % de defeitos menores (Garcia et al., 1987; Freneau, 1991).

Garcia (1971) verificou que animais das raças Gir e Nelore alcançam a maturidade sexual aos 24 meses de idade, já Garcia et al., (1987) encontraram, para animais da raça Guzerá, maturidade sexual aos 25,4 meses de idade.

Vale Filho, (1988), estudando os efeitos do meio ambiente na maturação sexual, encontraram, nos animais criados sob boas condições nutricionais, apenas 53,3% com características seminais nos padrões compatíveis com a maturação do sêmen aos 24 meses de idade em touros da raça Nelore. Da mesma forma, que na puberdade, o nível nutricional parece afetar a qualidade seminal dos animais na fase pós puberal. Alguns trabalhos mencionam o efeito negativo dos baixos níveis nutricionais sobre as características seminais dos ejaculados de touros da raça Nelore, criados em regime extensivo (Fonseca et al., 1975; Salvador, 2001). Salvador (2001) encontrou alta porcentagem de animais com imaturidade sexual aos dois anos de idade (49,4 %), atribuindo isto à deficiente condição nutricional que os animais estavam submetidos.

Apesar da grande potencialidade da raça Nelore para alta produção e reprodução em ambiente tropical, muitas vezes, o meio ambiente inadequado, notadamente nutricional, pode atrasar a puberdade e a maturidade sexual, principalmente em animais geneticamente superiores (Vale Filho, 1988; Vale Filho et al., 1994). Parâmetros tais como peso corporal, circunferência escrotal e demais parâmetros de mensurações testiculares, bem como, das glândulas vesiculares, coadjuvados com análises das características físicas e morfológicas do sêmen, expressas pelo índice de classificação andrológica por pontos (CAP), podem ser tomadas como referência para a avaliação de touros em fase de maturação sexual (Vale Filho, 1988; Dias et al., 2009b).

Animais que receberam dietas com restrição proteica possuíram redução nos pesos dos testículos, epidídimos, glândulas vesiculares e nos diâmetro e altura do epitélio seminífero, no volume e no número de espermatozoides totais no ejaculado. No entanto, não houve alteração na morfologia e na motilidade espermática (Meacham et al., 1961). Esses resultados sugerem que a espermatocitogênese foi mais sensível à deficiência proteica, em relação a espermiogênese em touros jovens de 8, 10 ou 12 meses. Entretanto, vale ressaltar que esses animais podem estar na fase puberal, sem, portanto, ter adquirido totalmente a maturação da célula de Sertoli não sendo capaz de detectar efeitos negativos maiores na morfologia e na motilidade espermáticas antes que o animal adquira a maturidade sexual.

Baixa ingestão de proteínas resulta em redução da produção espermática em touros (Rekwot et al., 1988). Essa redução da eficiência da espermatogênese também foi observada por Glass et al. (1979) em ratos com deficiência em proteínas, os quais apresentaram redução no conteúdo hipotalâmico de GnRH, e, consequentemente de LH, FSH e testosterona.

Varrões consumindo baixo teor de proteína (7 % de proteína bruta) na dieta não apresentaram diferença (P>0,05) nas características seminais (concentração, motilidade e morfologia) comparados à animais que consumiram dieta rica em proteína (16 %). Os autores atribuem esse resultado ser devido a não diferença observada entre as concentrações plasmáticas de LH, FSH e da testosterona entre ambos os grupos. Possivelmente, a maior digestibilidade da proteína, incrementando a energia metabolizável, no grupo de animais que ingeriram 7 % de proteína bruta pode ter interferido na

interpretação dos resultados (Louis et al., 1994).

Touros das raças Simental e Hereford foram testados nas idades que compreendem 212 a 422 dias de idade durante um período de 38 dias. Dessa forma, os grupos foram divididos em baixa, média e alta ingestão de energia (14, 18 e 23 Mcal/animal/dia, respectivamente). Foram observado efeito de tratamento apenas nos animais da raça Simental, ou seja, os animais que ingeriram a dieta com altos níveis energéticos possuíram maiores peso corporal, circunferência escrotal e concentração sérica de testosterona comparada ao grupo de baixa ingestão de energia, sendo que, as características do sêmen não foram afetadas. A capacidade de serviço foi maior para touros da raça Hereford que ingeriram dietas com altos níveis energéticos (Pruitt et al., 1986). Contudo as condições de manejo, dentre os quais os animais foram submetidos, nos períodos precedentes ao experimento, ou mecanismos locais da função testicular agindo de forma compensatória, possam ter interferido nos resultados, visto que o período experimental foi curto.

Além disso, Brito (2006) observou que touros que sofrem restrição alimentar no período pré desmama possuem atraso nos desenvolvimentos corporais e testiculares mesmo quando são restaurados condição nutricional adequada no período peripuberal, ou seja, restrição alimentar durante período precoce na vida do animal não é compensada pela suplementação nutricional durante o período pós puberal. Talvez a explicação para tais resultados seja o fato de que a diferenciação e proliferação das células de Leydig e de Sertoli ocorrem em períodos anteriores ao da puberdade.

Portanto, Corrêa et al. (2006) avaliaram o efeito de três manejos alimentares (extensivo, suplementação na seca e confinado), em tourinhos da raça Tabapuã

sexualmente maduros, sobre a circunferência escrotal (CE) e as características seminais como a motilidade espermática, os defeitos espermáticos maiores e totais e a classificação andrológica por pontos. Os autores observaram que apesar de haver efeito de tratamento sobre a CE, o mesmo não foi observado para as características seminais. Esses resultados suportam a hipótese que após o período peripuberal reduzidas concentrações de gonadotrofinas e esteróides, bem como, fatores locais, são necessárias para manter a espermatogênese normal, uma vez que, as células de Leydig e Sertoli se encontram maduras.

Dietas com alta energia pós desmama são associadas com prejuízo da eficiência reprodutiva. Tal fato tem sido justificado pela alteração da termorregulação testicular, uma vez que, a deposição de gordura, provocada pela alta energia na dieta, ao redor dos testículos e do funículo espermático inibem a troca térmica através das glândulas sudoríparas do escroto e do plexo pampiriforme, acarretando em aumento e redução dos defeitos e motilidade espermáticas, respectivamente (Guimarães, 1993).

2.10 - Comportamento sexual em

Benzer Belgeler